Poemas Nordestinos

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⁠...o mal ou o bem , estão é em quem faz; não é no efeito que dão. (Graciliano Ramos. Grande Sertão: veredas, p. 113)

⁠- o ódio __ é a gente se lembrar do que não deve-de; amor é a gente querendo achar o que é da gente. (Grande Sertão: Veredas. p.377)

A verdade é que somos retirantes em pleno século XXI. Fugindo dos mesmos problemas, convivendo com as mesmas situações, alimentando os mesmos ideais de sempre, sem nunca resolver o que realmente precisa no sertão: a fome educacional.

Recompensa Divina

Da pior seca dos últimos tempos
Ao período que mais choveu...
Com Deus não há tempo ruim
Não desampara quem Dele careceu

O pasto está crescendo
O gado engordando
A barragem sangrando
E o povo agradecendo

Graças a Deus,
É a chuva que chega ao sertão
Para fazer de 2013
Um ano de muita recordação

Até na seca Deus sabe desenhar... saudades desse lugar.
Nascido no mato, criado no concreto.... na simplicidade eu me encontro.
Há quem diga que não vive sem o luxo... no final de tudo todos estaremos mortos, cansados por correr atrás de coisas que não eram eternas...

choverando
canta gota do céu corrente
chuverando o chão ressequido
em sonatas vorazmente

canta para o sono embalar
nina com sua água vertente
banhando o cerrado a sonhar

canta a canção das águas
mata a sede inteiramente
e leva contigo as mágoas

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
setembro de 2019
Araguari, Triângulo Mineiro

Na roça

Curtindo uma vida pacata
com essa gente hospitaleira
sentindo o cheiro da mata
ouvindo o som da cachoeira
e um cafezinho na hora exata
borbulhando na chaleira.

IN CANTOS

Canto nu, uirapuru
Canto lá , sabiá
Canto não, azulão
Canto, embaraço, sanhaço
Canto sim, papa capim
Canto mal, ó cardeal
Galo da campina
Minas, esquinas
Passarinho em sua sina
Canto só, sem voar mocó
Sai do peito, Assum preto
Canto otário, me salva o canário
Belga ou da terra
Do céu e das nuvens
Bel canto em esperanto
Canto nu, urubu
Versos emplumados
D’alma inquieta
Espinha não ereta
Que jaz em uma cama
Um quarto
Assobio sem sucesso
O espólio do das penas
Pena.

Luciano Calazans. Serrinha, Bahia. 22/12/2017

Inserida por Maestroazul

Bendito seja o sertanejo esperançoso, esgotado, ainda que de tanto trabalho.
Não desanima da labuta na terra, na alegria de plantar pra comemorar seus frutos como dádiva divina.
Satisfeito do seu cansativo dia, o sertanejo retorna pra casa com seus cestos fartos de frutos de um abençoado trabalho de um humilde sertanejo que aprendeu com a terra a dignidade do trabalho.

Inserida por marcio_henrique_melo

"Quando deixei minha terra.
O chão que ali deixei, não olhei para traz.
Sertanejo deixa o sertão, para viver longe de casa.
Sem amor e sem caminho, com o pé arrastando no chão.
Com o coração cheio de emoção e saudade.
Carrego no corpo o violão.
Sentindo fome, não teme o amanhã, que logo vem. Ao anoitecer se encosta em qualquer lugar que lhe faz bem. Lá vem o dia, o sol nasceu . Sem destino, caminho, pela vida afora outra vez."

Inserida por viviane_souza_10

Eu queria ser artesão
Esculpindo bonecos de barro
Como aqueles que um dia vi
No museu do cais do sertão

Mas essa vontade passou
Foi-se com a praticidade
E depois já não muito tarde
Pensei em tocar violão

Mas não me atentei a canção
Nas cifras perdia a noção
Das notas esquecia o refrão
Nas cordas me via sem mãos

Só me restou pensar novamente
Talvez eu praticasse repente
No mais eu pensei brevemente
E logo encontrei um caminhão

Agora me resta somente
Um terno dentro de um caixão
Preso debaixo da terra
A sete palmos do chão.

Inserida por alvaro_de_azevedo

To sem sono na minha mente vem lembranças daquele final de semana, naquela cidadezinha de interior,
Naquela loirinha que me conquistou com aquele sorriso meigo e inocente...
Foi o final de semana mais feliz da minha vida! Mas os dias passaram e chegou a hora de partir, tinha te prometido que não ia chorar,
confesso que não consegui conter as lágrimas, mas
Até o céu chorou no sertão, talvez ele já sabia que eu nunca mais ia voltar!

(Fato real)

Inserida por TakayStronger

Partiu.

Secou a minha umbuzeira
meu cajueiro foi pro chão
o xique-xique e a cajazeira
já não brotam no sertão
e o jumento resistente
olha triste e diz "Oxente"
foi-se embora o meu patrão.

Inserida por GVM

EU FICO.

Um pouco d'água por caridade
não quero ver outra mudança
não é nada contra a cidade
mas o sertão é a nossa herança
mesmo com tanta dificuldade
não vou perder a esperança.

Inserida por GVM

Festa do trovão.

Começa o dia no chão
arando a terra sagrada
colhendo da plantação
o sustento da filharada
quem vive pelo sertão
não pode ouvir um trovão
que faz uma festa arretada.

Inserida por GVM

Minha terra.

Não sou rico, não sou pobre
sou mais um agricultor
que na vida se descobre
que na terra tem amor
nela o que planto é nobre
e o que nasce tem valor.

Inserida por GVM

Um trovão.

Se eu ouvisse um trovão
pelo menos como aviso
pra que esse pobre coração
traga de volta o seu sorriso
e novamente ver o sertão
se tornar um paraíso.

Inserida por GVM

Sofrida.

O que veio da colheita
deixou minha mãe sofrida
mas com pouco se ajeita
pra fazer nossa comida
e a esperança é a receita
que alimenta nossa vida.

Inserida por GVM

Verde.

As lágrimas estão molhando
a raiz da plantação
o verde está brotando
das entranhas deste chão
e a esperança semeando
dentro de cada coração.

Inserida por GVM

Renascer verde.

Quando o meu Senhor ordena
que a chuva caia em cima
dessa seca que condena
o sertanejo se anima
quando o verde entra em cena
se transforma em obra prima.

Inserida por GVM