Poemas Góticos

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Vingança
O silêncio é barulhento demais pra quem vive em constante guerra.
Honras, reconhecimento e medalhas, jamais apagarão as marcas da vida.
Só em ti Deus, minha alma encontra descanso.

Quem observa em silêncio somente espera o momento certo.
A vida é um jogo de xadrez, se adapte, mude, transforme.
Em segundos tomamos decisões que mudam toda uma vida.

A Espera da Palavra

Existe um silêncio que pesa no peito, um vazio que se instala enquanto a alma se senta na beira do caminho esperando, apenas, que alguém fale. Esperando um eu te amo que venha sem pressa, um sinto sua falta que cure a distância, ou um simples estou aqui que reorganize o mundo que desabou por dentro. Passamos a vida guardando palavras com medo de parecer fragilidade, sem perceber que o outro pode estar no limite das suas forças, precisando apenas ouvir que a sua existência faz diferença e que o seu lugar no mundo continua guardado com amor.

A única forma de realizar um trabalho em silêncio, num espaço público, sem media, sem televisões, sem redes sociais, sem Facebook, sem TikTok, sem ruído é, paradoxalmente, não o realizar.
Vivemos num tempo em que a informação já não circula num vácuo fechado; ela propaga-se num campo aberto, permanentemente atravessado por acções externas, olhares, algoritmos e interferências invisíveis. O silêncio, hoje, tornou-se uma ausência quase impossível.
Furucuto, 2026

Cuida bem do teu silêncio,
até que um dia ele aprenda
a transformar-se em palavras.
Furucuto, 2026

Tenho tudo que declarei pra mim no silêncio 🤐🪐,mas
não tenho nada do que contei como segredo que ia comprar 🧟‍♂️
🕳️

Ontem sonhei com algo que jamais me permitiria reconstruir. Desmoronei em silêncio, como se o amanhã fosse apenas uma invenção distante, dessas que a madrugada costuma esquecer.


Diante do mundo, senti aquilo que talvez pudesse ter evitado. E, ainda assim, permaneci ali, levitando entre pequenas pedras e fragmentos de coisas sem nome, enquanto as ondas devolviam à superfície um reflexo quase insano da lua.


Observei, então, cada passo desnecessário da minha própria alma, vagando por lugares que já não reconheço. Havia uma estranha delicadeza naquele vazio, como se a tristeza tivesse aprendido a se vestir de elegância.


E, no fim, restaram apenas memórias leves quase inexistentes de quando éramos felizes, antes que os dias adquirissem compromissos, antes que nossas vidas fossem condenadas às rotinas e o tempo descobrisse uma maneira silenciosa de nos separar.

No Brasil, livrarias agonizam em silêncio, enquanto bienais explodem em carnavais literários. O livro virou festa, não hábito.


Benê Morais
⁠

“O tempo é o mestre invisível que ensina a existir, molda com dor, corrige com o silêncio e, ao final, consome o próprio ensinamento para devolvê-lo à eternidade.”

M. Arawak.

O QUE ACONTECE QUANDO A DOR FALA MAIS ALTO


​Você guarda tudo isso porque o silêncio parecia mais seguro do que aceitar o fim.
E não é fraqueza, nem exagero.
​É porque você acreditou na promessa do que poderia ser.
Desistir parecia destruir o futuro que você desenhou sozinho.
​É por isso que você continua:


​justificando o que não tem defesa
​aceitando migalhas de afeto
​recalculando rota para caber onde não há espaço
​culpando a si mesmo pelo que deu errado


​Tudo para não admitir que o barco já afundou.


​Mas a verdade é simples e inevitável: você não chora pela falta que o outro faz.
Você chora pelo desperdício de tanto amor entregue a quem não soube segurar.
​Quando essa ficha cai, a dor muda de lugar.


​O DIA EM QUE A ESPERANÇA CANSA


​Apesar de toda a resiliência, chega o dia em que o peito simplesmente… desiste.
E quando desiste, a esperança cessa.
​Isso acontece quando você finalmente enxerga:


​que a balança do afeto sempre esteve desregulada
​que você mendigava a atenção que antes sobrava
​que o seu melhor nunca foi o suficiente para quem só sabia receber
​que continuar insistindo era uma forma lenta de se destruir

O silêncio de Deus é mais poderoso e mais majestoso do que qualquer palavra, que, em comparação com Ele, seria apenas um ruído.


(Byung-Chul Han)

Onde a Luz Aprende a Sentir

Antes da luz,
existia um silêncio tão profundo
que nem mesmo o tempo
sabia para onde caminhar.

Então nasceu a vida —
pequena, frágil, inexplicável —
com um coração aprendendo
a transformar ausência em esperança.

E foi assim que o mundo começou:

uma luz tocando outra luz,
um olhar encontrando abrigo,
uma alma percebendo
que não nasceu apenas para existir.

Porque viver
não é somente atravessar os dias.

Viver é carregar tempestades no peito
e, ainda assim, oferecer flores.
É conhecer a noite
sem esquecer que existe manhã.

Há sentimentos
que não cabem em palavras.

São como estrelas:
ninguém consegue segurá-las,
mas basta levantar os olhos
para saber que estão ali.

Talvez seja isso a vida:

uma breve chama
acesa entre dois infinitos.

E talvez o sentimento
seja a razão pela qual ela continua acesa.

Pois enquanto houver alguém capaz de amar,
de lembrar,
de sonhar mesmo depois da dor,

a luz nunca terá desaparecido.

Ela apenas terá encontrado
outro coração
para nascer novamente.

O Silêncio Acolhedor do Reencontro Consigo Mesma


Quando um laço importante se desfaz na matéria, a vida nos convida a retornar para a nossa própria morada interior. O esvaziamento das relações que já não têm afinidade não é um abandono divino, mas um espaço sagrado que se abre para que possamos ouvir a nossa própria voz. É no silêncio que se segue às despedidas que conseguimos reorganizar nossos sentimentos, avaliar nossos aprendizados e entender quais são as nossas reais necessidades atuais. A separação, vista por esse prisma, funciona como uma poda necessária: dói no momento, mas limpa os galhos para que novos frutos possam nascer. Estar mais distante do mundo e mais próxima de si mesma é o caminho mais bonito para o verdadeiro auto reencontro.

Do silêncio em mim


E eu não lhe disse nada...
E, o silêncio que se fez em mim, disse-lhe tudo.
No peito ficou guardado o que não encontrou coragem na voz.
Engasguei-me com a dor e o medo do som das palavras que poderiam de mim sair.
E cá estou eu: vivendo há séculos de frases inacabadas... palavras tartamudeadas, balbuciadas, só dentro de mim...

Silêncio inscrito


Repetidamente ouve-se o eco de um silêncio escrito dos dois lados da rua...
Perpetua-se, pela alameda vazia e fria, o eco de vozes antigas
guardadas na memória... revive-se dolorosamente o peso da ausência.
Enredam-se as palavras, sufocam-se as lágrimas engolindo-se em seco uma dor que insiste em se fazer sempre presente...
Suprimem-se as doces lembranças, que
iludem as veias de um tempo adormecido nos ombros cansados, esgotados de vida.
Insinuam-se em ondas de frio sobressaltos e temores – fantasmas de uma força invisível e maior do que o mundo.
Espalham-se palavras contra os muros, por debaixo de pontes... afogam-se sonhos
que o vento insiste em de volta trazer.
Há em minha lama uma sede feroz a consumir-me a razão... um pulsar loucamente do meu coração numa recusa insistente a ceder... deixar simplesmente acontecer.
Acumulam-se as sombras nos meus olhos...
Persiste sempre esse louco desejo de romper o vazio... de gritar o seu nome...
cravar no peito do impossível seu sobrenome.
Meu caminho segue...
Corda bamba...
Fumaça desgarrada de mim...
Preso à vida por um desgastado, quase roto fino fio.

Um Universo inteiro


Há palavras frágeis demais
para atravessar a distância do silêncio que ficou
quando você de mim se afastou.
Então, tenho ficado num silêncio abissal...
Tenho vivido de frases inacabadas,
palavras balbuciadas dentro do meu coração.
guardo, sem testemunhas, esse amor que deveria ter morrido quando você se foi.
Um Universo inteiro deveria acontecer entre nós...
Mas está suspenso...
parado no tempo...
esperando pra acontecer em algum momento... sempre jogado pra depois.

A palavra nasce do silêncio, mas não lhe pertence por inteiro. Ela carrega a matéria do mundo: o peso da pedra, a aspereza da terra, o calor da pele, o rumor das águas. Quando nomeamos, tocamos. Quando escrevemos, deixamos marcas no corpo do tempo.
A memória é uma casa sem paredes. Guarda vozes, gestos, cheiros, caminhos. Às vezes, permanece em uma cicatriz; outras, no espaço vazio de quem partiu. O corpo sabe o que a boca esquece. Cada osso traz um território. Cada passo redesenha a distância entre o medo e a coragem.
Resistir é permanecer sem ficar imóvel. É lançar raízes em solo ferido e, ainda assim, procurar a luz. É transformar a dor em presença, a ausência em lembrança, o silêncio em testemunho. Há palavras que quebram muros. Há silêncios que recusam a mentira.
Somos feitos de matéria e passagem, de ruína e recomeço. O território que habitamos também nos habita: entra pelos olhos, permanece nos músculos, reaparece nos sonhos. Nada desaparece completamente. A terra conserva pegadas. A palavra conserva o grito. O corpo conserva a história.
E quando tudo parece se desfazer, resta a insistência de existir: uma voz baixa, uma mão aberta, um nome dito contra o esquecimento. Permanecer é isso: continuar sendo presença onde quiseram deixar apenas silêncio.

A Resposta do Meu Silêncio


Apesar de todas as expectativas contrárias e de todos aqueles que não acreditavam, eu consegui. Caminhar quando se tem torcida é fácil, mas seguir em frente quando os olhares ao redor duvidam da sua capacidade exige uma força que vem direto da alma. Quantas vezes ouvi sussurros de desânimo, julgamentos disfarçados de conselhos e o silêncio frio de quem esperava pela minha queda. Mas eu escolhi não dar ouvidos ao barulho do mundo; fechei os olhos para as dúvidas alheias e abri o coração para a minha própria capacidade. Cada "você não vai conseguir" virou combustível para os meus passos. Minha maior resposta não veio com palavras ou discussões, mas com o resultado do meu esforço. Contra todas as probabilidades e apesar de toda a torcida contra, eu permaneci de pé e venci. Saborear essa conquista é saber que a minha luz foi mais forte do que qualquer sombra que tentou me apagar.

Foi no silêncio que você deixou de ouvir a própria voz,
abrindo mão do seu espaço para caber no mundo de alguém.
Você se apequenou até virar sombra,
esquecendo que o seu universo nunca coube na mão de outro alguém.

Colocou no pedestal um espelho de ilusão,
e entregou a chave do seu templo a quem não sabia cuidar.
A queda foi alta, o chão foi duro,
e o coração se partiu em mil estilhaços pelo ar.

Há quanto tempo você não caminha a sós com os seus passos?
Há quanto tempo não olha para o céu sem buscar outro olhar?
Na urgência de amar o outro, você se abandonou no caminho,
e deixou os seus próprios sonhos poeira acumular.

Agora o peito pesa com essa pergunta que ecoa na alma:
*Como fui capaz de me esquecer assim?*
Mas não carregue a culpa do abandono como uma sentença final,
pois o deserto também é o lugar onde nasce o recomeço do fim.

Não corra para outros braços, não procure outro refúgio no escuro.
A cura que você busca não está em mãos alheias, mas na sua reconstrução.
Recolha cada pedaço dilacerado do chão,
pois cada caco ainda guarda a força da sua própria essência.

Para onde ir agora? Para dentro de si mesma.
O que fazer? Voltar a se habitar.
Descer desse pedestal emprestado,
estender a mão para a sua própria dor e aprender, de novo, a se amar.

Você não se perdeu para sempre; apenas se distraiu da sua luz.
É hora de sair sozinha, encarar o vento e retomar o seu lugar.

O Templo do Silêncio e a Escolha da Paz


Viver em uma casa física marcada pelo barulho excessivo, pelos gritos, pela desorganização e pelo desassossego é abrir as portas para o desânimo de viver. Ninguém cresce e ninguém vence em um lar espiritualmente desestruturado, onde as paredes ecoam raivas, ressentimentos e discórdias cotidianas. O caos externo contamina o altar interno. No entanto, em meio a esse mundo conturbado, nós sempre temos uma escolha, uma opção sagrada. Podemos escolher silenciar a mente, fechar as portas para as energias de destruição e transformar o nosso lar — e o nosso próprio ser — em uma casa espiritual de acolhimento. O silêncio não é a ausência de som, mas a presença da paz divina. Buscar a ordem material e a harmonia espiritual é o único caminho para resgatar a nossa força e vencer as batalhas da vida. A paz do seu lar começa na escolha que você faz hoje.