Poemas Góticos
SOMBRAS
Vi uma sombra escura,
De uma alma à procura,
Pela madrugada,
E lhe roubou a candura.
— poeta J. M., de Recife
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Brincante
Fez-se luz onde era sombra
Fez-se festa onde era tédio
Foi um lapso de esperança
Que brotou em meio à seca
Feito riso de criança
(Fernanda Santoro)
Passos curtos, na noite fria
Uma luz que me guia
Sombra e som, na mesma estrada
Na batida acelerada
Te sinto chegar, sinto a pressão
É a voz da Lina na tua mente
Dominando o teu coração
Ecoa na alma, bate no peito
Nesse grave, que é perfeito
Efeitos no espaço, sons que vão girar
Estéreo puro pra te dominar
Sente a Lina cantar ...
Ecoa, ecoa, sente o grave bater
Sente a Lina cantar
No estéreo, até o amanhecer
Frequência alta, mente aberta
Essa é a hora certa
Acordes que grudam e não vão sair
Efeitos especiais pra nos conduzir
Sussurros que vêm e vão
Lina comanda essa pulsação
Ecoa na alma, bate no peito
Nesse grave que é perfeito
Efeitos no espaço, sons que vão girar
Estéreo puro pra te dominar
Sente a Lina cantar
Ecoa, ecoa, sente o grave bater
Sente a Lina cantar
No estéreo, até o amanhecer
Vozes se perdem no infinito
O grave mais bonito
Efeitos finais...
Estéreo...
Linaaaaaaaaaa aaaaaaa
A incompetência
veste-se de desculpas,
erige muralhas
contra a própria sombra,
e espalha culpas alheias
como quem semeia pedras
para jamais colher frutos...
✍©️@MiriamDaCosta
Onde a Sombra Faz Morada
Há vidas que parecem atravessar o mundo sob um céu que nunca amanheceu.
O destino lhes rouba nomes, abraços e futuros, e lhes da remédios para ser um Porto seguro ,
até que a memória se torne um cemitério onde o vento aprende a sussurrar.
Quem contempla tantas despedidas deveria entender
que toda existência é apenas um sopro, passa tão rapido,
uma chama vacilante que com o menor descuido o tempo se apaga.
Mas nem toda dor gera luz.
Há sofrimentos que, quando alimentados pelo vaidade,
deixam de ser cicatrizes e se tornam correntes;
aprisionam a alma, endurecem a voz
e transformam o julgamento em um altar de esquizofrenia.
É um paradoxo cruel.
Quanto mais a morte revela o valor da vida,
mais alguns insistem em desperdiçá-la medindo as falhas alheias dos outros, para Camuflarem às suas.
Esquecem que nenhum tribunal humano resiste ao relógio,
que toda sentença pronunciada hoje
amanhã será apenas poeira, palavras ao vento repousando sobre o cemitério de silêncio.
A maior tragédia nunca foi aquilo que o destino levou.
Foi permitir que cada perda apagasse, pouco a pouco,
a última centelha de lembranças de amor e, misericórdia vividas
Porque há um abismo mais profundo que o luto:
é sobreviver a tantas apocalipses
e, ainda assim, não aprender a ser guarda-chuva para quem também caminha sob a chuva.
Dentro de mim moram dois sussurros:
um busca a luz, outro abraça a sombra.
Entre a razão e a loucura,
caminho sendo o próprio conflito que me habita.
A Dor da Luz
Antes da forma, havia a luz.
Mas luz sem sombra não possui rosto.
Brilhava infinita, indivisível,
e nada podia ser visto dentro dela.
Então a inteligência despertou
no silêncio da eternidade.
E desejou conhecer.
Para conhecer,
afastou-se da unidade.
E nesse afastamento nasceu o limite.
O limite deu contorno ao infinito.
O tempo começou a respirar.
E Saturno ergueu seus muros de pedra
para que a consciência tivesse onde caminhar.
Pois sem limites não existe percepção,
e sem oposição não existe visão.
Assim a inteligência aceitou a dor,
não como punição,
mas como preço da liberdade.
Porque sem liberdade não há erro,
e sem erro não há aprendizado.
A queda abriu os olhos da consciência.
A sombra desenhou o rosto da luz.
E o universo surgiu como um espelho
onde o espírito poderia reconhecer a si mesmo.
A forma é a luz interrompida.
A matéria é a pausa do infinito.
E no coração da experiência
a inteligência aprende lentamente
que a escuridão não destrói a luz,
apenas revela seu contorno.
Assim caminha o ser:
da unidade inconsciente,
à queda na dualidade,
até o retorno consciente à origem.
Pois a jornada da consciência
não é fugir da sombra,
mas atravessá-la.
E quando finalmente retorna à luz,
traz consigo aquilo que antes não existia:
sabedoria.
Porque Deus cria a luz.
Mas é a experiência que ensina
a vê-la.
São José dos Pinhais, 05 de março de 2026.
Mago Trimegista
MORIBUNDA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Nas frestas do ser, tecido em sombra e peste, dorme a carne, e a alma se reveste de ferrugem, pó e lama vil;
sou fruto putrefato de um solo hostil.
No ventre úmido do tempo triste e agreste, minh'alma enferma e macilenta investe, num sonho tosco, em busca do porvir; mas tudo é vão.
O osso, o mofo, o verme persistem. E neste palco de miséria e desatino, represento o triste destino de um bicho que sonhou sentir.
E ama, e chora, e continua a perecer.
Meus olhos, duas candeias já sem brilho, pendem cansados para o chão senil;
a vida foge, fria, sutil,
e só me resta o gosto vil da dúvida que rói todo o perfil.
Sinto no peito um breu sem consolo,
um poço sem fundo, um verso sem solo.
E nesta agonia, um réquiem vago a vida entoa, zombando do meu pranto que ainda condoa.
Sou barro e lodo, sombra e lama, verme que deseja chama, mas só sabe se arrastar.
E, ermo em vão, me vou sem norte,
levando no peito a própria morte,
que vive a sussurrar. Assim... num mundo vão
me desfaço e me consumi, num riso amargo e vão que não sorri.
E a noite é tudo o que sei e serei e senti.
O Canto do Galo e a hora sagrada.
Na sombra fria rompeu a alvorada,
Cantou o galo à terra consternada;
E Pedro, a face em pranto consumida,
Viu sua fé por si mesma ferida.
Negou três vezes o Mestre querido,
Com voz de medo e coração vencido;
Mas cada som do galo anunciava
A luz que a culpa em lágrimas lavava.
O céu calou... Jesus não o ferira;
Somente o olhou com santa e doce lira.
Naquele olhar, sem ira nem censura,
Nasceu a flor da eterna compostura.
Cantou o galo. O mundo estremeceu.
O homem caiu... mas Deus não o esqueceu.
Quem chora o erro, ao bem torna outra vez,
Pois a humildade é filha da altivez.
Ó galo humilde, arauto da verdade,
Que despertaste a humana enfermidade,
Teu canto foi mais forte que o açoite,
Rasgando em luz a escuridão da noite.
Pedro caiu para melhor subir;
Quem sabe amar também sabe carpir.
E o Cristo, manso, ao ver sua aflição,
Fez do remorso um hino ao coração.
Assim, quando o pecado nos alcançar,
Que o galo torne em nós a despertar;
Porque a alma que aprende a se curvar
É a mesma que Deus torna a levantar.
Hoje, o Céu ainda clama:
“Escolhe a vida, abandona a sombra,
lava tuas vestes no sangue puro,
e caminha no temor do Senhor”.
Porque o pecado é sentença de morte,
mas Cristo é a Ressurreição e a Vida.
Há vidas que brilham tão forte,
Que a sombra não ousa tocar,
São corações que amam tanto,
Que a própria morte precisa esperar.
E o céu, que as conhece pelo nome, diz:
“Espere, morte… porque ainda há propósito em andamento. Ainda há feridas que essa alma vai curar, ainda há lágrimas que essa vida vai enxugar.”
“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” (Salmos 91:1)
No secreto, Ele nos ensina a alegria que não depende das circunstâncias, mas da presença.
Quer sombra? Plante árvore.
Sombra não nasce em estação de pressa.
Ela vem do tempo, do cuidado, da constância.
Quem planta hoje, descansa amanhã, e ainda abriga outros. miriamleal
Chapéu de abas largas
Na sombra densa da amoreira,
as folhas brilham ao sol;
amoras verdes,
amoras maduras,
amoras doces..
Há doce onde moras?
Sombra e Espelho
Olho no espelho e vejo o rosto do meu pai,
E neles, os olhos de quem veio antes.
É uma história que não morre, que não sai,
Narrada em traumas e gritos distantes.
A pobreza não é só o prato vazio,
É o medo constante de nunca chegar.
O abuso é um nó, um emaranhado fio,
Que as mãos da criança tentam desatar.
Somos prisioneiros de um ciclo invisível,
Moldados por sombras que não são as nossas.
Onde a alegria parece algo impossível,
E as raízes da dor são fundas e grossas.
Porém, o "Eco das Gerações" pode mudar de tom.
Se a consciência desperta e a ferida se trata,
O que era castigo torna-se um dom:
A força de quem a própria sombra resgata.
Passamos a vida tentando vencer a sombra, sem perceber que ela só quer ser ouvida.
Quando a reconhecemos e a integramos, o que era dor se torna força, e o que era medo se transforma em consciência.
Nos anos que vivi à sua sombra
Eu me apaixonei, viajei, explorei e amei
Também em mágoas me afoguei, chorei, e muitos dias da cama nem levantei
Por um tempo mantive a calma
Em outros arranquei os cabelos
Houveram momentos em que gritei
Mas a todo tempo, com lágrimas ou sem, eu chorei
Vi minha tristeza no fundo de uma garrafa
E a vi na beirada de camas estranhas
Meu desespero andava pelas esquinas
Enquanto todos os dias meu coração chorava
O que fiz para merecer tal sina
Diariamente eu me perguntava
Quando tudo isso vai passar?
Sempre na esperança de que tudo passa
De repente o bêbado da esquina fez sentido
E o que saltou da janela um louvor à sua coragem
E por muito tempo me mantive na bela miragem
Ter sentido seu cheiro e tua voz ouvido
Amor, eu voltei. E para ficar.
AO CALVÁRIO
Autor: Góis Del Valle
Ao Calvário, em passos lentos,
sombra e dor, Sobre os ombros,
a cruz a pesar. No olhar, um mar
de amor, mesmo ao ver a noite
chegar.
Gritos ecoam, pedras no chão,
O açoite rasga a pele em vão.
Mas Ele segue, sem recuar,
Cada ferida, um novo altar.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
Oh, meu Senhor, teu fardo era meu,
Cada espinho rasgava o céu.
Mas em teu olhar, havia a paz,
Que fez do fim, um renascer…
Alguns homens, com sombra de cachorro,
julgam ter sombra de cavalo.
Mal sabem que a grandeza
não está no tamanho da sombra,
mas na humildade de reconhecer o próprio tamanho.
