Poemas famosos de Loucura
O Inominável
Sua existência absurda jaz no topo
Não pertencente a leis universais
Vive trancafiado, separado da graça que antes o pertencia
Construído abaixo sua montanha de olhos devassos
De pele áspera e sangrenta
Atinge-o na constante agonia
Solvendo-o na familiar melancolia
Abraçando-o nas puras gotículas rubras
Na desesperança de retorno a moradia
Ao seu antigo lar na imensidão
Amaldiçoou novo mundo em obscura selvageria
Servindo de banquete malicioso
Montou seu reino maléfico sob pontudas angustias
Como antes fizera seu antepassado Azmuth
Os obcecados na magnífica rubidez vociferam
“Malithet, Inominável Lorde Rubro
Conceda-nos a graça de seu sangue
E voltai ao teu cosmos pertencente”.
►Passageiro ao Tempo
Às vezes eu espero o relógio soar,
Como se estivesse aguardando mudanças
Às vezes só quero alguém para me abraçar,
Torcendo que assim, eu me levante desta cama.
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Às vezes eu acompanho os carros passarem,
Me perguntando se algum deles irá voltar
Às vezes fecho os olhos quando estou chorando,
Como se, ao não enxergar, proibisse aquela lágrima de rolar.
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Às vezes eu escuto o bater de meus pulsos,
Esperando uma nota tocar mais alto
Às vezes eu mergulho os meus olhos em águas frias,
Para acalmar a vista, em noites mal dormidas.
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Quem sabe o que posso fazer a seguir?
Talvez eu viaje pelas madrugadas, sem destino
Ou talvez eu me ache, perdido neste labirinto
Ainda não sei, tudo está tão incerto
Talvez eu me afaste, fuja para longe, em busca do arco-íris
E acabe encontrando um lugar quieto,
Para refletir, e acalmar os pensamentos e tormentos.
Psicose
Não sei quem sou
Ando confuso
Quem foi que falou?
O que eu escuto
Sua voz me atormenta
Onde quer que eu vá
Ou minha mente inventa
Me pedindo para voltar
É psicose que tenho?
Nitidamente te vejo
É tão real não é desenho
Vai além de um desejo
Deve ser loucura
Talvez não tenha cura
Me controlar é impossível
Em minha mente você visível
Só você consegue
Me equilibrar
Meu coração te pede
Nova chance de te amar.
Roney
– (...) Você está vendo o que eu tenho no pescoço?
– Uma gravata.
– Muito bem. Sua resposta é lógica, coerente com uma pessoa absolutamente normal: uma gravata! Um louco, porém, diria que eu tenho no pescoço um pano colorido, ridículo, inútil, amarrado de uma maneira complicada, que termina dificultando os movimentos da cabeça e exigindo um esforço maior para que o ar possa entrar nos pulmões. Se eu me distrair enquanto estiver perto do ventilador, posso morrer estrangulado por este pano. Se um louco me perguntar para que serve uma gravata, eu terei que responder: para absolutamente nada. Nem mesmo para enfeitar, porque hoje em dia ela tornou-se símbolo da escravidão, poder, distanciamento. A única utilidade da gravata consiste em chegar em casa e retirá-la, dando a sensação de que estamos livres de alguma coisa que nem sabemos o que é. Mas a sensação de alívio justifica a existência da gravata? Não. Mesmo assim, se eu perguntar para um louco e para uma pessoa normal o que é isso, será considerado são aquele que responder: uma gravata. Não importa quem está certo – importa quem tem razão.
– (...) Lembra-se da primeira pergunta que lhe fiz?
– O que é um louco?
– Exatamente. Desta vez vou lhe responder sem fábulas: a loucura é a incapacidade de comunicar suas ideias. Como se você estivesse num país estrangeiro, vendo tudo, entendendo o que se passa à sua volta, mas incapaz de se explicar e de ser ajudada, porque não entende a língua que falam ali.
– Todos nós já sentimos isso.
– Todos nós, de um jeito ou de outro, somos loucos.
►Contemplação à Madrugada
Me sinto perdido
Sozinho neste mundo obscuro
Me sinto como um menino
Com medo do céu noturno.
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As ruas barulhentas
O ar pesado que acoberta a cidade
As pessoas moribundas junto as suas algemas
Em fileiras encadeadas em várias partes.
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Em noites turbulentas,
Pela janela enferrujada
Bem longe, estrelas espalham-se em beleza
Vê-las me preenche, como rosas perfumadas.
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O aroma da morte em repouso sobre meus ombros entristece
O peso não desaparece na neblina
Passo, como um carvalho, a enraizar preces
Refletindo o que fiz de errado em minha vida.
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Fiz versos como meu íntimo tanto pede
Pernas padecem pelas ladeiras que desci
Neste caderno confesso meus piores remédios
Doutor, espero melhora, mas, irei embora a sorrir.
Eu gostei de te conhecer, homem!
Eu gostei do pouco que conversamos, do muito que nos beijamos, do tanto que nos amamos, até desfalecer em seu peito.
E aninhada em seus braços, no calor do teu regaço, deixaste eu ouvir teu coração acelerado:
É tum tum ritmado acalmando nossos corpos suados.
Me perdi em teu cheiro e nos teus olhos labirintos.
Confesso, sou culpada! Já me rendi ao teu sorriso.
E falando de sorriso...
Suas covinhas... que covardia!!!
Tô viciaste em te querer.
E te querendo todo dia
Gosto dessa tua língua, sabe?
Desses beijos, desse calor
Das tuas mãos imploro tudo:
Todo desejo, prazer e dor!
Ah... como gosto da tua anatomia!!!!
Gosto do teu corpo ligado ao meu
Mas me diz: quem de nós foi mais feliz
Na exaustão que nos venceu?
Pirei nessa voz que me elogia,
E a rouquidão dos teus gemidos
Quando tu explode e delira,
São canções aos meus ouvidos!
A vida que dói e nos corrói,
Vai lua vem sóis,
Tudo na mesma,
pressionado em nossas cabeças
Sofrimento por felicidade,
Sem saber ao certo a verdade,
Pois tudo é vão
Quando a paz não está ao alcance das mãos.
Felicidade planejada,
Mente e mãos calejadas,
A troco de nada,
Pois no final tudo acaba,
Em consultório com a cabeça "zuada"
Sem ânimo para nada,
Apenas olhando a cor da tarja na caixa.
Nasci para ti.
Sonhei-te ainda criança
e perguntava, com esperança
se eras realidade.
Já mulher
se existias na verdade
não sabia
Mas meu corpo conhecia
onde quer que fosse
estar na tua presença.
Tal como seria, foi.
O resto é o que em mim dói
desde então
Uma alegria triste,
uma saudade sem fim.
FÓRMULA SECRETA
Para conviver com o Transtorno Mental e a Insanidade do Mundo, só estudando para não enlouquecer também.
Estude como louco, e você vai apreender tudo!
E, vai divertir-se cada vez mais. E, vai aprender como ser feliz todos os dias!
Isto é o que importa!
POSSEIRA
Escolho explorar a minha estrada
meu caminho entalhado
em rocha íngreme da minha razão.
com meus musgos pendurados
verdes "que te quero ver-te" esverdeados
ou caquis, esparramados
cor da aura que só meus olhos,
tocados veem, pela luz do coração.
Cores minhas, minha vida!
meu caminho,
meu perdão, minha lida.
minha volta e minha ida,
minhas pedras de tropeço
que conheço,
meu inferno quando habita o meu céu...
Sou louco
Sou louco pelo teu jeito,
Louco pelo teu olhar
Tua voz me deixa fora de mim,
Teu sorriso me faz viajar.
Sou louco pelo teu corpo,
Que não posso tocar
Imagina a gente a sós,
Numa ilha deserta,
Só nós, a se amar.
Tu és atraente ao meu ver,
Maravilhosa ao meu pensar
Ô mulher arretada, linda de viver,
Que tanto me faz sonhar.
Encantasse o meu coração,
Sou obcecado por ti,
Não posso mais negar
Me aceita em outra vida então,
Já que a gente juntos nessa ainda, não vai rolar!
Não sei se tô ficando louco ou tô ficando são
Olhando a vida diferente da minha noção
O certo está muito errado e o errado certo
Se jogar ou ter juízo com o fim perto
Não sei se você sabe que tudo tem um fim naturalmente
Então por que viver assim parcialmente
Não sei se topo levar essa razão
O mundo gira diferente da minha noção
Parece que de ponta cabeça tem mais sentido
O colorido dessa bola louca era mais divertido
Não, eu não sei, sei to ficando louco
Por que todos os sorrisos estão durando pouco
Por que todos os sorrisos estão durando pouco?
Pessoas vivem pregando o equilíbrio
Mas esquecem de que o equilíbrio é entre um lado e outro
E o lema é o desiquilíbrio
Onde a felicidade dura tão pouco
Não sei se você sabe que tudo tem um fim naturalmente
Então por que viver assim parcialmente
Cifras
O grito veio do fundo mudo
e ecoou oco, aos poucos.
Não era um grito de susto,
não era um grito de raiva,
tampouco era um grito de empolgação ou de alegria.
Era, sim, um grito ressentido;
era, sim, um grito gritado para que todas as lágrimas fossem choradas.
O mais belo de todos os gritos,
feito de um fôlego só,
de uma só dor,
Ade uma dor só,
Depois de umas três cervejas, os pensamentos fluem com mais leveza e estar sozinho se torna ainda mais interessante, para não dizer perigoso. Pensamentos vêm e vão como o vento e às vezes me fogem do controle. Começo a pensar mais profundamente sobre tudo o que aconteceu nos últimos meses. Vou tomar mais umas três...
Para acompanhar, um calmante para apagar talvez me caia bem;
não aguento tanto pensamento vindo ao mesmo tempo. Como um furacão, quer me engolir. Flertar com o perigo me excita e me deixa com medo ao mesmo tempo. Cerveja e calmante freiam os devaneios, mas será que vou conseguir acordar amanhã? Se algo acontecer, pelo menos vai ser dormindo...
Se eu acordar, com certeza será com uma ressaca cheia de tristeza e arrependimentos, mas que no final do dia vou querer mais desse doce flerte com o perigo.
De súbito me percebi quase sã!
Tomei um susto, voltei a mim, ufa!!!
Que alívio! Ainda estou meio louca!
Amor Vencido
Vício desse amor? Requinte de ternura
teatral no seio da vida instável,
Gíria fulcral da ânsia inesgotável,
Infâmia surreal ou sensível loucura?
Energia astral da emoção aceitável
Na mente de desejos, abstrato puro
Da indulgência ou deleite inseguro
Da intuição humana ao inexplicável?
Nobreza plantada no palco da fantasia
Sedutora ou rica colheita da cortesia
Indivisível do ser ao adaptável?
Éteros mortais! O que dirão da antropia
se temem o Obscuro? Quem responderia
À sua dor: ─ A Morte Vence esse amor insaciável??
Encontros e despedidas
Eu vou pular você
Afinal, você não me vê
Já não estou na frente
Me encaram com se fosse doente
Não alcanço sua alma
Ela escapou de mim
Perdi o juízo e a calma
Minha condição parece sem fim
Hora euforia que beira a loucura
Momentos de pura doçura
Perdendo uma luta sem oponente
Tentando trazer o passado para o presente
Mas, tudo se foi como pílulas engolidas
Como vida e morte
Como encontros que viraram despedidas.
Foi engraçado te encontrar naquela noite e sentir como se tivesse de volta a minha dignidade
Os efeitos do quão devastador foi o nosso término pareciam insolúveis.
Confesso que pensei estar com algum problema quando o meu coração não insistiu em acelerar e os meus olhos não tentaram se encher de lágrimas
Por vezes, era difícil manter a sanidade diante da sua frieza, mas hoje devo agradecer por você não atender as minhas ligações em momentos de recaída
Aliás, depois que li aquele livro que você, propositalmente, esqueceu na minha gaveta, pensei que nada voltaria ao normal e que a minha vida ficaria estagnada num antigo "nós"
Bom, felizmente não é assim!
Um dia acordei mais cedo, fiz um chá e resolvi retomar aquela série de onde paramos... agora seria somente eu
Li novos livros, atualizei minha playlist e até criei uma nova
Aos poucos tudo foi se encaixando e eu (re)aprendi a seguir com os meus hábitos
Apaguei o seu número e nossas conversas, assim consegui refletir sobre o que houve e deixei tudo para trás
- Agora está tudo bem, mas eu ainda acho o tempo uma loucura.
Porque só ele para esclarecer as coisas, nos quebrar e refazer tudo o que, por algum momento, tivemos o atrevimento de pensar que já não existiria:
A nossa capacidade de renascer, mesmo que por dentro!
