Poemas Enxugar suas Lagrimas
Tapioca
Com suas mãos sofridas e negras,
A goma molhada é esfarelada
Enquanto me fala da vida...
E nela algo me diz,
Que a áfrica é Vó de todos os brasileiros,
A fécula repousa,
O descanso que os negros não tiveram,
Mas minha Vó tem o sorriso,
Tem o prazer pela vida,
Que correntes, troncos e rebenques não lhe tiraram...
O leite de coco, feito com esmero
Corre entre seus dedos,
Ralado e esmagados por mãos potentes;
Enquanto a tapioca é assada,
Ela me fala com certa nostalgia,
De um amor do passado,
Nesse momento os olhos
De vovó são como o lago,
Mas nenhum guerreiro mostra o seu lado fraco
E quando a tapioca cheira, ela pega a frigideira
E no movimento rápido vira a tapioca,
Então me olha com carinho, neste rico país
Que ela ajudou a construir;
Morando sob uma humilde casinha de taipa,
De piso morto, ela ainda é feliz...
TADEU G. MEMÓRIA
BABY
Guarde seu olhar de compaixão,
Cale suas palavras doces,
Já me acostumei com o silencio
E a escuridão...
A solidão me chama de baby...
Baby, baby baby baby...
A lua nos espera na varanda
Onde os fantasmas do passado
Dançam seus boleros,
Onde eu espero o momento que não veio,
Onde eu degolo aquele ser austero
Que da noite só esperava a lua...
Baby... baby..baby...
A solidão me chama de “meu bem,”
As taças tilintam irritantes,
Ao som de ébrias gargalhadas,
Daqueles que profanam a noite...
A lua se insinua na varanda,
Anda pros meus braços,
Pra insanidade inocente dos santos,
Pra ternura piegas e débil dos loucos...
Quem disse que eu não sou Deus?
Se a névoa púrpura e plasmática
Bafeja este deserto de assombrações...
Quem disse que eu não sou Deus?
Se tenho um punhado de estrelas na minha destra
E na minha esquerda
Um coração que pulsa
Ao ritmo de tuas lágrimas e sorrisos...
Quem disse que eu não sou Deus?
Se a emoção que enrubesce sua face
Agita o sangue em suas veias
me faz manter suspensos e brilhantes os astros...
Quem disse que eu não sou Deus???
Pega o meu olhar caindo na diagonal das suas ancas
meu pensamento lhe chamando de potranca
sabe que eu sou criança
e canso fácil de um brinquedo
ou tenho medo de escuro
descobre o meu delírio no seu decote
os sutiãs da côte d’azur sentem falta dos seus seios
suas águas azuis cristalinas
banhariam a menina que tem nesse corpo
e se eu não fosse poeta seria prostituto
um puto qualquer escravo de todos estes instintos
que me escravizam a paixão
OLHOS DE VALLADOLID
Eram de uma noite tão negra
Como se o inverno chorasse
Todas as suas chuvas em suas madrugadas
E eram tão tristes
Como se abrigassem todos os mendigos
E eram melancólicos
Como se chorassem todas as saudades
E eram pobres como as árvores do outono,
Solitários como sua esperança,
Assustados como uma gazela
E eram de uma solidão divina
Não somente de ser só,
Mas de não ser compreendidos
PANORAMA
A minha janela acolhe os espectros da noite
E eles cantam suas angustias
E eles dançam seus tédios
E eles se perdem em seus passos trôpegos,
Valsam suas ilusões perdidas,
Choram suas saudades
E afogam-se em arrependimentos;
Mendigam êxtases e se esvaem
Na fumaça que embaçam
A razão e a clarevidência;
Recusam-se a morrer,
Recusam-se a viver
E se entulham na madrugada
Como uma peça dantesca.
A minha janela mostra essa hemorragia
Por onde a vida se esvai,
Um panorama mórbido
Onde os loucos mergulham
E trancam suas vidas
Para todas as passagens e vias de luz...
DESCARGA
Sentado no vaso sanitário
Ninguém quer ser otário
Todos têm suas filosofias
Mas caga toda a tua sujeira
Esquece todas as besteiras
E dá descarga nessa porcaria
O passado tem mão suave
Um sorriso tão doce
E, todos percebemos a ternura
Mas, naqueles momentos
Os avisos, os conselhos
Pareciam empecilhos
Não sabíamos ver como filhos
Atrás daquilo o verdadeiro sentimento
Agora filosofa essa merda
Chora tuas perdas derrama na urina
Tudo que for rancor mas te limpa
Banha-te e perfuma-te
E ouve o que diz o amor
TEMPORAL
Mais triste que uma tarde chuvosa
Ela respingava suas tristezas
Nas incertezas dos pingos da chuva
Mas se chovia ela se alegrava
E cantava Ben Jor: "chove chuva..."
E, se alagava, ela secava
Mas o que encharcava o seu ser
Nem era chuva de chover
Agora tente entender: neblina era querer
Chuvarada era fantasia
Mas relampejava e trovejava
Um temporal com ventania...
Eu queria ser o vento
Queria desarrumar teus cabelos,
acariciar sua pele
contornar suas curvas
tocar seus ouvidos e sussurrar elogios
espalhar seu cheiro no ar
Expor teus segredos,
Levar teus medos ...
Quando bonita, vc é a prioridade, epicentro de todas as atenções, suas mensagens vistas de imediato até de baixo d'água.
Quando fica feia, nossa!!! Vira apenada, última da fila, chata, aquela onde a paciência acaba, o romance vira pó e o amor se suicida.
Portanto......
ÁGUA FRIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Não gaste suas exclamações com quem só tem reticências para devolver.
PAI, MÃE E VICE-VERSA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Com suas devidas exceções, natureza de pai à moda antiga era fria; distante; sem grande afeto. Pai era provedor. Garantia teto, agasalho, pão e castigo. Era dessa forma que o pai declarava um amor torto; quase morto; no fio bamba da obrigação.
Natureza de mãe à moda antiga era intensa; exagerada; profunda. Não tinha senso nem limite. Oferecia colo, cantiga, mimo, tempo e presença. Naqueles tempos, mãe não terceirizava seus cuidados nem confiava no mundo, como agora confia.
São muitas as mães de nosso tempo, que assumiram aspectos de pais à moda antiga. São práticas, diretas, impessoais e pensam mais do que sentem. Delegam, terceirizam, acham que muito amor estraga os filhos. Por isso amam cada vez menos.
Muitos pais caminharam na direção oposta, garantindo aos filhos a continuação da família com pai e mãe, ainda que os papéis, conceitos e preocupações estejam trocados. Pais com natureza de mãe completam mães com natureza de pai.
ENQUANTO HÁ VIDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quem se tranca lá no fundo insondável de suas angústias ainda que risonhas, com as sete chaves de alguém que as consagrou exatamente para lhe vender, tem um eu irremediavelmente reprimido. Não tem olhos pro mundo que o chama e ostenta, em vez de chaves, aquelas asas que podem ser suas.
Nunca existiu qualquer verdade salvadora para os que se proíbem de si mesmos, temerosos do castigo, seja ele presente ou futuro. Por serem escravos do escuro, para só assim merecerem a luz improvável nos túneis de sua opressão. De seus caminhos farpados pela contrição imposta.
Nenhuma jornada precisa ser cabisbaixa e dolorosa. Pode ser ao acaso, em momentos inevitáveis, mas não tem que ser assim, como prova irrefutável do mérito pessoal de quem segue. É perfeitamente louvável viver por conta própria enquanto existem caminho, perspectiva e vida.
O melhor de seguir está no direito de sonhar sem censuras prévias. De levantar outro voo sobre cada queda e procurar os acertos entre cada erro justificável pela busca do bem que faz bem a todos, a partir do íntimo. Morrer, mesmo em vida, é ceder à prisão e à renúncia da própria identidade.
TER QUE TER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Admiro terrenos bem mais do que às casas
com as suas mobílias, os lustres, detalhes,
abro as asas pro ar, não pras grades douradas
que despertam desejos e depois os prendem...
Gosto mais do caminho que do caminhão,
mais da fé, propriamente, que do seu efeito,
quero a mão mais que todas as luvas do mundo
e do mundo só quero meu saber viver...
Precisamos de coisas, a vida requer,
mas as coisas não devem nos coisificar;
sei amar o meu corpo vestido de alma...
Somos mais do que o ter, temos tudo que somos,
é melhor do que os cromos os traços que o ganham,
entre o ter e não ter não quero ter que ter...
OPINIÕES DE GESSO
Demétrio Sena - Magé
Sim, é verdade... cada um tem suas opiniões. Em minha opinião, por exemplo, nem tudo é questão de opinião: a medicina e a ciência salvam vidas; o extremismo político e o fanatismo religioso matam; negacionismo é burrice; genocídio é genocídio, por comissão e omissão... também acho que diferente ou idêntico, longe ou perto, meu próximo é meu próximo; vivemos no planeta Terra; dois mais dois são quatro e, se a minha opinião mudasse, tudo isso ainda seria desse jeito. Mas é verdade... cada um tem suas opiniões.
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Respeite autorias. Isso é lei
VENCIMENTO
Demétrio Sena - Magé
É preciso não dar espaço e voz
ao que foi devolvido às suas trevas,
nem atar outros nós onde a soltura
foi penosa e sabemos quanto custa...
Nestes tempos de falsos heroísmos,
propagar imbecis os romantiza;
o mesmismo dos "vivas" dá destaque
à mesmice que volta como nova...
A história não pode ser escrita
pelo arroubo da nossa insegurança;
por quem dita o temor introjetado...
Ditadores renascem feito mitos,
onde os gritos de vitória medrosa
não os deixam cair no esquecimento...
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#respeiteautorias Isso é lei
DESMITIFICAR AS MÃES
Demétrio Sena - Magé
Precisamos nos permitir humanizar as mães ou suas memórias em nosso imaginário e nas nossas falas. As mães erram. Todas erram. Erram muito. Na verdade, além de mães elas são (ou foram) mulheres. Além de mulheres, seres humanos. Por melhores que sejam ou que tenham sido, elas têm seus históricos de preferência filial, se há mais de um filho; de superproteção, se tem filho único; de muitas injustiças, em julgamentos de qual filho começou uma contenda e qual é o mais inteligente, ajuda mais ou merece os maiores cuidados seus.
É preciso entender que mães blefam; xingam ou pensam xingamentos... elas também desejam alguém que não entenderíamos e têm manias secretas, como nós temos. O passado? Ah... ninguém queira vasculhar o passado da própria mãe, nos detalhes. Ela pode até parecer um suave livro aberto, mas a partir da página conveniente para si mesma e seus rebentos. Pode não ter feito nada demais; no entanto, para o que os filhos esperam das mães, tudo é demais. Tudo tem a gravidade própria de qualquer olhar filial, por sua parcialidade.
O admirável na mãe... admirável, é o conjunto: a transformação em fera, para proteger o filho; o amor sem limite que se revela nas renúncias pessoais necessárias pelos rebentos. Nas vigílias, quando a cria está em perigo, adoece ou sofre uma decepção. Em todos os momentos nos quais A MÃE precisa sublimar a mulher; o ser humano. Aí se afigura o valor materno, mas "peraí": nada impedirá seu retorno aos vícios, erros e fragilidades pessoais. É ilusório e injusto seguirmos impondo às nossas mães essa imagem de perfeição, fortaleza e santidade.
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Respeite autorias. É lei
...Olhando o oceano, me atenho em sua inquietude, admirando a formação de suas ondas, e a harmonia dos seus movimentos...
Logo surgem as gaivotas, planando sobre as águas...Incitando exóticas fotografias, em tons de alegres paisagens...
No fundo, o arco-íris, corta o vasto horizonte...Atravessando as nuvens, e abraçando o majestoso Sol...
Ouço a sinfonia dos ventos, ecoar sobre as humildes dunas...
E através dos grãos, espalhados na areia, sinto o pulsar da natureza que infinitamente procria...
...Escuto vozes além, que sutilmente me falam:
A Paz é um estreito "Rio", que carece vencer a longa "Jornada", do sequioso "Limo", ao grande encontro com o imenso "Mar"...
O Homem na Porta
William Contraponto
O homem na porta observa
E tira suas previsões,
Entre uma e outra reserva
Vê o que há em ambas situações.
O homem na porta hesita,
Mas não cessa de esperar,
Pois cada cena palpita
Com algo a revelar.
Vê passarem os enganos
Com vestes de solução,
E os que fingem há muitos anos
Ser donos da direção.
Escuta o rumor da rua
Com olhos de dentro e fora,
Como quem encara a nua
Verdade que se devora.
Vê que a luz também confunde
Quando insiste em dominar,
E que o claro só responde
Se o olhar souber mirar.
Ore pelas suas decisões, tenha paciência. Uma decisão errada pode trazer muitas dores de cabeça. É melhor a angústia da espera do que o remorso e o preço pago por uma decisão errada.
Nunca tome decisões motivadas pelo coração ou pelo calor do momento. Seja racional.
Sempre dê prioridade à oração e persista nela até ter certeza. Não há dúvida quando algo é de Deus.
