Poemas e Poesias
Os mais belos hinos e poesias foram escritos na tribulação, e da harpa a doce melodia se ouviu no meio da escuridão.
Escrevo poemas tristes não por gosto, mas porque aprendi a viver assim, mergulhado em dores silenciosas, em lembranças que não se dissipam, e em uma tristeza que se tornou meu idioma, apenas transmito o que realmente sinto.
Cada cicatriz é escritura da guerra, marcas talhadas na carne, poemas de sangue e vitória. Superar é escrever com lágrimas ardentes, um livro em que a dor e o riso se fundem, tinta eterna da vida.
A poesia mora nas frestas de silêncio entre duas frases. Ali se empilham sentidos que o discurso não alcança. Quem lê com pressa perde o sustento do verso. Por isso, aprendo a esperar onde a pontuação respira. E descubro que o mundo cabe melhor no recuo da palavra.
A poesia que escrevo é tentativa de consolo atrasado. Chega fora de hora e, mesmo assim, serve. Alguns versos aquecem como chá morno em noite fria. Outros queimam e despertam limpezas necessárias.
Escrever é esse movimento de cura e descoberta.
A poesia de um gesto simples salva reputações partidas. Um olhar demorado, um silêncio que não acusa. Pequenas misericórdias costuram roupas rasgadas. A bondade costuma ser costureira de almas. E eu aprendo a valorizar cada ponto bem dado.
Sou um caos que encontrou na poesia sua única forma de ordem. Sem os versos, eu seria apenas estilhaços.
A poesia não salva ninguém do abismo, mas ela nos dá uma lanterna para que possamos descrever os monstros enquanto caímos. É a arte de cair com elegância, transformando o impacto inevitável em uma estrofe que o mundo lembrará quando não estivermos mais aqui.
A melancolia é a poesia da alma que se recusa a ser anestesiada pelo entretenimento barato e pela felicidade de plástico que vendem nas esquinas. É a coragem de encarar o tédio e a dor, encontrando neles a substância real da nossa jornada humana.
A Poesia é um instrumento que suscita emoções; levando-nos ao sonho de uma realidade que aconteceu ou está a acontecer.
O teu coração tem sabor a mar, a tua alma tem o perfume da floresta e o teu corpo é poesia naufragada no meu corpo.
A poesia são palavras sem saída: as que, encurraladas pela alma, descobrem que só sobrevivem se arderem no magma interior de alguém.
O problema não são as mulheres de hoje, mas o fato de elas não caberem mais na poesia de ontem. Ao falar delas, projeta-se um desconforto próprio e desloca-se a perda da própria centralidade. O discurso de Chico Boaco é datado.
Um pouco de pausa mental e de mel poético atraem paz na vida. Poesia sempre poesia a todo o momento.
A poesia sempre colabora para manter a mente menos sobrecarregada e fazer com que se tenha intimidade com as palavras. Seja um eterno poeta e aprendiz na vida. Aconteça o quê aconteça.
