Poemas e Poesias
🖤 “Enquanto ninguém me escolhe”
Enquanto ninguém me escolhe,
Eu escolho sobreviver.
Entre um gole de saudade e um punhado de silêncio,
Eu vou costurando os pedaços de mim
que a vida insiste em rasgar.
Já dei o melhor de mim pra quem só soube pegar.
Fui abrigo pra gente que só queria descansar,
mas nunca quis ficar.
E no fim…
quem ficou fui eu.
Sozinha,
na encruzilhada entre o que mereço e o que aceito,
entre o que sonho e o que recebo.
Dizem que o amor chega quando a gente para de procurar.
Mas como parar, se meu coração continua gritando por algo que nunca veio?
Se meu corpo ainda treme por um toque que nunca ficou?
Se minha alma ainda chama por alguém que não ouve?
Enquanto ninguém me escolhe,
Eu aprendo a não me culpar.
Não é falta de beleza, nem de amor no peito —
é excesso de entrega,
é medo nos olhos de quem olha e vê o quanto eu sou inteira.
E ser inteira assusta.
Porque ser intensa incomoda.
Porque quem sente fundo, incomoda quem só sabe viver na superfície.
Mas mesmo assim…
eu sigo.
Com os olhos fundos de esperança,
e o coração ainda pulsando, mesmo depois de tanto cansaço.
Eu sou aquela que amou antes de ser amada,
que ficou quando todos foram embora,
que ainda acredita — mesmo ferida —
que o amor de verdade não machuca,
ele sara.
Então, enquanto ninguém me escolhe,
eu me reconstruo.
E quando alguém finalmente chegar…
vai ter que saber:
eu sou casa, mas não sou abrigo pra quem só quer passagem.
🌿 “Ele Me Viu Quando Eu Me Perdi”
Eu já me perdi tantas vezes…
Nos braços errados,
nas palavras vazias,
na pressa de ser amada por quem nem sabia amar.
Me vesti de sorrisos,
mas por dentro… eu só chorava.
Me calei pra não incomodar,
me entreguei pra não ser esquecida.
E mesmo assim…
eles foram.
Levaram partes de mim
como se eu não fosse mais do que um momento qualquer.
Mas Ele ficou.
Ficou quando eu desabei sozinha no quarto.
Ficou quando minha alma gritou em silêncio.
Ficou quando eu pensei que ninguém me escolheria.
Ficou quando eu achei que não era mais digna dEle.
Porque Ele me viu…
quando eu já não via mais valor em mim.
Ele viu a menina machucada
e a chamou de preciosa.
Viu a filha quebrada
e a chamou de restaurada.
“Não temas”, Ele disse.
“Eu sou contigo.
Eu te tomo pela mão direita
e digo: Não te deixarei.”
(Ele jurou. E Ele cumpre.)
E agora…
Eu não corro mais atrás de quem vai embora.
Eu caminho ao lado de Quem sempre permanece.
Eu sou a que foi esquecida por muitos,
mas escolhida por Deus.
A que caiu, sim —
mas caiu nos braços certos.
⏳ “Enquanto Nada Acontece”
Enquanto nada acontece,
meus olhos buscam respostas nas nuvens,
meus joelhos já conhecem o chão,
e meu coração… vive entre o cansaço e a esperança.
Eu oro,
choro,
confesso…
e espero.
Vejo amigas se casando,
outros vivendo histórias de amor,
e eu aqui… sozinha,
tentando entender o que falta em mim.
Mas Deus me diz:
"Nada falta. Você só está sendo guardada."
Porque enquanto eu me sentia esquecida,
Ele estava escrevendo meu capítulo com detalhes.
Enquanto eu achava que ninguém me queria,
Ele estava separando alguém que vai me ver com os olhos dEle.
E enquanto tudo parece parado,
o céu está trabalhando.
A promessa não foi cancelada.
Só está sendo lapidada.
E eu, que achava que era castigo,
descubro:
é cuidado. É preparo. É amor.
Porque o tempo dEle não atrasa,
não falha,
e nunca é pela metade.
E quando chegar…
Vai ser paz,
vai ser leve,
vai ser dEle.
E eu vou entender porque a espera doeu tanto:
Pra ensinar que a minha vida
não é sobre ser escolhida por alguém,
mas sobre viver como quem já foi escolhida
pelo Dono de tudo.
🌾 “Ela Não É Esquecida”
Ela pensou que Deus a esqueceu,
quando tudo silenciou.
Mas o céu inteiro estava trabalhando,
enquanto ela só chorou.
Ela não perdeu tempo…
Ela foi guardada.
O que era pra feri-la,
só a fortaleceu pra promessa exata.
Ela é dEle.
E isso basta.
“Lugar Proibido”
Tem coisa que foi bonita,
mas não era pra durar.
Foi escola, foi lição…
mas não pode mais voltar.
O passado veio sorrindo,
fingindo que era amor.
Mas eu já reconheço o cheiro
das coisas que só trazem dor.
Tem nome que não se repete.
Tem beijo que foi engano.
Tem sentimento que hoje,
eu entrego nas mãos do Eterno.
Se tentar voltar,
vai encontrar vazio.
Porque eu já me curei
daquilo que me mantinha frio.
Aqui,
não é mais lugar de enterrar saudade.
Aqui,
só cabe o que me honra de verdade.
"Eu sou casa de Deus agora.
E aqui, passado enterrado não ressuscita sem propósito."
Mais um sentimento sem nome
O que é essa dor que dói,
sem doer em nenhum lugar?
Essa falta de ar,
enquanto respiro profundamente?
Esse peso no peito,
mesmo sem ninguém por cima?
Essas lágrimas em torrente,
sem razão aparente?
Esses textos profundos,
escritos em qualquer pedaço de papel?
Esse bater descompassado,
de um coração que nem sabe por que pulsa?
Essa garganta seca,
mesmo depois de tantos goles?
Esse grito mudo,
preso entre os dentes e a língua?
Esse olhar perdido,
que finge encontrar, mas só procura?
Esse pensamento distante,
que nunca chega, mas também não parte?
Esse sorriso perdido,
atravessando os dias?
Esses suspiros constantes?
Esse silêncio gritante?
Essa ausência tão presente?
Essa saudade?
Essa esperança?
Anderson WA Delfino
Não Me Encolho
O que eu sei é o que eu senti.
E isso já diz muito sobre mim.
Sobre minha capacidade de sentir, de estar presente, de querer algo além da superfície.
E por mais que isso doa agora, sei que não é fraqueza. É força.
É coragem de não viver na superfície.
É coragem de não me encolher por medo de ser “demais”.
Então escrevo. Não para ele, mas para mim.
Para lembrar que sentir não é erro.
E que a falta de resposta do outro não invalida a minha entrega.
Mas… e se não for erro?
E se a dor só vem porque eu ainda estou aprendendo a lidar com ela?
E se o problema nunca foi sentir demais, e sim me julgar tanto por isso?
Eu sei que pra ele pode ter sido casual.
E talvez o gesto de carinho dele tenha sido só isso: um gesto.
Mas pra mim foi entrada. Convite. Abertura.
E o difícil é aceitar que nem tudo que me toca, toca o outro.
Que nem tudo que me aquece, aquece quem estava do meu lado.
Que às vezes eu sou o único que está com os olhos fechados no abraço — e tudo bem.
Eu estou aprendendo que a minha intensidade não é erro de fábrica.
É só um traço da minha forma de existir.
Mas eu posso, sim, aprender a acolher essa parte de mim com mais calma. Posso olhar para minha urgência com menos culpa, e mais compaixão.
Eu não preciso apagar meu fogo.
Só aprender a não me queimar toda vez que alguém não quer se aquecer nele.
E isso também é autocuidado.
Manhã do Menestrel
No bairro onde a luz se derrama,
Fonte Grande desperta em flor,
O domingo acende a chama
Do silêncio vestido de amor.
Pelos muros, a brisa passeia,
Beija as folhas com doce fervor,
O menino do Mucuri anseia
Por versos que nascem da cor.
Os sinos do tempo repousam
Nos telhados dourados de paz,
E as aves nos céus entoam
Sonhos que o sol desfaz.
Oh manhã de candura infinita,
Teu perfume de vida seduz,
Tua alma tão pura palpita
Na rima sagrada da luz.
É o menestrel que contempla,
Com olhar que resgata o azul,
A manhã que em si já exempla
A poesia do céu sobre o sul.
Não nasci no sertão , mas tenho certeza que de lá eu vim de outrora .
Não nasci no sertão , mas me sinto filho da terra .
Não nasci no sertão mas amo sentir o sol o ar que entrelaça meus pulmões que só o sertão tem .
Não nasci no sertão mas amo o cheiro que as chamas trazem diante do braseiro.
Lugar onde encontro a paz e o sossego que minha alma precisa .
,
Buscar verdades esquecidas ou criar novas?
Talvez para lembrar nossa origem,
Para desvendar os enigmas do infinito.
E quando o relógio cósmico parar,
Quando a última estrela se desvanece no silêncio,
Tornando-se sussurros no vento cósmico.
QUEM ME OLHA HOJE
Quem me olha hoje não vê o que Namarroi fez.
Namarroi é um espelho partido. Mas calma aí, estrangeiro — aqui também há progresso. Entendeu?
Uma antena nova;
Mais uma estrada bem cavada;
Uma estação de rádio sem emissão;
Duas selfies ao lado do tribunal;
E um lindo discurso de quem nunca cozinhou numa panela de barro.
E daí?
Daí tive mais ensinamentos: ensinaram-me a ter orgulho da terra.
Só faltou uma coisa — não me avisaram que o orgulho também dói,
e que até o silêncio protesta.
Mas não, meus amigos,
Namarroi não nos deve nada.
Mas devia-se a si mesma.
Pássaros
Meus pensamentos
são como pássaros sem dono:
voam sem direção,
pousam sem avisar.
quando se aninham na minha cabeça,
ficam ciscando,
caçando caraminholas...
depois desaparecem
como nuvens
deixando apenas
poesias.
A florada de outono.
Ah! Aquela flor, dentre todas foi a mais especial, com um aroma sem igual.
Quando não vejo ela dentre todas as outras, sinto um diferencial, diferencial que eu chamaria de algo sem igual, como uma coisa que me deixa passando mal, que, ao mesmo tempo faz-me sentir um líquido lacrimal.
Lembro-me de seu rosto perto do meu, de seus braços me aquecendo como uma mãe acaricia sua vida. Quando ela se foi, senti-me num breu e ao momento que fui percebendo dei-me conta que nada passou de uma lembrança atrevida.
Se fosse para eu descrever ela, diria que seria uma margarida, como daquelas que não vemos em qualquer lugar, afinal, ela carrega aquele aroma sem igual, lembrando-me sempre que quando não a vejo, dói me a ferida.
Neste momento, estou a lembrar-me deste grande amor, que por não tê-la dito o que eu sentia, deixei a ir. Quando me lembro do que deixei acontecer, só consigo sentir dor, porque afinal de contas, não é todo dia que perdemos uma flor que estava por florescer, essa flor só pode receber um nome, Amor.
Teus olhos, meu abrigo
Teus olhos são meu mundo, meu sossego,
me perco neles sem querer voltar.
É só olhar e já me desintegro,
num fogo manso, só pra te amar.
Têm cor de café forte, madrugada,
quentinhos como abraço em dia frio.
Me olham e eu esqueço da estrada,
só quero o teu olhar como meu guia.
Tu nem precisa dizer uma palavra,
teu jeito de me ver já me desfaz.
Acende em mim a chama mais suave.
Se eu pudesse, amor, sem mais demora,
vivia em teu olhar, ficava em paz...
Perdido ali, pra sempre, sem ter hora.
A ORQUESTRA DO INÚTIL
Às vezes, tento querer escrever o que esta sociedade pretende dizer, mas logo descobro que ela mesma já se perdeu na vontade de enunciar-se. Não há verbo que a represente, nem sujeito que se assuma. Há, sim, um murmúrio colectivo, um desejo de parecer pensamento. E escrever o que a sociedade quer dizer é como tentar traduzir o silêncio de um homem que aplaude porque os outros já o fazem. É tentar dar nome ao abismo quando o abismo, educadamente, nos pede um autógrafo. E depois só contamos. Contamos quantas horas restam até o próximo.
Há quem, por ofício ou desvario, destile notas como se o tempo coubesse inteiro numa só melodia. E fá-lo com tamanha urgência que o silêncio. E depois morre afogado na enxurrada de compassos. E assim, entre a batida e o aplauso comprado, ergue-se o trono de um Rei, não por virtude mas por volume, não por arte mas por frequência.
É nobre, sim, o timbre. E há talento disso ninguém duvida, mas até o ouro, quando em demasia, perde o espanto e vira moeda. E a sociedade de ouvidos embotados, aplaude por reflexo. Confunde constância com génio, e quantidade com legado. Ora, família, o excesso também é uma forma de desperdício.
“Amar é virtude dos fortes.
Só os que carregam a alma firme sabem permanecer mesmo quando não são vistos, nem valorizados.
E por isso eu amei sem jamais ser amado.
Cuidei de corações que jamais cuidaram do meu.
Fiz morada onde fui apenas passagem.
Fui ternura, mesmo quando só recebi dureza.
Fui leal, mesmo quando me ofereceram mentiras e traições.
Sabe por quê?
Porque o verdadeiro amor não depende do retorno — ele nasce da grandeza de quem sente.
E só os fortes sabem amar, mesmo quando isso significa sangrar em silêncio.”
— Maycon Oliveira – O Escritor Invisível
Esse poema foi escrito por Maycon Oliveira – O Escritor Invisível, autor do perfil ‘O_Escritor_Invisivel’ no site Pensador.
"Fui ficando em pedaços…"
por Maycon Oliveira – O Escritor Invisível
Fui ficando em pedaços,
mas ninguém notou.
Sorri pra não assustar,
mas por dentro… já era só dor.
Falei que estava tudo bem
mil vezes,
e em todas,
esperei que alguém ouvisse o silêncio
por trás da mentira.
Ofereci o melhor de mim
a quem mal sabia lidar
com o pior de si.
Fui abrigo pra gente
que nunca me deu teto.
Colhi espinhos
de flores que reguei com fé.
Chorei noites inteiras
por amores
que dormiram em paz sem mim.
E mesmo assim,
eu continuei…
remendando meu coração com esperança,
na esperança tola
de que amar valesse a pena.
Esse poema foi escrito por Maycon Oliveira – O Escritor Invisível, autor do perfil ‘O_Escritor_Invisivel’ no site Pensador.
Entendimento inconcluso
A última das certezas repousará no esquecimento
Serei eu tolo de bradar coragem no desconhecido
Sinto a memória como força vital e sigo em margens seguras
Pois o futuro tem pressa em ser anunciado
Mas só aceito vê-lo,
se trouxer consigo o novo !
