Poemas e Poesias
Ilha da Sedução
Deitados sob a luz do luar,
Iluminados pela luz do céu
Almejo ir além da palavra amar,
Desejo incansavelmente te desejar,
Feito a abelha que se encanta com seu mel.
Deitados sobre a areia do mar,
Despidos sobre a água do oceano
Quero contigo na ilha da sedução flutuar,
Contigo, palavras de amor sussurrar,
Ao ouvir nosso coração acelerar, com batidas de eu te amo.
Deitados sob a luz solar,
Veremos o tão intenso amanhecer
Preparados para mais uma noite de amar,
Entrelaçados de desejo e prazer.
Deitados sob a luz do dia,
Serenos na imensidão
Viveremos essa louca fantasia,
De amar sem parar,
Cantar e se encantar,
Na ilha da sedução!
Para dizer que te amo
Preciso de poucos verbos,
Apenas acreditar no meu sentimento.
Mesmo que o sono te leve,
Mesmo que o tempo seja efêmero,
Mesmo que a saudade demore a chegar,
Mesmo em meio aos dissabores da minha vontade,
Por cada verso dos poemas que não li.
Preciso de qualquer sol, de qualquer lua.
Mesmo que o sol se vá antes do meu entardecer,
A lua dirá em alta voz onde meu coração foi pousar.
Deixarei minhas palavras descansarem,
E, certamente, meu amor revelará toda a minha verdade,
Tudo o que tenho para dizer que te amo.
"A placa sempre diz "CUIDADO COM O CÃO", mas o portão nunca está trancado.
Talvez porque o cão já tenha aprendido que morder dá mais trabalho do que assistir. Agora quem entra, entra por sua conta, sabendo que o funeral não está incluído".
Rosário Bissueque - "Que a poesia continue a ser um meio de libertação"
Quando a palavra sumir
Do meu dedo inflamado
Alguém vai sentir
Falta
— desse peito esgoelado?
Quando meu cansaço
Vencer minha ira
Quando meu espaço
For, então, tão caipira
Quando meus ressignificados
Caírem em desuso
Quando meus braços desarmados
Cansarem desse abuso
Haverá quem sofra, oras
Por não ter meu poetar?
Porque tanto escrevo, tanto
Mas não sei quem ficará.
Quando não for a juventude
Nem mesmo a maturidade
Quando não for a quietude
Nem mesmo a ansiedade
Quando não for mais nada
E minha escrita não mais urrar
Haverá, assim, alguém
Que falta dela sentirá?
Porque digo e firmemente repito
Que só é protagonista quem compartilha,
Mas no palco mais restrito
Qual artista que realmente brilha?
Com a linha que me apalpa
Sinto aqui outro gatilho
E entendo o que me escapa
Se eu não ler fazendo o trilho
_____ Visto que
Só no meio desse peito atordoado
Uma voz me chama calma
E me acorda dizendo:
Quem sente falta de quem nunca disse?
Porque calado por calado
O mundo acaba se abstendo
E por isso pego minha caneta
Mesmo que ninguém a visse.
CICLO DA VIDA
A vida é como as marés, vai e volta sem cessar,
como o vento que se espalha e retorna ao mesmo lugar.
Se um galho ao chão se quebra, logo um novo há de brotar,
e a gente segue em frente, sempre pronto a recomeçar.
O rio nunca descansa, corre livre sem temer,
mas se a seca lhe castiga, vem a chuva a refazer.
Assim também é a jornada, de quedas e evolução,
onde a dor ensina o rumo e o renascer é a lição.
No compasso desse ciclo, somos folha, tronco e flor,
somos sol que aquece a terra e a semente em seu labor.
A vida dança nos ventos, entre o riso e a aflição,
mas no fim, o que nos resta, é sempre a esperança e o pulsar do coração.
A esta tal liberdade hoje escreverei. Escreverei em palavras duras, dura como esta imposição.
Imposição esta que, hipocritamente, é mascarada em um antigo dito, chamado: Liberdade.
Como posso eu, a vida aproveitar, da vida desfrutar, se junto a mim tenho esta tal liberdade?
Liberdade esta que dita minhas escolhas e imprime o meu viver. Viver... Se é que ainda tenho esse viver.
Por que esta liberdade, toma a liberdade, de minha liberdade fazer a dela? Por que finges que me conhece?
Por que finges que sou livre? Por que finges que ainda tenho decisões próprias a tomar?
Não é porque adora dias cinza
que é cinza por dentro.
Você mesma acredita não ter graça,
acha normal ser quem é.
Pensa que, o que tem de bom,
outros também têm.
Mas o que é ruim
(e todos têm algo ruim),
você amplifica.
Se digo que é alegre, você nega.
Se digo que é brilhante, contesta,
diz que seria arrogância concordar —
e eu nunca discordei tanto.
Quando questionaram seu brilho,
aí, sim, você acreditou.
Te viram triste, chorando,
e você se culpou.
Fez parecer que é sempre assim —
mas não é.
Não é porque está triste agora
que é essencialmente triste.
E não é porque não brilha para todos
que você não tem cor.
Por isso, quando a chuva cair,
o cheiro da terra subir
e um sorriso nascer —
porque adora dias assim,
lembre-se: essa é você,
tão alegre e colorida,
vendo luz onde outros só veem cinza.
"Flor de Maracujá"
Em um jardim de segredos, uma paixão floresce,
Por uma flor delicada, que o coração aquece.
Uma paixão inebriante, um amor secreto,
Como o perfume de uma flor, doce e discreto.
A flor, com suas pétalas de veludo,
Guarda um amor profundo, mudo.
Um amor que, como o orvalho da manhã,
Brilha silenciosamente, em uma canção profana.
A paixão é como a abelha, que busca o néctar,
Na flor, encontra o amor, seu elixir eterno.
Um amor secreto, um sentimento interno,
Como a semente que sonha em ser um cedro.
Inebriante paixão, como o vinho da primavera,
Embriaga a alma, faz o coração acelerar.
Por uma flor, uma paixão secreta,
Um amor que, como a flor de maracujá, espera.
Sentado junto ao fogão
cúmplice da lenha que arde
assisto ao pé do fogo
os brotos infindáveis.
Observo chamas saltadas.
Sorvo delas um líquido boreal
derramado para cima.
As brasas me contam histórias
que logo esqueço.
Envelope em bolhas de silêncio.
De manhã:
gosto de amora na boca
o vermelho selado
na ponta dos dedos.
Das cores
saem os pensamentos.
Quintal de quatro bicos:
meu segredo habita as pedras
cada uma com sua voz
no bater as coisas.
Posso dividir em quadrados
os barulhos do mundo.
Sentado na soleira de casa
(sombras suicidas sob os pés)
os dedos pensam em nada:
desenho fresco na terra.
Os maiores vêm a frente
trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
Nota: Trecho do poema A arca de Noé.
...MaisQuando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
Nota: Trecho do poema O filho que eu quero ter.
...MaisMenininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão.
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim e você
Vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão.
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
Também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei.
Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac...
Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando, não sei o quê.
O seu canto de repente
Faz a gente estremecer
corujinha, pobrezinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você.
Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder.
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa como quê
Toda noite tua carinha
Aparece na TV.
Corujinha coitadinha
Que feinha que é você!
As coisas devem ser bem grandes
Pra formiga pequenininha
A rosa, um lindo palácio
E o espinho, uma espada fina.
A gota d'água, um manso lago
O pingo de chuva, um mar
Onde um pauzinho boiando
É navio a navegar.
O bico de pão, o Corcovado
O grilo, um rinoceronte
Uns grãos de sal derramados,
Ovelhinhas pelo monte.
Não teve flores
Não teve velas
Não teve missa
Caixão também...
Foi enterrado
Junto à maré
Por operários
Mesmos do trem...
A flor de orvalho
Pendeu da nuvem
E pelo chão
Despetalou...
O céu ergueu
A hóstia do sol
E o mar em ondas
Se ajoelhou...
Cortejo lindo
Maior não houve
Do que o da morte
Desse amiguinho:
Iam vestidas
Com a lã das nuvens
Todas as almas
Dos carneirinhos!
Os gaturamos
Trinaram hinos
No altar esplêndido
Da madrugada;
E o vento brando
Desfeito em rimas
Foi badalando
Pelas estradas!
Nota: Poema A morte de meu carneirinho.
...MaisSaudades de mim
Quando ria sem fim
A alegria fazia morada
E viver, era uma bênção aproveitada.
Saudade da minha inocência
De Minh 'alma plena
Sem nenhum resquício de maldade ou do
pecado que me envenena.
Saudade da minha criança
Das boas lembranças
Das feridas rápidas curadas
E da contentação com o que tinha em casa.
Saudade do meu coração
Quando era inteiro
Sem cicatrizes ou medos.
Não tenha medo de perder nada
- sejam pessoas ou coisas.
Em um dia qualquer,
você perderá sua vida, seja no apagar
das luzes ou no acender delas.
