Poemas de Luto
Todas as vezes que sorri, fui grato.
Todas as vezes que chorei, fui grato.
Todas as vezes que esperei, fui grato.
Todas as vezes que não veio, fui grato.
Todas as vezes que sim, agradeci.
Todas as vezes que não, também.
Entendi que agradecer é a forma de provar pra mim mesmo que a vida vale à pena, com todas as suas dificuldades ou expectativas quebradas. Viver é o maior presente que Deus pode nos dar. Portanto, agradeça!
Ricardo F.
EMBARQUE EM MIM
Três destinos cruzados
Mal posso conta-los
Tristes e sozinhos
Destinos inamaveis
Tanto quis que fossem anéis
Tristes histórias de amor
Embarque em mim
E desta vez, com amor
Raça Negra
ANAJATUBA.
Oh! Querida anajatuba.
Tao distante de ti estou.
Minha princesa de belos campos.
Voltar para te ver eu vou.
Sinto o perfume dos teus campos.
Tu que és de mistérios e magia.
Amo-te terra minha.
Tu és minha poesia.
Tantos são os teus encantos.
De modo que nao se pode contar.
De filhos altivos e honrados.
Terra de crendices e de anajá.
Terra de campos verdejantes.
Tenho-te profunda afeição.
Terra de encantos e mistérios.
Terra idolatrada do meu coração.
Nem tente, agora,
Conter minhas lágrimas:
Esse rio já fez transbordar o mar
De esperança e fé...
No amor de outra mulher.
Nem tente, agora,
Fazer o impossível:
O tempo já mudou a rota do meu coração
Rumo a uma nova paixão.
O TUDO E O NADA
Sem você eu sinto uma dor no peito
Meu coração acelera descompassado
Meu corpo fica em brasa, em febre
Eu não consigo dormir sem você ao meu lado
Você é tudo e o nada
É o sul e o norte
É luz e a escuridão
É a vida e a morte
Você é o amargo em minha vida
É também toda doçura
A calmaria e a tempestade
É o pecado e o amor em sua forma pura
Você é o certo e o errado
É a sanidade e loucura
É o bem e o mal
É a doença e a cura
Deitado Numa Nuvem
Edson Cerqueira Felix
08/02/2019 13:03
Para a Amiga Lídia
Voei com os ventos do céu
O seu desprezo foi sim, algo tão cruel
Eu só queria um pouco
Não, na verdade não
Eu queria era todo teu mel
E foi você que me levou ao céu
Estou no lago da consciência que me assola
No compasso de um barquinho de papel
Na ansiedade de criança apaixonada
Na bagunça de um quarto sem ninguém...
As Profecias
Esses CDs em minha estante que cantam canções tão antigas acertaram em cheio como uma profecia e sua palavra cumprida.
Os versos que outrora falsos, vivos apenas para tocar o sentimento nas almas transeuntes, se tornaram reais como se fosse as palavras de um vidente.
Seria meu futuro predestinado?
Talvez escrito em papel dourado...
Talvez cantado...
Recitado em prosa!
Eu não sei, talvez.
E quem é esse cantor, escritor, poeta, pregador, profeta que insiste em me desvendar?
Deve haver algum livro em verso escrito os dias futuros meus.
Se houver este livro, rasguem a página final.
Afinal, quem escreve minha história é Deus.
Minha história já está no papel faz tempo, mas apenas os dias passados e em todo verso eu tenho que dizer...
Foi escrito, foi sentido e é tudo isso que eu tenho a dizer!
- Igor Improtta Figueredo
Daqui de longe eu não consigo entender, só sei lembrar.
Tento rever passo a passo pra ver onde comecei a odiar você ou onde deixei de te amar.
Fica engasgado as palavras para descrever nosso passado...
Parte dele foi imensamente triste e sinto o alivio em soltar este fardo.
Outra parte dele me lembra de seu sorriso, do seu cuidado, do seu afeto, do seu afago ...
Duas facetas de você que se chocam em mim, e tudo isso explodiu neste fim.
Eramos um meteoro caindo na terra, queimando, tostando e os que nos viam de longe nos chamavam de ESTRELA CADENTE, a nossa queda foi um espetáculo pra eles, motivo de aplauso.
Mas ainda assim como este meteoro nossa queda era inevitável, pois vinhamos nessa direção a ermo.
No frio e vazio espaço...
Adeus
Não bebo para esquecer,
Mas para ter coragem de lembrar
Dos passos que se tornaram o molde do meu eu,
Mas não me ensinaram como devo caminhar.
Todo passo que eu dou é uma lição diferente,
Mas do que adiantar saber sem precisar?
A cura só serve para os doentes,
O que sobra depois disso é uma droga a nos enganar.
A poesia é alívio, Mas não é resposta.
Nem toda passagem tem uma porta ou um portão a se trancar.
Por isso permaneço à troca dos passos, mesmo errados no meu caminhar.
1, 2
1, 2
...
E eu sonhei que era feliz!
Cinema
(Victor Bhering Drummond)
Sim, eu vi a luz
Como o reflexo de um prisma
Ela invadiu a sala
Tocou minhas retinas
Como um toque de cura
Hipnotizou meus sentidos
Calou a plateia
E foi aos poucos projetando
Romance, drama, comédia
Aventura, ficção, ação
Semanalmente para
O roteiro real da vida de cada um
Que precisa de pausas eventuais
Para encontrar com ela,
A majestosa luz
Que projeta sonhos dos outros
Alimentados por nossa imaginação
Aquele projetor mágico
Transforma a cidade pequena
Num grande cenário de hollywood
Nem que seja por uns instantes
E leva Brigittes, Audreys, James, Leonardos, Elvys para quase sentarem-se ao lado
Do pobre cavalheiro abandonado
Ou beijar os lábios da dama
À espera de seu príncipe encantado
Ah! A luz! A luz do cinema
Me faz fazer poema
Como se ele tivesse o mesmo fôlego
De um roteiro.
Meus pobres atores
Não podem competir
Com essa luz poderosa
Da Mulher-Maravilha.
Vamos deixar que essa luz que me enfeitiça
Siga sua trilha
E inspire mais poetas encantados
Com seu furor que nos
Paralisa e atiça.
Céu infinito
que dá cordas
no meu coração
e azuleja
a minha alma
por favor
acerta os ponteiros
do tempo
do verbo
"pluriamar" .
Existe um modo certo
de se dizer amor?
Muitos buscam
poucos encontram
ninguém explica .
Encontro
beijo
abraço
poesia
tudo é só procura
maneiras
de se dizer amor.
É quase uma fome
infinita e voraz !
Amor , facho de luz
pendurado numa estrela cadente .
SOU UM POETA
Sou um poeta que ri;
Sou um poeta que chora.
Sou um poeta que cala;
Sou um poeta que ora.
Sou um poeta silente;
Sou um poeta que clama.
Sou um poeta que odeia;
Sou um poeta que ama.
Sou um poeta que sofre;
Sou um poeta que alegra.
Sou um poeta que guarda;
Sou um poeta que entrega.
Sou um poeta que escreve;
Sou um poeta que lê.
Sou um poeta que oculta;
Sou um poeta que vê.
Sou um poeta perdido;
Sou um poeta encontrado.
Sou um poeta esquecido;
Sou um poeta amado.
Sou um poeta das flores;
Sou um poeta do espinho.
Sou um poeta do ar;
Sou um poeta do ninho.
Sou um poeta do beijo;
Sou um poeta do abraço.
Sou um poeta que fala;
Sou um poeta que faço.
Sou um poeta que quer;
Sou um poeta que nega.
Sou um poeta que doa;
Sou um poeta que pega.
Sou um poeta de carne;
Sou um poeta de alma.
Sou um poeta com ira;
Sou um poeta com calma.
Sou um poeta de versos;
Sou um poeta de frases.
Sou um poeta de livros;
Sou um poeta de fases.
Dias em doses pequenas
A terra tão vermelha
Carreguei no amarelo do vento
Cantos, junto, posto,
Em cama, nas ramas
Uma centelha de tempo perdida
Um cemitério de intenções
A salvo, no alto
A imagem perfeita
Reina absoluta
Como se não fosse treva, imunda
Querer-te aos passos
No azul dos ideais
o infinito turbilhão de porcelana
a calma trincando ruídos
em sons esvoaçantes
Hoje, o tempo, ligeiramente atrasado, chegou quieto, não disse nada, não olhou nos olhos do dia, nem piscou quando viu que era tarde, não quis comer as horas, nem um segundo sequer.
Parou no meio do pasto, olhar perdido. Parecia mais velho, cansado. Um poema incompreendido, um sonhador fazendo análise, uma fábula esquecida, uma lembrança das histórias de criança... Um olhar sustenido. Abriu as asas, tomou um pouco de sol, deixou-se até balançar pelo vento, guiar, virou paisagem. E eu lá sabia que o tempo tinha asas? Sempre pensei que tivesse motores, turbinados, potentes, desses que a ansiedade usa pra competir com nossos sonhos.
Hoje o tempo parou por alguns instantes, e de longe, com ar superior sorriu para Zeus rodeando o laranjado do meu pé de caqui, tirou os sapatos, respirou, garoa fina.
Algum motivo há, ele parou aqui...
O mundo – vertigem ascendente
Queda, barreira, fundo do mar
Estrada de pedras, pesado portão
... dois leões
O mormaço petrificado
A porta fechada
Bater? A intenção derrete nos dedos
A esteira vazia no canto da sala
A televisão ligada – a viagem de amanhã
Eu não vou chegar.
Não há tempo, só mormaço.
Aproximei-me do ar salgado, que respiram as gaivotas
um gato brincando com novelos de ondas
Sou novamente eu no lago oceano
na areia da praia e nos balaustres da baía
Olhando os alvos barcos de papel
Marinheiros tocam bandolim
Nunca longe, levo minha casa para salas de concerto e teatro
mar esquivo... eu finalmente encontrei os olhos
