Poemas de Janela
JANELA DO EDIFÍCIO
Não sou pássaro...
Não tenho asas, nem sei voar
Mas aqui, no apartamento desse edifício
... Eu pairo sob alturas, e vivo sobre o ar.
Pela janela desse apartamento
meus olhos perambulam o horizonte
e se perdem, pelas ruas, prédios,
luminosos e placas de latas e voltam a vagar
sob o ar, onde o oxigênio do tempo se
mistura com a poluição de fumaça.
Aqui desse apartamento, no meu sedo...
Eu vejo o sol galopando sobre as paredes
dos prédios e o horizonte camuflando-se
sob as sombras do meu tédio...
Eu vejo pássaro vindo da sua mecânica
zumbindo em suas carenagens brancas,
transportando vidas e bombas para
estraçalhar, sua carrancas franca.
Da janela desse edifício...
Eu vejo o transito impedido
Permeando viadutos e pontes
e ao longe, um crepúsculo sob o tempo
de uma tarde sombria, aonde arranha
céus gigantes e casas se camuflam
sob horizonte.
Eu vejo a lua se esgueirando sobre os
telhados, aflorando em seu reinado,
e como se fosse espelho, ela faz
demonstração do São Jorge, dragão
espada e aquele seu cavalo branco.
Aqui de cima, eu fico observando os
mares da vida... Da para ver o semáforo
da encruzilhada assinalando os sonhos
e fazendo do pesadelo, uma parada...
Dá para sentir os pulmões da vida
embebidos pela poluição e stress...
Doentes de bronquites, pneumonia
e outras mazelas clinicas.
Da janela desse edifício...
Dá para ver... Rostos cansados disputando
lugar sob a fila do ônibus e metro, esses
rostos estão voltando do trabalho
da para ver também, rostos apressados e
enfadados correndo para seus empregos.
com medo de perder a hora e embaralhar
seus planos... Da para ver e sentir o mundo
os pergaminhos e os dogmas inventados
por esse ser humano.
Antonio Montes
HIBERNEI
Já deve ser meio dia
Levantei
Abri a janela pra ver o sol
Lembrei
Ele diminuiu seu expediente
Xinguei
Tolice minha brigar com Rá
Aceitei
O frio do inverno chegou.
Sai para o trabalho
Avistei
Manequins vestindo casacos
Pensei
Vou comprar um
Duvidei
Talvez ela não volte pra devolver o meu.
No hemisfério sul não se costuma ter lareira
Analisei
Você estava ao meu lado, nunca precisei
Lamentei
Em frente a uma padaria olhando a cafeteira
Pensei
E agora, o que vai me aquecer?
Perguntaram se eu queria café
Paralisei
Perguntaram se eu queria chá
Gritei
Quero uma tigela de sopa
Equivoquei
Mandaram eu voltar depois das 18
Troquei
Me dê um chocolate quente pra viagem.
No caminho tinha uma arvore sem folhas
Desviei
Meu relógio quebrado, tenho que saber as horas
Perguntei
Já é tarde estou muito atrasada
Retornei.
A janela ainda estava aberta
Fechei
O chocolate ainda estava quente
Esfriei
Ouvi um barulho vindo da cozinha
Assustei
Era ela preparando uma sopa
Chorei
Resolvi abrir meus olhos
Arrisquei
Tirando o inverno, nada foi verdade
Sonhei!
BELA JANELA
Tantas janelas! Belas...
N'elas, um sonhos uma lagrima,
um mundo... Em cada uma d'elas,
um olhar p'ra fora, no qual, ao mesmo tempo...
Sentimentos no interior,
caminham pelo alento e desalento.
Tantas janelas...
Um sol em cada uma d'elas! Lá fora...
Buzinas, latas, barulhos ensurdecedor,
lá dentro... Sentimentos de: simples...
Especialista, juiz, pastor, padre e doutor,
Lá fora terror, lá dentro, dor...
Lagrimas e sonhos que afagam
e uma formação de duvidas sob amor.
Tantas janelas, n'elas, traidores...
de tempo
de sonhos frios e quentes
de esperanças e de gente inocentes.
Tantas janelas fortes...
Em suporte de barro, concreto
de: Lata, madeira, lona, esteira
Tantas janelas...
Janelas que nunca rascunhou
um ponto no horizonte
mas que todas elas projetam...
Três ponto e também virgula
projeta a próxima linha d'essa
riqueza, que vaga pela linha
d'essa vida que se chama vida.
Antonio Montes
Ontem,
Fui a janela olhei
e lá fora eu vi
minha própria Solidão,
Perdi quem amava,
e joguei fora parte
de meu coração
TELA DA JANELA
Da tela da minha janela...
eu vejo o tempo com suas ondas
como se fosse, cortejo de banda
tocando horas minutos e momentos,
ou... como se fosse um jogo de dama
com tabuleiro todo demarcado
onde nos somos as pedras prontas para
sermos manipuladas.
Todavia sendo roladas, p'ra lá e p'ra cá,
sem tomar tento da partida
nem o ponto onde chegar.
Da tela da minha janela...
Eu vejo o sol todo em pedacinhos
demarcado pelo arame do mundo
envolvido nas telhas dos sentimentos...
Eu vejo a tabuleiro sendo manipulado
pelas feras do poder, onde elas
é que fazem as cartas e as regras...
Elas é que coloca-as cartas sobre a mesa.
Vejo os pequenos tentando sobressair
das garras de um esquema posto
sobre eles mesmo no qual eles são
apenas a peça do tabuleiro e como tais...
são jogados para lá e para cá...
Feitos de bobos, por todo tempo,
pelo tempo todo.
Da tela da minha janela...
Eu vejo as ruas e as calçadas
os passos, passadas e passarinhos
eu vejo o tempo demarcado pela tela
e a minha saudade toda em pedacinho.
Antonio Montes
A MAIS LINDA MANHÃ DE SOL
Abra a janela deixe a luz do sol entrar
Deixe iluminar seu lindo rosto
Que possa irradiar todo seu corpo
Aqueça seus lábios com teu calor
Doce manhã que clareia o dia
Não quero sair do seu lado
Seu sorriso brilha como os raios de sol
Que adentram nosso quarto
Mas que linda manhã de sol
Tenho minha amada aqui comigo
Torne este momento mais que intenso
Entregue-se nessa gloriosa manhã
Não se apresse meu amor
Essa manhã de sol trará muitas surpresas
Olhe em meus olhos, segure minha mão
Hoje só quero que o dia termine bem
A luz do sol refletiu na janela do meu quarto,
abri os olhos e vi a claridade que no teto formava o seu retrato,
só me fez aumentar ainda mais a saudade,
porém quando abri a janela e senti a brisa me tocando os lábios,
imaginei você me beijando com ternura,
ai sim abri meu olhos e vi que era uma tremenda loucura,
O amor é assim, deixa a gente louco,
sem razão, com sufoco no coração.
Abra a janela do seu coração e deixe sair tudo
que te faz mal!
Depois respire fundo e substitua por sonhos, esperança
e amor próprio!
Em seguida feche seus olhos, respire fundo e de um pequeno
passo para frente e verá que o mundo mudou!
Você é dono do seu destino e também poderá mudar o rumo de sua vida!
Vá a rua abrace o vento, se aqueça com o sol, converse com
os passarinhos e de as mãos a Deus e vá ser feliz!
Sergio Fornasari
Viva
Abri a janela em um dia de verão
Lembrei-me daquela velha paixão
È bom quando não esquecemos de amar
Só precisa de alguém para forma par
Mas não se desespere nem se iluda
È nesse mundo onde existe compaixão
Que pessoas trair,te deixar na mão
Mas vida só temos uma,então vamos viver
Aproveite e não ouça o que vão dizer
A vida aqui na Terra acaba rápido pra valer
e quando menos esperar,deste mundo vamos desaparecer
JANELA ACESA
A moça se inclina sobre o parapeito,
silêncio, flor branca guardada.
Perdida de mim, a moça ausente me olha.
É a minha alma que ela espreme entre os dedos ferozes.
A moça habita o azul,
entre nuvens, anjos e pássaros, seu rosto sem sol.
Suspensa nos olha, atrás da vidraça, seu nicho de santa,
sua vida que eu não conheço.
De longe eu a vejo, princesa do céu,
enquanto estou preso em mim.
ENCENAÇÃO
coloque um pedaço
de poesia na sua janela.
entregue-lhe a entreaberta rosa,
beije-a com imensa ternura.
com seu mais belo sorriso
acarinhe-a suavemente
deixando-a acreditar
que seu amor é somente dela.
Verluci Almeida
Derretendo Satélites
Desta janela encoberta de neblina, avisto seus brilhos solares atravessando a rua.
Escondendo-se das luzes ofuscantes, seus passos decididos partiam em rotas inexistentes. Por um
segundo, senti o bater ritmado do seu coração parar. Como se mundo parasse, se o ar faltasse.
Instantaneamente, o universo retrocedeu décadas de evolução. Depois, acelerou tão ferozmente que
estrelas colidiram. Escuridão silenciosa fez em seu breve penar.
Deste labirinto tortuoso a qual descrevo meus dias de exílio, observo, assustado, o correr
natural dos seus dias simples. Como a um terremoto, seus passos se chocam com astros distraídos,
destruindo o pouco de paz existente nos cosmos. Um grito: volte! Minha vida, então, brevemente
misturou-se com a sua. Meus tristes relatos observados com minhas vistas cansadas de esperar a paz
roubada, no instante que colidiu sua rota em meus dias cinzas: os Deuses festejaram a descoberta de
uma nova e brilhante constelação.
Neste quadro abstrato que minhas retinas incansavelmente entorpecem, procuro vestígios
palpáveis para reencontrar seus braços. Eu, vagando entre o real e o imaginário, suspiro a cada sonho.
Contrabandeando sorrisos puros a cristalizar nostalgicamente a vida.
Desta caverna escura a qual observo tudo contra a luz, vejo-te flutuar pelo salão principal,
deslumbrante e bela. Ignorando as luzes ofuscantes, vejo apenas seus olhos brilhando no escuro opaco.
Reluzente luas prateadas em noites de euforia.
Seu sorriso derretia satélites e corações gelados.
O POETA E A BORBOLETA
O poeta escreve com a janela aberta.
A borboleta entra pelas venezianas.
Quer observar de perto as filigranas,
Que ele esparrama na página deserta.
Lembranças... fantasias doidivanas,
Suaves e doces sonhos de criança!
Relembra a bela menina de trança,
Que coloria suas horas cotidianas.
Jogos de luz desenhados na folhagem,
Fazem-no esquecer o que ia escrever.
Imagens dela, uma deliciosa miragem!
Fecha os olhos! Sorri... fica sonhando!
O poeta e a borboleta! De enternecer,
É a cena para quem está observando.
Verluci Almeida
261010
PELA VIDRAÇA
Chove muito e as gotas d'água
deslizam suavemente pela vidraça.
Pela janela observo a mulher
que caminha lentamente pela rua deserta.
Para onde ela irá assim sem pressa?
Imersa em seus pensamentos
segue em frente e fico a imaginar
o que faz uma mulher caminhar
tão tranquilamente ignorando
a chuva forte que cai.
Seria o término de um romance,
de um belo caso de amor?
E indiferente aos pingos de chuva
que molham sua roupa, seu corpo,
segue levando consigo o seu segredo.
Verluci Almeida
250210
O VENTO
Havia sobre a cômoda, um espelho
à espera de um lindo rosto chegar!
Havia uma janela que dava para o
jardim onde as flores a encantavam!
Havia um relógio onde a vida ia em
alegre tic-tac ao encontro da morte.
Mas havia pássaros alegremente a
cantar entre as laranjeiras em flor.
- E o vento?
Ah! o vento brincava com seus longos
cabelos e com a cortina se enroscava
dançando ao som de uma suave canção
que vinha de longe, de lugares distantes!
E o vento sussurrava baixinho em seu
ouvido ternas e doces palavras de amor
que ele dizia e ela fechando os olhos
em seus lábios, os lábios dele sentia!
Verluci Almeida
200406
Aqui quando abro a janela
Não avisto um muro calado
Mas esta folhagem bela
Deixando meu olhar extasiado...
mel - ((*_*))
Sabem o que está acontecendo?
É o sol na minha janela batendo
Me deixe entrar... vem cedo dizendo!
mel - ((*_*))
Da minha janela vejo o mundo lá fora
pessoas a sorrir, a chorar, a amar ....
as flores a nascer, florescer e a morrer
amores e desamores....
a sonhar, a chorar, a sorrir e amar....
as estações do ano a passarem e a sorrirem....
Outono, com as folhas a caírem das árvores,
Inverno, com a sua neve cintilante,
Primavera, com o despontar da natureza;
Verão, sendo o sol e a praia são os reis dos dias...
os legumes e a fruta ganham vida, que nos encantam
com os seus sabores, odores e aromas...!!!
Janela para o mundo
Minha amiga janela
Que me faz ver nesse instante
Maravilhas e esplendor
Do majestoso gigante
Diga para sua irmã
Que me faça ver além
As maravilhas do mar
Que Cabral as viu também
A terceira janela eu sei
Que pode bem me mostrar
Belezas riquezas animais
Que o escrevente Pero Vaz
Descreveu Pasmado ao rei
Se há uma quarta janela
Que nos faça compreender
Como pode um país tão rico
Por negligencia do político
O mal se estabelecer
O jovem tem condições
De abrir a janela pro mundo
Com estudo e com visão
Propor a transformação
Pras futuras gerações
J Muniz Carvalho
