Poemas de Janela

Cerca de 3573 poemas de Janela

Dias de chuva

Chovia…

Abrigo na memória
uma janela entreaberta,
o latido das gotas caídas,
seduzidas por letras
cantaroladas nas pontas dos dedos.

Chovia...

Nesses dias pardos
que ainda trago na boca...

Abri uma gaveta
de infância —
e não havia nada,
nada que me fizesse lembrar
a faceta de transgressor.

Chovia...

Desejos esses,
habitados em ímpetos silêncios,
de vaga mundos —
sem sair do regaço da minha mãe.

Chovia...

Vertiam-se aqueles beijos
em dia de branco chumbo,
dados com amor e paixão,
como a auga escorrida,
ecoando melodias
no meu coração

chovia, mãe

chovia

chovia

chovia

O Sol Adormece em Mim


O mar pousa na minha janela
dos olhos
e o sol
adormece em mim.


(Suzete Brainer)

O meu quarto tem cheiro da morte.
A minha janela reflete a escuridão
A minha cama vazia me ensina o que é a solidão.

Hoje quando eu acordei e te vi
Você com um sorriso iluminando como sol radiante em minha janela.
Tinha certeza que o dia seria lindo e você minha única musa, amante e bela.
Você disse oi e se foi.
A escuridão serrou meu olhar
E agora só tenho uma esperança.
Que quando o amanhã chegar e você voltar.

Ela pegou a vassoura
e saiu voando pela janela,
ainda vejo sua silhueta sobre a vassoura
em contraste com a lua cheia...
mais cedo fez chover pétalas de rosas
me falou da essência do amor...
e cheirando a jasmim
levitava entre entre as bromélias do jardim,
ela me disse que era pra sempre
que era infinito, sempre que acontecesse
deitamos a luz da lua
acordamos a luz das estrelas
e tudo que era poesia invadiu minha rua...

Sinfonia Inversa

Feche a porta invisível,
abra a janela já aberta.

Cavalgue um unicórnio lobuno,
voe numa libélula dourada.

Desça a serra de vidro,
suba num trampolim estático.

Nade no rio de lágrimas,
corra pela rua de cera.

Grite em barítono agudo,
cale-se em alto volume.

Leia o pergaminho ágrafo,
escreva com a pena de Roc.

Coma a fruta-bolacha,
beba o drink que evapora.

Durma com o sol na moringa,
acorde com os pés nas nuvens.

Mime um gato alado,
dome uma fera urbana.

Reze com evangelho apócrifo,
peque com um terço ao peito.

Conte uma estória verídica,
narre um crime perfeito.

Dance o tango inglês,
cante a ópera baiana.

Não era amor

Da janela, olho a praia imensa nesta manhã e ouço conversas, frases sombrias ditas por ti.
Deletei, porque não associei a mim —
ou, pelo menos, não quis acreditar.
Não sofri.
Acho que a praia inteira ouviu,
mas o sentimento dito não era de um amor genuíno.
Foi naquele dia que vi a fila andar.
“Me mate ou se mate.”
Não era amor.
Sinto muito, você está doente.
Sabe, o sofrimento também é evolução.
Você veio, no final, se redimir,
mas a fila já andou.
E, se dói, desperta,
vai para longe e siga o seu caminho.
Sei que falei que esse amor poderia ser também um rio imenso e lindo.
Mas nem mesmo o rio é sempre beleza:
ele tem barrancos e curvas,
galhos e excrementos.
Menina, olha o rio…
ele já nem corre mais.
Então decidi não entrar em suas águas turvas e profundas.
Sinto muito, mas não doeu.
“Me mate ou se mate.”
Não era amor.

Faço vigília todas as noites,
presa à janela como uma condenada,
olhando um céu que nunca responde,
esperando que uma estrela caia
mas nenhuma tem coragem de despencar.


Meus sonhos são ilusões perdidas,
a esperança já apodreceu no leito.
Não sei se corro contra o tempo
ou se o tempo já riu de mim e partiu.
Os milagres? Covardes!
Dormem como deuses embriagados
enquanto eu grito no escuro.


Do quintal, vejo o firmamento,
e quando uma estrela ousa riscar a noite,
tenho apenas cinco míseros segundos
para vomitar um pedido desesperado.
Cinco segundos!
E depois?
O nada. O mesmo nada de sempre.


Fechei os olhos, menti para mim:
imaginei sonhos voltando à vida,
milagres despertando,
a esperança batendo à minha porta.
Mas era só delírio
a estrela caiu no mar
e afogou minha prece junto.


Agora, só me resta esperar,
presa à vigília de todos os dias,
olhando um céu de silêncio.
E eu, sozinha, amaldiçoo essa esperança,
essa mentira maldita que me mantém viva
apenas para perder mais tempo.

Pela janela do meu carro

⁠O sinal estava fechando e eu fui desacelerando. À minha frente duas motos já estavam paradas.
Na faixa de pedestres, indo para o lado esquerdo, atravessou um mulher muito bonita, corpinho de violão, daquelas que "param o trânsito".
Um dos motoqueiros não hesitou e levou automaticamente o pescoço e a cabeça para o lado esquerdo, acompanhando os passos da beldade. O outro motoqueiro logo em seguida fez o mesmo movimento e não perdeu a oportunidade de admirar aquela beleza.
E quem disse que homem disfarça essas coisas?
O mais interessante é que durante aquele pouco tempo entre sinal amarelo e vermelho os dois trocaram figurinhas.
Minha imaginação:
- Pô, cara, viu só aquela mulher como é gostosa?
- Pois é, ô mulherão!
Durante o papo um deles balançava a cabeça confirmando algo.
Acho até que já se tornaram melhores amigos.

P.S.: Vou começar a aproveitar essas histórias e criar contos do cotidiano. Rsrs

" Sentada no parapeito da janela,
deixo - me levar pela brisa suave
que paira no ar...
Esboço um sorriso, meu coração bate
descompassado, estou pensando
em ti...
O sol ainda não se pôs nem pra mim
nem pra você.
Mesmo há uma hora de diferença,estamos sob o mesmo sol...
Iluminados!
Assim como o nosso amor.
Através do seu olhar vejo
o arco - íris despontar...
Tão lindo!
Como você, que encanta omeu mundo,
faz - me florescer... "


Escrito no verão de 2016, em pleno horário de verão...

Quintal da memória


Uma varanda,
uma vila,
um corredor comprido.
Da janela,
um quintal aberto ao mundo.
Chuva de verão caindo morna,
cheiro de café vindo da cozinha,
o leite crescendo no fogão.
Brinquedos esquecidos pelo chão.
Pai - porto seguro.
Avó - doçura de colo.
Madrinha - mãos cheias de agrados.
Padrinho - passos lentos pelas tardes.
Hoje,
quando a chuva retorna
e o café invade o ar,
fica apenas
a infância
roçando leve
as asas da lembrança.

⁠Aquece

A tarde começa a raiar
O sol lá fora aparece
O frio ainda entra pela janela
Mas é um frio que aquece.

Nos dias de chuva, há sempre um olhar
perdido à janela. A vida, lá fora, segue
seu ritmo cinzento, mas, por dentro, o
silêncio é a única voz. É o momento em
que a alma chora sem fazer barulho, e
a chuva apenas lava o que já está
quebrado.

Pela estrada,
sigo no trem vida.
E olhando pela janela,
vejo a asa do Destino me levando
justo quando convencido
de estar indo rumo a ele...

[O primeiro raio de sol que cruza a janela]


A caridade
só pode existir,
num mundo
que abandonou
a solidariedade.


Numa sociedade
solidária,
existe justiça social,


equidade, humanismo,
compaixão engajada,
equilíbrio horizontal.


Não há espaço
para personagens
caridosos


e ninguém precisa
das migalhas
de seres benevolentes
e superiores.


09/06/23
Michel F.M.

Essa noite estou sentindo a brisa da minha janela tocando meu rosto
E perfeitamente posso sentir que foi você meu anjo que me enviou seu carinho
Seu toque macio
Teu beijo suave nos meus lábios
Ahh noite incrível e fria noite
Onde sinto a vontade queimar dentro de mim
O desejo quase que palpável
Mais um pouco ouço a melodia que é seu coração pulsando
Ahh que noite incrivelmente fria mas com dois corações quentes ,desejando um pelo outro .
Onde dois corpos se encontram em pensamentos profundos de amor
Beijos longos e intensos
Toques fortes e marcantes
Ahhh brisa da minha janela traz esse anjo pra mim

⁠Lua clara e estrelas no céu,
fazendo a noite brilhar.
Pela janela ,
atrevida e aberta,
sopra uma brisa,
que a sua pele esfria,
te fazendo arrepiar!

A janela...


Foi exatamente dessa janela
que fiquei olhando quando ela partiu.
Minhas lágrimas misturavam se
com a chuva fina que na tarde fria molhava a vidraça.
Ao mesmo tempo
em que a janela embaçava,
me esvaziava por dentro.
Quando na curva ela sumiu,
um buraco em meu peito se fez.
Hoje nada tenho,
me resta apenas uma cicatriz.

Meu olhar se embriaga
na poesia do pôr do sol,
que irrompe da janela
da minha cozinha
como um poema em chamas.


O céu escreve, em tons alaranjados,
os seus silêncios,
enquanto o dia se retira devagar,
com a serenidade
de quem conhece o próprio tempo.


Sobre a pia,
a louça reflete o esplendor
desse arco-íris poético.


E a minh’alma,
pincelada por essa paleta de cores,
deleita-se
num estado puro de êxtase.


E eu, inspirada,
derramo estes versos
de gratidão à Natureza,
por conceder-me
tamanha bênção.
✍©️ @MiriamDaCosta

VIAGEM INSÓLITA

O vazio era vasto até que o bem-te-vi cantou na janela. A alma errante escapuliu, deixando a matéria trancafiada, mais uma vez, no peso denso da carne. Acordar é a única ilusão!

Lu Lena