Poemas de Janela
O meu aroma noturno
de Orquídea Brassavola
misteriosa e cítrica
entra na janela d'alma
Para ter pôr em festa
de gala em companhia
da poética Via Láctea
durante o céu aberto
Você me ama de frente
para trás, de trás para frente,
e sobretudo por dentro.
Por mim tens devoção,
paixão alucinada e amor
de perdição a cada momento.
Um beija-flor passou
na janela,
Foi você que desejou
um bom dia,
Mistério de amor
que chegou
para me fazer sacodida.
Janela de Baade
para enxergar se
és meu de verdade,
Não quero a metade,
quero completo
e sem saciedade.
No trajeto o silêncio
da sua janela trancada,
No seu peito a poesia
segue encantada,
Os meus olhos felinos
espreitam a sua chamada.
HOJE AMANHECI SEM
O SOL NA JANELA
ACORDEI MAIS TARDE
DO QUE A MINHA SOLIDÃO..
Copyright, direitos autorais
Todos os direitos reservados a
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
Nova e Velha Política.
"Não consigo dizer o quanto uma janela exposta à luz do meio-dia pode ou não ofuscar minha vista, uma vez que quem decide é a hora e a posição que eu devo ocupar naquele ambiente. O paradoxo entre as leis limitantes e a liberdade de escolhas promovidas pelo livre arbítrio sob a lente religiosa promove discursos. Hoje, os políticos são categoricamente dois jogadores em lados diferentes em um único tabuleiro. O que torna isso engraçado é o fato de que somos nós os peões e as rainhas dentro desse jogo. Podemos decidir qual jogador irá nos representar, mas nunca a direção pela qual eles irão nos mover durante cada jogada."
Hoje eu abri a janela
E enxerguei longe, lá no Céu
Algo que parecia
Um casal de andorinhas
Voando alegremente
Não sei se estavam mesmo lá
Ou se era ilusão da minha mente
Com o tempo a gente percebe
Que não é certo
E nem inteligente
Sempre crer
Naquilo que se vê de longe
Nem naquilo que se vê de perto
Mas as andorinhas
Pra sempre estarão voando
Acreditando nelas
Ou não
O difícil não é sabê-las
Pois é pra isso que existem janelas
Triste
É viver sem nenhuma ilusão.
Edson Ricardo Paiva.
Como o vento a entrar pela janela.
"A Beleza da vida
É o Sol lá no céu
Numa noite de chuva
É saber sentir
Quando não houver
Sentido e nem valor
O que vale na vida é o amor
Amar é enxergar a beleza
E sentir o seu sabor
Na água da chuva que cai
Na beleza da noite
É olhar-se no espelho
Poder ver a sorte
Pela imagem refletida
Ser somente uma ilusão
Por mais bela ela seja
Pois a imagem verdadeira
É o Sol no céu
Numa mente que o veja
E que sejam todos nossos sonhos
Bem assim
Como o Sol que brilha
A beleza na vida é o olhar que trilha
Confiante
Encarar de frente a todas as vicissitudes
Como quem sorri perante o espelho
E entender que o velho Sol é também uma ilusão
Como a chuva que se torna tempestade
O que vale na vida é o amor
Que se vai, que voa e que evapora
E que volta maior quando retorna e que te invade
Como o vento pela janela
No momento em que transforma a brasa em chama
E a chama da vela em nada
Nada além de uma vela apagada
E teu quarto em escuro
Era tudo o tempo todo uma questão de proporção
Pense, que o futuro continua a pertencer a Deus
Apesar de tua ilusão ao olhar pro espelho
Pois, em toda tempestade que cair
O Sol vai estar brilhando lá no céu
Talvez leve algum tempo pra entender
Que a beleza mora lá no olhar
Que sorri quando chora e está aqui
Mas que olha e não vê. "
Edson Ricardo Paiva.
Sinfonia Inversa
Feche a porta invisível,
abra a janela já aberta.
Cavalgue um unicórnio lobuno,
voe numa libélula dourada.
Desça a serra de vidro,
suba num trampolim estático.
Nade no rio de lágrimas,
corra pela rua de cera.
Grite em barítono agudo,
cale-se em alto volume.
Leia o pergaminho ágrafo,
escreva com a pena de Roc.
Coma a fruta-bolacha,
beba o drink que evapora.
Durma com o sol na moringa,
acorde com os pés nas nuvens.
Mime um gato alado,
dome uma fera urbana.
Reze com evangelho apócrifo,
peque com um terço ao peito.
Conte uma estória verídica,
narre um crime perfeito.
Dance o tango inglês,
cante a ópera baiana.
janela fechada.
Como esquecer,
se toda janela que abro
dá pro mesmo lugar?
Eu fecho a cortina,
mudo de casa,
mudo de cidade,
mas o vidro me entrega.
não é o passado que me persegue,
sou eu que o plantei no futuro.
cada plano meu
tinha o teu rosto.
Eu mesmo escrevi
que te veria em todo amanhã.
agora o amanhã chegou,
e você não está,
mas o que eu criei sobre você
ainda está.
Abro a janela pra respirar,
e respiro você. Não faz mal, feche as janelas.
(Saul Beleza)
A Janela do Discurso sempre se moveu pelas Mãos Invisíveis das Narrativas.
Se reinventar já era mais do que esperado…
Mas nada foi tão Medonho quanto a vê-la se valer da “Idoneidade Policial” e da “Fé Religiosa”.
A Janela de Overton — esse mecanismo silencioso e traiçoeiro que define os limites do que é socialmente aceitável — sempre se moveu pelas mãos invisíveis das narrativas.
Ideias outrora impensáveis se tornam plausíveis, discutíveis, desejáveis… e até aceitáveis.
Nada disso é novo.
Mas há deslocamentos que ultrapassam o jogo das ideias: eles tocam em pilares que, uma vez manipulados, comprometem a própria estrutura da convivência civilizada.
Nada foi tão medonho quanto assistir a essa janela se valer da “Idoneidade Policial” e da “Fé Religiosa”.
Ambas, por natureza, deveriam inspirar confiança — não manipulação.
Quando começam a ser usadas como régua para definir quem merece voz, respeito ou até mesmo existência, o que está em jogo não é mais apenas a opinião pública: é a própria noção de justiça e espiritualidade.
A confiança na justiça perde o chão quando o discurso sobre “idoneidade” é moldado para blindar abusos e silenciar denúncias.
E a fé, que deveria acolher, se torna instrumento de controle quando usada para validar narrativas de exclusão, discurso de ódio, intolerância ou superioridade moral.
Quando a Janela do Discurso se move por esses vetores, não estamos apenas assistindo a uma mudança de ideias.
Estamos permitindo que conceitos sagrados e instituições essenciais sejam descaradamente arrastados para a seara da manipulação.
Toda e qualquer forma de manipulação é ruim, mas valer-se das autoridades presumidas para inviabilizar o debate e a crítica é de uma sordidez sem precedentes.
E isso, sim, é digno de temor.
Tenho medo…
TSAS A MORTE LENTA
Pela manhã a tela acende,
faz da janela um muro digital.
O corpo esquece o movimento,
a alma perde o rumo natural.
O sofá abraça sem maldade,
convida ao descanso e à rendição.
Pouco a pouco prende os passos,
transforma a força em ilusão.
O açúcar veste roupa de festa,
adoça a boca, seduz o paladar.
Mas cobra caro pelo encanto,
quando chega a hora de cobrar.
O sal tempera a convivência,
dá sabor ao feijão e ao pão.
Porém, em excesso silencioso,
cerca a vida de preocupação.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
No brilho da tela, no abraço do sofá,
no doce do açúcar e no sal a transbordar.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Não vieram como inimigos,
nem carregam espada ou canhão.
Entram sorrindo pela porta,
ganham espaço no coração.
A televisão rouba o tempo,
o sofá negocia a disposição.
O açúcar compra o instante,
o sal disfarça a condição.
Enquanto o mundo corre lá fora,
a vida pede participação.
Caminho, esforço e equilíbrio
são remédios sem prescrição.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Quando o excesso vira costume,
e o costume vira prisão,
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Então façamos nova escolha,
sem guerra, culpa ou radicalismo.
Que a tela informe, não domine;
que o descanso não seja abismo.
Que o açúcar seja visita,
não morador do coração.
Que o sal conheça limites,
respeitando a moderação.
Pois viver é mais que prazer,
é movimento, consciência e valor.
E o tempo, que tudo revela,
é o mais exigente julgador.
"A temporada de compra, troca e venda de jogadores de futebol é agora denominada 'janela'. Sem querer ofender o asno, animal, alguém sabe por que isso? É apenas 'modismo' ou tem mais? Hein?"
Frase Minha 0606, Criada no Ano 2013
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
Transcendental
Uma taça de vinho,
a janela aberta,
o céu estrelado,
a brisa invadindo o
semblante e acalentando
o olhar no horizonte - não mais que uma taça,
não desejo ficar entorpecido, mas leve.
Marcelo HB
Setembro (crônica)
"Olho pela janela e vejo passar mais alguns dias simples. Há uma paz morna no ar, um acalento que só pertence às coisas que consigo enxergar quando o coração está grato e o espírito finalmente descansou. Por dentro, os sonhos ainda pulsam com a mesma força de antes, mas o caminhar agora é solitário. Não sigo triste, tampouco abatido; sinto apenas uma perplexidade silenciosa, um estado pensativo de quem assistiu ao tempo correr rápido demais. Muitos anos se foram.
É engraçado como a mente viaja. Hoje é setembro, mas as minhas lembranças insistem em voltar para janeiro. Penso naquele céu em festa, no frescor da noite e nos corpos a descansar sobre a areia, celebrando uma ilusão de eternidade em luzes. Hoje tudo é diferente. O cenário mudou, as pessoas mudaram, e eu acabei ficando exatamente onde estava - no lugar de onde, talvez, nunca devesse ter saído.
Nessa jornada, a vida me ensinou do jeito mais duro que as pessoas esquecem. Descobri que há quem nos fira com precisão, mesmo sendo capazes de distribuir sorrisos largos e fáceis para estranhos e desconhecidos numa viela qualquer. A hipocrisia dos afetos rasos já não me surpreende.
Agora, o horizonte me oferece mais algumas luas, mais algumas noites e mais alguns céus. Não há estrelas em festa desta vez, ou corpos com olhares voltados as luzes multicoloridas, o firmamento está quieto. Mesmo assim, encontro motivos para comemorar algo que pouquíssimos se permitirão vivenciar ao longo de suas passagens por este mundo: uma liberdade verdadeira. Uma independência da alma que nada nem ninguém pode roubar, quebrada apenas, de vez em quando, pelas memórias barulhentas do fim de dezembro e do início de janeiro. Mas o inverno já se foi. O silêncio me acolhe, e o setembro também há de passar quieto e bonito."
Marcelo HB
Da janela vejo sorrisos, é ruim ser só,
ter todas e ao mesmo tempo não sentir o calor de nenhuma,
confesso, sou destemido, mas tenho medo de não ter medo,
de não ser acordado com beijos e sim com despertadores.
E se todas sumirem? E se tudo acabar?
O que restará? Sei que não irei mudar.
Mas queria, por mais que não consigue.
É o preço que se paga por não querer depender de ninguém,
mas uma hora você para, olha para si mesmo,
e vê que é dependente de si,
dependente de tua própria solidão,
do seu próprio eu.
- A beira da janela suja encosto-me na teia de aranha,
ouvindo aos grilados da noite que logo me pedia
alma, colo e uma declaração de horror.
Enquanto pensava em tragar meu 1 cigarro da noite
Uma indeçisão! De me domar e me dominar compulsivamente.
Que a fumaça que eu solte seja a minha alma amargurada indo embora
Que essa seja a oração de um ateu que morre de amor
Que a maldição que eu carrego comigo faça alguém feliz
Porque a minha infeliz maldição não me deixa ser.
BRADO NATALINO
Não vou ganhar presente de Natal,
não tenho sapatinhos, nem janela,
pois durmo nas calçadas da capela,
sou fruto deste mundo desigual.
Eu trago em mim as marcas da mazela
que herdei da escravidão colonial,
desse abandono imenso e estrutural
que agora se renova na favela.
A minha vida é chama d’uma vela,
que frágil pulsa em meio a um vendaval,
ninguém escuta meu grito ancestral,
que é eco dos mil brados de Mandela!
Escravos no passado e sem devir
não têm Natal! Não têm porque sorrir!
