Poemas de Ausência
Percebo que a carência afetiva do ser humano chegou a tal ponto que, hoje em dia muito mais importa o quanto você está disponível do que de fato quem você é.
Lábios que silenciaram na velocidade de nossa conexão, pessoas que não se ouvem e nem veem mais, apenas existimos em um contexto à parte de tudo, em um universo paralelo.
No início eram tão esparsas e pequenas, que eu quase não percebia, mas de repente, as doses tornaram-se tão altas e constantes, que rapidamente viciei-me a ponto da tua presença tornar-se absolutamente dispensável nos meus dias tão repletos de ausências.
No Norte de Minas, virou moda cidades com governos ausentes ou autistas. Governantes e assessores que sofrem de inércia (nada fazem), mudez (nada falam) e surdez (não ouvem ninguém) agudas.
Têm pessoas que não possuem ternura e amor suficientes para criar filhos e então, usam disfarces de pais.
A maturidade vai nos tirando coisas insubstituíveis, despertando em nós o desejo de correr atrás delas pelo caminho de suas ausências e da saudade.
O ausente mais presente que existe é justamente aquele, que está lá nos momentos onde ninguém mais está.
Cada vez que se despedia dela, ele enchia os olhos de lágrimas, como se nelas transbordasse todo o seu amor e, esse era o 'eu te amo' que ela mais gostava e foi o que eternizou dentro do peito para suportar a saudade lancinante que sentia na ausência dele.
Fuja de amigos que só te procuram na farra, mas seja ausente para quem só te procura quando está triste.
“A saudade corta, pujantemente, cada fibra do peito daqueles que a suportam. Em tais circunstâncias, dirigem-se direto ao despenhadeiro ou ao abismo: despedaçam-se ou somem-se.”
Na vontade plena de uma cobiça desmedida, se limita a expelir o inevitável perfume de um encanto reprimido, fruto de uma ausência inesgotável de audácia
"Um só momento, em que se esteja bastante consciente...costuma modificar radicalmente muitas circunstâncias desagradáveis"
"O ser leal é companheiro do amor e amigo da inteligência. E na mais simplista das ausências é testado os mais altos atos de lealdade."
Sinto falta de um mundo que talvez nunca tenha visto, um mundo de verdade, onde é prioridade a cultura e a arte é devidamente respeitada e cultivada, onde as pessoas se interessam umas pelas outras não pelos erros, mas pelos calos que a vida deixou e quem essa pessoa se transformou, sinto falta de sorrisos sinceros, de não me sentir saturado pela mesmisse, sinto falta de músicas que tinham conteúdo, pessoas com conteúdo... Talvez eu já esteja ficando velho de mais para esse mundo, ou talvez os valores é que se inverteram e bem poucos notaram!
Costumava desejar que aquilo tudo nunca tinha acontecido e que crescera em uma família onde todos sorriam uns para os outros, conversaram, uma família que não fosse marcada pela ausência.
A abundância da oferta nos faz confortáveis. É na escassez que se conhece todo o potencial ou a ausência dele.
A vida não têm sentido se a morte for a consequência e, a morte não tem sentido se a vida não for limitada.
Lembra do que me disse sobre querer que eu fosse feliz mesmo que você não estivesse presente? E se eu não puder ser feliz sem você presente?
Geralmente quando me refiro a um novo dia, a reação das pessoas é de entusiasmo e alegria; porém, nesse caso, quando o novo dia é ter de viver com a ausência de quem amamos… o desejo é permanecer no velho, no ontem, para onde nossa mente e nossos sentimentos começam a fugir para ficar mais um pouquinho com a pessoa querida, ouvir mais uma vez a voz, abraçar mais uma vez que seja, beijar só mais uma vez, gargalhar e fazer planos mais uma vez…
