Rosicler Ceschin
A Essência Alada da Vida
A vida é como um pássaro, voa pra qualquer lugar, sem amarras...
Com sua natureza cautelosa diante do incerto, é arisca em certas situações, sendo assim, alça vôo quando quiser...
Bate as asas em liberdade inerente da vida
É na liberdade das suas asas que ela encontra a força e o impulso necessário
Sente o sopro do vento que lhe dá impulso e aterrisa plenamente, onde o solo lhe oferece refúgio e segurança
A névoa desce,
abraça o asfalto frio,
Onde a visão se rende
ao infinito que não se vê
Estrada molhada,
pista que se esvai,
Onde o verde ao lado,
em bruma se retrai
Lá na frente,
luzes tímidas a surgir,
Guiando o passo
que insiste em prosseguir
Não importa o destino,
nem o que se perdeu,
Só a jornada
que a neblina te deu
Um convite ao silêncio,
ao caminhar calmo e lento,
Onde a pressa não existe,
só o presente momento
Entre o céu e o chão,
um véu a cobrir,
Seguindo em frente,
sem saber o que virá a seguir
Bagagem da alma
Nesta estrada que a gente caminha
O que as mãos seguram o tempo desfaz,
Partimos um dia na hora marcada
Deixando o cansaço e buscando a paz
A gente percebe no último instante
Que a vida é um sopro um breve portal
Desta vida nada se leva nada…
Só deixamos a saudade no peito de alguém de mãos vazias seguimos o plano
O que levamos é o que somos por dentro
A alma preparada pro eterno momento
Ficam os risos e os laços de amigos O rastro de afeto que a gente plantou
O abraço guardado os velhos abrigos
E toda semente que o amor cultivou
Pois o que vale não é o que se guarda
Mas como a alma se transformou aqui
O Véu do Impulso
Se não queres o eco da minha reflexão,
Que o teu pensar preceda o que dizes.
Pois a fala, em sua livre expansão,
Pode ser solo de flores ou de cicatrizes.
A palavra solta, sem o peso do tatear,
Cria dores que o tempo mal consegue apagar.
São marcas invisíveis, sulcos no peito,
Que afastam o abraço e impõem o respeito.
Ergue-se, então, uma película transparente,
Um muro de vidro entre o sentir e o ser.
Que impede o carinho de fluir livremente
E faz a afinidade, aos poucos, esmorecer.
Deixamos de ser mais, por medo do corte,
Pois o que foi dito tornou-se um nó forte.
Pensa, então, antes que o som ganhe o ar,
Para que a fala venha para unir, e não para isolar.
