Poemas Curtos de Autores Famosos
Eu não queria só ter um passado: queria sempre estar tendo um presente, e alguma partezinha de futuro.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisSe seu time é Botafogo, não posso perdoar que você trocasse, mesmo por brincadeira, uma vitória dele nem por um meu romance inteiro sobre futebol.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisSei que sou inteligente e que às vezes escondo isso para não ofender os outros com minha inteligência.
Nota: Trecho do conto A partida do trem.
...MaisDetesto que esperem por mim. Não é por delicadeza ou por medo de desapontar. É que alguém esperando por mim é um medo de não se estar só.
Fiquei de novo diante de mim, boba. Não sei o que fazer. Que sou? Realmente, não posso nem de longe escrever como escrevo. Ou deixo definitivamente de escrever ou escrevo de outro modo. Não posso ficar em arabescos. Se eu não tenho mais nada a dizer, que eu morra.
Eu não quero ser eu só porque tenho um eu próprio. Eu quero é a ligação extrema entre a terra do Brasil e eu.
Além do mais, o homem que sou, tenta em vão inquieto acompanhar os meandros bizantinos de uma mulher, com desvãos e cantos e ângulos e carne fresca – e de repente espontânea como uma flor.
É raro encontrar uma mulher que não rompeu com a linhagem de mulheres através do tempo.
Não queria nada senão aquilo mesmo que lhe acontecia: ser uma mulher no escuro ao lado de um homem que dormia.
Uma mulher, na hora do amor por um homem, essa mulher está vivendo a sua própria espécie.
Ora essa, sou uma mulher simples e um pouquinho sofisticada. Misto de camponesa e de estrela no céu.
Mulher jamais corta os cabelos, porque nos cabelos longos é que está a sua feminilidade.
As palavras vêm de lugares tão distantes dentro de mim que parecem ter sido pensadas por desconhecidos, e não por mim mesma.
O tempo passava, o tempo passava, o tempo passava, e indefinível amadurecia-se o futuro.
Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Nota: Trecho do conto Uma esperança.
...MaisPasso os dias procurando enganar minha angústia e procurando não fazer horror a mim mesma.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 27 de julho de 1946.
...MaisMas isso era tanto viver que as horas decorriam felizes e distantes como se já estivessem marcadas pela saudade.
Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve?
Nota: Trecho da crônica Como é que se escreve?
...MaisAinda não me habituei a que me chamem de escritora. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever.
Nota: Trecho da crônica Como é que se escreve?
...MaisAceitara a incerteza, e lidava com os componentes da incerteza com uma concentração de quem examina através das lentes de um microscópio.
