Poemas Curtos de Autores Famosos
Quando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade.
Queria ver se o cinzento de suas palavras conseguia embaçar meus vinte e dois anos e a clara tarde de verão.
Se eu tivesse que dar um título à minha vida seria: à procura da própria coisa.
Poucos querem o amor verdadeiro, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza.
Nota: Trecho da crônica Atualidade do ovo e da galinha (II).
...MaisA vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si.
Eu mal entrei em mim e assustada já quero sair. Eu descubro que estou além da voracidade. Sou um ímpeto partido no meio.
Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas – porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste.
Quando se trata de apaziguar os outros, transformo-me subitamente numa grande fonte de serenidade. E eu mesma bebo dessa fonte.
Nota: Trecho de carta para Maury Gurgel Valente, escrita em 2 de janeiro de 1942.
...MaisEu não sou senão um estado potencial, sentindo que há em mim água fresca, mas sem descobrir onde é a sua fonte.
Nota: Trecho de carta para Lúcio Cardoso, escrita em 13 de julho de 1941.
...MaisEu queria fazer uma história cheia de todos os instantes, mas isso sufocava o próprio personagem. Acho mesmo que meu mal é querer ter todos os instantes.
Nota: Trecho de carta para Lúcio Cardoso, escrita em novembro de 1944.
...MaisResolvi não falar hoje em saudade, nem dar a entender “saudade” por carinhos... Senão me derramaria demais e perderia o equilíbrio que é tão necessário pelo menos para se dormir de noite.
Nota: Trecho de carta para Elisa Lispector e Tania Kaufmann, escrita em 9 de maio de 1945.
...MaisTudo o que eu tenho é a nostalgia que vem de uma vida errada, de um temperamento excessivamente sensível, de talvez uma vocação errada ou forçada etc.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 1 de setembro de 1945.
...MaisMeus problemas são os de uma pessoa de alma doente e não podem ser compreendidos por pessoas, graças a Deus, sãs.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 1 de setembro de 1945.
...MaisÀs três horas da tarde sou a mulher mais exigente do mundo. Fico às vezes reduzida ao essencial, quer dizer, só meu coração bate.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 19 de junho de 1946.
...MaisPensei que só não deixava de escrever porque trabalhar é a minha verdadeira moralidade.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 19 de junho de 1946.
...MaisO problema para quem escreve é antes de tudo um problema literário – mas pergunto-lhe agora: é ainda um problema literário a falta de pés no chão ou é anterior a ele?
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 13 de outubro de 1946.
...MaisDepois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades – depois disso fica-se um pouco um trapo.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 6 de janeiro de 1948.
...MaisHá certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 6 de janeiro de 1948.
...MaisFora as vezes que vi por televisão, só assisti a um jogo de futebol na vida, quero dizer, de corpo presente. Sinto que isso é tão errado como se eu fosse uma brasileira errada.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisO futebol tem uma beleza própria de movimentos que não precisa de comparações.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
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