Poemas Corpo
Sem fazer nenhum ruído
Um corpo foi despido
Diante do espelho,
Para arrancar um suspiro
De desejo lascivo,
Há de ser um belo bailado
No território [conquistado;
Será um pecado bem cometido.
Vou roubar o melhor de ti:
- o prazer do teu corpo
Sem nenhuma cerimônia,
irás cair em tentação...
Vou roubar-te de ti mesmo
para que me implores por mais;
E desconheças a devolução.
As minhas promessas são
e sempre serão cumpridas,
As minhas manias poéticas
hão de ser por ti conhecidas.
As minhas sutilezas são
letras profanas e veras,
As minhas vontades severas
de fazê-lo conhecer a perdição.
Não compreende uma alma
que aprecia a liberdade,
Que aprecia a sedução com vigor
E toda a sensualidade;
Para que não se perca a sedução
na imensidade do mundo,
Cria-se o melhor a cada segundo
- sem pressa -
Porque o melhor de ti eu hei de
- roubar -
Para que o melhor da história
- se fortaleça -
Se misture com as nossas
- emoções -
E o tempo se torne incapaz de apagar.
Desejo que não passa,
cobiça feita de erotismo,
Sinto, anseio e cobiço
o corpo feito de volúpia
Que há de me carregar
para o paraíso [onírico].
Morar no seu coração
e no seu pensamento
faz com que o corpo
e a alma dancem
sem parar o dia todo,
Como se eu estivesse
no bailão ao som
da música de bandas
tocando reunidas,
Não canso de olhar
as suas fotografias
e escrevendo poesias.
De corpo e alma
aquilo que resiste
inegável tem tudo
de Mata Atlântica,
Sobrevivendo
forte e romântica.
O cesto repleto
de Coco-Indaiá,
a inspiração aqui
comigo está,
Para fortalecer
e nada abater.
As folhas cobrem
os ideais que
conferem proteção
aquilo que importa
realmente ao coração.
Sinto que virá até a mim,
e deixarei-me por ti levar
pelos doces jogos
que farão os nossos
corpos grudados
e em malícia mergulhados,
no interstício do descanso
acordei em sobressalto
contigo na minha mente,...
Tua presença espiritual
surgiu dando o sinal
que sou presença
que ainda brilha mais
do que nunca como Lua
interminável, redentora,
mística e permanente
no teu íntimo céu que
fez de mim insubstituível;
Numa prevista delícia
sideral por nós infinita
que estaremos
dispostos a nos entreter
sem se importar
com os compromissos
agendas e relógios:
no absoluto dos nossos
íntimos caleidoscópios,...
Nos reconhecemos
em tudo e tudo há
de acontecer de verdade
quando vier a te encontrar
desligados da rotina,
protocolos e exigências,
apenas fixados
no compromisso
romântico de amar com
a devida competência:
Neste isolamento
o peito vibra e a vontade
nos sustenta olhando
no fundo dos olhos
e na alma que vamos
nos aproximar um
do outro e quem estiver
ao nosso redor quando
este momento acontecer,
de todo mundo
nós dois esqueceremos.
Venha solto, livre e envolvente
com os teus afagos de Saturno
ao redor do meu corpo,
tomando por teu o meu coração
e ocupando a minha mente.
Porque de ti quero a delícia
e deixar-me levar pela malícia
pelas órbitas tuas,
e sem previsão de regresso
ser a senhora das infinitas luas:
nós nascemos para dar certo.
Venha dançando malemolente
para me derreter por você,
e me entreter perdidamente
nas juras silenciosas
das tuas mãos carinhosas.
De ti só quero o impronunciável,
sendo sempre a tal inelutável,
loucura de amor incurável,
dicionário do mais inefável
e ser o teu sonho inabalável
seja por qual caminho for.
Como pacto desligaremos
o on porque não há nada
mais importante
do que o amor divino amor,
mesmo que haja fogo
cruzado ao nosso redor.
Ao ritmo de Lana Del Rey...
Corpo feito sem igual
de clima tropical,
Choeblack na mão
e alma forjada pelo mar.
Choeblack que enfeita,
que cura e no artesanato
traz o florescer do Haiti
que merece ser amado.
Não sossegarei até
alcançar o êxito de ver
ver o esperado dia chegar.
O amor irá multiplicar,
e inevitavelmente
reunidos faremos um lar.
Entre a mente e corpo
não há diferença
com as Boleadeiras
na mão do gaúcho,
Quando no absoluto
o amor e a sedução
escrevem a sentença
no coração para a vida inteira.
Varanda
Na varanda sobre a rede verde oliva
Descansa o corpo cansado do homem
Que sobre ela observa o céu nublado
Do mês de janeiro tão esperado
Na boca o doce refrescante sabor
De morango derrete ligeiramente
Sobre o vento que bate sem nenhum pudor
Deixando sobre as mãos apenas o vazio.
Se tu me amas, não questione
Puxe-me contra ti, somos um
Há conexão!
Percorra meu corpo com tuas mãos
Beije-me com a alma
Seja meu.
Estou entregue.
Me carregue, me guie, me tenha.
Ah amor, os teus olhos
Diga-me teus desejos
Tuas manias, maneiras, só diga.
Há conexão!
Me aceite, me abrace, dance.
Não é utopia, é amor.
Não há engano
Que insano
Sentimento inumano
Transcendental
Imagine-me desnudo
De alma, de corpo
Vulnerável
A você entrego-me!
O cálice derramou
Manchou-me de vermelho vinho
Não há mais volta
Penetrou meus poros
Sinto correndo em minhas veias
Salva-me!
Corra até aqui
Oh meu amor
Encoste sua cabeça em meu peito
Sinta as batidas do meu coração
Meu hálito quente no seu ouvido
Ah, como eu te amo!
Meus dedos passeando pelos seus cabelos
Acaricio seu rosto admirado
Oh que anjo
Oh que anjo
Me enlaçou, criou raízes
Estão por todo lado
Deixe-me te regar
Sou a alma que emana a chama
Sou o corpo que ecoa o grito
De um ser que não suporta
O sentimento absorvido
Rasgo a alma, corto o laço
Pouco a pouco, me refaço
Extravaso de repente
O que de mim já não faz parte
Dizem que somos um só corpo,
Um só povo, uma só luz,
Mas por que entre nós há trevas,
Se seguimos a mesma cruz?
Efluir
Fosse tristeza só minha, choraria, mas é de meu corpo, das juntas a alma, mais que o sangue.
Fosse sangue só meu, morreria, mas é da vida, pobre vida, esvai-se em sangue, agora, também em lágrimas.
Nella città III - A cor da carne
Há dores que nascem antes do grito.
Não do corpo, oráculo por vezes calado,
nem da alma, que cedo se curva ao pranto.
Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio,
antes mesmo de saber-se ser.
Nasce, então, a dor sem nome,
antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua.
É o peso de um tom que destoa,
aviltado pela violência do olhar.
A cor da carne, que não é da alma,
não é identidade,
mas adorno passageiro —
incompreendido por olhos de cárcere,
que desferem o açoite mudo da ignorância,
a face vertida.
Vê:
a cor sublinha o corpo,
e não pede perdão pelo que é.
Aqueles que esperam que a cor se renda
não entendem o enigma da pele — nua,
que nenhuma voz pode enunciar.
— O que vieste aqui fazer ao meu poema?
— Vim buscar o meu corpo.
— Para quê?
— Para despir as tuas noites.
Três coisas que
quero fazer contigo:
escrever no teu nu corpo,
ouvir os gritos dos teus poros,
e silenciá-los com a minha boca.
