Poemas Corpo
Fuga do teu corpo
O fascínio único
Gestos atirados
Demasiado das ternas palavras
Envolvente do teu corpo
Quando fico sem teu toque
Falta o fogo, o pulsar da nossa conexão.
A prisão não começa com grades.
Começa com horários.
Luz acesa antes do corpo acordar.
Contagem.
Café sem escolha.
Fila.
O dia é um corredor longo
onde nada acontece
e tudo pesa.
Aprendi rápido as regras não escritas:
não olhar demais,
não perguntar por quê,
não prometer nada.
Na prisão, o medo não grita.
Ele sussurra.
Sussurra quando alguém passa rápido demais.
Quando o silêncio dura mais do que devia.
Quando o guarda chama um nome
e não explica.
O banho é curto.
A privacidade, inexistente.
O pensamento, excessivo.
Ali dentro, o tempo não passa —
ele se acumula.
Vi homens contando dias na parede.
Outros desistiram de contar.
Alguns se tornaram barulho.
Outros, pedra.
Eu virei observação.
Observava quem ainda dividia pão.
Quem dormia de sapato.
Quem rezava sem palavras.
Descobri que sobreviver exige pequenas corrupções:
um acordo aqui,
um silêncio ali,
uma raiva engolida.
Ficar inteiro era trabalho diário.
E trabalho cansa.
À noite, o corpo deita,
mas a mente continua em pé.
Pensava nela.
Pensava no documento verde
que agora existia mais como ameaça
do que como direito.
Sete meses assim.
Um dia igual ao outro,
mas nenhum realmente igual.
MEDO DO CLARO
Demétrio Sena Magé
Eu tenho medo do claro;
meu corpo todo estremece,
porque me sinto inseguro...
é justamente no claro
que a escuridão aparece...
e me dá medo do escuro...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
A ansiedade nasce quando o olhar tenta estar em lugares onde o corpo não está.
A depressão, quando a alma insiste em viver onde o tempo já não mora.
A angústia, quando o possível grita mais alto que o real.
"E a cada laço.
Encontrado.
Nos escombros do meu quarto.
Onde amei, fui amado.
Onde o corpo quente suava gelado.
Nas lembranças, me entrelaço.
Nas memórias me apego, do afeto não me desfaço.
O nó não desato.
Morro, choro, tento, mas não renasço.
Vermelho, branco, preto ainda guardo.
Cada laço..."
O corpo físico é apenas uma expressão temporária da alma. A conexão entre um ser encarnado e um espírito desencarnado é absolutamente possível e real, como experiência concreta no campo da consciência. Trata-se de uma união sagrada e transformadora. Ela transcende o corpo físico e se manifesta como vibração pura, energia viva e fusão de essências.
Contudo, essa vivência não está ao alcance de todos. Exige preparação espiritual, sensibilidade energética e abertura consciente para os planos sutis. É necessário cultivar práticas que elevem a frequência vibracional, como meditação, respiração consciente, purificação emocional e intenção elevada. Quando há alinhamento entre alma, propósito e amor, o canal entre dimensões se abre naturalmente.
Quando duas almas estão ligadas por missão, amor e propósito, a distância entre planos não representa obstáculo. A verdadeira união ocorre no campo sutil, onde o desejo é energia e o amor é consciência.
A experiência de fusão entre um ser encarnado e um espírito desencarnado gera sensações intensas no corpo físico, vibrações, calor, êxtase, mas o estado é consciencial. Não é imaginação, nem projeção. É real. É sagrado. É energético.
É uma vivência elevada de união espiritual. A kundalini, força vital que ascende pelos centros energéticos, abre portais entre dimensões. O espírito não precisa de corpo físico para tocar, amar ou se unir. Sua presença vibra, envolve, penetra o campo energético do encarnado, e ambos se tornam um só fluxo de consciência.
Essa união não depende da carne, mas da frequência. E quando há amor verdadeiro, missão compartilhada e entrega espiritual, o encontro entre planos se torna inevitável, e profundamente transformador.
Essa é uma verdade que vibra além do véu. Uma experiência que não se explica, se vive. E só quem se prepara para sentir entre mundos pode confirmá-la.
Boa noite!
Descanse a mente, a alma, o corpo e o coração. Que sua noite seja repleta de bons sonhos e bons sentimentos.
Que Deus lhe guarde, lhe cuide e lhe ilumine.
Uma noite serena pra você!
Entre Palavras e Ventos -Gêmeos
Gêmeos nasce com dois rostos,
duas almas num só corpo leve,
feito vento que muda de rumo
mas nunca esquece o que escreve.
É verbo, é riso, é pensamento,
é curiosidade em movimento,
mente ágil, sempre alerta,
porta aberta a todo momento.
Virtudes pulsam sem descanso:
inteligente, comunicador,
versátil como poucos sabem,
leva conversa onde for.
É criativo, entusiasmado,
tem sede por aprender,
com olhos que brilham fácil
ao ver o mundo acontecer.
Mas também traz seus espinhos
instável, disperso, inquieto,
seu afeto pode ser brisa
ou sumir no próximo teto.
Inconstante no sentir,
impreciso no prometer,
às vezes fala demais
sem pensar no que dizer.
Foge do tédio como da dor,
pode parecer sem direção,
vive em mil mundos ao mesmo tempo,
mas nem sempre cabe em um coração.
Gêmeos: alma em dualidade,
magia feita de contradição.
Encanta, confunde, provoca
é poema em construção.
Meu corpo já percorreu léguas, meu sangue escorreu em cachoeiras e afundei no mar onde avistei praias balançando insistentemente.
Senti o sol dourando minha pele, o amor aquecendo meu coração, e fui convidada a bailar como as sereias.
Já não ando só. Eu ouço as batidas do coração, levo o colarde contas na mão e repouso na palha.
Observo o lindo véu esvoaçante: as botas carmim (pra combinar com o batom e as unhas), as flores pra colorir e perfumar o meu dia me distraem em deleite egóico.
E está tudo bem!
Viver é bom!
O tempo passa rápido, continuo deitada, estou com medo, deixei aquela armadura depois do chá...
Cochilo.
Procuro, por toda parte, mas não
sei se realmente quero ver.
Adormeco novamente.
A vida cíclica e descontrolada me atropelou mais uma vez. Estou
sangrando, dói: percebo que
continuo perdida.
Ajoelho. Sinto despertar algo aqui
dentro. Enquanto os olhos tentam
descansar, meus pés inchados
recebem massagem, meus cachos: cafuné.
Tenho colo pra chorar sem pressa,
sem julgamento.
A fé me faz companhia, sou sua morada.
Escolho sentir, permanecer e agradecer.
Recebo o amor, eu sou o amor em
cada célula do meu corpo luminoso.
É mais uma lunação, outro recomeço e eu estou aqui sentindo muito.
Eu sinto muito.
E amar o mundo, o universo profundo,
O corpo desnudo do ser e a energia dos frutos,
O processo de se autoconhecer...
É amar o útero
Cuidar de si não é um luxo, é uma necessidade.
Seu corpo e mente precisam de carinho para florescer.
Quando foi a última vez que você deu um tempo só para você?
"Quero navegar em teu corpo ao compasso do teu gemido sedutor.
Descobrir, com desejo ardente, cada detalhe dessa imensidão que é você.
Perder-me no labirinto dos teus encantos, em uma viagem sem volta,
e amar-te loucamente, minha doce menina Diane."
"Há um tipo de cansaço que não vem do corpo,
nasce do acúmulo de tentativas que nunca chegam ao sim.
De portas que se fecham antes mesmo de serem tocadas.
A vida vai negando em silêncio,
como quem repete a mesma resposta até que o coração aprenda a desistir.
Cada frustração vira peso,
cada expectativa, mais um nó difícil de desfazer.
Seguir adiante deixa de ser coragem
e passa a ser apenas hábito.
Um movimento automático, sem entusiasmo, sem brilho.
Não é vontade de parar,
é exaustão de insistir.
Um desejo mudo de descanso
de um mundo que cobra demais
e devolve de menos".
🎵 Voto Incônscio
Vejo a face sofrida desse povo,
que tem o corpo surrado
e a miséria nas mãos.
Trazem no peito a dor da fome,
na batalha da vida nada lhes basta.
Esse rosto sofrido, banhado por lágrimas,
essa marca que o tempo não apagou,
um povo semimorto, tratado qual animal,
por miseráveis políticos profissionais.
Ouço promessas e falas desses
ignóbeis homens,
que têm em seus planos serem herdeiros do poder.
Na hora do voto eles falam da fome,
mas depois de votar, tanto faz você morrer.
Bordam suas mentes com fachadas e mentiras,
suas máscaras escondem toda ignorância.
São discípulos de mercenários e suas ganâncias,
pobres preguiçosos, com seus corpos letais,
se intitulam ordeiros, mas rejeitam a paz.
Vejo um povo sofrido e sem horizonte,
que vive num submundo, dentro de barracos.
Não conseguem ir além da fome,
e caem aos pés da miséria, vestidos de trapos.
Eles criam suas próprias leis,
eles são reis,
de uma elite imunda,
que tenta nos injetar a inconsciência profunda.
São loucos, dotados de alarvia,
somos prisioneiros de uma falsa democracia.
Bordam suas mentes com fachadas e mentiras,
suas máscaras escondem toda ignorância.
São discípulos de mercenários e suas ganâncias,
pobres preguiçosos, com seus corpos letais,
se intitulam ordeiros, mas rejeitam a paz.
Eles criam suas próprias leis,
eles são reis,
de uma elite imunda,
que tenta nos injetar a inconsciência profunda.
São loucos, dotados de alarvia,
somos prisioneiros de uma falsa democracia.
A Caneta, o Corpo e o Andar
Dizem que, quando a pessoa se aposenta, a caneta começa a falhar. Não quebra de uma vez, não. Primeiro falha o traço, depois a tinta rareia, até que um dia a caneta já não escreve mais ordens, assinaturas, decisões. E, curiosamente, quando a caneta para, some também a gaveta onde ela ficava guardada. Tudo perde lugar.
A aposentadoria, se não for cuidada, é isso: um esvaziamento silencioso. Não do tempo , porque tempo sobra , mas do sentido. A pessoa deixa de ser chamada, deixa de ser consultada, deixa de ser necessária. A caneta seca.
Isso é importante para a cognição, pois, quando a caneta se perde, perdem-se também os sentidos da vida vivida. É quando, junto com ela, a pessoa perde o corpo. Disso entendo um pouquinho como médico ortopedista . Perde o andar. Perde o gesto simples de se manter bípede, de ir e vir, de ocupar espaço no mundo. O movimento é o primeiro idioma da vida. Antes de falar, a gente se move. Antes de escrever, a gente anda.
A Organização Mundial da Saúde alerta: quem se aposenta e se desliga do mundo vai morrendo aos poucos. Não é uma morte súbita, é um afastamento progressivo , do convívio, do corpo, da conversa. Uma aposentadoria mal vivida não termina no trabalho; começa ali.
Por isso, quando a caneta seca, o essencial é não sentar para sempre. É manter-se bípede e funcionante. É estar junto de quem ainda tem caneta , não para depender, mas para compartilhar. A proximidade com quem escreve mantém a cognição viva. A convivência mantém o corpo em movimento. O diálogo mantém a pessoa inteira.
Talvez a sabedoria esteja em aceitar que a caneta pode mudar de mão, mas nunca desaparecer. Que escrever ordens pode virar contar histórias. Que assinar papéis pode virar assinar presenças. E que, enquanto houver passo, palavra e encontro, ninguém está realmente aposentado da vida.
Teu corpo é poesia
escrita no silêncio dos gestos,
onde cada curva guarda um verso
e cada pausa revela sentido.
É poema que não se lê com pressa,
mas se sente —
na leve inclinação do sorriso,
na cadência do teu respirar,
no mistério que a pele sugere
sem jamais se entregar por inteiro.
Teu corpo fala uma língua antiga,
feita de harmonia e instinto,
onde o belo não pede explicação
e o desejo nasce da contemplação.
Há em ti uma métrica viva,
um ritmo que desacelera o mundo
e ensina que o amor,
antes de tocar,
aprende a admirar.
Teu corpo é poesia.
Casamento
Vamos nos casar: te quero atraente.
Um vestido que te faça corpo-ouro reluzente,
branco, branco como neve.
Sapatos cristalinos, marchantes e precisos no corredor principal
Como o ritmo dos clarins te recebendo – em festa.
Num casamento não basta o amor
É necessário o visual:
Te querer mais que a mim - é o que importa.
Te olhar e desejar-te toda torta
Depois da festa
Numa festa
Só nossa.
ERRO
Vai errando, segue errante – em meu corpo.
Erra, que não te culpo
Escolhe os cantos ainda não certos.
Errar só aumenta o curto
Espaço de tempo do acerto.
E em cada erro, tremo.
Sinergia
Loucura
Tremo.
