Poemas Corpo
A Bela Brigeta no Caminho Florido
Era uma vez
Uma menina chamada Brigeta.
Ela amava flores.
Flores pequenas, grandes, coloridas.
Flores que dançavam com o vento
E sorriam para o sol.
Um dia, Brigeta ouviu falar
De uma trilha encantada,
Onde as flores nasciam
Como num sonho!
Curiosa, pegou seu chapéu,
Um sorriso e saiu a caminhar.
Logo na entrada,
Viu um lírio branco —
Tão puro quanto a neve!
Mais à frente,
Um narciso amarelo
Brilhava como o sol da manhã.
E, um pouquinho depois,
Uma hortênsia azul,
Azul como o céu lá no alto!
Brigeta abriu os braços e riu:
— Bem que diziam!
Neste caminho só mora a beleza!
Mas, assim que fechou a boca,
Seu olhar se encheu de encanto:
Diante dela, uma rosa vermelha,
Vermelha como o coração!
E então Brigeta pensou, suspirando:
“Como é linda a estrada da vida,
Com tantas flores
Colorindo o caminho.”
Entre nós,
Entre encontros
E antigos desencontros,
Eu renasço.
Renasço descalça,
Com os pés tocando
A memória da terra,
De olhos vendados
Para enxergar
Além do visível,
Mas com o coração aberto
Como um portal sem fronteiras.
Caminho para descobrir
O segredo oculto
Do viver
E o encantamento sagrado
De me amar por inteira.
Sem pedir licença ao mundo,
Sem me curvar a sombras,
Erguendo a chama
Da minha existência potente
Nesta terra que guarda
Os sussurros
Dos que vieram antes.
A vida,
a morte —
um fio tênue
a conectá-las.
Os segundos,
os minutos,
as horas,
tríade que molda
e move
a existência
de simplesmente
viver.
Os cantos dos pássaros
São como bálsamos
Que acalenta o espírito
E suaviza e tranquila
A essência intrínseca
Da alma
Os pássaros voam
Em busca de alimento
E também em explorar
O universo
Os pássaros voam
Em busca de liberdade
Com seus vôo
Livres pelo ar
E encantam os
Olhares dos
Seres humanos
A beleza está
No olhar gentil
No sorriso delicado
Num bom dia
Com carinho
E amor
A beleza está
Em tratar
Os indivíduos
Com educação
E afeto
A paixão é a alma
Do início de uma relação
E o mais bonito
E ver os corpos
Se desejando
Loucamente
E intencionalmente
Em busca
Da concretude
Dos desejos
E anseios
Da carne
O amor pode ser uma conjuntura
De sentimentos delicados
E ao mesmo tempo insanos
Que deixam os corpos
Em êxtase
De tanto prazer
Amar Corrói
Amar corrói o profundo
do ser.
Quando a dor vem,
a tristeza bate,
e, em prantos,
o coração inquieta.
Amar corrói até
a mais pura essência,
e a solidão machuca
até queimar a alma,
pelo amor que não
se pode ter.
E a vida fica uma bagunça:
viver com dor
e viver sem
o amor do lado.
Que as tristes diversidades
de um dia mais nublado
não me impeçam
de iluminá-lo
com pelo menos
um leve e único sorriso.
O amor é tão virtuoso
que faz a carne feroz
entrar em ebulição,
quando sente a presença
da pessoa amada.
A loucura faz o cérebro
pensar sobre a carne nua
e a perspectiva de explorar
cada pedacinho de pele,
aumentando o desejo
de conhecer o profundo
da intimidade do ser.
Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós.
As pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar.
Não acredite que está mal: deixe que a Mãe possua seu corpo e sua alma, entregue-se através da dança ou do silêncio, ou das coisas comuns da vida.
Minha aparência é péssima, a mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar.
Nesse momento minha inspiração dói em todo o meu corpo. Mais um instante e ela precisará ser mais do que uma inspiração. E em vez dessa felicidade asfixiante, como um excesso de ar, sentirei nítida a impotência de ter mais do que uma inspiração, de ultrapassá-la, de possuir a própria coisa – e ser realmente uma estrela. Aonde leva a loucura, a loucura.
Eu sou o corpo Raquítico que o teu olho desprezou sou a saliva das bocas que tua boca beijou sou o velho que pede esmola sou a criança que chora desprotegida de amor.
