Poemas Bonitos

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INSACIÁVEL

Queria sorver,
Em teus lábios o mel,
Em teus braços o calor,
Em teus olhos o céu,
Em teu coração o amor.

Queria poder,
Teu nome murmurar,
Um te amo sussurrar,
Em teu pescoço sentir,
Teu cheiro, meu elixir.

Queria saber,
Por que o tempo é inexorável,
O coração ingovernável,
A vingança implacável,
E o amor que tenho insaciável.

Autor: Agnaldo Borges
09/10/2014 - 02:45

LIVROS DE INFÂNCIA

Eia em marcha meu Rocinante,
Vamos em busca de sonhos, vamos avante,
Não tenho tempo para bobagens ou inimigos,
Apenas quero viver e cuidar dos amigos,

Daqueles que me cativaram,
Isto o príncipe me ensinou,
Em nossas viagens,
Ou navegando rios com perigos,
Com Huckleberry Finn,
Ou em visitas as princesas de nossos sonhos,
São muitas aventuras e estórias sem fim,
Tempos felizes e risonhos.

Ah! Branca, Cinderela e Rapunzel,
Cachinhos e minha pequena Sereia,
Brincávamos debaixo do sol com nuvens por véu,
Construindo castelos de areia,
Sonhando acordados,
Dormindo felizes e inocentes,
Sem especiais cuidados.

Aventuras mil com Simbad, João e Maria e o Gato de Botas,
Protegidos pelo Soldadinho de chumbo, em todas as rotas,
Abrigados na casa de tijolos e fazendo guerra de travesseiros,
Fomos na meninice grandes felizes e arteiros.¹
As vezes enfrentando vilões,
Como em Ali Babá e os quarenta ladrões
Em outras ficamos no meio,
Da vida do patinho feio,
Ouvimos a resposta do espelho,
Corremos com Chapeuzinho Vermelho,

E o medo do Saci, da Mula e do Caipora,
Do Curupira, da Cuca e outros bichos,
Que enfrentamos em duelos,
Dentro e fora do Sítio do Pica-pau Amarelo,
Ah! Seu Bento,
Por sua causa e de outros,
Tive muito passatempo.

Agora saímos desse cenário,
Pra trás ficam sonhos, feiticeiras e leões
Ficam também armários,
Assim como imaginações.
Ai que saudades eu tenho...²

"Mas não falemos de fatos. Já a ninguém importam os fatos. São meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio”.

(em 'O livro de Areia' (1975).. [tradução de Morrone Averbuck]. São Paulo: Editora Globo, 1999.)

Ainda hei de te encontrar
Linda, como sempre... uma doce ilusão...
Uma maravilhosa certeza terei
A minha alma será toda coração
Para sempre, feliz sempre serei.

(Do livro "100 Folhas de Amor")

EU E MEU CORAÇÃO

Nos embates travados
Com meu coração,
Sou sempre perdedor.
Ele é tão bobo... Dá dó!...
Ama com paixão.
Eu que me acho esperto,
Torno-me presa fácil
Diante dos sentimentos....
Meu coração parece tão certo
E se entrega, sem consultar-me,
A todo momento.

(Do livro "100 folhas de amor")

LUZ

Quando eu o encontrei, eu estava nas trevas.
Densas nuvens pairavam nas minhas perspectivas de vida!
Eu não enxergava nem um raio de sol.
Que pudesse me transmitir, um minuto de esperança.
Meus lábios estavam ressecados, pela sede do meu coração.
As minhas vistas se escureceram!
Em ti vi uma esperança de vida que me iluminou.
Em ti aprendi um amor profundo que as palavras não expressam!
A tua mensagem ampliou a minha visão da vida.
E uma paz imensa invadiu meu coração!
O Teu amor transformou a minha vida e pode transformar o mundo.
O Senhor tem a chave da vida, da libertação, da sabedoria e da felicidade.
Os muros da ignorância, não permanecem diante do sopro dos teus lábios.
As trevas são dissipadas pela luz do teu amor.
A vida não acaba, tu és a ressurreição.
Em ti Deus se fez homem, pai, irmão e amigo. Em ti o amor se fez Jesus.

Embriaguez

Eu me embriaguei de amor,
Esse amor de ilusão,
Tormento da alma que traz dor,
Tormento que traz sonhos ao meu coração.

Eu me embriaguei de paixão,
Essa coisa boba de se imaginar,
Duas almas em canção,
Duas almas em se amar.

Eu me embriaguei,
Com seu sorriso a iluminar,
O meu mundo,

E nesse segundo,
Apenas imaginei,
Mil formas de te amar.

16/05/2017 - 06:04

Leve sono que me envolve
Na noite igual de outras eras.
Passos lentos, pensar estático,
Rabiscos vãos de qualquer quimera.

Na noite alta, há clareza excelsa,
Feixes de luz brincam de existir.
Como a criança doente que morre aos poucos
E brinca sorrindo antes de partir.

Há sempre mais do que não pode haver.
Há mais cansaço do que cabe em mim;
Eu junto figurinhas, sem saber...
Que nada é isso e tudo é fim.

Um dia, volveremos ao infinito.
Onde estaremos? E o que seremos?
O nada do infinito não responde,
pois não há ninguém para escutar.

De tudo somos possuídos:
coisas, pessoas e idéias.
Mas só a morte nos possui de vez.

O passado cresce como musgo
nas paredes do presente,
até que não haja paredes
livres para o presente.
Até que não haja presente
e nem existam paredes.

Os livros estão extinguindo
as árvores.
Temos livros de mais
e árvores de menos.

O homem inventou a igualdade.
Na natureza tudo é desigual.
A perfeição é invenção geométrica.
A ordem do mundo é o caos mutante.
A criação é sempre nova:
só acontece uma vez.
Se você aprender a ver
nunca mais dirá que o mundo
é o mesmo o tempo todo.

Da janela do presente
observa-se o presente
com os olhos do passado.

Da janela do presente
observa-sse o futuro
como extensão do passado.

Quando somos o presente,
não há futuro e passado,
porque só há o presente
observando o presente.

O espírito é um sonho
que, um dia, se fez carne
e pensou que era carne,
até voltar a ser sonho.

O tempo vazio.
O espaço vazio.
O coração vazio.

Um oco que não tem fim.

A solidão sem fronteiras.

Um silêncio surdo-mudo
é testemunha do nada.

O futuro é o próximo ato,
o próximo passo,
o próximo fato.
Ele existe enquanto não existe
e morre logo que se torna hoje.

Há muitos mundos possíveis.

Há muitos de nós possíveis:
só esperam acontecer.

Procuramos Deus no cosmo.
Procuramos Deus no átomo>

Onde o seu esconderijo?

O real nos parece um fluxo e no fluxo não há modelos. Daí, a eterna controvérsia dos que admitem, como Heráclito, que o fluxo ou devir é a realidade e dos que entendem, como Parmênides, que o real é imutável e o devir é aparência. Os modelos, portanto, são nossas formas perceptuais e transitórias de apreender, a cada momento, o fluxo. Assim, cada forma perceptual do fluxo só é real em relação ao percebedor no momento da percepção e só se torna aparência ou Maya se prossegue além da percepção.
O real é o agora. O agora é sempre inédito. Quem vê, não precisa de palavras, pois só se fala para aqueles que não viram. E o que se diz, já não é: o presente é mais rápido que o laço da palavra. Por isso, quem fala, não vê, porque, se fala, fala do que já não vê. O eu não existe no presente: surge, quando a experiência já terminou. O eu é o passado.
Cada percepção do real é única e irrepetível. Jamais saberemos o que perdemos, ja-
mais repetiremos o que experimentamos. A riqueza do viver não consiste na acumulação do vivido, mas na capacidade de viver plenamente o momento que passa. Nenhuma experiência deve deixar restos ou saldos, pois eles deformam as novas percepções da realidade.