Poemas a um Poeta Olavo Bilac
O amor tem a virtude, não apenas de desnudar dois amantes um em face do outro, mas também cada um deles diante de si próprio.
Quando leres a biografia de um grande criminoso, antes de condená-lo, agradece ao céu bondoso por não ter-te colocado, com a tua cara honesta, no começo de uma série de circunstâncias semelhantes.
Entre o pensamento e a poesia há um parentesco porque ambos usam o serviço da linguagem e progridem com ela. Contudo, entre os dois persiste ao mesmo tempo um abismo profundo, pois moram em cumes separados.
Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento, mas sim um firme propósito.
Dois homens não podem ficar juntos durante meia hora sem que um adquira evidente superioridade sobre o outro.
Somente um país inferior, ordinário, insignificante, pode ser democrático. Um povo forte e heroico tende para a aristocracia.
Eu sou um homem velho e conheci um grande número de preocupações — mas a maioria delas nunca aconteceu.
Para um tal resultado, podia-se arriscar a vida. Era a este preço que se descobriam os mistérios da arte.
O artista que troca uma hora de trabalho por uma hora de conversa com um amigo sabe que está a sacrificar uma realidade a algo que não existe.
Um escritor, um pintor, que conseguiram fixar numa página ou num quadro um sentimento das coisas do mundo, uma visão que durará para sempre, comunicam-me uma emoção profunda.
É, realmente, um grande aborrecimento o fato da sabedoria só poder ser adquirida através de trabalho árduo.
A vingança é sempre o prazer de um espírito mesquinho, / de um espírito amedrontado e avaro. Podes ter a certeza disso agora mesmo: / ninguém se deleita tanto com a vingança como a mulher.
O prazer que um objeto nos proporciona não se encontra no próprio objeto. A imaginação embeleza-o, cercando-o e quase o irradiando com imagens estimadas. Em suma, no objeto amamos aquilo que nós mesmos colocamos nele.
Só um homem inexperiente faz uma declaração formal. Uma mulher convence-se de que é amada muito melhor pelo que adivinha do que pelo que se lhe diz.
A finalidade das penas não é atormentar e afligir um ser sensível (...) O seu fim (...) é apenas impedir que o réu cause novos danos aos seus concidadãos e dissuadir os outros de fazer o mesmo.
Menosprezamos facilmente um objetivo que não conseguimos alcançar ou que alcançamos definitivamente.
A meditação é um vício solitário que cava no aborrecimento um buraco negro que a tolice vem preencher.
