Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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Fadário Sutil da Grosseria Aguda

Nos enfrentamentos do pedante inveterado,
Sustenta-se apenas um único desejo,
Inundar o mundo de poesia,
Num dilúvio de versos catatônicos.

Que toda mediocridade débil,
Intolerância senil,
Decrépita miséria psicológica e atitudinal,
Seja delicadamente trucidada,
Varrida pela torrente das estrofes.

Repetida realidade reflexa.
O "novo" e o "novamente" se fundem,
Se confundem, se desfazem,
São recursos, gastos, obsoletos, renováveis.

Tudo acontece com tamanha frequência,
Que somos tomados pela indiferença.

Talvez tenha chegado o momento, de se importar.

Nada de sublime nos homens.
A digna elevação humana,
Benévola e sacra,
Só pode ser localizada em algumas mulheres (Mães, vez por outra).

Todos podem agregar algo a este mundo,
Mas não espere que o façam.

Inserida por michelfm

A grande maioria das pessoas,
Chegou e partiu sem motivos,
Continuará chegando e partindo sem motivos
E pouquíssimos terão algo a acrescentar.

Que abandonemos os ensaios,
Que tudo se resuma a estreias.

Apenas outro fragmento,
Desse todo confuso,
Profuso e sedento.

Traz alívio, conforto, alento.
E ainda que tímido,
Voraz.

(como é bom versar, com alguém que entende de verso).

Nas Aguadas Aventuras do Homem Mexilhão,
O Peso do Mundo sobre a Tróclea do Tálus,
É reduzido, graças ao empuxo.

Ele aconteceu por acaso,
Deu a mínima pra nada
E partiu sem querer.

A Arte é um apetrecho mordedor,
Desejando mastigar todas as Gominhas do bairro.

Inserida por michelfm

Imponente e rijo, invertebrado, maleável,
Limpo ou sujo, pomposo, eretificado;

Nunca digerindo refeições,
Insatisfeito consigo,
Sempre cuspindo em ninguém.

O simplório não nos pertence.
Não me nutri de meias tigelas,
Não somos proferidores de meias palavras;

Me coloco em pleno corpo;
Nosso corpóreo verso, sorve; composto,
Pretenso, denso e condensado.

Osteoblastos e Osteoclastos,
Laborando por entre as Lacunas de Howship.

Não me oponho ao que sou,
Quando escrevo me imponho,
Sou o que há de pior em mim,
Somos o que há de vil em nós.

Reconhecendo que não há condição outra,
A não ser o excesso e a exceção de sermos melhores.

À parte disso tudo,
Talvez tenha chegado, de fato, o momento,
Para se importar.

Inserida por michelfm

Lamentavelmente,
Não sei contar histórias,
Nunca aprendi.

A narrativa que me perdoe,
Mas foi na rima que me perdi.

Inserida por michelfm

Translações

Dentre trezentos e sessenta e tantos dias,
Que compõem os anos,
Foi este que escolhemos,
Foi neste que estreamos,
Juntos.

Entre presentes e vestimentas finas,
Roupas íntimas e trajes estranhos,
Nos trajamos na nudez,
Viemos da raiz aos ramos,
Juntos.

Hedonista convicto,
Extremista libertário,
Pretendente insensato,
Contra-o-verso persistente.

Trezentos e sessenta e tantos dias,
Uma volta completa, nossa intersecção.
Ângulos retos, agudos, completos,
Juntos e obtusos, radianos ou não.

Um aspirante a aprendiz,
Vitorioso em fracassos,
Submetido a tuas normas,
De anormais embaraços.

Inserida por michelfm

Recolhendo estilhaços,
Contorcionista teu,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.

Na linha horizontal
somos pontos de fuga,
Irradiamos proporções em plena vertical,
Desequilíbrio, assimetria e relatividade,
Nossa constituição é desproporcional.

Contorcionista teu,
Recolhendo estilhaços,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.

Na linha horizontal
somos pontos de fuga,
Nossa constituição é desproporcional.

Abrimos mão do consenso
Sobre a resposta correta,
Trezentos e sessenta e tantos dias
Ou uma volta completa.

Inserida por michelfm

Indiscutivelmente Bela

Ela era lindíssima !
Indiscutivelmente bela.
Tornava-se belíssima !
Através de seu ar indebelável.

Mechas em castanho-claro lisíssimas,
Modeladas em franjas esvoaçantes,
Compunham seus traços rubros,
De feições escarlates e vidrantes;

Olhos de um castanho-escuro,
Naturalmente realçado,
Por longos cílios arqueados,
Em desproporção ao seu rosto,
Simetricamente traçado.

Alongando-se num semi-losango,
Avolumado,
Moldurado por sobrancelhas torneadas
E questionadoras.

Ela era lindíssima !
Indiscutivelmente bela.
Tornava-se belíssima !
Indiscutivelmente bela.

Inserida por michelfm

Despontamos no epicentro dos vendavais,
Deixamos a unanimidade para trás.
Nossos corpos consolidam a união,
Somos o Delírio Absoluto da Multidão.

Inserida por michelfm

Canções do Olhar Inconsolável

O olhar inconsolável,
Denuncia a vida cativa,
Na privação do ser,
Ao qual foi negada a liberdade.

A existência aprisionada,
Faz do calabouço nosso lar.

Inserida por michelfm

Onde a luta se encerra
E o luto é permitido,
Fazem tanto sentido quanto,
Os sentimentos que perdi.

Inserida por michelfm

Nada disso acaba,
Tudo tem sabor,
Mas só o amargo salva,
Na canção do vencedor.

Inserida por michelfm

Apegue-se à vida,
Diga o que tem a dizer,
Faça o que tem que fazer
E dê o fora daqui.

Inserida por michelfm

Do olhar inconsolável
Nascem as canções,
Em nosso despropósito,
Brotam proposições.

Inserida por michelfm

Gritos de Felicidade
(O Clichê não Basta)

Lembro-me do pátio, da sala, da praça;
Recordo-me da biblioteca, do teatro,
Do parque e Dela.

Imagino seus risos, gestos,
Comentários sem sentido,
Imortais em minha lembrança.

Ouço gritos na cozinha e pra lá do muro,
Querem dizer algo,
Não quero entender o que dizem.

Houve um período
Em que gritos me faziam tão bem,
Precisava deles, esperava por eles,
Me preenchiam.

Gritos de felicidade.
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar.

Gritando qualquer coisa,
Para que todos nos ouçam;
Eles, os outros nos ouçam.

Saborear e sorver nossas vidas.
Encher os pulmões de oxigênio,
Desatar qualquer forma de medo,

Com relação a mais sincera expressão,
Num sopro que nos proporciona existência.

Fiquem paralisados,
Endurecidos, emudecidos e chocados,
Sem reação com tal atitude impensada.

Somos muito pouco espontâneos,
Penso que esse seja nosso grande pecado.
É nisto que acredito.

Vivemos acurralados por nós
E isso também não é novidade.
Não se resume ao que fizeram e fazem,
Mas ao que nós fizemos e fazemos;

Muito já foi dito a esse respeito,
Esse comentário é apenas mais um plágio,
De toda cópia produzida e reproduzida do restante.

Mas é assim, precisamos apenas do clichê,
Para continuarmos.

As demais características
Não passam de adereços.

Gritos de felicidade.
Uma das melhores sensações
Das quais podemos provar.

Gritando qualquer coisa,
Para que todos nos ouçam;
Eles, os outros nos ouçam.

Pois o clichê, nem sempre basta ou bastará.

Inserida por michelfm

Contos Perdidos do Vale Encontrado

Ao final das contas,
Em todos os lugares,
Encontraremos motivos
Para ficar e motivos para partir.

O que define nosso lar
É a percepção que temos dele,
E a determinação,
Nos impulsiona a prosseguir.

Nos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado,
Nós somos palpites
Lançados ao vento.

Nos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado,
Suspeitas prováveis
São pressentimentos.

Como tem passado ?
Como vão as coisas ?
Como tem estado ?
Teu bem estar me encanta.

O convite a partir
É sempre atraente,
Somos vivências
Em movimento iminente.

Nos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado,
Nós fomos palpites
Lançados ao vento.

Nos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado,
Suspeitas provadas
São bons sentimentos.

Inserida por michelfm

Ao final das contas,
Em todos os lugares,
Encontraremos motivos
Para ficar e motivos para partir.

Inserida por michelfm

O que define nosso lar
É a percepção que temos dele,
E a determinação,
Nos impulsiona a prosseguir.

Inserida por michelfm

Como tem passado ?
Como vão as coisas ?
Como tem estado ?
Teu bem estar me encanta.

Inserida por michelfm

O convite a partir
É sempre atraente,
Somos vivências
Em movimento iminente.

Inserida por michelfm

Aos Ávidos e Insaciáveis

Convidava o ser vidente,
Como os portais límpidos
E diáfanos de ilhas
Virginais incógnitas,

Desconhecidas e inexploradas,
Que habitam o imaginário,
Tempestuoso dos pioneiros,
Mais ávidos e insaciáveis.

Ela personificava tua significância,
Ela não levava nada em consideração.
Era o desacordo e a concordância,
Ela não levava nada em consideração.

Reservada apenas aos mais
Vigilantes e persistentes,

Como se o ímpeto,
Desvendasse nela,
Teu próprio sentido ousado.

Num molejo natural e singular,
Dominava o ambiente ao se mover;
Pois ela não andava simplesmente, Marulhava ao navegar pelos espaços.

Produzia insegurança nas fêmeas,
Que orbitavam ao teu redor
E neste entorno abstraía-se
De qualquer fixação alheia.

Ela personificava tua significância,
Ela não levava nada em consideração.
Era o desacordo e a concordância,
Ela não levava nada em consideração.

Reservada apenas aos mais
Ávidos e Insaciáveis.
Ela não levava nada em consideração.

Inserida por michelfm