Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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O Homem e Sua Luta

William Contraponto

No campo onde a terra sente o peso,
Pepe caminha, mas não pede perdão,
sua vida é mais que um simples recomeço,
é a luta viva contra a opressão.

Sem ouro, sem trono, seu olhar é franco,
com mãos calejadas, mas alma acesa,
na verdade que surge de um simples estanco,
sua liberdade não é uma mentira, é certeza.

Na prisão do corpo, ele se fez inteiro,
não cedeu ao luxo que corrompe o ser,
seu coração é campo, seu espírito é feitor,
na luta constante por um outro viver.

Ele diz: "a felicidade não é mercado",
não vive por nada que o poder decida,
seu país é a rua, seu exílio, o fardo,
onde a justiça nasce, na raiz da vida.

Mujica, a lição que jamais se apaga,
um homem que resiste além da dor,
e na memória do povo, sua chama nunca se apaga,
pois o verdadeiro poder está no amor.

Inserida por Fabrizzio

Quem sou eu para escrever o que escrevo?

Escrevo há vinte anos. Para jornais, para sites, para quem quiser ler.
Há quinze anos, vivenciei a prática: atuei em associações culturais, comunitárias, presidi grêmio estudantil, estive em movimentos sociais — inclusive na luta LGBT — e comuniquei, com voz firme, em rádio comunitária.
Trago na pele e na palavra a marca das experiências políticas e ideológicas que atravessam minha existência desde sempre.

Tenho 38 anos de vida. E esta é, talvez, minha maior formação.

Sou inquieto. Busco, pesquiso, observo, anoto.
Gosto do que é difícil de compreender — não por vaidade, mas por necessidade. Porque há beleza no que exige mais da mente e do sentir.

Não temo a sombra: ela é natural.
Não fujo do vazio ou do silêncio: convivo com eles. E sei que são territórios que só os corajosos atravessam sem desviar os olhos do espelho.

O que escrevo nasce disso tudo.
Da coragem de pensar.
Do risco de sentir.
Da ousadia de encarar o que muitos evitam.⁠

Inserida por Fabrizzio

A poesia é a minha estrada.
Escrever é o meu carma,
a palavra é a minha arma,
a caneta é a minha espada.

Inserida por WandoGomesOficial

Que possamos ouvir a canção
dos passarinhos
e que a vida floresça a céu aberto,
bela como uma primavera em flor.
Mas não é possível contemplar as flores
ao longo do caminho,
tendo um coração deserto
e vazio de amor.

Inserida por WandoGomesOficial

⁠"O jogo da indiferença , é uma guerra em que se perde ambos os lados.
Mas é melhor ser destruído, do que vencer, sendo humilhado.
Prefiro ter o seu sincero ódio, do que ser um falso amado.
Meu orgulho já foi pisoteado.
Abro mão dele, por qualquer minuto, ao seu lado.
Não têm adiantado.
Você, mulher, é um estranho mel, que quando quer, és me de um todo doce, mas também, tem um gosto amargo.
Cansei de rogar a Deus, talvez, por um beijo seu, eu barganhe a minha alma com o diabo.
Abro mão do paraíso divino, pra morar em um único segundo, do paraíso de seus lábios.
Eu sou um poeta de alma, um leitor de entrelinhas, um curador de lágrimas, o Famigerado.
Dizer-me-iam: '- És um louco, insano, desvairado!'.
Um trouxa, um tolo, um parvo.
Mas não sou; meu coração sim, a este falta ofensas, em nosso vocabulário.
Ele se resume a um lacaio.
As palavras vêm, me perco nessa insanidade, não sei mais onde essa insanidade, ou tolo poema, deveria ter parado.
Eu devia era nunca ter lhe desejado.
Ter lhe admirado.
O que faz um homem tolo, não são as palavras desprovidas de sabedoria, mas sim, os sonhos infundados.
Existe um jogo, o qual, eu sou viciado.
É o jogo da indiferença, que também é uma guerra, em que se perde ambos os lados..."

Inserida por wikney

⁠"Talvez você seja só mais uma.
Mais uma cicatriz, mais uma ferida aberta.
Mais uma decepção.
Mais uma mazela.
Mais uma que trouxera alegria e hoje, só a tristeza resta.
Só mais uma.
Mais uma lágrima no olhar.
Mais uma inspiração do poeta.
Mais uma dele, talvez, eu fui só mais um dela.
Eu queria que fosse a única.
Mas talvez só mais uma, é tudo que mereço e seja tudo o que lhe resta..." - EDSON, Wikney

Inserida por wikney

⁠O importante é
Perceber que somos mais do que
Metade da água em nós
E assumir nossa fluidez
Neste furioso choque de correntes
Que correm para transformar caminhos.
Em uma beleza até o fim do rio
Beba com gosto em todas as fontes
O importante é ser
Como a água e fluir nas correntes da vida
Existem aqueles que vão poluir
Aqueles que vão reciclar
E aqueles que vão beber

Inserida por netomontana

⁠⁠Tuaregue (versão 2)
⁠Vem que a vida não para,
vem que as estrelas não se apagam,
e os sonhos não morrem.
A vida pode parecer uma miragem desértica,
cheia de dunas que se movem.
Nem as tempestades furiosas de areia do Saara nos sacodem.
Rainha do deserto com seu véu flamejante,
vem até mim sobrevivendo as correntes giratórias.
Eu o Tuaregue, vou abrindo caminho de passagem nas águas do Nilo.
Até nossos corpos celestes se desmancharem na poeira.
Quando o amor se encontra pode tudo,
nos aquece com seu ardente calor.
Tudo ou nada, somos chamas entrelaçadas,
talvez o imbróglio, talvez a paz.
Amor pode ser como o deserto,
quente e quieto, porém intenso.⁠⁠

Inserida por netomontana

⁠⁠Rainha do deserto (versão 2)
Pedras a rodeiam,
desenhando suas asas,
jogada num cinturão de poeira,
o sol drena a água das raízes,
sobre sua cabeça emulando uma coroa.
Calibres de areia se moldam,
sobre as curvas do corpo emulando um vestido.
A encapada flutua nas areias quentes do Saara,
o véu distorce ao vento,
até ladeira abaixo ornamentada.
Guiada por calangos e dromedários,
abutres e carcaças,
levando fé, paixão e garra,
ela é a rainha do deserto,
a cigana flamejante das terras
áridas e quentes,
escultura de areia que resiste as dunas,
a seca, as tempestades e a poeira,
na imensa vastidão desértica.⁠

Inserida por netomontana

⁠A tela
Seria uma tinta no meio de tantas cores
Cores que vão se misturando
Pegando formas diante tantos esboços
Tantas tentativas até se chegar em alguma forma
Telas em branco, telas rabiscadas
Telas borradas
Inspirações tentadas
Frustradas e conquistadas
Tudo tem emoção
O tempo traz as misturas
Dos inumeros pigmentos
Até culminar em arte bruta
A arte de viver
Na tela da vida

Inserida por netomontana

⁠⁠Sambando na chuva da noite (versão 3)

Quero estar com você,
enquanto os trovões iluminam o céu,
numa noite de espetáculo de pirotecnia natural,
parecemos dois patos perdidos,
ornamentados pulando entre as poças,
vamos nos jogar na chuva,
molhar nossas cabeças,
esquecer nossas diferenças,
nossas manias,
nossas competições do dia-a-dia,
quero estar com você,
juntando nossas penas cheias de cores e ideais,
nossos dissabores do cotidiano,
nossas desavenças aqui morrem afogadas,
vamos nos jogar na chuva,
e molhar nossa consciência,
batizar nossas idéias,
esquecer nossas bobeiras,
e acender a magia do carnaval,
somos apenas dois palhaços notívagos de luar,
desligados dos barulhos do mundo,
vivendo nosso inquietante samba de romance,
até o sol raiar.⁠

Inserida por netomontana

⁠⁠⁠Os sabores da natureza

Se o caos trouxer sabedoria para amar
Posso me jogar no campo de café
Abençoado com as chuvas das lágrimas dos anjos
Orquestrado com o ruído dos bichos
O sol arde imenso como um coração suspenso
A decretar os dias de cor de leite
E as noites da cor do café
Feitos um para o outro
Como bons sonhos viciantes de cafeína
A regenerar da exaustão do cansaço
Se o caos trouxer sabedoria para amar
Posso me jogar nos jardins do amanhã
A natureza é sábia no final
Meus rancores podem soar egoístas
Meus desafios podem me tornar otimista
A me tirar do centro do umbigo
A tremer o chão e reciclar o céu
Vem uma safra após a outra
Vem um sonho após o outro
Vem um dia após o outro
Se a vida trouxer sabedoria pra apreciar
Vou me ajoelhar e ovacionar
Suas cores, seu caos
Sua beleza, sua grandeza
Sentir seus aromas
Agradecer a paisagem
E gozar do seu tempo
Os sabores da natureza⁠

Inserida por netomontana

⁠⁠Ondes e quandos
Não sei onde
Nem quando
Sei que aqui estamos
Abro os olhos e estou no presente
Fecho os olhos e virou meu passado
De ondes e quandos
Como olhos que se fecham e abrem
Entre as milhares das milhas percorridas
por ondes e quandos
Quando sim e onde não
O futuro pode ser os esboços
Se somos um pouco do amor que recebemos
Somos um pouco do amor que doamos
De ondes e quandos
Um pequeno príncipe dos dilemas
Uma fada mágica de certezas
Uma pitada de Ilusões
Uma pitada de contradições
O que somos e o que podemos ser
Dos ondes e quandos
Nos mistérios aventurantes de cada dia

Inserida por netomontana

Não há lugar que possa correr

Se seus olhos penetram a invadir-me,
Tempestades de sentimentos caem sobre mim,
Como choro, regurgitadas,
Se seu coração bombardeia a fuzilar-me,
Emoções caem inquietas sobre mim,
Como desejos, insopitáveis,
Se seu amor eclode a refugiar-me
Redoma de acalento assenta sobre mim
Como amparo, escudado,
Não há nada que possa fazer,
Não há lugar que possa correr.⁠

Inserida por netomontana

Quarto escuro
As paredes perderam suas vozes
As janelas perderam suas luzes
Os dias perderam suas cores
Tornou-se um inverno aqui dentro
Tudo tá tão escuro e frio lá fora
A casa reflete os ecos da quarentena
O quarto tá vazio como uma sentença
Lá fora tá escuro, e vejo o reflexo das estrelas
Lá fora tá deserto, e sinto a distância das certezas
O quarto tornou-se um cubo
Vou fazê-lo um santuário de reza
Pra me conectar no meu refugio
Vou acender a minha vela
Nem mais, nem quais, vou me aquietar
Pra voz de dentro assim soprar
Os anseios, as perguntas, responder
O que nada pode garantir a não ser o poder de crer
A fé me guia com todo seu poder de oração
O quarto escuro tornou-se o lugar de iluminação.

Inserida por netomontana

Folhas de primavera
⁠Corações esparsos como folhas
Corações que voam como folhas
Nascem dos caules endurecidos
Flutuam para amolecer corações enrijecidos
Nos vastos cenários da vida
A decretar a beleza em liberdade
A certeza da infinidade
Nas suas infinitas cores
De primavera
Folhas flutuam a trazer
Os sinais de esperança
Folhas flutuam a anunciar
A temporada de luz
Do caule endurecido
Com o tempo se desprendem
A gozar da liberdade
Como os pássaros
Nas suas infinitas cores
De primavera

Inserida por netomontana

⁠A travessia
A vida vai te levando,
Experiente na sua jornada,
Com os olhos vibrantes,
Das corujas da noite,
e das águias do dia,
Por cima flutuam num longo tapete de sonhos,
E eu no meu carro pelas lombadas,
A sinalizar o chão de concreto,
Seja como for, será o condutor,
Por onde passar, terá sempre alguma coisa a vivenciar,
Na vida de estrada, no carro de sua alma,
Nas travessas de obstáculos,
De caminhos de escolhas,
Buracos imprevistos,
Atalhos cruzados,
Trilhas inesperadas,
Alguns passarão a fazer um drama,
Outros passaram a fazer a viagem eloquente,
Todos percorrerão,
Seja como for,
Será seu condutor,
Da travessia.

Inserida por netomontana

Feito de tentar
Coloco cada peça
Moldada em tentativas
Percorrendo os caminhos
No quebra-cabeças da vida
Nada nasce pronto
Anda pelo processo
A experiência a cada dia
Como passos de formiga
Às vezes nos iludimos
Em frente ao castelo
Almejado com esforço
Foi fruto de um sonho
Nada acontece pronto
Nada nasce feito
Cada tijolo é um efeito
De tentivas, erros e acertos
Cada passo tem seu tempo.

Inserida por netomontana

⁠⁠⁠⁠Mulher de cristal
Nela a beleza é decretada
Quando se olha é água da fonte
Brilhante como o crepúsculo celestial
Fascinante como o sobrenatural
O reflexo cega os olhos
Confunde os sentidos
Tanta beleza num só mirífico
Sereia desnuda
Ornamentada pelas águas
Com vestido de cascata
Cabelos de itororós
Coroa de gálio
Desfilando na angra de cristal.

Inserida por netomontana

⁠A rosa

Seus olhos brilham como rubi
Refletem os verões e os invernos
As flores verdejantes e os aromas apaixonantes
A inspiração de se entregar
Imaginações inquietas tomam formas
Espelho inteiro que reflete a beleza do jardim
Onde só há concreto
E pedaços de raizes perdidas na calçada
A pressa exarcebada dos lobistas ansiosos
Seus olhos de vinho docificam o tônus da sua face
Suas mãos calejadas ficam suaves
Como brisa que arrepia a pele
Seus olhos são reflexo
De tudo que tem romance
Você é como uma rosa que permanece
Cheia de pulcritude e perfume
Colorindo o centro da sala.⁠⁠

Inserida por netomontana