Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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Não fazemos ideia
Dos porquês,
Ocupamo-nos
Apenas, do aroma dos buquês.

Que restem penas,
Cheiros, perfumes, odores,
Penachos, farroupilhas.

Que restem arenas,
Termas, gladiadores,
Pomares, pantomimas.

Que seja esta nossa sina.
Que reste apenas,
Rima sobre Rima.

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Ver, de Verônica

Nem só de aleatórias combinações vive a poetisa, mas de toda sobrecarga que lhe é imposta. Doloridos tendões, quanto mais nos atendem, mais tendem a latejar. Propriocepção exagerada em nós. Coloridos vasos pulsantes sanguíneos, atarefados, florescendo veias dilatadas, senhoritas ritmadas, gingam joviais, perfumes orgânicos de ti exalam. Talento para olhar e ver, não somente lar, muito mais que isso, o porto quase sempre inseguro, acolhimento em parto, aconchego em partes, invólucro, lúmen inteiro expandindo, teus diâmetros, nossos perímetros, dilatam intuitos, estásativa, tuésmística, alternativa, grandezavetorial, peregrina, intuitiva, nativa, provavelmente em magnitude e possivelmente com direção, uterina. Cafeína achocolatada, alerta em repouso, extenuante, muito bem nutrida e pós avaliativa, fadigada, (des)enfadonha. Chegou tão alto com o empuxo, que nem mesmo a gravidade pôde se justificar, rotineira singularidade. Canto propensão a estridentechamativo-arrepiante do emudecimento, microfonia que tilinta e repica, batevolta-quica-escorrega-quintuplica. Tchuca-propulsiva-curiosa-assídua-in-finita. Simples-ser para ter, articular, parecer e parati, printei uma foto tua com baton escarlate, contra o vidro e a selecionei cuidadosamente, como meu fundo de tela, para sentir e então... Ver, de Verônica.

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Florida Idiotice Alada na Era dos Rasos

Insanos Púberes,
Adagas de papelão, evolucionários,
Tirando retratos no elevador.

Teus cruzados certeiros,
Teu discurso inflado,
Um corte tendência pro conquistador.

Pigmentos descolados,
Alastrados na epiderme,
Nenhum sentido.

Perfumes, loções,
Cheiros importados,
A briga não cessa em rede social.

Cartões estourando
Sem arrependimento,
Teu ringue é a noite,
À prova de personalidade.

O desprezo total pelo que respira,
Tua mania geral, tua ciência e guia.
Um salva de nadas,

Nobre inconsistência,
Atraentes, perfeitas anomalias.

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Subatômicos

Nunca tive nada na vida,
Só tive a poesia.

Eu tinha ela, ela me tinha,
Jamais me decepcionou.

Como um brilho no telescópio,
Olhar pra pia limpa e ver o bule cheio,

Após o buraco de minhoca,
Na nebulosa bumerangue.

Minha Canis Majoris,
Sou Eta Carinae.

Neste berçário de estrelas,
Só tive a Poesia.

Corpúsculos diminutos,
Nano-elixir-microscópico.

Subatômicos.
Eu tinha ela, ela me tinha.

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No Mesozóico,
Entre Cretáceo e Cretinos,
os Répteis da Pangéia,
trocaram Gondwana por Laurásia

Eu lhe pergunto,
O que mudou entre nós ?

O cara comprava
Seu espaço na caverna,

Com carne salgada
E peles de animais.

Hoje, o troglodita,
Habita um arranha céu,

Ocupando seu espaço,
Com poder e papel,

Ainda vive impunemente,
Procurando paz.

Ainda vivo livremente,
Perseguindo a paz.

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Estamos tão distantes
Da felicidade irretocável,
Que quase podemos tocá-la.

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Aysha

Ainda em sonolência, sentei-me à mesa; emaranhadas mechas ou cachos (impossível determinar com exatidão a essa altura); pálpebras grudentas, rouquidão laríngea, voz mais grave que o habitual; obstruídas vias aéreas, maquilagem em borrões; com tornozelos congelados, contorcida sem edredom, próxima de não sentir os pés, dedos anestesiados; descascando esmalte. Mas o faro apurado, capturando aguçado toda e qualquer molécula de café, pairando sobre o ar resfriado pela estação que mais me agrada. Na cozinha, elevei minha caneca ao status de brinde e brindei, sozinha, ao arrojado inverno, que a primavera repouse agasalhada e confortável, pelo quanto puder, pois nem mesmo meteorologia, astronomia ou horóscopo, juntos, poderiam prever, ainda que nublado, quão fulgurante seria aquele dia.

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Esplendorosa,
A vertente talentosa,
A dissolver,
Com a Tristeza Oculta num Sorriso Púrpura.

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Na Savana o Selvagem

A Zebra, graciosa,
Velocidade listrada,
Bicromática em P&B;

O Elefante,
Grande paquiderme simpático,
De memória gigante;

A Hiena risonha, gargalha,
Mordisca e abocanha;

O Guinú pasta, corre,
Se agrupa, debanda da manada;

A Cobra rastejante vai coreográfica,
É esguia, escorregadia
E se vira como pode;

O Leão, monarca supremo,
Impõe sua posição
Num rugido ecoante,
O território lhe pertence;

E o Homem, detentor da razão,
Único animal que pensa,
Ser existencial,
Sempre vivendo grandes dilemas.

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Extinguiu espécies a esmo,
Matou tudo o que anda, salta, nada,
Flutua, mergulha, voa ou rasteja.

E sendo um humanista,
Ainda lhe sobrou tempo,
Para escrever poemas.

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Para Além da Extensão de Meus Atos

Temo, que não possa viver de outra maneira,
Se não na forma de combustível fóssil,
Sou insustentável por mim mesmo.

Só ajo por combustão
E meus derivados são nocivos,
Minhas fontes que não são renováveis,
Tem se exaurido com velocidade alarmante.

Em meu cartel particular,
Promovo commodities especuladas,
Que monopolizam meus recursos,

Em prejuízo daquilo que tenho de melhor,
Causando estragos, irreversivelmente permanentes,
Que abalam o egosistema.

Em meus escombros,
Me escondo
De mim.

Conquanto,
Sou eficiente
Em denunciar-me.

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O pior, é que com uma única fagulha,
Pode-se facilmente, gerar a reação catatônica,
Para a extinção final.

Por sorte,
A umidade é elevada
Do lado de cá.

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Elma

Uma tarifa salgada, novos reajustes, aumentos, mas não por isso ela seria menos doce. Separava com zeloso cuidado os centavos de troco, cafeteira carregada com elixir poderoso, abaixo de sua janela. Aquela cabine era uma sauna e se mantinha abafando, hoje o dia amanhecera ameno, projetava-se um princípio de primavera, brisa massageando a fronte, o caixa há algum tempo vinha emperrando. Na rádio tocava algum lançamento internacional, de algum artista, cujo nome ela não pronunciaria com clareza, a cancela desregulada motivava um cansaço extra. O expediente seria longo naquela réstia dominical, mas a amazona veterana, determinada, mantinha-se concentrada no resumo da ópera. alerta, Tinha feito promessa pras crias, quando chegasse jantariam pipoca com suco de polpa e enfim, quem sabe, terminariam aquele quebra-cabeça de duas mil e trezentas peças.

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Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.

Deixe as quedas serem catastróficas
E as perdas revelarem-se abundantes.

Inserida por michelfm

Pois quem vos fala é torto,
Deslocado, repulsivo e indigesto.

Chega de preparação,
Basta de embrulhos e embalagens,
Daqui pra frente, só quero a polpa,
O recheio e a cobertura.

E uma única vez,
Ser a Cereja.

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Raquel
(sorria exagerada)

Entre sem bater,
Sorria exagerada,
Curta mentalmente,
Partilhe.

Aprecie sem moderação,
Seja, quando e como quiser.

Você me indagou,
Se era amor.

Respondo
Com plena convicção,
Que não era.

O que sinto por você,
Ainda não foi nomeado.

É a verdade
Que você deseja ?

Meu bem,
O sentimento
Jamais precisou
De reciprocidade.

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Talvez,
A lição mais valiosa
Que o tempo nos ensina,
Tem a ver com
A relatividade da ausência.

Não é necessário estar, para ser.

Você me perguntou,
Se é amor.

Respondo,
Com plena convicção,
Que não é.

O que sinto por você,
Ainda não foi batizado,
Pela psicologia, filosofia ou pela fé.

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Tinta que Fere em Frases Avulsas

Apinhadas de impropriedades,
Minhas poucas impressões,
São expressamente inapropriadas.

Nada nos pertence, pertenceu, pertencerá,
Tudo ficará suspenso, sem receio dos divórcios,
Quando formos embora, de novo.

Só há o cheiro do mato cortado,
A garoa que bate na terra e molha,
Lavando a poeira sufocante que cega,
Deixando o mormaço que aquece as folhas.

Suor dos teus poros, borrando a escrita,
A Tinta que Fere em Frases Avulsas.
Tua dedicação afogada em pântano,
A lamuria insistente teu único canto.

E último.
Nessa persistente desistência,
Desistente persistência, desistiu de nós,
Ou será que nós desistimos dela.

Não há mais a quem recorrer,
Afinal, somos nós a decorrência.
E a isso se referia, A estúpida e sábia profecia.

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3 minutos Após o Sinal

Palmas das mãos e axilas, jorrando toda aquela poderosa expectativa. Ela era a garota na sala da frente, miss do intervalo, assunto para todas as rodas, dançava como ninguém; charmosa, atlética, inteligente, enigmática. Ele era suplente de vice, substituto dos ausentes, um zero à esquerda elevado a xis, o nada multiplicado por um, sujeito indeterminado. Quem diria que seria ali, quem imaginaria que seria ela. Boca árida, mesmo depois da caixa completa de dropes que ele havia metabolizado, estômago amarrado, um nó de marinheiro nas tripas. Mas o garoto era valente, jamais correu duma encrenca, não começaria agora. Ela veio pisando duro, agarrou o franzino pro braço, bateu tão forte a boca na dele, que quase partiram-se os dentes, um vulto ao longe, gritou qualquer coisa, tinha a ver com inspetora, uma correria alucinada, teve quem foi a pé, teve quem foi de busão; o garoto mal digeriu o alvoroço, já não era mais estreante, daquele dia em diante, era moço vivido, nessa vida sem igual; tinha história pra contar, e contou pro mundo inteiro, quanta coisa acontece, três minutos após o sinal.

Inserida por michelfm

Apanhador de Versos
no Mangue das Rimas

Deixe de aflição cara mia;
Caso o reconhecimento não consiga alcançá-la,
Lembre-se da premissa histórica dos ignorados.

Aqueles chamados de teus contemporâneos,
Quase sempre foram medíocres.

As coisas são belas,
Apenas quando nos dirigimos
Ao passado ou ao futuro.

Pois o sentido da vida, é para frente.
Mas são as lembranças que nos impulsionam.

Já o presente não é razoável conosco,
Nossos iguais não o são.
A chama não queima em oxigênio escasso.

Aquela veemência superficial,
Nos posiciona num fosso inebriado de ingratidão.

Entretanto,
A vida em colapso,
É o maior trunfo de um poeta.

Estando sobre as nuvens,
A crença deixa de ser escolha,

Inserida por michelfm