Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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Na Savana o Selvagem

A Zebra, graciosa,
Velocidade listrada,
Bicromática em P&B;

O Elefante,
Grande paquiderme simpático,
De memória gigante;

A Hiena risonha, gargalha,
Mordisca e abocanha;

O Guinú pasta, corre,
Se agrupa, debanda da manada;

A Cobra rastejante vai coreográfica,
É esguia, escorregadia
E se vira como pode;

O Leão, monarca supremo,
Impõe sua posição
Num rugido ecoante,
O território lhe pertence;

E o Homem, detentor da razão,
Único animal que pensa,
Ser existencial,
Sempre vivendo grandes dilemas.

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Extinguiu espécies a esmo,
Matou tudo o que anda, salta, nada,
Flutua, mergulha, voa ou rasteja.

E sendo um humanista,
Ainda lhe sobrou tempo,
Para escrever poemas.

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Para Além da Extensão de Meus Atos

Temo, que não possa viver de outra maneira,
Se não na forma de combustível fóssil,
Sou insustentável por mim mesmo.

Só ajo por combustão
E meus derivados são nocivos,
Minhas fontes que não são renováveis,
Tem se exaurido com velocidade alarmante.

Em meu cartel particular,
Promovo commodities especuladas,
Que monopolizam meus recursos,

Em prejuízo daquilo que tenho de melhor,
Causando estragos, irreversivelmente permanentes,
Que abalam o egosistema.

Em meus escombros,
Me escondo
De mim.

Conquanto,
Sou eficiente
Em denunciar-me.

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O pior, é que com uma única fagulha,
Pode-se facilmente, gerar a reação catatônica,
Para a extinção final.

Por sorte,
A umidade é elevada
Do lado de cá.

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Elma

Uma tarifa salgada, novos reajustes, aumentos, mas não por isso ela seria menos doce. Separava com zeloso cuidado os centavos de troco, cafeteira carregada com elixir poderoso, abaixo de sua janela. Aquela cabine era uma sauna e se mantinha abafando, hoje o dia amanhecera ameno, projetava-se um princípio de primavera, brisa massageando a fronte, o caixa há algum tempo vinha emperrando. Na rádio tocava algum lançamento internacional, de algum artista, cujo nome ela não pronunciaria com clareza, a cancela desregulada motivava um cansaço extra. O expediente seria longo naquela réstia dominical, mas a amazona veterana, determinada, mantinha-se concentrada no resumo da ópera. alerta, Tinha feito promessa pras crias, quando chegasse jantariam pipoca com suco de polpa e enfim, quem sabe, terminariam aquele quebra-cabeça de duas mil e trezentas peças.

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Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.

Deixe as quedas serem catastróficas
E as perdas revelarem-se abundantes.

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Pois quem vos fala é torto,
Deslocado, repulsivo e indigesto.

Chega de preparação,
Basta de embrulhos e embalagens,
Daqui pra frente, só quero a polpa,
O recheio e a cobertura.

E uma única vez,
Ser a Cereja.

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Raquel
(sorria exagerada)

Entre sem bater,
Sorria exagerada,
Curta mentalmente,
Partilhe.

Aprecie sem moderação,
Seja, quando e como quiser.

Você me indagou,
Se era amor.

Respondo
Com plena convicção,
Que não era.

O que sinto por você,
Ainda não foi nomeado.

É a verdade
Que você deseja ?

Meu bem,
O sentimento
Jamais precisou
De reciprocidade.

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Talvez,
A lição mais valiosa
Que o tempo nos ensina,
Tem a ver com
A relatividade da ausência.

Não é necessário estar, para ser.

Você me perguntou,
Se é amor.

Respondo,
Com plena convicção,
Que não é.

O que sinto por você,
Ainda não foi batizado,
Pela psicologia, filosofia ou pela fé.

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Tinta que Fere em Frases Avulsas

Apinhadas de impropriedades,
Minhas poucas impressões,
São expressamente inapropriadas.

Nada nos pertence, pertenceu, pertencerá,
Tudo ficará suspenso, sem receio dos divórcios,
Quando formos embora, de novo.

Só há o cheiro do mato cortado,
A garoa que bate na terra e molha,
Lavando a poeira sufocante que cega,
Deixando o mormaço que aquece as folhas.

Suor dos teus poros, borrando a escrita,
A Tinta que Fere em Frases Avulsas.
Tua dedicação afogada em pântano,
A lamuria insistente teu único canto.

E último.
Nessa persistente desistência,
Desistente persistência, desistiu de nós,
Ou será que nós desistimos dela.

Não há mais a quem recorrer,
Afinal, somos nós a decorrência.
E a isso se referia, A estúpida e sábia profecia.

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3 minutos Após o Sinal

Palmas das mãos e axilas, jorrando toda aquela poderosa expectativa. Ela era a garota na sala da frente, miss do intervalo, assunto para todas as rodas, dançava como ninguém; charmosa, atlética, inteligente, enigmática. Ele era suplente de vice, substituto dos ausentes, um zero à esquerda elevado a xis, o nada multiplicado por um, sujeito indeterminado. Quem diria que seria ali, quem imaginaria que seria ela. Boca árida, mesmo depois da caixa completa de dropes que ele havia metabolizado, estômago amarrado, um nó de marinheiro nas tripas. Mas o garoto era valente, jamais correu duma encrenca, não começaria agora. Ela veio pisando duro, agarrou o franzino pro braço, bateu tão forte a boca na dele, que quase partiram-se os dentes, um vulto ao longe, gritou qualquer coisa, tinha a ver com inspetora, uma correria alucinada, teve quem foi a pé, teve quem foi de busão; o garoto mal digeriu o alvoroço, já não era mais estreante, daquele dia em diante, era moço vivido, nessa vida sem igual; tinha história pra contar, e contou pro mundo inteiro, quanta coisa acontece, três minutos após o sinal.

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Apanhador de Versos
no Mangue das Rimas

Deixe de aflição cara mia;
Caso o reconhecimento não consiga alcançá-la,
Lembre-se da premissa histórica dos ignorados.

Aqueles chamados de teus contemporâneos,
Quase sempre foram medíocres.

As coisas são belas,
Apenas quando nos dirigimos
Ao passado ou ao futuro.

Pois o sentido da vida, é para frente.
Mas são as lembranças que nos impulsionam.

Já o presente não é razoável conosco,
Nossos iguais não o são.
A chama não queima em oxigênio escasso.

Aquela veemência superficial,
Nos posiciona num fosso inebriado de ingratidão.

Entretanto,
A vida em colapso,
É o maior trunfo de um poeta.

Estando sobre as nuvens,
A crença deixa de ser escolha,

Inserida por michelfm

Tornando-se pura e simples constatação;
Não estamos sós, nunca estivemos.
A cada passo, fabulosos espaços revelados.

De fato, somos a besta no labirinto,
Ou será que o labirinto ao nosso redor,
Foi quem bestializou tudo de sublime em nós,

Ou, ainda que a criatura resguarde,
Uma fração de tua natureza inviolável,
Esta se encontra barbaramente domesticada.

Assim inflamo-me contra
As comprovações e incongruências.

Após as infinitas milhas alcançadas,
A única distância que realmente importa,
É aquela que percorremos em nosso interior.

Só me inspiro faminto,
Num estado contínuo de náusea,
Então, de tudo me nutro,
Et la belle poésie,
É o agradável processo de regurgitação.

E confesso-te aqui,
Noite passada exorcizei a sangue frio,
Nossos piores medos.

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Kormann

Absorvidos com elegância por tuas pálpebras,
Aqueles vantajosos cílios postiços,
Não deixariam com facilidade moderada,
A aderência aconchegante de tua cútis.

Teu colã simétrico delineava busto
E com ele, seios densos,
Indiscretos porém apequenados,
Auréolas rijas ascendentes,
Granuladas, definitivamente naturais;

Digna de tua autêntica musculatura peitoral.
Teu abdômen não era por definição desenhado,

Todavia, compensava pujante,
Com serrátil anterior projetado,
Firmando um duo descomunal,
Com trapézios e deltóides.

Coxia reduziu-se a corredor,
Numa marcha rápida e eficiente,
Em curtos e firmes passos cessou.

Um olhar preciso,
Ao extremo perpendicular do linóleo.

Inserida por michelfm

Inspiração em profundidade,
O controle impareável
Dos próprios batimentos por minuto.

O nodo sinoatrial
E todo aquele impulso autogerado,
Lhe era de direito.

A campainha toca,
Cortinas em expansão,
O resmungo se ausenta,

Concedendo espaço a absorção do sagrado.

Dio, è una ragazza.

Inserida por michelfm

Acrobacias Exímias à Beira do Abismo

Chame-me do que quiser, mas chame,
Chame-me como queira, me chame.

Não se pode equivaler teu charme,
Quantificar tua ardência em chamas, me aglutine.

Apodere-se de mim; nunca pertenci-me,
Entretanto, pertencer-te-ei,
Se a posse lhe parecer agradável.

Prazerosa emoção incompleta,
Se comigo não estiveres e não estando,
Imaginar-te-ei apenas, arte meramente.

Potência do aprisionamento, em cadência,
Pois liberdade nada reflete,
Se não for um contínuo e felizardo prisioneiro teu.

Escravidão é lá fora, ao ar veloz e liberto,
Sem os aromas que divides e multiplicas comigo.

Minhas inabilidades e fraquezas,
Tão corpulentas e orgulhosas,
Que as atiro aos teus hálux,

Pois, entre crânio e calcâneo,
Há todo um sistema osteomuscular e neural,

Que admiro.

Inserida por michelfm

Inicie comprometendo,
Prossiga acentuado,
Termine infinito,
Para variar.

Nunca fomos bons em ortografia,
Mas dissertamos à vontade sem hesitar.
Nunca dominamos idiomas e línguas,
Fluentes na arte de como questionar.

A sorte foi cruel, na ciência da vida,
O mérito adveio dos jogos de azar.

Inserida por michelfm

Não há âncoras,
Há coragem,
E a ancoragem que naufrague.

Mesmo que nada tenhamos,
Ainda teremos nós.
Uma porção de insistência,
Cercada de resistência
Por todos os lados.

Deixo-te me levar,
Por franca-espontânea atração.
Deixe-me navegar,
Nesta ondulada vastidão.

Tragado no redemoinho,
De tua astuta maresia.

Bastava, a simples combinação,
Dela e do Violão,
Para que o mundo todo
Encontrasse harmonia.

Inserida por michelfm

Ah Maria,
Você salvou meu dia primeiro;
Depois salvou minha semana,
Meu mês e finalmente,
Salvou meu ano inteiro.

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Sujeitos Insubordinados

Desponta imponente
A legião solícita,
De luzes ofuscantes
Contra nós.

Em contração a conta bate,
Pelos meus cálculos,
Nenhum resultado correto
Ou significante.

Onde não há prova real,
Os problemas, são meros produtos
Felpudos, deste sistema envolvente,
Gracioso calculista acolhedor.

Permita-me carregar,
Todo o peso necessário,
Prossigo satisfeito
Com meus fardos.

Nós estruturamos
Nossa própria imposição,
De Sujeitos
Insubordinados.

Inserida por michelfm