Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Viver em sociedade é viver assim:
Se você tem dinheiro,
você é um homem livre,
Se você tá quebrado,
que Deus te livre.
Se você tem amigos,
você está no céu,
Se te sobra inimigos
se amargou com o fel.
Decorada com um brilho inegável,
Esculpida em perfeita pele,
Seis letras delimitam a ilimitável
A R I E L E
Eles mataram o mundo, enquanto
Dormíamos tranquilamente,
Sonhando com um futuro,
Em nossa ingenuidade permanente,
Esquecemos, que para fazer planos
É necessário um presente.
Juro que nada corresponderia,
A minha plena admiração,
Um juramento efervesceria,
A altura de nossa conexão,
Há uma oração que descreveria,
A indescritível sensação.
É Absurda nossa sintonia,
É incontável em proporção,
De um único verso nossa poesia,
E já preenche a imensidão.
A boneca trocada
Por um martelo,
Quebrando pedrinhas,
Descascando castanhas,
Pesando o desgaste
Sobre os joelhos,
Nas olarias sufocando
As entranhas.
Caímos no sarcasmo
De atributos hilários,
É um insulto tratar monstros
Como empresários.
Amaldiçoados
Financiam a morte,
E o marasmo infantil
Serve como suporte.
Levitando
Atravessando aquele pátio,
Vi uma santa sem andor,
Não sou um rapaz simpático,
Não sou conquistador.
Tenho mais de mil pecados,
Mas só um eu confessei,
Um desejo abominável,
De adorar quem eu deixei.
Livre, leve, leviano sem você.
Livre, leve, levitando com você.
Ia me perder
No precipício do prazer,
Mas ia saber
Que tinha algo por fazer.
Afoguei meus vícios em lástimas,
O erro era meu.
Troco simplesmente tudo,
Por mais um suspiro seu,
Por mais um carinho seu,
Por mais um sorriso seu.
Livre, leve, leviano sem você,
Livre, leve, levitando com você.
Atravessando aquele pátio,
Vi uma santa sem andor,
Não sou um rapaz simpático,
Não sou conquistador.
Pergaminhos contam que em um período,
Haviam muitas da espécie feminina,
Mas como não as preservaram,
Elas se foram para além das colinas.
A pobre menina carente,
Viveria infeliz para sempre,
Se não fosse por um nobre alfaiate,
Que achara um sapato de cristal.
Mais um soneto inútil,
Outra película estúpida,
Difundindo teu veneno,
Consciência podre a nos intoxicar.
