Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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⁠Dobrou a esquina decidido
A percorrer um trajeto inabitual,
Descendo a rua irregular
Notou pedestres e a muvuca central.

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⁠Gradeados, o asfalto, telhados,
Uma mureta com degrau,
Lojas, butiques, bazares,
Um açougue liquidando bacalhau.

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⁠Automóveis, lixeiras, lixo no chão
E alguma forma vegetal,
Flores num canteiro, um bueiro,
Caixotes, tubulações em geral.

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⁠No estacionamento vazio
Se encontrava escondido um casal.
Paralelo ao centro financeiro,
Muitas cifras, cortesia impessoal,

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⁠Ternos de luxo, limusines, distinção,
Suavidade fria e cordial,
Um ligeira coxo que revirava
Uma tralha imunda próximo ao local.

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⁠Trinta e dois minutos atrás,
Uma madame foi assaltada; um marginal,
Foi demitido de um emprego normal,
Por não ter concluído 2° grau.

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⁠Parou numa barraca do calçadão,
Encostou no balcão e pediu um curau,
Limpou-se com guardanapo de papel reciclável,
Recordou a vida rural.

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⁠Que remeteu à puberdade,
Tingida de idealismos e anseio liberal.
Ouviu o sino e depois um hino
Vindo da igreja onde ensaiava o coral.

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⁠Freqüentador assíduo,
Adentrou no boteco,
Pediu um téco na medida total,

Uma pinga com cinzano
Que desceu raspano
Que nem água com sal.

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⁠Travou um carteado
Com os camaradas pingaiadas,
Gente fina esse pessoal !

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⁠A Casa de Limões

Numa tardinha
Me atordoaram
C’um causo.

Encostado do
Moinho da Sardinha,
Perambulava um garoto,
Que vivia numa casa
Feita de limões.

Ouvi um cochicho
Sobre um jovem Javali
Que se tornou padeiro.
E outro buchicho
Sobre um centenário Jabuti
Que se formou doceiro.

Mas este boato
É de maior capricho,
O aposento do guri
No topo dum limoeiro.

Construção ecológica.
Amarrava a dentaria
Sua hospedaria.
Parecia até mágica
Bruxismo ou feitiçaria.

Agora eu entendia
Quando minha mãe dizia,
Que existiam pessoas amargas,
Difíceis de manter relações.
Também pudera serem azedas,
Vivendo numa Casa de Limões.

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⁠Cerimônia ou um motivo pra vê-la

O linóleo ao chão
Continha pés trêmulos,
Me doía o baço
De tanta felicidade.

Oprimia-me os órgãos,
Saber da possibilidade
Do angustiante afastamento,
Da saudade que dá saudade.

Sensações enfileiradas
Em desordem alfabética.

Bocas falavam,
Lábios sorriam,
Dedos suavam,
Olvidos tiniam,
Palmas saldavam,
Olhos escorriam.

300 pessoas presentes,
287 lugares ocupados,
13 reservados a ninguém,
Alguém não tinha chegado.
Alguém estava chegando.

Só havia notado, por ser
A única pessoa que estava esperando.

Alguém é anunciado.
Talvez, quem sabe,
Seja Ela.

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⁠Frutos de um sistema em degradação,
Frutos de um sistema em deterioração,
Frutos de um sistema em regressão,
Remando pra deter nossa involução.

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Um gesto pra amar
Um beijo pra sentir
Um teto pra abrigar
Uma manhã pra refletir

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⁠Uma língua pra falar
Um filme pra assistir
Um tempo pra pensar
Uma manhã pra refletir

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⁠Uma lei pra se opor
Um trato pra cumprir
Uma canção pra compor
Uma manhã pra refletir

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⁠Uma poça pra saltar
Uma peça pra aplaudir
Um jantar pra alimentar
Uma manhã pra refletir

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⁠Uma fuga pra achar
Um caminho pra fugir
Uma história pra contar
Uma manhã pra refletir

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⁠Um vício pra deixar
Um afeto pra sorrir
Um amor pra guardar
Uma manhã pra refletir

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⁠Um discurso pra inspirar
Um concurso pra competir
Uma pedra pra chutar
Uma manhã pra refletir

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