Poema que Fale da Vida

Cerca de 188400 poema que Fale da Vida

⁠Os caminhos da vida.

A vida traz ocasiões
Em que o fogo
É algo que se apaga fácil
É coisa que logo passa
Todo mundo o esquece
Como o céu vermelho, na tarde de inverno
A vida traz muito mais
No desejo de uma paz inatingida
Que se busca de olhos abertos
Num reflexo de espelho
Igual à luz
Da qual você também pensa aproximar-se
Mas, se pudesse olhar pra trás
Talvez sentisse medo
Dessa sombra que se multiplica
A vida tem ocasiões
Onde as luzes se apagam
A vida tem também seus pássaros
Eles nascem novos todo dia
Eles não tem passado
Tem também sorrisos
De onde muitos rostos eles foram
Simplesmente impedidos de existir
Tem também seus caminhos e escolhas
Repletos de flores
Tem ninhos, tem dores e folhas mortas
E fogo difícil
Chuvas simples, que se tornam tempestade
e ninguém vê...mas elas chegam
Junto aos céus azuis
Quando o vê já é muito tarde
É tarde vermelha de outra estação
Num reflexo de espelho
Mas a vida foi vivida tantas vezes
Parecendo coisa nova todo dia
Quando você vê
Vê também não ter passado
Porque esteve com os olhos fechados tanto tempo
Que julgava toda escuridão ser luz
E julgava e julgava e julgava
No desejo de uma paz nunca alcançada
Mas agora é que percebe inexistir retorno
Só caminhos e escolhas
e folhas sem vida
Que também viveram, sem pensar em nada.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Motivo.

Medo da vida
Pra quê?
Se agora é bem melhor
Olhar com amor
Pra longe e pra fora
Que enxergar por dentro
Esse sentimento estranho
Tão pequeno
Quase do tamanho da desimportância
De quem o sente à distância
A vida é semente de sonho
Que deixa de ser
Somente uma semente
No dia que a gente deixa
De enxergá-la assim
Porque ela não é
Meu medo é que me falte
Quem me cause um bom motivo
Pra perder meu medo
Não da vida
Muito menos de estar vivo
Só a razão de viver.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Entardece em minha vida
De repente um pensamento
Momento pra focar o nada
Quedas esquecidas
De outros dias
Quando amanhecia, ainda
No vale das pedras pisadas
Meu Deus, foram manhãs tão lindas!
Entardece em nossas vidas
De repente a tarde cresce
Diferente às tardes de outros dias
Noutros tempos de outras vidas
Quando dor que era suave ainda
Mesclada ao odor das damas da noite
Respiradas, eram dores que lembravam sorte
Que nos remetia um pensamento
Por falar em noite, em norte, em dia
Em sóis que nos sorriam todas as manhãs
Ao Criador, que tudo olhava lá de cima
Que mandava orquídeas
Junto às folhas vivas, junto às folhas mortas
Nosso nome em branco no livro da vida
Estradas, escolhas
Tudo isso era futuro
Hoje, entardece em nossa estrada escura e só
Num mundo de sonhos, de sono profundo
Onde todo mundo é igual
De todas as moradas da casa de Deus
Nossos sonhos, medos misturados
Às roseiras que beiravam rios da infância
A melodia das águas
Tudo isso era normal
O mundo escondido e ainda em segredo
Terá sido um dia o mais natural
De todos amores profundos
Pois o amor é Pai da natureza
Do rio que vai, que nos leva
Que revela todas as belezas sonhadas
Belas, como as vidas desejadas
Aquelas, que jamais pudemos
Eu não tive assim, tanto talento
Pra deixá-la desenhada
em minha folha do livro da vida.
Embora ainda a queira, igual a todo mundo
Entardece em minha vida
Quanto a isso
Não existe escolha e nem tristeza
É o pó da estrada, é o nada, é o norte
é o leste, são as mortes das quatro estações
A dança envolvente, a existência prova
Que do pó vieste e vais
Só a alma da gente não é mais a mesma
e nem será nunca mais.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Há quem se arraste pela vida morta.

Tem dia que amanhece antes de clarear
Coração se despe
e se despede de toda agonia
Pra que nosso espírito se apresse
Ditos se fazem não ditos
Olhos se comprazem olhar a rua
E não tem nada diferente
Coração bate apressado
Segura, d'álma nua as mãos aflitas
Ambos se entreolham
Compreendem, de repente
Quem mudou foi a gente
A vida fica mais bonita assim
Há quem creia isso desimportante
Meu compromisso é comigo
Olhos, almas, mãos, meu peito, abrigo
Há quem queira abreviar o fim
E há quem queira olhar a noite
Saber que o sol se levante
Quero só me despedir do mal que houver em mim
Tem vida que termina igual
Numa esquina de um momento
Um vento frio de agosto
Tem dia que começa igual
Luz do dia vem vazia de algum modo
e nada muda
Não tem sonho bom que nos acuda
Não existe ilusão que, por melhor que seja, iluda
Até que um dia alguma coisa...tudo
Há quem julgue que isso pouco importa
Vai, se arrasta pela vida e arrasta a vida morta
Sem o olhar que lhes convide a perceber
A vida abandonou-lhe um dia
Chão sem céu, sem luz de estrela-guia
Vida voa, vai no vento e corta e volta
Vem, se despe de tanta agonia
Então, depois se apresse
Tem dia que amanhece antes de clarear
Mesmo que pareça tudo igual eternamente
Alguma coisa não amanheceu
Isso torna tudo muito diferente.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Como bolhas de sabão.

Em cada momento da vida
Atento ou desapercebido
Em cada silêncio, em cada ruido
Faça ou não, sentido
No raio que o Sol nos envia
Alcance ou não te alcance alegre
Haja chance ou não de encontrar alegria
A luz de todo dia foi-me entregue
Entrego ao meu coração sua escolha
Assim como toda escada
Oferece a descida a quem queira
Estar parado à beira da estrada
É sempre outra opção, ela existe
O caminho é indiferente
Se te encontra alegre ou triste
Talvez negue ao coração tua escolha
De vez em quando há de surgir
Um pensamento inconsciente
Desses, que se pudesse
Afastaria com um gesto das mãos
Amanhece mais um dia
A luz do sol, que a tudo alumia
Esteja ou não consciente
Ela já pode ser considerada entregue
Luz em luz, de escuridão em escuridão
Te vai se aproximando o momento
Desejado
Ou se pudesse, o afastaria com as mãos
Milhares de pôres-do-sol depois
A vida passa tão assim...depressa
Chega a parecer
Que às vezes foi de dois em dois
Assim como qualquer escada
Te oferece sempre mais de uma opção
Ou somente o que te resultar de escolhas
Como as bolhas de sabão, que outrora foram tantas
Que sempre que podia
Afastava, atenta e desapercebidamente
Com um gesto das mãos
Fingindo inocente.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Rabiscando a vida.

Rabiscando
Sobre as linhas retas
Que não posso ver
Vindas lá da luz do céu
Encobrindo o breu, que nos convida
Com palavras que não posso ouvir
Nada é incrível, no entanto
Elas são tão claras
Quanto a cara imprecisa
De sorriso obscuro
Escondida, atrás do muro da vida
Quanto o brilho do ouro, que não tenho
Mas eu sei quanto estão lá
Vou rabiscando em desenhos
Solução pra tantos medos
Quantos enredos mirabolantes
Entretanto, nada inverossímeis
Pois eu sei o quanto estão elas
Sob a luz das velas
Sob o malho de cinzéis
Prontas pra se revelar
Talvez como simples rascunhos
Sob a força dos punhos
e a constãncia da vontade
Essas, em linhas não tão retas
Pois a verdade se curva
Pra se alinhar com o horizonte
Azulado e verdejante
Cujo limite do olhar não alcança
Não alcança de olhar aberto
É preciso um pensar mais longe
Pra poder enxergar
O que esteve tão perto
Mas oculto sob o malho dos cinzéis
Quantos céus e quantos outonos
Verão teus olhares mornos
Teus ouvidos vitrificados
Quantos vasos queimarão teus fornos
Carentes de um olhar mais puro
De enxergar no escuro
Encobertas pelo breu que te convida
A enxergar de forma assim, tão clara
A cara da vida?

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Dimensões.

Nós sabemos a vida
Não sabendo-lhe a forma adequada
Isto dito ao vento
No momento, existo!
Posto isso, pouco a sei, além de nada
Morte, as tive algumas
Enquanto a vida se amontoa ao vento
Por acaso, à esmo, à toa
Lacuna entre duas ausências
A vida é uma duna
Uma efêmera presença
Que passa despercebida
Até por alguns dos presentes
Uma página já lida
E também já virada
A morte mais estranha
Que se pode ver vivida
Passou tão depressa
Quem a leu, na sanha de virá-la
nem se lembra de nada
Passou dessa para a estante
Num canto esquecido da sala
Na casa da eternidade
Se confessa arrependida
Pelas coisas que não fez
Se percorre uma vez
Removendo o pó estrada
Pó de existências
Passageiras como nós
Fugazes e sós
Instáveis, incríveis
Existências perecíveis
Voou como instante
O pião na fieira
A fogueira, a esperança
O choro do filho, a vaidade
A verdade, a meia verdade
O barulho do cristal quebrando
O orgulho ferido, a ira propensa
A pequena diferença
Entre o sempre
e o de vez em quando
A esperança perdida
A mesa posta
Pra quem gosta de comida em fogo brando
Morte, as tive muitas
Madrugada, olhar perdido
Coisas tão distantes
Vivendo apenas uma vida
Não dá tempo de estar juntas
Se o poeta não juntá-la em versos
Nalgum canto empoeirado
Lá na sala do infinito
Assim, ao menos por um mero instante
Se ficaria bonito, nunca saberemos
Porque tudo tem três lados
Um peão num barbante.
Viveu para o mundo
Algo assemelhado
em ao menos uma das dimensões
Morreu para a vida
Por breve descuido.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Um pé para traz pode te deixar paralizado no medo por toda uma vida.

Avante!

Inserida por joaoeudesdeana

Liberdade nada minha
Leve vida
Livre vida
Sempre a voar

Asas de vento
Não há pesos
Não há medidas
Não há correntes

Um pássaro
Dois pássaros
Intocáveis são

Desumanas vidas
É minha
Humanas vidas está sempre a voar...

Inserida por joaoeudesdeana

Sem tempo,
Sem vida,
Sem sentidos,
Essa é a obra mais inútil da existência.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠⁠Você diz que conhece Deus, mas o ignora na esquina da vida
Você diz que fala com Deus, mas sequer já deu ouvido ao seus sussurros
Você diz que Deus é bem vindo na sua casa, mas fecha as portas do seu coração para com o próximo
Você diz que concorda com os seus mandamentos, mas não as práticas
Você diz que Deus é tudo, mas o desfaz na sua covardia
Você diz que Deus está em toda parte, mas nunca está no seu íntimo
Você diz que Deus é grande, mas o diminui na sua fraqueza
Você lembra de Deus nos seus piores momentos, mas não lembra quando celebra seus melhores momentos
Você diz que ama Deus, mas odeia seus inimigos
Você diz que Deus te ama, mas você só oferece a ele o pior de você, e mesmo ele tendo todo motivo pra te odiar, ele te ama.
Enquanto você oferece a Deus seus pecados; ele simplesmente te oferta com o arrependimento.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠⁠De todas as delícias e de todos os sabores dessa vida, a única coisa que se possa desejar de melhor nessa vida a um pobre de espírito:

Que escale um vale de dores;

Que se afunde em um oceano de lágrimas;

Que atole seus pés em um deserto de areia movediça, e que tenha a crença de encontrar um Deus por lá;

E se por acaso encontrar, me avise por favor!

Inserida por joaoeudesdeana

⁠Eu não sei o que é a vida?

E se assim não fora, viveria!

Por não viver!
Por não ser!
Por não ter!

Eu apenas existo!
Como uma árvore plantada, onde?logo alí...

Em uma determinada busca de sentidos me perco ao vento dos meus pensamentos e já não sei nem mais quem sou?

Morrer, afinal, o que é?

Inserida por joaoeudesdeana

⁠Somente
uma honesta e contínua exposição à vida permite que valiosos lastros
se criem!

Inserida por maurotoledo

⁠Não existe
nenhuma outra razão
que justifique o sentido da vida
que não seja o aperfeiçoamento
do espírito!
E não apenas pela possibilidade
de acessoe reconhecimento de toda
relevânciado viver, mas
de percebê-losendo pouco a pouco
despertoe desdobrado
em si mesmo!

Inserida por maurotoledo

⁠Uma vida
despida de um justo propósito, além de um acachapante
despropósito... É um desperdício!

Inserida por maurotoledo

⁠Na extraordinária
energia do trabalho o único meio
capaz de fazer com que
a vida - nossas vidas - a cada
momentose supere,
transcenda... E sobretudo,
nos aperfeiçoe!

Inserida por maurotoledo

⁠O essencial da vida
é constantemente ameaçado
pelo insignificante da vida...
Portanto, que saibas escolher!

Inserida por maurotoledo

⁠...saiba,
meu amigo,
que essa tua intenção
em assumires os afazeres
da tua própria vida,
é a fonte da qual afloram
e perduram toda qualidade
e respeito que dedicas
a ti mesmo!

Inserida por maurotoledo

⁠Enquanto
persistirem os homens
em buscar na morte soluções
para a vida, serão os moralmente
mortos decidindo o destino
daqueles que indefesos, clamam
pelo direito denascer
e viver!

Inserida por maurotoledo