Poema que Fale da Vida

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Se a vida é um mal, por que tememos morrer; e se um bem, por que a abreviamos com os nossos vícios?

Se considero quanto me custa a ideia de deixar a vida, devo ter sido mais feliz do que pensava.

A vida é amarga e doce. Por isso não há outra forma de descrevê-la senão captando esses dois sabores.

É necessário ter amor pela vida para o prosseguimento vigoroso de qualquer intento.

Muito pouco se padece na vida, em comparação do que se goza; aliás, não sendo assim, como se viveria?

Agimos como se o conforto e o luxo fossem os requerimentos principais da vida, quando tudo o que precisamos para nos fazer felizes é algo pelo que ser entusiástico.

Todos os homens que se aborrecem num planeta passam a sua pobre vida a procurar outro.

Essa outra vida que é esta vida desde que nos preocupemos com a nossa alma (...).

Émile-Auguste Chartier
ALAIN, Histoire de mes pensées, Impr. moderne, 1936

A vida é um movimento de assimilação progredindo sem cessar. No seu caminho suprime todos os obstáculos, assimilando-os. A sua essência é a criação contínua de desejos e de ideais.

Os males da vida são os nossos melhores preceptores, os bens, os nossos maiores aduladores.

A vida humana é uma intriga perene, e os homens são recíproca e simultaneamente intrigados e intrigantes.

A fortuna aumenta a vida, na medida em que aumenta a possibilidade, que é a própria vida sentida. A vida é a conservação do possível.

Não é por ter sido honesto uma vez que se pode passar o resto da vida a descansar.

O que me interessa, é a vida dos homens que falharam visto significar isso que tentaram ir para além das suas possibilidades.

Todas as especulações são pardas, certamente, mas eternamente verde é a árvore de ouro da vida.

O amor e o seu reverso, o ódio, constituem o verdadeiro estudo da vida, porque só eles tiram as consequências dos outros indivíduos.

Há homens que parecem grandes no horizonte da vida privada e pequenos no meridiano da vida pública.

Esta vida humana, tão breve para as mais frívolas experiências, é para as amizades uma prova difícil e demorada.

Falhaste a vida, é evidente. Mas não o digas. Porque haverá logo quem venha proclamar em alvoroço que tu mesmo afinal confessas que falhaste para o cretino trombeteiro se julgar menos falhado e os cretinos como ele.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

Podemos responder criativamente ao que experimentamos como privação na vida e nos tornarmos ricos em espírito por termos conhecido o desafio.