Poema Instantes
" TAL COMO "
Pra ser, se era, romance, uma aventura,
instantes de loucura e de paixão
ou se era mesmo a voz do coração
a me indicar caminhos de ventura,
não saberei dizer na exatidão
nem dar real valor ao que era jura,
se promoveu-me o mal ou deu-me a cura,
se foi real história ou ilusão!...
Só me entreguei por força do momento
sem questionar qual era o sentimento
pro trás do instinto puro e verdadeiro…
O olhar quebrou-me, assim, de tal maneira
que promoveu, ali, real cegueira
tal como foi no meu amor primeiro!
Instantes
A vida é boa, de fato.
Mas a felicidade
é um enigma sem tradução,
uma chama que dança
no vento do acaso,
iluminando breves instantes
antes de se perder
como areia escorrendo
pelos dedos distraídos
de quem tenta aprisioná-la.
Não há palavras
que a definam,
nem mapa que revele
onde repousa.
Ela surge sem aviso,
num sorriso que rompe
a monotonia dos dias,
num abraço que se prolonga
além da urgência
e da insegurança.
É indescritível,
porque não se fixa
no intervalo de uma frase
nem se dobra
ao tempo de uma vida.
Quando nos toca,
é silêncio e pulsar,
uma vertigem de ser
sem o peso da identidade,
um vislumbre de essência
quando esquecemos
de existir.
"Em silêncio, encontrei a verdade que a pressa esconde.
Descobri que sou feito de instantes que não voltam e escolhas que me moldam.
Carrego vitórias, mas também feridas — e ambas me ensinaram.
Hoje compreendo que crescer não é acumular, mas desapegar do que já não me leva adiante.
Sou o reflexo das minhas lutas internas e da paz que escolho construir, mesmo quando o mundo lá fora insiste em me tirar do eixo.
Sou imperfeito, mas em construção — e nisso há beleza."
— Joel Vigano
Distância
Detririou instantes singelos entre nós
Tivemos um amor notável
Construímos inumeros momentos para amargar
Um trageco fim.
Destes instantes que juntos estamos se conhecendo virtualmente
Não há tempo a economizar do amor da vida e da brisa do mar
Do aroma das lavandas flordejantes onde há
Amar é o sumo da vida que transcende a qualquer medida, possivelmente
Do tempo em que o amor se brotou como uma flor até a desventura do âmago da eternidade.
Somos instantes em instantes,
Instantes, aproveitando instantes.
Silênciosos instantes;
Tornamo-nos-á somente instantes?
Não, utopia, ternura e quimera.
Quisera instantes, para mais instantes,
Nos instantes que fomos, somos, porém não mais seremos.
Para que, para sempre, instantes em instantes, sejam eternizados nesses breves instantes por toda a eternidade!
Dois instantes são impossíveis, então, para que o instante mude, é necessário que haja outro instante. Ora, se eu preciso que o instante saia, será passado. Mas como se trata de presente, e quero que o instante saia, trarei outro instante, porém isso não é possível, dois instantes num só. É inconcebível a ideia de instante, sem pensar que nossa escala é eterna*
A definição de um instante é a exclusão de qualquer outro. Se o instante fosse estável sem passado, seria eternidade. Um presente que não vira passado. Contraditório ao tempo. Um outro instante é necessário pra tirar o primeiro instante, ele precisa estar na mesma presença, se não seria passado. Para que o outro destrua o que já há, é preciso ser passado, e portanto não seria mais instante.
O tempo é um absurdo,
O tempo é intuição. Enquanto não me indaga, eu sei. Mas quando me pergunta eu não sei dizer.
Escolhas
Escolhas são feitas em todos os instantes, e não importa qual escolha seja feita ela sempre terá uma consequência, boa ou ruim.
A memória não é feita de instantes, mas dos afetos que sentimos naquele passado momento.
Lembrança sem afeto é esquecimento
Valorizar
Vida abençoada
Linha tênue
Onde encontro resquícios dos instantes
Ser amplitude perfeita do renovar.
Diante da beleza
Delicadeza dos instantes
Abri os olhos
Nota tecimento envolvente
Da beleza, cativa o ver
Chora diante da simplicidade ecoando pelas veias que pulsa.
Logo então
Vem o tempo
As mudanças
E seus momentos
Nortes, cortes
Sentimentos,
Instantes secos
Bagunça ao relento
História levada
Pelo vento
Memórias, histórias
Nortes, cortes
Sentimentos,
Bagunças que ficam
História não vencida
Pelo tempo
Inutilidade
Esse estado perverso
De consumi a alma vazia
Instantes de futilidade
Tendência repugnante deste mundo inútil.
O TEMPO
O que é o tempo, senão uma onda de instantes
Maleáveis como as tardes frias de inverno,
Desprendidas de todas as leis e regras,
Puramente livres e, por consequência, poéticas.
Instantes que se enchem como um balde,
Que debaixo da goteira, ligeiramente e devagar,
Transborda por sua borda e molha o chão da sala,
Fazendo lembrar a importância de se consertar
O telhado antes que surja a tempestade das adversidades.
Ora, porém, o tempo não se mede em números,
Ora, porém, o tempo causa nó no próprio tempo,
Fazendo enganar-se aquele que o percebe assim,
Em um trajeto contínuo entre passado, presente e futuro.
Para além de mero algoritmo e rotina,
Superando os segundos, minutos e horas,
O tempo é, sobretudo, um sujeito romântico,
Sendo, portanto, para nossa sorte, uma incógnita,
Uma onda de instantes e infinitas possibilidades.
Me atrevo a imaginá-lo como um sujeito simples,
De passos calmos, sorriso largo e descalço,
Que, gentilmente, todos dias bate à sua porta, e convida:
Vamos ver o sol nascer hoje?
Trecho: O Tempo, parte I.
Ilhas do mar da vida
Somos instantes
Leveza no andar
Horizonte de uma amplitude
De uma singularidade extraordinária
Movendo a entranas absurdas da alma
Vivemos como egoísta, pois somos ilhas do mar da vida .
Deixa me só -
Deixa-me só no silêncio do meu quarto
ao abandono das horas, dos instantes,
se fico só porque chegas quando parto
deixa-me só neste frio que é constante.
Deixa-me só nesta cama de vento
onde os sonhos são gelados como a água
e se durmo em lençois de sofrimento
deixa-me só na noite desta mágoa.
Deixa-me só cheio de cal e solidão
mártir do tempo, calçado de pó,
deixa-me só, nada devo ao coração,
ausente e triste, já disse, deixa-me só.
E desce um vazio aberto sobre mim
mar profundo hermético e fechado
nas frias madrugadas que por fim
me deixam ao abandono do Passado.
INSTANTES ETERNOS
Olhos que se encontram, como espelhos da alma, desvelam um vínculo raro e profundo. Neles, a verdade é revelada e os corações se conectados: num instante mágico, o tempo se detém, uma sinfonia silenciosa, emoções que ecoam, olhares que revelam almas, afinidades, tempo para, mundo some. Essência se reconhece, cumplicidade se firma. Universo se abre. Eternidade em um olhar.
E nesse instantâneo da alma, a eternidade se faz presente em um breve olhar.
Sinto sua falta
Todos os dias
Todas as horas
Todos os instantes
Meu coração só se acalma estando perto de você
O meu corpo deseja o seu corpo
Minha mente está ligada à sua mente.
Poema Tom Nogueira
