Poema Sobre Escuridão
A escuridão só pode existir
até determinado ponto
à partir do qual ela já nem cresce
A escuridão simplesmente
não mais escurece
Assim também pode ocorrer
Com a claridade
Com a sua idade
e até mesmo com a vaidade
Existem limites latentes
embutidos ou inerentes
Existem limites para a nossa paciência
A nossa ciência também
é por demais limitada
Existe sim, um fim para o nada
Assim como os há para quase tudo
Mas não existem limites
Para o amor e o conhecimento
Apesar de nós mesmos
Através do uso
de todas as nossas limitações
Impormo-nos limites
a todo momento
Porém para todo momento
Também existe um fim.
Se tropeçou no caminho,
não se entregue à escuridão.
Levante-se, siga adiante,
pois há graça em sua mão.
O Cristo venceu a escuridão,
com cravos nas mãos e amor no coração.
Hoje, o túmulo é só lembrança,
e nossa alma canta com esperança.
Eu não o julgo, eu reconheço,
Também já chorei na escuridão.
Sei que às vezes o mundo atrai,
E tenta calar o som da salvação.
Mas oh, meu irmão, eu ainda creio,
Que a graça te alcança outra vez.
O Pai continua à porta, esperando,
Com vestes novas e anel de Rei.
As estrelas brilham no Céu
Durante a escuridão da madrugada
Cá neste lugar
Estão todos absortos em seus pensamentos
E não tem a chance de sentir nada
Não percebem que os olhos lá do Céu
Não estão completamente mortos
Apesar de serem frios
Eu crio pra mim mesmo um sonho
E coloco nele a todos aqueles
de quem eu gosto
Me encosto num canto escuro
E enxergo coisas coloridas
E as coisa bonitas
que a vida pode nos trazer
Na pureza dessa escuridão
Percebo
Que muita coisa não deixa de estar ali
Simplesmente porque não posso vê-las
Assim como os frios olhos das estrelas
Sabem me encontrar
Não importa a elas onde estou
Pois eu sempre estive com elas
e elas comigo
e conhecem meus pensamentos
Creio até que sejam os Olhos de Deus
Me dizendo
Que eu jamais estarei
e jamais estive só
Eu também olho pra Ele e digo
Que meu desejo era estar lá
e vejo seus olhos piscarem
e pedirem a mim que não desista
e jamais pare de crêr
Pois um dia a noite acaba
As montanhas desabam
Evaporam-se as águas do Mar
Porém essa promessa não passou
e jamais haverá de passar.
A paz resplandeceu
Nasceu a luz
Toda aquela escuridão, recua
A luz vem caminhando vitoriosa
Eu vejo o azul e o amarelo
Eu enxergo a cor da rosa
E eu ouço o gorjeio dos pássaros
Ainda se esse dia durasse séculos
Haveria mesmo assim
Muita beleza
A passar despercebida
É muita harmonia
meus sentidos deslumbram-se
A ouvir a sinfonia dos ventos
Existe a cada segundo
Uma alegria nova
A me envolver de suave carinho
Até mesmo
O intenso silêncio da Lua
Intensifica o meu espanto
Quanta gente existe
Revoltada e triste
Ressentida
Pois apesar de ouvir e enxergar e sentir
Não consegue perceber
Que ao seu redor
Tudo isso também se move?
Se tranca em sua escuridão
Ajoelha-se
E reza pela chuva
Enquanto chove
A paz da luz avança
Insistente e penetrante
Como um gás
Se faz sentir na escuridão
e avança
Mansa e audaz
Não se cansa
E alcança o espaço que envolve
a toda essa gente cansada
Que se ressente e não ouve
E reza pela chuva, enquanto chove.
Todo dia quando cai a noite
E escuridão engole o Mundo
E todo mundo se recolhe
E avalia as suas escolhas
Uma noite só não basta
Você se desgasta
Sozinho, parado
Pensando, talvez, nas folhas
Que voam ao sabor dos ventos
Crepitando pelo vasto mundo
Você ouve na escuridão
A suave melodia da noite
batendo na sua janela
Noite, deusa misteriosa
Quem é ela
E o que será que quer comigo
Volte logo, luz do dia
E tira de mim este medo
Por favor, volte mais cedo
Tanta gente tem seus amores
Que guarda em segredo
Eu guardo este medo
e mais nada
Pois a noite e a madrugada
Parece que a tudo sabem
E guardam as piores tempestades
Pra que elas desabem
Pertinho da minha janela
Noite, deusa misteriosa
Por que é que ela
Judia de mim
tanto assim?
Navegante solitário
escuridão da madrugada
ao meu redor, somente o som do Mar
distante, eu posso ver a luz das tochas
Que se movimentam
Como se empunhadas por formigas
Cessaram-se todas as brigas
Já transpus também
todas as rochas
Apesar dessa aparente e transitória
ausência de luz
Eu sei onde estou
E sei também onde é que estão
As coisas que eu faço questão
de ter por perto
Elas estão exatamente
onde eu as pus
Agora é somente
Aguardar um pouco mais de tempo
e o dia amanhece
desaparecem todas as brumas
e as vistas novamente
Se acostumam
Àquela branca e viva luz
Apesar de parecer
Não estou e jamais estive
à deriva
Eu conheço muito bem as armadilhas
e as esquivas
Estou a caminho
de colher as flores
e as frutas que plantei
Nesta vida eu me fiz rei
Em meu próprio ninho
Superei todas as dores que encontrei
Fiz o melhor que pude
em tudo que fiz
Portanto eu sei
Que falta muito pouco
Pra eu poder descansar
e me sentir feliz
Azar de quem não quis
Atravessar o Mar comigo.
Pode ser que a luz se apague
E quem sabe a escuridão carregue
Pra algum lugar que fique
Nas fronteiras do infinito
A cada linha que escrevi para as estrelas
Minha vida pertenceu a elas
E as estrelas nunca foram minhas
Ou quem sabe a escuridão revele
A fronteira que impediu
A lentidão do pensamento em prosseguir
É impossível que não tenha havido
Algum motivo
Enquanto vivos, nunca saberemos
A via de mão que havia
Encobria o que se ver no Céu
Restou somente o chão batido
O som da minha voz
Jamais passou de ruído
Os segredos que pensas escondidos
Fazem sentir muita pena
Transformaste a própria vida
Numa coisa sem sentido
Tiveste a chance de ter tanto
No entanto não és mais nada
Eu deixo escrito às estrelas
A última linha de outra carta
Sabendo que talvez jamais
A lentidão nos pensamento
Permita que ela seja entregue
Se pudesses ver
Saberia o quão bonita ela era
Mas agora é tarde, muito tarde
O tempo passou
E o presente não mais espera
Pode sim, parecer bem triste
Não há na vida luz que aguarde
Um segundo a mais pra se apagar.
Edson Ricardo Paiva
Vai
Vai-te igual a tudo nesta vida
Vai
Vai-te pra sempre
Vai
E desaparece na escuridão da noite
Vai
Vai-te criatura das trevas
de anjo travestida
Mas vai
Vai-te pra sempre e me esquece
Vai
Desaparece de vez da minha vida.
Edson Ricardo Paiva.
Escuridão
É um lugar muito triste
Mas esse lugar existe
Pra que gentes de alma ruim
Lá, procurem outras gentes assim
Que digam que são do bem
E também tenham alma escura.
Edson Ricardo Paiva.
A coruja, com seus olhos penetrantes que rasgam a escuridão da noite, é um símbolo perfeito da fé. Assim como a coruja enxerga o que está além da escuridão, a fé nos permite enxergar além do que os olhos naturais podem ver.
(ver Hebreus 11:1 e 2 Coríntios 5:7)
“Não existe escuridão, se quer enxergar, tire a venda dos olhos.”
Nunca brincou de cabra-cega?
Todos estão lhe vendo em silêncio. Continue tateando.
“Sou a luz da minha escuridão.”
Não posso consertar o mundo, mas sei quem pode.
Ninguém vai me impedir de voar, mesmo na chuva, vou encontrá-lo.
Mesmo com os olhos fechados posso ver o caminho para acalmar meus sonhos inquietos.
Na noite escura,
A alma é nua,
Escuridão pela rua,
Iluminada pela lua.
A noite é escura,
E a certeza é sua,
A cidade em sonho flutua,
A palavra doce é crua.
A noite é pura,
O silencio intua,
A penumbra perpetua.
Existe uma dolência que nos une,
Nunca chegará a se tornar escuridão,
Resistirá em nós o mesmo Sol,
Que nascerá e que se dobrará;
Persistirá como saliente brasa,
Deslizará como mão que afaga,
Com o doce beijo que não para,
Será muito mais do que chama...,
E queimará muito mais do que fogueira
Em noites de luar, e não tente duvidar!
Amor sempre teremos de sobra!
Tu és como mar que leva o barco,
Assim é a carência que nos dobra;
Afirmativa é a boca sedenta por água,
Nós chamaremos insistentemente - a toda hora,
Seremos uma luz que não se apaga;
Um nó do destino que não desata.
Existe um amor que o mundo enxerga,
Não há ninguém que discorde,
E muito menos nos afronte,
Estamos prontos para a epopeia,
Que há de fazer a história,
De duas almas severas;
Tão doces quanto valentes,
Sementes lançadas ao vento,
Resistindo ao veneno,
Do cotidiano que é quimera.
Amor: aprecie a cantiga do mar!
Observe como gingam as correntes,
Tenho que te confidenciar:
- Eu quero te mimar!
O quê pensam as gentes?
Que somos inconfidentes.
Eu sou a tua rosa solar,
Regada pela água do mar,
Poesia e repente de amar.
Os mistérios
do Universo
e a escuridão
das noites
sem você,
sem luar,
e sem paixão
na caatinga
doce e bendita.
Nada jamais
terá o poder
de te afastar
da minha
íntima mandala
onde és inteiro
e pacífico
milagre total
do coração,
e fascinação.
Nada deixa
menos infinita
a inspiração
para trazer
a melodia
dos astros
que encante
e nos reúna
até a próxima
noite de Lua
neste sertão.
Divina atração
que nua faz
coreografia
domina
e entretém
o meu coração,
vou trazer
você para mim
e irás cair
como peixe
na minha
rede de sedução.
Longe dos teus olhos
vivo no teu coração
como a tua Lua lírica
em meio a escuridão.
As estrelas instruíram
que as noites seriam
longas como todos
estão testemunhando.
Rocha em silêncio
inabalável no peito,
ciente que a paixão
nasceu anunciada.
Lua junto a Mercúrio
Júpiter e Saturno,
a tua espera no porvir
do Equinócio de Outono.
Do sequestro das meninas
da Nigéria o mundo cala
o nó na garganta sufoca,
e sem nada saber: tudo desespera.
