Poema dentro e Fora
Me prove na “real”
Não quero os “noves-fora”
Pois, há erro
Preciso de um argumento certeiro
Sem secura na boca, nem malícia,
Sem gaguejar, nem desmentir a física
Quero uma operação real
Uma prova nada subjetiva
E que seja objetiva
Eu dirigia na estrada da vida.
Lembro que a tempestade rugia lá fora.
O pavor era vibrante, o medo era palpável.
Eu guiava com cautela e temor
sempre a vigiar o retrovisor,
Lia com atenção as placas.
Ao entrar na curva do teu corpo,
eu virei o volante, o corpo não respondeu.
Os pneus não tiveram aderência, eu capotei.
Os estilhaços, o horror,
a dor de saber tarde demais
que o melhor a fazer era ter esperado
o mau tempo passar.
Roney Rodrigues em "Aquaplanagem"
DA PORTA PRA FORA
Antes de viver a dois
Tenho que ter a certeza do seu amor por mim
Pois me sinto envaidecido
Com seu amor no meu coração
Trago comigo as marcas do seu amor
Feito tatuagem em meu coração
Que tenta te odiar
Mas só sabe te amar
Nada me aquece mais que a chama do amor
Que vem do fundo do teu coração
E incendeia minha alma de felicidade
Da porta pra fora.
Eu sei das coisas que lá fora me esperam,
Eu sei:
Nem tanto para o bem, Nem tanto para o mau,
Porque deste olhar de espanto, Eu sei que Tu me amas...
Jmal
2013-10-22
Doce Tristeza
Está ficando frio?
não é o mundo la fora.
Você está com medo?
sim! e está chegando á minha hora.
Você tem pesadelos?
só quando estou acordado.
E quando está dormindo?
prefiro não acordar e ficar dissimulado.
Por que tanta revolta?
não é revolta! é realidade.
Mas que realidade?
que não existe igualdade.
Por que pensas assim?
não penso, é o frio...
Que frio?
do mundo la fora.
Ouça os cães uivando fora do tom
Para um hino chamado "fé e miséria"
E sangrando, a companhia perdeu a guerra hoje.
Abro o livro das páginas da vida
espelhos de encontros, desencontros
Chove lá fora, estará a lavar o chão
da rua, o mundo, a alma, o corpo
Palavras deitadas ao vento
poemas desaparecidos no silêncio
Lírios perfumados palidez dos caminhos
noites de sonho entre as páginas gastas
Veneno oculto arrastado nos ossos
angústia escrita sobre a almofada
Escuridão do rosto da morte matada,
morta, esquecida, perdida..!!!
É quarentena e um vírus voa lá fora, invisível! O mundo parou em 2020. Muitas frases de efeito filosóficas já circulavam pelas redes sociais antes disso, mas agora, as pessoas procuram compartilhar aquelas que propõem profundas reflexões e mudanças: nos outros.
Estamos sempre esperando que o mundo ao nosso redor fique perfeito mas não mudamos a nossa própria estrada torta.
Vivemos em trilhas improvisadas a benefício do imediato, do bem viver hedonista, da aparente vida perfeita separada pelas traças que mantemos por trás das cortinas que encobrem a nossa intimidade, a nossa verdade tão necessitada de reparos pessoais.
A asas da tecnologia nos permitem alcançar janelas espirituais e culturais com fortes apelos à transformações mas eu não sei se o ser humano está acordado ou vive em sonambulismo profundo. Talvez estamos recebendo apenas mais uma pressão a um sono turbulento que vivemos.
O que precisamos mesmo neste momento é acordar. Ninguém consegue realizar coisa alguma em sono profundo. Como poderíamos promover mudanças de qualidade?
Acordar torna-se neste século o ponto de partida. Inibir os passos que seguem as multidões em manadas de fúria, embaladas pelo vazio.
Acordemos!
Depois, quem sabe, conseguiremos alcançar alguma racionalidade.
Louco ou Gênio
Ouvi uma teoria a algum tempo, dizia:
O louco está fora da redoma dos costumes da sociedade
O gênio é aquele que está na beira da redoma, observa com desejo a loucura de se arriscar, mas convive na sociedade preenchendo os deverem sociais obrigatórios.
Será?
O louco pode ser de fato alguém atormentado, mas como um trunfo ele está acima de nós em uma decisiva questão...
O louco é imprevisível e isso o torna perigoso aqueles que coordenam e instituem a barreira da redoma...
Pois bem, neste sentido não seria a própria imprevisibilidade do louco onde se encontra sua genialidade?
E não é todo gênio, um louco enrustido?
E não é você arrogante ser superior que não encontrou ainda a genialidade da loucura?
VERÃO NO CERRADO (soneto)
Lá fora o vento em agonia e rebeldia
Redemoinhando o taciturno cerrado
Do silêncio carrascal, fez-se agitado
Sob a chuva nua, acordando o dia
Na vastidão do chão, o tempo arado
Da sequidão para o sertão em urgia
Molhado da tempestade em romaria
Empapando o alvorecer enovelado
E neste, porém de tão boa harmonia
O horizonte na ventura é amansado
Enxurrando na procela a melancolia
Assim, vai-se avivando o árido cerrado
Do acastanhado que ao verde, barbaria
Ao rútilo encarnado do verão variegado
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Cerrado goiano
Perdi minha poesia
Perdi minha poesia
Joguei fora minha magia
De alguma forma ou de outra
Com certeza eu já sabia
Que isso chegaria
Como um soco no pâncreas
Chegou sem aviso
Sem menores discrepâncias
Como vou recuperar
Essa minha melodia
Eu ainda vou procurar
Vou achar uma saída
Ser Diferente
Afirmam que sou estranha
Diferente
Anormal
Imoral
Fora dos padrões
Querem o quê?
Que eu seja menos como eu
e mais como eles?
Que eu seja igual aos outros?
Que eu me cale diante da injustiça?
Que eu aceite um destino já profetizado por eles?
Querem que eu feche meus olhos para a maldade?
Que eu tampe meus ouvidos e ignore a dor do outro?
Que eu me silencie diante da crueldade humana?
Pois não vou
O errado continua sendo errado
Mesmo que seja considerado normal
Podem tentar e impedir
Mas nunca vou deixar de lutar
pelo que é certo!
SONETO PARADOXAL
Como quisesse poeta ser, deixando
O estro romântico, espaço em fora
O amor, ao reconhecer sem demora
A seleta face, abriu o ser venerando
Encontros e desencontros, cortando
Caminhos e trilhas, percorri: e agora
Que nasce a poesia, o poema chora
E chora, a rima passada, recordando
Ó, estranha sensação despropositada
Tão saudosa como se fosse “In Glória”
Invade o poetar sem ter um comando
Assim por larga zanga aqui pousada
Me vejo perdido, triste nesta oratória
Quando poderia êxito estar versando
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04 de dezembro de 2019 – Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Para a grama verde lá fora
Virei cenário
Agora é ela que me observa
Presa aqui, na moldura da janela
Aprenda que o amor
não é algo que se brinca
Ou que se joga fora
É algo para admirar
É algo para chorar
É algo para memória
É algo para o coração
É algo para o bem estar
É algo para amar
E para sofrer com isso
Pensando em que:
Não se pode jogar fora ou brincar com o amor
Mas que as vezes é melhor
Se afastar dele, ou
O amor vai ser algo para
Sufocar o coração
Até que não sobre ar
quase soneto cheio de si
ó minha amada, canto em teu louvor
como se fora nato noutras terras
mais adestradas nos bailes do amor,
em Franças, Alemanhas, Inglaterras;
canto-te assim com tal engenho e arte
que até Camões invejaria o fogo
com que me ardo, outrora degredado
entre mil musas lusas e andaluzas,
e agora regressado aos seus brasis,
ó minha ave, minha aventura
e sobretudo minha pátria amada
pra sempre idolatrada, salve, salve:
o resto é mar, silêncio ou literatura
Lá fora ascende
Lua de agosto,
Que em quase setembro,
Cheia reluz em tempo quente
E de todo conto e história
Que em noites de prosa surgem
A lembrança do seu rosto
Se torna a única memória
Por você deixo que lutem
Deixo de ter título
Deixo até de ser Rei
Se ao teu lado eu for mais que amigo.
Em noite de agosto,
Quase setembro
Deixa eu ser teu exemplo
De amor sem desgosto
E com gosto serei
Um Fora
Eu sinto algo tão sensato
Inventando a coisa errante
Estou-me envolvendo,
E você me dando ‘um fora’.
Estou-me com pensamento estarrecido
Pois tudo em minha criatura
Namora tudo em você
Não posso parar de escrever
Eu gosto de pensar que a gente tinha tudo
Sinto-me certo
De nunca deixar você esquecer
Pois tudo em minha criatura
Namora tudo em você
Como sorrir, com tudo quebrado e fora do lugar?
Como se firmar e ter estrutura
quando tudo é inconstante e desestruturado?
Aquilo que outrora era barco forte,
É hoje embarcação a deriva?
Como sobreviver a grande tormenta?
Ao mar bravio da existência?
"A noite está fria...chuva fina caindo lá fora, e eu querendo dormir com as luzes acessas...bateu uma sensação de ouvir a sua voz chamando por mim... É somente a minha mente pregando peças...Me iludindo...Manipulando meu coração a querer reviver um amor que já se foi...Talvez, eu passe mais essa noite em claro...Quero saber o que aconteceu entre nós... Ouço a sua voz sussurrando aquele adeus que sempre busquei ouvir."
-Roseane Rodrigues
