Poema de Pobre
Camafeu
Poema açucarado
tal qual um poema
com carinho preparado,
Há de ser o Camafeu
que eu hei de te ofertar
para deixar você com
o coração apaixonado.
Poema Sonoro para Rodeio
Os pássaros de madrugadinha
declamam o seu poema sonoro
para Rodeio e o raiar do dia,
que estou na sua você bem sabe,
Eu não sei se você está na minha,
só sei que não é mais segredo
para ninguém desta nossa cidade.
No décimo dia do ano em Rodeio
No décimo dia do ano
aqui em Rodeio,
Escrevo um poema
com a cor do melado
e com o sabor da terra,
Tenho orgulho desta
Santa Catarina e de poetizar
a vida como quem cruza
a estrada cercada pelas tropas
porque no final o maior
prêmio sempre será as conquistas
mais amorosas e tudo
aquilo que podemos deixar
as lembranças mais carinhosas.
Poema vespertino para Rodeio
Buscar uma fruta direto
do pé da árvore,
Agradecer a Deus
por estarmos cercados
por esta beleza
do Médio Vale do Itajaí,
Escrever um poema
vespertino para Rodeio
com toda a gratidão
por morar aqui e ter
amor por este lugar
no fundo do meu coração
seja no Inverno ou no Verão.
Poema vespertino para o Vale Europeu Catarinense
O meu amado e gentil
Vale Europeu Catarinense
nunca me decepciona,
no mesmo sentido a minha
linda cidade de Rodeio,
Mais de um poema
vespertino tenho escrito
em agradecimento
por tanta coisa que me acompanha
no meu peito e além do tempo.
Sorriso Largo
Para mim, o título de um poema é bem importante
por mais que as vezes eu esqueça dele
acho que é como a vida
as vezes esquecemos de fatos importantes e só lembramos quando já é tarde
ou as vezes nos empolgamos tanto com o desenrolar da história, que o que acreditávamos que era o mais importante, deixa de ser. A vida com você tinha dessas.
Mas se para mim, o tal do título é tão importante
neste, eu deveria ter escolhido a intensidade do seu olhar
acontece que, por mais que seja a parte física que mais gosto em ti
me ocorreu ontem, de me machucar lendo sobre o seu sorriso largo
meu coração diminuiu, e não me permitiu colocar outro
O seu sorriso era a segunda parte que eu mais gostava em ti
lembro quando tive que escolher entre um e outro
seus olhos ganharam porque era como nos comunicávamos quando adolescentes
eu de um lado da sala
você de outro
ainda continuamos assim.
O ano é 2025, 10 anos se passaram
bodas de estanho e zinco para nós
estranho: macio, brilhante e maleável, como o seu sorriso largo
zinco: fortalece o sistema imunológico
talvez eu precise, depois de ver você sendo feliz com outra
meu corpo está de mal comigo desde ontem, o dia do seu aniversário.
E por falar em ontem, eu passei em frente a casa da sua mãe
você me disse que estaria lá
Rua Pedro Henry... era próximo das 00h, gritei seu nome, você não escutou
o céu não estava azul claro, seus pés não calçavam mais sandálias
espero que o Santos perca
ontem o seu sorriso largo foi importante, me machucou
Soneto d'Alma
Um soneto, uma lírica,
versos em canção.
Dois corpos, um poema;
Sinfonia do Amor e Paixão.
Poesia Crua
A vi chegar incrivelmente bela,
vestida apenas de sua nudez.
O poema mais lindo a recitar,
Curvas, traços... desejo em seu olhar.
queria escrever um poema que despertasse
ternura
esta que dorme como um andarilho
em qualquer lugar
um poema que fizesse as pessoas
olharem para as palavras
darem um risinho e encherem os olhos
pensando nas suas avós
e que nada escrito se compara
à imagem delas dizendo ai sentei
e depois ligando a TV
para assistir a um programa qualquer
contando histórias das amigas que sobraram
sem prestar atenção na tela
as avós sendo levianas
porque elas têm essa liberdade de serem
levianas
a cultura não exige muito delas
exceto que sejam elas mesmas
velhas e detentoras
de inacreditável sabedoria
esta sabedoria das coisas mínimas
do ritmo das plantas e das colheitas
dos artifícios da casa
do funcionamento dos órgãos internos
a sabedoria do lado mais sombrio
do coração dos homens
elas sabem da morte
e desviam da morte com elegância
coisas que apenas o tempo
e apenas às mulheres
pode ensinar
QUAL É O PROBLEMA?
(Poema baseado em Curso – Seminário do Colégio...)
(Autoria: Otávio Bernardes)
Qual é o problema?!
... Existe, realmente, uma crise
na Educação Brasileira!
Eu não sei, você não sabe,
a Escola não sabe, ninguém sabe...!
O que é preciso mudar na Escola?
O que é preciso mudar na sala de aula?
... Eu não acho nada?!
Não existe mágica na Educação!
Todos nós estamos no mesmo barco...
A Escola está bem organizada?
Quem são os meus alunos?
Você já parou para pensar nisso?
Aliás, o incêndio é grande... inquietante...
Desnorteante... desenfreado..
... Qual é o problema?
A repetência começa no primeiro dia de aula!
A Escola se envolve com tudo,
até mesmo com a “educação”...!
Professor (educador) tem que ter metas!
Professor tem que dar testemunho...
Todo dia é dia de escrever...
Quem não escreve não aprende a pensar!
O aluno precisa aprender a pensar,
a construir conhecimentos...
Veja, as melhores experiências didáticas
não estão em livros!
A minha, a sua ideia têm que se transformar
em projetos..!
E olhe que nós somos o país...
que mais expede diplomas!...
Lembre-se de que a vida não é binária...
ela tem nuances! Muitas nuances!
A vida, pobre vida de inversão de valores...
E eu pergunto: - Afinal, qual é o problema?!
(Soltem as amarras)
11/03/21
Cada folha é meu diário,
Cada poema um mal aliviado,
Sei como funcionam
os pensamentos ruins,
E nessa eu não caio,
Entra dia,
Sai dia,
Entre as multidões vejo ira,
A máscara cobre o sorriso,
Que antes não cobria,
Vejo em nossa população,
Um grave problema de visão,
Dessa vez o óculos,
Não é a solução,
Se ainda há esperança?,
Temo que não,
A cada dia o cerco se fecha,
Com menos espaço,
Você tropeça,
Caso seja claustrofóbico,
De antemão inicie uma reza,
Porque não vão ter pena,
Enquanto isso,
O medo engole parentes e amigos,
Poucos são os de pé,
Que continuam resistindo,
Já não sei se vejo pessoas,
Ou fantoches,
Esquecem que uma moeda
Tem dois lados,
Igual aos homens de terno do Senado,
Assistem e obedecem,
Tudo aquilo que é dito na TV,
Lugar onde a verdade,
Não costuma aparecer.
Adner Fabricío
— O que vieste aqui fazer ao meu poema?
— Vim buscar o meu corpo.
— Para quê?
— Para despir as tuas noites.
Calafetado Poema
Os cílios cerrados do agudo penhasco
derramam lágrimas de vento e granizo
no terreno arborizado dos cinco sentidos
antes do combate entre a fecunda existência
e a íntima e persistente irrealidade.
O declive inalterável das horas abana os dias
onde os vagos versos caídos no calafetado poema
não dizem uma sílaba: escorrem as dores mudas do Amor.
No leito fundo do meu coração de carne
Navega, à bolina, a intrépida canção da sereia.
Se Pudesse Estar Dentro do Poema
Se pudesse estar dentro do poema
apagaria a vegetação rochosa
que alimenta o meu caminho.
Ouviria a canção anárquica do vento
a soletrar o íntimo alecrim dos versos.
Se pudesse estar dentro do poema
inalaria os reflexos do teu perfume
esquecidos na polpa estanhada do luar.
Dedilharia os acordes derramados do mar
no solfejo telúrico das aves.
Se pudesse estar dentro do poema
naufragaria nos porosos cristais da tua pele
beijaria o subúrbio umbilical das tuas palavras.
Resvalaria no declive das diluídas metáforas
e não seria o que sou: um poeta sem poema.
Se eu pudesse transformar
o meu poema em realidade
escolheria aquela parte
onde não existe realidade.
Poema à Deriva
Sou um
poema
à deriva
nesta ondulante
planície salgada.
Abrigo-me
na copa das
tépidas estrelas
onde repouso
o meu rosto
nas ruínas
que pulsam
no meu peito.
