Poema Cordel

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Cordel mãos que ajudam

Mentira pra ser verdade
Carece circular bem
Fazer muitos acreditar
Até se tornar refém
De alegria ou preocupação
Que os anjos digam amém.

Nesse dia primeiro
Desse mês de abril
Tamo na quarentena
E muitos estão febril
Que esse tal de corona
Seja piedoso e gentil.

Passando longe de todos
Não causando judiação
Um sujeito invisível
Que causa assombração
Deixa o povo isolado
E vários em comoção.

Vamos rogar a Deus
Pelo fim da epidemia
Se apegar no poderoso
Pra livrar da agonia
E voltar a trabalhar
Pois já era economia.

Nos lares falta comida
E causa muita tristeza
Peço com muita fé
E também com gentileza
Muitos tem se mostrado
Com amor e firmeza.

Fazendo as campanhas
O exercício da cidadania
Uma prática do brasileiro
Compartilhar é alegria
Garante o livramento
De morrer com barriga vazia.

Os gestos de carinho
Se ver pra todo canto
Desperta e nos motiva
A sair do nosso recanto
Nesses tempos difíceis
Vale todo o acalanto.

João Almir

Cordel: sobre a tecnologia
Titulo: olhando para baixo

Olhando pra baixo o dia inteiro
Navegando no rápido e fácil de encontrar
Hipnotizados pela tela de um aparelho
perdendo a capacidade de se aprofundar

É um ritual procurá-lo ao acordar
Se não encontrar dá até no corpo um tremor
Você quer ver uma família inteira brigar
É na disputa por um carregador

Os conectados solitários
Livres em uma prisão
Independentes e autoritários
Mas Incapazes de fazer uma desconexão

de baterias e mentes viciadas
Depressivas, extressadas e ansiosas
com insônia passam a noite conectadas
O dia com dor de cabeça, cansadas e desatenciosas

Procuram ao maximo ficar Isoladas
desfocadas dos rostos, focadas no visor
De relações supérfluas, inconstantes e rasas
Fecham e abrem laços como abas do navegador

Mesmo o dia inteiro ocupados
Com sensação de ineficiência
de seguidores e amigos rodeados
Carregando sempre mil K de Karência

De filtros, perfis e fotos editadas
Esperando curtidas e compartilhamentos
Ambiente de likes e cutucadas
E de incertezas nos sentimentos

Nos perguntemos quem está no comando?
Quem está na mão de quem?
O celular toca toda hora só na mente
Porque a mente infelizmente já virou Refém

Tá na hora de na play store baixar
Um aplicativo antigo de comunicação
Chamado boca pra conversar
Abraço demorado pra dar
E um aperto bem forte de mão

Lembre da live mas não esqueça a life
Esteja com o bate-papo cara a cara sempre aberto
Seja conectado não perca a vibe
Mas ligue o Wi-Fi do coração pra quem está perto

Estar com os de perto seja a maior satisfação
Mudemos de prioridades, tenhamos empatia
E que seja a mais importante notificação
Estar com a família no dia-a-dia

Esperemos o mundo inteiro acordar
E de certa forma retroceder
Levantando a cabeça pra enxergar
Que tudo que se está na tela a procurar
Está bem aqui, em tamanho real, bem a frente pra viver.

CORDEL CEARENSE !⁠
Quis montar um cordel
Pra mode ferecer o cearense
Se Home, muié, fio e donzela
Faz-se um cordel cearense
Cuscuz, tapioca na tijela
Buxada, carne seca, rapadura
Nóis, sertanejos com vida dura
Toicim, maxixe na panela
Enche o bucho de nossa gente
É pra mode nóis trabaiá
Nóis sumo do Ceará
“Eita povo valente”.

Cordel da EJA

Muitas são as dificuldades encontradas por quem constrói o universo da Educação de Jovens e Adultos.
Para os alunos que estão recomeçando com todos os desafios, o preconceito do desnível, os conflitos de concepções, a luta contra o cansaço, a merenda não muito agradável mas um desejo no coração.

Para os professores, o último expediente, tentam manter o sorriso nos dentes para esconder o grande enfado. Ajustam a paciência para aquele aluno exaltado, pega na mão de dona Maria pra ela não escrever errado, mesmo que no curso de matemática para isso não tenha lhe preparado,
ouve até comentários de seus próprios colegas que professor da EJA é um tanto folgado, não sabendo eles que pra ajudar no recomeço exige é serviço dobrado.

Para o gestor é um tanto complicado, mediar os conflitos dos alunos ditos como “os danados”, justificar a falta de água e do material dourado é cobrado de todo lado, professor, aluno, vigia até do secretariado.
E a coordenadora por essas horas está rodando pra todo lado, botando aluno pra dentro, planejando caso a caso, tentando marcar uma reunião que inclua todo o professorado.

Mesmo com tudo isso, é um grande prazer participar pra valer da segunda chance da vida desse alunato semi-alfabetizados, da BNCC escanteados mas no meu coração, sempre amados!

Rayane Valentim

Já faz mais de duas horas
Que um cordel quero fazer;
Eu não sei no que vai dar,
Mas ousado eu sei ser
E espero obter sucesso
Nesse meu novo entreter.

Cá estou, em uma cama de hospital
internado há quatro dias;
só sabendo a data de vinda
e nem fazendo ideia da de ida.

Tento ser forte, mas a dor vence
a cada furada carne à dentro.
Remédios já não fazem efeito,
o jeito é rezar e pedir sossego...

O caso é grave,
mas não me faz medo;
porque pra tudo tem um jeito...

Mas o jeito que pra tudo tem
Não é jeito que eu gostaria.
Mas é como diz um velho ditado:
Se não tem tu, vai tu mesmo!

Firme forte vou levando, de barriga.
Que é pra não passar fome,
nem de noite, nem de dia.

Meu sofrer só Jesus Cristin sabe;
Mas minha vitória, todos saberão.
A vida é cheia de obstáculos,
É por isso que virei atleta,
que é pra passar com facilidade.

Cordel do Fogo Encantado

Um rei de berço ministra qualquer civilização. Um rei de fé luta com seu povo. Um rei de terras anda pelo mundo. Um rei de gerações passa sua corôa. E todos são exemplos de amor nesse cordel que chegou ao fim.

Vou sentir falta da figura shakespeariana de Bel. Dos gritos cômicos de Patácio. Do seu filhinho nidinho, o prefeito mirim. Dos personagens santos, Clara e Francisco de Assis. Do profeta que poderia existir na vida real, principalmente ao leste da África. Desse amor de novela que está bem longe da atualidade.

Cordel Encantado, me encantou como " O Cravo e a Rosa". Porém, mais envolvente. Mais rica em histórias e estórias. Um multipluralidade de contos como muitos de nossa literatura dentro de um contexto e suas civilizações, movidos por fé, união e amor. Chorei e choro com essas cenas. Uma pena serem vistas com tanta ênfase numa novela e não na vida real.

O fim de um vicio televisivo e o final de 4 reinados de amor.

Ao Mestre.

Falar da literatura
Tem que ter sabedoria
O cordel é uma cultura
Que é feita com maestria
Você tem a desenvoltura
Que parece partitura
dos versos da poesia.

⁠A arte da poesia
Já foi de grande valor
Cordel divertia o pobre
A lírica, o doutor.
O habito da leitura
Uma maquina do tempo
Capaz de levar o homem
Nas asas do pensamento
A boa leitura enriquece
De amor e sabedoria
A vida fica mais leve
Quando se tem poesia.

Deixem o cordel entrar


Deixem o cordel entrar
Nas rodas de conversa
Nas mesas de bar
Nas praias, nos becos
Em qualquer lugar.


Deixem o cordel entrar
Nas praças, igrejas
Na música, no ar
Em toda esquina
Em qualquer lar.


Deixem o cordel entrar
Na novela, no filme
No ato de andar
Na escola, na rua
Na luz do luar.


Deixem o cordel entrar
No campo, no clube
No melhor do sonhar
No teatro, cinema
No jeito de falar.


Deixem o cordel entrar
Na tevê, no show
No beijo espetacular
No amor, na dor
Na hora de chorar.


Deixem o cordel entrar
No melhor do viver
Deixe-o ficar
E aonde estiver
É lá que quero estar.

Cordel das incertezas


O estranho sempre assusta
Pode dar frio e ansiedade
A mente busca controle
Planeja em intensidade
Mas há surpresa no viver
Remetendo-se ao crescer
Com o novo em liberdade.


A incerteza traz dois lados
Ruim e outro encantador
Mas são caminho abertos
Variando face e cor
Pode ser pedra no passo
Para diminuir o compasso
No meio do nada, uma flor.


Há quem só veja o negativo
Esquecendo a beleza da vida
Mas cada dor que aparece
Não resume a nossa lida
É pedaço de uma história
Com derrota e com glória
Não é estrada perdida.


Não se controla o vento
Nem o que vai acontecer
Acidentes, brigas, conquistas
Acontecem sem prever
E se a vida fosse tão certa
Como uma porta sempre aberta
Que graça teria viver?


Planejar é muito bom
Mas não é rédea do mundo
O incerto é possibilidade
Um caminho tão fecundo
Na moeda de dois lados
De decepções e agrados
Mas com tesouro lá no fundo.


Por isso, não fuja do incerto
Abrace-o com confiança
Há surpresas que nos elevam
Há futuro em esperança
No mistério do amanhã
A alegria pode ser irmã
Vindo com a força da mudança.

Cheguei sem pedir licença
com minha rima pesada.
Meu cordel pesado tem
31 anos de estrada.
Tive meus altos e baixos,
mas estou na caminhada.

Damião o roceiro do Sol(poesia de cordel 2006)

Damião vivia bem
Em Minas Gerais
Pois dele se esperava ser um grande capataz
Defensor dos oprimidos
Nas terras dos Generais

Todos na fazenda eram paus mandados
Faziam o que não queriam
Para não serem condenados
A cada tarde traziam dois
Para serem castigados!

Ele escreveu a carta:Fica agora como justo
Os roubos do Senado
Pois reuni o povo Para o nosso liberado
Enquanto o senhor diretor vive na cadeira sentado
Nosso povo todo dia
Vive sendo castigado

"Antes de Decidir, Ore: (Cordel)


Decisões precipitadas podem te fazer sofrer. Quem decide sem orar arrisca perder o que Deus quer entregar.
Lembra de Saul: agiu sem pensar,
perdeu o que tinha porque não soube esperar.


Diferente de Davi, que não se precipitava;
em cada decisão tomada, sempre buscava direção. Porque quem espera em Deus não anda na contramão.


Escute o que a vida ensina:
decisão não é pra correr.
É tomada de forma pensada,
porque o que parece certo hoje
amanhã pode te fazer sofrer.
E o que brilha por fora
por dentro pode doer.


Por isso, não decida só por decidir.
Não vá só porque deseja,
nem aja só por sentir.


O impulso até te joga pra frente,
mas nem sempre é pra progredir.
Tem gente chamando de “fé”
o que é só medo de insistir.
Mas quem espera em Deus
não precisa se iludir.


Decidir sem ouvir a Deus
é construir sem alicerce.
No começo parece firme,
mas logo vem o desastre.
Deus não nega direção
pra quem pergunta com fé.
Ele mostra o caminho certo
e desvia do que não é.


Por isso, antes de qualquer passo,
não confie só na visão.
Quem pergunta antes de agir
evita a decepção.
Deus conhece o que há na estrada
mesmo antes da direção.
E só caminha com segurança
quem segue, em cada passo, guiado por oração. Decisão precipitada gera frustração.


@Suednaa_Santos

Cordel "O Orgulho e a Humildade"


"O orgulho quando floresce
Já começa envenenando,
Semeando altivez
E o juízo enfraquecendo.
Quem se acha maior que todos
Vai sozinho se perdendo.


Ele fala muito alto
Mas por dentro é inseguro,
Veste capa de coragem
Pra esconder um medo escuro.
Quem não dobra o próprio ego
Tropeça no próprio muro.


Já a humilde é diferente,
Anda firme e pé no chão,
Sabe ouvir quando é preciso
E respeita a direção.
Quem aprende a ser pequeno
Nunca perde a posição.


Porque Deus não se agrada
De soberba e presunção,
Mas levanta o que se humilha
Com poder e proteção.
Quem se curva diante Dele
Se levanta campeão.


No final dessa história
Preste bem atenção:
Quem se exalta por orgulho
Cai pela própria mão,
Mas quem baixa a própria cabeça
Recebe exaltação.


@Suednaa_Santos

Cordel "Entre a Verdade e a Mentira"


"Dentro do peito do homem
Tem sempre uma eleição:
Verdade pedindo espaço,
Mentira pedindo atenção.
Uma chama pra consciência,
Outra afaga a emoção.


A Mentira é sedutora,
Sabe bem como agradar,
Diz aquilo que conforta
Pra ninguém se incomodar.
Entrega paz provisória
Só pra dor depois cobrar.


A Verdade anda simples,
Não promete ilusão,
Dói no começo do caminho,
Mas cura o coração.


Quem enfrenta o que é real
Constrói firme o seu chão.
A Mentira sobe ligeiro,
Mas não cria sustentação.
A Verdade cresce lenta,
Mas levanta construção.
No fim, só permanece
Quem vive na direção."




@Suednaa_Santos

"Cordel o tempo"


"O tempo não pede pressa,
Nem se curva à ansiedade,
Ele ensina no silêncio
O peso da realidade.
Quem quer pular etapa
Tropeça na própria vontade.


O tempo fecha caminhos
Que pareciam direção,
Não por falta de promessa,
Mas por falta de preparação.
Há propósito que só nasce
Depois da maturação.


Nem todo atraso é perda,
Nem todo “não” é rejeição.
Tem livramento escondido
Por trás da frustração.
Porque o tempo protege
O que ainda é construção.


O propósito não grita,
Ele cresce devagar,
Primeiro forma o caráter,
Depois ensina a alcançar.
Quem aprende a esperar
Aprende também a durar."


@Suednaa_Santos

⁠Se desconhece a cultura
nossa porta está aberta
quem quiser literatura
o cordel é quem te flerta
se for falta de ternura
o nordeste tem a cura
que já vem na dose certa.

Inserida por guibsonmedeiros21

Cordel minha terra.

Eu sou filho do mato
Da terra da cultura
E quem não a entende
Sem ter desenvoltura
E fala do nordeste
Nem sabe da fartura

Lembra de pouca chuva
Poeira, chão rachado,
Mandacaru e palma
(Coroa de frade) espinhado
Caatinga, capoeira
(Unha de gato) estirado

Se chove o ano todo
Estrada é agonia
Buraco em buraco
E todo carro chia
Vamos falar do tempo
Tudo logo esfria

Mas assim é que é bom
Neblina no distrito
Nem dá pra ver escola
Fica logo aflito
As crianças na chuva
De bota faz bonito

Já vi frio de quatorze
Sensação térmica 8
Tem quem acha, é quente
Vigi, povo afoito
Tem aquele que treme
Só levanta no açoito.

De touca na cabeça
Cachecol no pescoço
Doze meses tem o ano
E vale o esforço
Um quarto é de sol
Chuva no resto moço

Já consegue decifrar
Com quê foi revelado
Nada é melindroso
Não está disfarçado
Pra não ficar nervoso
Já volto arretado.

Inserida por PaulodeAraujoSilva

⁠Cordel Bíblico

A Parábola do Filho Pródigo

Na Biblia está escrito
Sobre a bondade de um pai,
Fala de um amor bonito
Pelo filho que se vai !

Após receber a herança
O moço sumiu no mundo,
Desperdiçou com gastança
Se tornou um vagabundo!

Faminto e já padecido
Pra casa ele retornou,
Cabisbaixo e arrependido
E o bom pai lhe abraçou !

Com alegria foi recebido
Se alimentou e agasalhou,
O filho estava perdido
E o seu pai o achou !

Lucas 15:11-32

Inserida por vital_da_mata_filho

⁠⁠Cordel Beiradão

Vou a contar a trajetória de um rei
Que marcou os interiores uma geração
Me fez ter orgulho da minha infância
Cantando o seu lindo Beiradão
Um som alegre uma poesia bela
Do cotidiano nossa cultura singela
Tua mensagem ficará na memória
Da minha Amazônia e muito além
Quanta luz esse caboclo tem
Me identifico com sua história
Por que ele me faz sonhar
Ele não é um rei feito Zeus
Talvez seu castelo seja uma sedia
Esse rei é simples como eu
Nascido nas beiradas desse rio
O seu nome é Hadail
O curumim que ouvia Teixeirâo
No Amazonas ganhou respeito
Fez fama e não teve jeito
Virou o rei do Beiradão

Inserida por Clara21