Poeira
'QUANDO EU CRESCER...'
Abarcarei montanhas e mares de ausências, turbulência e poeira nos olhos tornar-se-ão verdadeiras. Ficará a saudade dos abrolhos nas plantas rasteiras exalando o que realmente seria a vida...
As lágrimas cor de sangue ficarão mais impetuosas e perceptíveis. Não haverá mais lugar para elas caírem ou mãos para agarrarem-nas nas pontas. O sol agora em ruínas tornar-se-á mais avassalador, dissecando dores e as poucas esperanças nas tempestades e dias sombrios...
Quando eu crescer, quero ter olhos de criança. Não o ser sem bonança que fizeram de mim: sem identidade própria e lugar no mundo, trancafiado numa caixa de pandora, respirando desvairados acasos e um amotinado de questões sem respostas ...
Tudo acontece lentamente quando se vai espichando o espírito. A coleta de sorrisos esparramados tornam-se resquícios, sem arco-íris. Quer-se acalanto, um mundo menos profano e de todos, sem metafísica...
Quando eu crescer, quero ser um casebre de palha, sem retratos pendurados nas janelas. Sem sequelas ou falas para reproduzir a harmonia passada. Tudo sem dualidades, sem metáforas que fazem da vida uma repetição desastrosa e colapsada. Eu nunca pedi para crescer! ...
"Para obter vitórias em sua vida, é necessário primeiro você tirar a poeira da sua Bíblia".
Anderson Silva
Somos poeira, algo que vai embora, mas temos que agradar as pessoas aqui com coisas mundanas e físicas, infelizmente.
A VIDA TÁ PASSANDO.
Nós não vivemos nada, somos apenas uma marca nas calçadas, a poeira à beira da estrada, o vento frio que sopra nas madrugadas.
A vida não passa de pegadas apagadas nas estradas, estamos vivendo pouco, o tempo não para parece uma corrente em alta velocidade.
A vida está passando, estamos indo mais rápido do que um paraquedas atingindo o solo, a vida está! passando como um avião de caça.
O tempo não espera, a vida é uma batalha, um campo minado, estamos partindo antes do esperado, só temos que agradecer pelo tempo emprestado. A vida está passando estamos partindo antes da hora.
O PODER DAS PALAVRAS.
A poeira disse a pedra logo mudarei de lugar deixar só o vento passar,a pedra de tão humilde respondeu,eu continuarei sendo pedra quando o inverno chegar.
A CONSTRUÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Uma casa bonita e bem cuidada;
sem poeira, destons ou quadros tortos;
o telhado, a sacada, os móveis finos,
tudo expõe o bom gosto que a demarca...
Tem um quê de nobreza em seu conforto;
na leveza dos passos sobre o piso;
é um porto seguro pra quem sai
com aviso de hora pra voltar...
Mas a casa bonita e bem cuidada
sempre foi um castelo impessoal;
uma casa marcada pelo assombro...
Um escombro de luxo e solidão,
onde amar não combina com seu brilho;
pois só é construção; jamais foi lar...
EMOÇÃO RECICLÁVEL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Apostei noutro afeto sem cisco e poeira;
sem estética, selo, padrão nem carimbo;
numa feira de sonhos e tons em comum,
nossos olhos expostos às exposições...
Foste o filme perfeito que assisti sozinho
sob traços da tela de um rosto forjado,
li em teu pergaminho falsos mandamentos
nos quais era pecado ver pecado em tudo...
Pela tua verdade que mentiu pra mim,
fui ao fim dos meus nãos e me lancei em ti
feito rio que pousa no colo do mar...
Eras cópia de alguém que se fez na ilusão
desta velha carência que permuta os alvos,
quando minha emoção envelhece outra vez...
Somos insignificante partícula atômica da poeira cósmica, devidamente aglutinada em cadeias moleculares dotada de uma força chamada fôlego de vida.
Seguimos em viagem, lançados nesse universo infindo.
Somos átomos aglomerados, da poeira cósmica fomos formados. Estamos inseridos numa existência, completamente interligados. E não há nada e ninguém independente.
Somos partículas de um todo, muito bem ajustados.
Como nos desligar desse plano existencial, se dependemos uns dos outros e de todos os astros?
Cada ser celestial tem sua função no cosmo expandido. São bilhares de galáxias existentes.
E nada é injustificável. A perfeita maestria do universo, intriga nossa mente limitada. E a verdade diante de tudo isso, nós humanos não somos nada.
E você aí cheio de vaidade, achando que é muita coisa dentro da comunidade. Mas não passa de um sopro de vida, de apenas um instante. Diante da grandeza desse universo. O que é a sua vida perante as eras estelares? Ou as incontáveis gotas existentes no oceano? A vaidade passa e bem ligeira, Como a chuva que escorre na vidraça. Ou como as águas de um intenso temporal. Que vai e vem nos tempos determinados. Quero ter serena e mansa ombridade, reconhecer que não sou nada. E adorar o Eterno Criador, por tua graça em minha vida alcançada.
Não somos nada, realmente nada além de poeira amontoada. Somos partículas atômicas agrupadas, somos barro com arrogância exacerbada. Somos um sopro e mais nada. Qual barro na mão do oleiro, que amassa e refaz sua arte animada, que molda ao seu bel prazer e como lhe apraz ser adornada.
E essa liberdade tem o artífice criador, moldar o barro para desonra, ou faze-lo para o encher de honra e louvor.
Herdeiras da Finada e da Vaidade
Lá pros lados onde o asfalto é poeira,
E o luxo ainda usa pulseira de feira,
Morreu uma tia — a finada abençoada —
E deixou pras sobrinhas a grana guardada.
Foi só o caixão descer com a coitada,
Que as moças viraram alta sociedade encantada.
Uma herdou um sítio, a outra uns trocados,
E juntas se acham no topo dos mais invejados.
Mudaram o andar, o tom e o batom,
Agora só falam de “brunch” e “champanhon”.
Fizeram plástica no ego, bronze no juízo,
E acham que o mundo inteiro gira no improviso.
A finada, se visse o que virou o legado,
Voltar do além? Talvez… só pra dar um recado:
“Vocês eram jacu e continuam sendo,
Só que agora de salto, tropeçando e se perdendo.”
Ai, que dó dessas almas tão iludidas,
Achando que dinheiro compra novas vidas.
Na rede social, são capa de novela,
Na real? Mal sabem lidar com panela.
Graças a Deus, aqui não tem dessas figuras,
Só gente de berço, de boas posturas.
Mas fica o alerta, entre riso e gargalhada:
Nem toda herdeira deixa de ser deslumbrada.
- Relacionados
- Sacudir a Poeira
