Poeira

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“O destino é apenas uma miragem desenhada pelo ego; a verdadeira morada sempre foi a poeira da estrada.”

Não se entra aqui sem se sujar de poeira e sem sentir o frio que emana de lareiras apagadas há décadas pela chuva da indiferença.

Nenhum de nós nasceu pronto; somos apenas poeira cósmica com a sublime obrigação de aprender. Compreender o outro na sua tempestade é a nossa matéria mais difícil, mas é justamente aí que o milagre acontece. Não viemos a este mundo para acumular coisas, viemos para acumular alma. Olhe para a frente com a convicção absoluta de que cada ferida de hoje é o rascunho da sua evolução de amanhã. Erga-se, porque o universo não desperdiça nenhuma história.

Entre fios de letras soltas
e trapos de linhas livres
remendo palavras
envoltas no manto
bordado da poeira de poesia...

" As pálpebras limpam os olhos das poeiras. Que pálpebras limpam as poeiras do coração?
(In " Na berma de nenhuma estrada " - página 175)

Talvez o Natal exista para fazer as pessoas repensarem suas atitudes com os demais. A exaltação de diversas coisas boas ao próximo é tanta que a reflexão interna sobre isso deveria ser, no mínimo, obrigatória. Deveríamos amar uns aos outros simplesmente por sermos irmãos de alma, mas a inveja, junto com outros sentimentos destrutivos, nos tornou frios e distantes. Morremos desde os primórdios e cada dia o amor se apequena, tornando-se uma mera poeira cósmica em meio a uma galáxia de maldade sem fim.

Quando a agitação vem de dentro, nós fechamos para impedir a explosão e... implodimos silenciosamente. Paredes erguidas, vida fora que segue, aqui dentro... poeira.

⁠Quando alguém entra na nossa vida e vira tudo do
avesso e vira poesia e canção, é porque valeu a pena;
valeu as lutas e provações, valeu insistir, valeu amar
cada segundo mesmo quando tudo parecia não ser
amor coisa nenhuma.

É verdade, sempre vai ter um que vai sentir mais, um
que vai chorar mais, um que vai fazer durar mais, um
que vai demonstrar mais... Mas também tem o
momento em que os dois quis tudo isso com a mesma
intensidade, sempre tem. E é isso que importa!

Não pense na poeira dos pés que fica dos que vão
embora da tua vida, pense na brisa que trazem quando chegam.
Ela me ensina isso todo dia...

- Vida -

Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui a pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo.

Ele fixaria em Deus aquele olhar verde-esmeralda com uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a humildade do cachorro, o gato não é humilde, ele traz viva a memória da liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.
Lembro agora daquela história que ouvi na infância e acreditei porque na infância a gente só acredita. Mais tarde, conhecendo melhor o gato é que descobri que jamais ele teria esse comportamento, questão de caráter. Dizia a história que Deus pediu água ao cachorro que lavou lindamente o copo e com sorrisos foi levá-lo ao Senhor. Pedido igual foi feito ao gato e o que ele fez? Escolheu um copo todo rachado, fez pipi dentro e dando gargalhadas entregou o copo na mão divina. Conheço bem o gato e sei que ele jamais se comportaria conforme aquela antiga história. O cachorro, sim, bem-humorado faria tudo o que fez ao passo que o gato ouviria a ordem divina mas continuaria calmamente deitado na sua almofada, apenas olhando. Quando se cansasse de olhar, recolheria as patas no calor do peito assim como o chinês antigo recolhia as mãos nas mangas do quimono. Elegante. Calmo. E mergulharia no sono sem sonhos, gato sonha menos do que o cachorro que até dormindo parece mais com o homem. Outro ponto discutível: dando gargalhadas? Mas gato não dá gargalhadas, é o cachorro que ri abanando o rabo naquele jeito natural de manifestar alegria. Os meus cachorros – e tive tantos – chegavam mesmo a rolar de rir, a boca arreganhada até o último dente. O gato apenas sorri no ligeiro movimento de baixar as orelhas e apertar um pouco os olhos como se os ferisse a luz, esse o sorriso do gato. Secreto. E distante. Nem melhor nem pior do que o cachorro mas diferente. Fingido? Não, porque ele nem se dá ao trabalho de fingir. Preguiçoso, isso sim. Caviloso. Essa palavra saiu de moda mas deveria voltar porque não existe definição melhor para um felino. E para certas pessoas que falam pouco e olham muito. Cavilosidade sugere cuidado, afinal, cave é aquele recôncavo onde o vinho fica envelhecendo em silêncio, no escuro. Na cave o gato se esconde solitário, porque sabe do perigo das aproximações. Mas o cachorro, esse se revela e se expõe com inocência, Aqui estou!

Lygia Fagundes Telles
A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Nota: Conto Sou um Gato.

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⁠Não sou poeira cósmica.
Não quero ser poeira cósmica.
Jamais serei poeira cósmica.
À parte isso,
trago em mim todo um universo empoeirado.

Inserida por joaquimcesario

Removendo a poeira no canto dos sonhos para devolver o encanto ao coração...

O dia está para arrumações. Tirar a poeira e até as teias de aranha. Limpar, polir e deixar tudo como antes.
— A casa?
— O coração!

Às vezes ruir é a única saída... após a implosão
tudo vira pó, poeira pelo chão, ai, e só ai, entendemos
que restaurar ruínas é bem mais difícil que sacudir
a poeira e começar de novo!

Ele fixaria em Deus aquele olhar verde-esmeralda com uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a humildade do cachorro. O gato não é humilde, ele traz viva a memória da liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo. (...)
Nem melhor nem pior do que o cachorro mas diferente. Fingido? Não, porque ele nem se dá ao trabalho de fingir. Preguiçoso, isso sim. Caviloso. Essa palavra saiu de moda mas deveria voltar porque não existe definição melhor para um felino. E para certas pessoas que falam pouco e olham muito. Cavilosidade sugere cuidado, afinal, cave é aquele recôncavo onde o vinho fica envelhecendo em silêncio, no escuro. Na cave o gato se esconde solitário, porque sabe do perigo das aproximações. Mas o cachorro, esse se revela e se expõe com inocência, Aqui estou!

Lygia Fagundes Telles
A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Nota: Trechos do conto Sou um Gato.

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Agora a poeira abaixou
Que se dane quem errou
Tô indo aí pra te pedir desculpa, amor

Caia sobre nós a “poeira” que Jesus levantou na Galileia.

“Aqui mora quem ontem era poeira de estrelas e amanhã será pó de ilusões”.

Tiago Szymel

“Dizem que somos instantes, outros que somos centelhas. É só poeira e pó indo para lugar nenhum ou tentando apenas chegar no dia seguinte”.

Tiago Szymel

Sou poeira ao vento, sou o vento que forma as ondas do mar, sou o anjo que anunciou a luz ao mundo, sou o bom e o ruim começo e fim, sou poema da noite escura, sou a música que você mais escuta.