Pingos de Chuva
A saudade abraça-me
mais forte em dias de chuva,
na gentileza dos pingos
sentindo na pele
a trazer-me lembranças.
Uma chuva que pede sono também pede edredom.
Uma chuva com muitos pingos tem seu próprio som.
Já o chuvisco é mansinho, bate de levezinho feito versinho.
No céu, muita água parada é sinal de chuva agitada ou chuvarada.
Época de inverno tem mais chuva a temer do que sol aquecer.
Durante a noite não dá pra ouvir, e durante o dia eu só quero dormir.
A chuva me lembra dia de café quente e bolinho.
Dia de chuva é dia de denguinho, carinho.
Hoje tem chuva, tem sono, tem edredom literalmente, mas antes, tem chocolate quente.
Chuva, café e um clima frio nos primeiros dias do mês. O pensamento vai longe. Conto os pingos que caem e se amontoam na janela do quarto. Nenhum desses pingos é igual, penso eu com os meus botões. Ser igual para que mesmo?
As grades da janela transmitem a estranha sensação de aprisionamento. Mas nem as grades, nem a sensação estranha e nem a tarde chuvosa e fria conseguem conter os pensamentos que, livres por natureza, correm de encontro ao que me faz bem.
Os dias têm sido intermináveis e rotineiros. Os afazeres e os compromissos me consomem. Os problemas diários também. Não tem para onde correr. Tem que ficar e resolver. Mas ai de mim ou de nós, meros mortais, se não existissem as lembranças e a capacidade de nos transportar aos momentos que nos preenchem e que, em dias chuvosos e frios como os de hoje, nos fazem carinhos na alma.
A sensação de bem estar vem com um dia de sol. Uma simples espera por um café na padaria. Mas não é qualquer café. Tem o café, os carros passando, e a moça que passa com o filho logo cedo, e aquele senhor que não tem dias cheios, mas que, mesmo assim, passa apressadamente para algo ou para alguém. Peço um suco, e fico admirando as pessoas que vem e vão. E de repente, meu café da manhã se transforma em risos e sorrisos. E o vazio preenchido.
Eu gosto de tomar o tal café na padaria. E gosto de andar pela rua como se ela fosse somente nossa. Gosto de almoçar no mesmo lugar e dizer que eu não sei cozinhar aquela comida. Gosto de ouvir você falando e fazendo planos. E eu me dou conta de que eu quero ouvir você falando e fazendo planos, em todos os almoços em que eu puder te ver comendo e falando ao telefone ao mesmo tempo.
Eu quero o café. O almoço. E a tarde de sol na praia. Eu quero mãos dadas. Eu quero te olhar e pensar que você é uma criança grande e descobrir que, apesar de tanta escuridão e confusão que teimam em nublar os meus dias, você ainda é aquele dia de sol que me acompanha e aquece a alma.
Olho dá janela, para a chuva que não quer passar, assistindo o ritmo dos pingos ao cair no chão, lembro da saudade que está presa no coração.
Aí vem a parte que dar medo, a tal da solidão.
SILÊNCIO
Que longo silêncio nos consome
Que até o pingo suave da chuva
Retumba seco
E ecoa na alma
Que até a freada de um carro distante
Se torna presente
e freia minha fala
tímida
tremula
E rasa
Que longo silêncio
Que derruba calado
Nosso olhar desviado
Para o canto da sala
E no canto que cruzam
Paira o longo silêncio
Paira o pingo da chuva
E outro carro que freia
E a mão que não toca
E o calor que não vem
Pois a fala apertada
Sem querer quase fala
Que no canto da sala
O olhar que não cruza
Já cruzou outro alguém
A chuva cai do céu trazendo consigo mensagens de amor e cor. Seus pingos são como saborosos doces que nos trazem calor e alegria. Ela nos lembra de sensibilidade, empatia, intelectualidade e visualidade. A chuva é um símbolo de beleza, amor e esperança.
Ouço a música da chuva, cada pingo de água é um acorde no piano e as gotas são como notas de teclado. A chuva é a melodia que embala a minha noite, um som relaxante e repleto de beleza.
O pingo da chuva é como o teclado, cada gota uma nota do piano. Cada gota como um acorde, compondo uma música que encanta os nossos sentidos. A melodia nos presenteia com sua beleza e tranquilidade, nos deixando deliciados com o som da natureza.
A gotinha de chuva é uma beleza espiritual e emocional que desperta nossa admiração. Cada pingo é uma obra de arte, com suas próprias cores e formas únicas. O pingo vivo traz vida a todos os detalhes, desde a sua brilhante reflexão na superfície, até as suas delicadas e suaves curvas. Essa maravilhosa obra de arte espiritual nos encoraja a ver a beleza da natureza e a nos conectar com o mundo que nos rodeia.
Chuva
Olho pela janela aquela chuva escorrendo
escutando o barulho dos pingos de água
sentindo o cheiro de terra molhada
enquanto relembro uma época feliz
sem muito para se preocupar.
Vejo a chuva se acalmar e um arco-íris a se formar.
Chorar na chuva, é se molhar duas vezes...
...com os pingos que se secam com o passar das horas,
e com as lágrimas que não se enxugaram com o tempo!
É a chuva derramando-se como cascata prateada
Saltam os pingos que despertam a criança adormecida
A sonhadora entorpecida de amores
Que insiste em enxergar magias onde todos vêem dor
Hipnotizante ping ping da calha ...
Me dá asas para nadar até onde a realidade termina
Em um mar de água turquesa e céu de prata
Ping, ping... lá vou eu
Corpo relaxado nas cobertas
Alma alada de fada voando para casa...
Boa noite e bom descanso a todos!
Cai chuva mansa com seus pingos dançando no chão...
Cai chuva mansa molhando o jardim e a plantação...
Cai chuva mansa, vem amolecer meu coração...
porfia
cadenciado, um pingo e outro
porfia quantia
a chuva no cerrado
refrescante poesia...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
30 agosto, 2022, 05’48” – Araguari, MG
queria saber ser pingo de chuva, mas só sei ser tempestade,
queria saber ser moderado, mas só sei ser intensidade..
Como o caminhar de uma garota em um dia de chuva,
Ouço os sons dos pingos em meu guarda-chuva,
Passo a passo, sinto o frio de meus sapatos encharcados,
Observo os carros ao meu redor
Encandeando-me com aquelas avulsas luzes que perpassam sobre mim,
O violão está dentro da bolsa, mas suas notas saltam no ar
Juntando-se as estrelas e cantando a canção que me faz chorar junto as nuvens.
