Pertencer
PERTENCER (05/1979)
Santo, peregrino faceiro
Peco e tu perdoais-me
Forma que tu, qualidade divina
Mostras o que és.
Brilhar na vida
Ser faceiro peregrino
É ser Santo?
Ou pertencer a satã?
Com crueldade e pertinência
Usando da nossa inocência
Faz com que sejamos pecaminosos
Talvez para fazer mostrar sua qualidade de Santo.
E nos coloca em uma roda viva
Envolvendo o mundo com justiça
Para ser Rei hoje e amanhã
E em cada manhã seguinte é Santo pelas idiotices.
Como há séculos
Peregrino e Santo faceiro,
Pertenço a Ti
Assim como a humanidade diz pertencer.
De um farsante
Peregrino
Que se diz Cristo
Em cada amanhecer.
No quilombo, a vida nasce enraizada na ancestralidade.
Pertencer é direito, e toda criança nasce realeza.
Tem coisas que o tempo é inábil a levar, tem almas que mesmo separadas nunca deixarão de pertencer-se.
Flávia Abib
Não Pertencimento
Essa angústia de ser sem pertencer
esse tormento que assombra o pensamento
essa agonia de ter que conviver
com esse sentimento causando sofrimento
Esse silêncio ensurdecedor
essa voz que cala por dentro
essa verdade causando dor
essa pausa necessária no tempo
E aquela felicidade que parecia infinita?
aquela vontade de ficar tão perto
aquela saudade bendita
aquele desejo de dar tudo certo
Aquela dúvida causando confusão
aquela sede insaciável
aquele contato em combustão
e aquele apetite inesgotável?
Uma vontade imensa de querer ser
mas um vazio enorme por não pertencer
um lamentável desprazer
colocando tudo a perder.
Contigo somente existe
a possibilidade teleológica
de pertencer sem volta,
A conversa simples e dialógica,
e o silêncio que revigora,
Com direito a cabeça apoiada
no seu ombro com direito
as boas feituras e partilhas
da memória conjunta analógica,
Com presença satisfatória
um dando na boca do outro
austrais Morangos-da-costa
com toda a delícia amorosa.
O luxo do teu amor
sei que me pertence,
Como nunca deixe
de pertencer-te,
Você me puxou
pela mão e me deu
uma fita de cetim
para dançar contigo
a Dança do Tipiti,
Deste dia bonito
jamais me esqueci.
O conflito não está no clima externo, mas na guerra interna entre o desejo de pertencer e a urgência de se proteger. Não se trata de superar a frieza do mundo, mas de derreter a geleira construída ao redor da própria essência para que o calor possa fluir.
Cuide bem daquilo que ficou, porque por mais que não esteja com você aquilo ainda pode te pertencer..
O orgulho de pertencer a um lugar, religião ou torcida, é bom até certo ponto: até o ponto em que não haja preconceito.
É difícil ter consciência de pertencer a si próprio, reconhecer-se em si, deixando de ver-se pelo reflexo/imagem através da sociedade/espelho.
A vantagem de não pertencer a nenhuma panelinha é nunca fazer parte das fofocas e ter o tempo integralmente útil e mais produtivo.
O vigor cultural de um país depende de um e um só fator: a liderança intelectual tem de pertencer aos melhores e mais capacitados, não àqueles cuja fraqueza e inépcia buscam proteção no apoio grupal, na solidariedade corporativa e na mobilização de exércitos de mexeriqueiros.
Proteger alguém significa dar a essa pessoa um lugar para pertencer. Oferecer a ela um lugar onde possa ser feliz.
(Rayneshia El-Arte Corwen)
O Futuro… I
Por a ninguém pertencer, o futuro;
É algo, que a nós se dá, pra passar;
Mas por ter nele, um achar inseguro;
Tem algo que a nós vem ultrapassar!
Por todo o consciente, ser presente;
Logo, não ter em tal, futuro achado;
Vivámo-lo, esquecendo o tal ausente;
Vivámo-lo enquanto em nós encontrado!
Por isso olhemos bem para o passado;
Neste presente, em que: vivos estamos;
Para vermos o nele, bom deixado;
Para adquirirmos dele, o tal legado;
Para fazermos tudo o que gostamos;
Com base, só no bom; passado achado.
Com precaução e sem pressas;
