Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

Cerca de 920939 frases e pensamentos: Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

A juventude é apenas ansiedade. Igualmente quando você não consegue esperar um açúcar derreter no café.

Se a historia não é sobre o espectador, ele não vai ouvir.

John Steinbeck
A leste do Éden (1952).

A disciplina constrói o destino que a motivação não sustenta

O voto não tem volta. A responsabilidade é sua.


Benê Morais
⁠

"Hoje em dia há filhos que não escutam nem o pai e nem a mãe; damos conselhos e eles não estão nem aí, só Deus para ter misericórdia."

O medo provocador é o labirinto de catarse cinzelado pelo abismo, que não busca a nossa queda, mas nos força a queimar as próprias sombras para decifrar o enigma da força.
Reno Fioraso

E no instante em que tudo for bom, algo não se fará mais presente dentro do ser!

A Verdadeira Vitória é Íntima


Não existe satisfação maior para a alma do que olhar para trás e perceber que vencemos um desafio que julgávamos impossível. O verdadeiro prazer de lutar não está em derrotar os outros ou em provar algo para o mundo, mas em superar os nossos próprios limites. Cada barreira material ou emocional que quebramos no dia a dia é um troféu silencioso que a nossa consciência conquista. Olhe para a sua trajetória com orgulho. Cada passo dado com esforço e dedicação aproxima você do seu verdadeiro potencial, transformando o cansaço da batalha na alegria da colheita.

⁠Apenas se importe - II
Não consigo imaginar que alguém realmente piscaria antes de tomar uma posição resoluta contra essas coisas, contra matar, desprezar (pois mata tanto quanto uma arma).
Além de nações e nacionalidades fabricadas, preconceitos ideológicos e movimentos de xadrez geopolíticos.
É preciso estar do outro lado da ameaça para não desejá-la para o outro?
ouvir o som ensurdecedor de mísseis e jatos militares
contemplar todos os tons de cinza em um céu matinal.
cheirar a morte.
perder lamentavelmente um ente querido.
ver o terror nos olhos de um pai e uma avó e presenciar a fragilidade da pele humana?
Vejam que estou sendo mais direcionado por minha mente a citar guerras e guerras e guerras. Mas tanto quanto as guerras literais, o que ocorre nos bairros miseráveis, sujos e desprovidos de cuidados da administração do Estado, fazem parte dessa tal “guerra”.
Se é verdade que os líderes mundiais são o reflexo sombrio de nossa psique coletiva, então você é importante.
E você importa muito.
Sua semente de empatia é importante.
Por mais árdua que seja, sua vontade de ser responsável é importante.
Russo, ucraniano, sírio, líbio, iemenita, palestino, israelense, iraquiano, Iraniano, americano, libanês e **** favelados **** são todos nomes de marcas defensivas para uma divisão ilusória.

Paulo H Salah Din

⁠Apenas se importe – III
Você não é nada disso.
Você é humano.

A humanidade não tem limites.

A consciência não tem fronteiras. E você é isso.

Como parte dos padrões e processos atemporais que compõem a saga humana em cada instante precioso, o que você faria hoje para mudar o comprimento de onda do coletivo?
O que você faria para reconciliar a perspectiva binária que impusemos à nossa existência unitária
O que você faria para sonhar um sonho coletivo melhor?
O que você faria?
****************Simplesmente se importe.******************
E se o fizer, importe-se um pouco mais.
E se você deixou de se importar, se preocupe em saber o porquê.
_____________________________________________________________
Quando você começou a ensaiar a couraça preventiva de não se importar o suficiente - para evitar dor e danos emocionais?
_____________________________________________________________

Cuide porque cada parte verdadeira de sua humanidade anseia por cuidar.
Porque você foi feito para cuidar.
Eu me importo.
“Não voltarei a um universo
de objetos que não se conhecem,
como se as ilhas não fossem as crianças perdidas
de um grande continente.” _Monet_
E só para ser ácido: crer, ter fé, não tem nada a ver com cristianismo, islamismo, judaísmo ou qualquer outro “ismo” que por ventura alguém professe.
Paulo H Salah Din

⁠Viaje, mas não para fugir
Sente-se sozinho, mas não para se esconder
Olhe, mas não para preencher
Veja, mas não para encontrar
reconheça, mas não para nomear
possua, mas não para reivindicar
Ame, mas não possua
maravilhe-se, mas não fique obcecado
Aspire, mas não alcance
ensina, mas não pregue
confie, mas não espere
desista, mas não desista
Pergunte, mas não para dar significado
observe, mas não julgue
conecte-se, mas não divida
pertença, mas não se encaixe
Deseje, mas não se satisfaça
individualize, mas não identifique

Paulo H Salah Din

⁠Não sussurre no meu ouvido "só vivemos uma vez".
Nós não.
Vivemos infinitamente.
Eternamente,
Condenado a um "requintado para sempre".

Ela deixa ir.

E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota.

As folhas caem e ninguém pede desculpa.

O tronco continua.

E de algum jeito que ninguém explica direito, isso ainda é vida.

PARA QUE SERVE POESIA?
Dizem que poesia não enche a barriga.
E estão certos.
Também não troca o óleo do carro, não paga o aluguel atrasado nem impede que o mundo continue fabricando idiotas em série.
Mas experimente viver sem ela.
A vida vira uma fábrica. Um relógio. Uma fila. Você acorda, trabalha, sorri por obrigação, envelhece e morre sem nunca ter descoberto quem estava respirando dentro da sua própria pele.
A poesia é o que sobra quando todas as desculpas acabam.
Ela é o sujeito bêbado olhando a chuva pela janela e percebendo que ainda existe alguma coisa que dinheiro nenhum consegue comprar. É a mulher que ri no momento errado. É o velho cachorro esperando o dono voltar. É o silêncio entre dois amantes que já disseram tudo.
O mundo vive perguntando para que serve a poesia.
É a pergunta errada.
Ninguém pergunta para que serve um pôr do sol. Um beijo. Uma gargalhada. Um coração que insiste em bater depois de ter sido partido vinte vezes.
A poesia serve ao mesmo propósito de continuar vivo quando tudo ao redor parece empenhado em convencer você de que sobreviver já é suficiente.
E sobreviver...
Isso qualquer máquina faz.
Viver exige versos.

*DENTADA*
Te invadi.
Te ocupei.
Não foi guerra.
Foi convite.


A boca veio sem pedir licença
e assinou na pele o recibo:
estive aqui.
Com fome.


Não tem sangue, tem marca.
Roxo que vira amarelo,
depois some.
Efêmero como tudo que queima.


Ninguém bateu.
Ninguém prendeu.
Foi mordida de quem sabe
que a carne é fruta
e a noite é curta.


Não me venha com culpa.
Culpa é pra quem reza.
Aqui a gente devora.
Sem faca, sem garfo,
só dente e vontade.


A marca fica dois dias.
A lembrança fica dois anos.
A tensão não conta tempo.
Ela mora entre a pele e o lençol,
naquele lugar onde o arrepio
ainda não decidiu
se é medo ou se é mais.


Não foi castigo.
Foi assinatura.
Um carimbo de "estive viva"
num corpo que esquece rápido
mas que, por um segundo,
quis ser banquete.


E se amanhã não tiver nome,
pelo menos teve gosto.
E o gosto,
ninguém tira.

Houve um tempo em que ele acreditava que pisaria num foguete. Não porque gostasse de ciência. Porque toda criança precisa inventar um céu onde a vida pareça valer a pena. O foguete nunca foi um veículo. Era uma mentira bonita. Daquelas que se contam para não perceber cedo demais que o mundo costuma distribuir mais boletos do que milagres.


Depois vieram os quarenta.


A idade em que o espelho deixa de fazer gentilezas.


Ali ficou claro que nenhum foguete pisaria o quintal daquela casa. Restou o café frio, os bares de luz amarela, algumas mulheres que passaram como chuva de verão e amigos que aprenderam a sorrir para fotografias enquanto enterravam silenciosamente a própria fome de existir. Ele ainda procurava alguma coisa. Não sabia o nome. Chamava de sentido porque qualquer palavra menor pareceria covardia.


Agora vieram os sessenta e dois.


A essa altura, não dói apenas o corpo. Doem as expectativas que sobreviveram tempo demais.


Os dias se parecem com copos vazios esperando por uma bebida que nunca chega. Não é exatamente tristeza. É um cansaço antigo. Um animal velho dormindo no peito.


Às vezes, observa uma folha cair da árvore.


E sente um impulso ridículo de colocá-la de volta no galho.


Como quem pudesse devolver um casamento ao começo, uma amizade ao primeiro abraço, um pai à juventude, um amor ao instante em que ainda não conhecia a despedida.


Mas folhas não voltam.


Nem pessoas.


Nem o tempo.


Todo mundo merece um dia melhor, pensa ele. O problema é que ninguém ensina o caminho. Ensinam a produzir, competir, acumular, parecer feliz. Nunca a existir.


Durante muitos anos procurou sua rainha da beleza.


Não a mulher das revistas.


Essa morre quando a maquiagem encontra a primeira lágrima.


A rainha que procurava tinha outra anatomia. Beleza sentimental. Inteligência que abraça sem tocar. Capacidade de permanecer em silêncio sem transformar o silêncio em distância. Uma mulher cuja alma não estivesse à venda por curtidas, status ou conveniências.


Ainda procura.


Talvez ela também esteja perdida em algum balcão de bar, fingindo que o gelo do copo basta para resfriar a solidão.


Olha para antigos amigos.


Todos parecem brilhar.


Casas maiores.


Carros melhores.


Viagens.


Sorrisos impecáveis.


Mas ele já não acredita tanto na luz.


Aprendeu que existe um sol artificial iluminando a terra da normalização.


Lá, o verbo ser foi lentamente assassinado pelo verbo ter.


As pessoas compram identidades em prestações.


Vendem a própria autenticidade em troca de aprovação.


Sorriem como quem cumpre expediente.


Abraçam como quem assina um contrato.


A empatia virou artigo de luxo.


A delicadeza, uma excentricidade.


A verdade, inconveniente.


Talvez seja por isso que se sinta preso numa bolha.


De um lado, o mundo do faz de conta.


Do outro, um mundo real que quase ninguém parece querer habitar.


Nesse lugar antigo, os valores ainda tinham peso. A palavra ainda valia mais que uma assinatura. O afeto não precisava produzir conteúdo. A dor podia existir sem virar espetáculo.


Talvez o erro nunca tenha sido do mundo.


Talvez tenha sido nascer acreditando que honestidade seria suficiente.


Ainda assim, todas as manhãs ele acende um cigarro imaginário para conversar com as próprias ruínas. Serve um copo como quem brinda aos mortos, aos amores que não vieram, aos sonhos que explodiram antes da decolagem.


E continua vivo.


Não porque espere um foguete.


Nem porque a felicidade esteja logo ali na esquina.


Continua vivo porque existe uma estranha dignidade em permanecer inteiro quando tudo ao redor insiste em ensinar a arte de apodrecer por dentro.


Talvez seja isso envelhecer.


Descobrir que o mundo nunca prometeu salvação.


E, mesmo assim, recusar-se a chamar de vida essa enorme coleção de sorrisos emprestados

A HUMANIDADE MORRE EM SILÊNCIO: A INDIFERENÇA TEM MÃOS LIMPAS
A cidade fede.
Não por causa do esgoto.
É o cheiro da consciência apodrecendo devagar.
Você aprende isso quando passa dos sessenta.
Os anos deixam marcas onde antes havia certezas. O espelho passa a contar verdades que ninguém pediu para ouvir. Alguns amigos viram fotografias, outros apenas silêncio. Os cães que juravam amor eterno descansam sob a terra. Os balcões onde você gastou madrugadas cedem lugar a farmácias e franquias. Algumas mulheres levam consigo os planos que um dia pareciam indestrutíveis. E a vida, insolente, sequer diminui o passo. Amanhece do mesmo jeito, como se nenhuma ausência merecesse um minuto de luto.
O problema nunca foram os assassinos.
Eles são poucos.
O problema sempre foi essa multidão de gente decente.
Os que dizem:
"Não é comigo."
Essa frase matou mais gente do que qualquer exército.
Todo império foi construído sobre ela.
Toda cruz.
Toda bomba.
Toda criança enterrada antes do tempo.
Você quer encontrar o diabo?
Não procure chifres.
Procure conforto.
Ele mora ali.
Na poltrona.
No controle remoto.
No dedo que desliza pela tela para não olhar uma fotografia de guerra por mais de três segundos.
A alma não morre de uma vez.
Ela enferruja.
Primeiro deixa de sentir o mendigo.
Depois deixa de sentir o velho.
Depois a mulher espancada.
Depois a criança.
Quando percebe, já não sente nem a própria dor.
Só o vazio.
E chama isso de maturidade.
Que piada.
Passei tempo demais em bares para acreditar em gente iluminada.
Conheci bêbados mais honestos que muitos santos.
Pelo menos eles admitiam que estavam quebrados.
Os outros escondem a podridão atrás de sorrisos bem escovados e frases motivacionais.
A espiritualidade, se existe alguma, nunca esteve nos altares.
Ela aparece quando a dor de um desconhecido estraga o seu sono.
Quando você não consegue terminar o café porque uma notícia ficou presa na garganta.
Quando percebe que nenhuma fronteira impede um coração de reconhecer outro coração.
Nesse instante você entende uma coisa terrível.
Nunca existiram "eles".
Sempre fomos "nós".
E essa é a pior notícia que alguém pode receber.
Porque acaba a desculpa.
Acaba Deus levando a culpa.
Acaba o governo.
Acaba o destino.
Sobra você.
Você e a escolha ridiculamente simples que a maioria evita fazer.
Importar-se.
Não para parecer bom.
Não para ganhar o céu.
Nem para aliviar a consciência.
Importar-se porque, no dia em que a dor do outro deixar de atravessar o seu peito, você continuará andando, falando e pagando contas...
...mas a única coisa realmente viva dentro de você já terá ido embora.

Continuar

Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.

A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.

O problema nunca foi morrer.

O problema sempre foi continuar.

Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.

É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.

Há quem chame isso de esperança.

Eu não.

Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.

Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.

Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.

No fim, a coragem raramente grita.

Ela apenas respira.

E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.

Há perguntas que não têm remédio.
E isso não é uma tragédia. É uma libertação.
Passamos anos tentando consertar aquilo que nasceu para não ser consertado. Procuramos respostas como quem revira os bolsos de um casaco velho atrás de uma chave que nunca existiu. Enquanto isso, a vida passa pela porta da frente, acende um cigarro, sorri de lado e vai embora.
Há dores que não serão curadas.
Então estão curadas.
Porque a única cirurgia possível é aceitar que elas continuarão caminhando ao nosso lado.
A decisão sempre foi nossa.
Mas, por favor, caminhe com empatia. Todo mundo carrega um cadáver invisível nas costas. Uns escondem melhor. Outros bebem. Outros rezam. Outros escrevem. No fim, todos sangram.
O verdadeiro horror nunca foi sofrer.
O verdadeiro horror é morrer antes da morte.
É viver como uma máquina programada para acordar, trabalhar, consumir, dormir e repetir. É escolher a segurança como quem escolhe uma cela confortável.
Sempre imaginei a zona de conforto como um quarto mofado.
O cheiro de umidade impregnado nas paredes.
Uma luz fraca que nunca chega a iluminar nada.
Nenhuma janela.
Nenhum vento.
Nenhum risco.
Nenhuma possibilidade.
Só a lenta decomposição de alguém que ainda respira.
Não tente viver ali.
A vida não pede anestesia.
Ela pede presença.
Sem dor não existe profundidade.
Sem prazer não existe lembrança.
Sem paixão não existe história.
O fracasso nunca foi o inimigo.
O horror é nunca ter tentado.
Nada é tão urgente quanto dizem.
Nem dinheiro.
Nem prestígio.
Nem a opinião de quem sequer conhece o seu nome.
Urgente é viver.
Porque a mente humana é um universo sem cercas. Ela consegue revisitar o passado, inventar futuros, criar mundos inteiros enquanto o corpo permanece sentado numa cadeira qualquer.
Somos infinitos por dentro e temporários por fora.
Essa talvez seja a piada mais bonita do universo.
Então viva.
Até aquele instante inevitável que ninguém negocia.
Quando esse dia chegar, que encontre em você cicatrizes e não ferrugem.
Seja visceral.
Seja sanguíneo.
Não esconda as desilusões.
Não esconda as decepções.
Elas nunca foram o fim da estrada.
Foram o asfalto.
Talvez a missão que tanto perguntamos ao céu nunca tenha sido vencer.
Talvez fosse simplesmente atravessar.
Continuar andando mesmo depois de perder a fé nas placas.
Mesmo depois de descobrir que ninguém virá nos salvar.
Se as desilusões quase o mataram...
Acorde.
Quase.
Não mataram.
Você ainda está aqui.
Ainda respira.
Ainda pode amar.
Ainda pode quebrar a cara de novo.
Ainda pode rir alto de si mesmo.
Ainda pode incendiar esse quarto mofado e abrir uma janela.
E, quanto a mim...
Escrevo.
Porque existem coisas que não podem permanecer dentro de um homem.
Se eu não colocar para fora,
eu explodo.

O pior tipo de gente não é a que sangra.
É a que transforma o próprio sangue em licença para fazer os outros sangrarem.
Toda tragédia merece memória. O Holocausto merece memória. Não para fabricar santos, mas para lembrar do que o homem é capaz quando decide que existe uma raça, uma religião ou um povo que vale menos que ele.
Mas a memória apodrece quando vira escudo.
Quando um crime de ontem passa a ser usado como salvo-conduto para justificar o sofrimento de hoje, a história deixa de ensinar e começa a servir de álibi.
Não existe povo imune à crueldade.
Quem sobreviveu ao horror não recebe, por isso, um certificado de inocência eterna. O poder corrói qualquer bandeira. Corrói qualquer governo. Corrói qualquer fé.
Se alguém grita pela morte de outro povo, pouco importa o idioma, a religião ou a bandeira que carrega. O ódio continua sendo o mesmo animal. Apenas muda de uniforme.
Os mortos não escolhem lados.
São os vivos que escolhem transformar cadáveres em propaganda.
E talvez essa seja a maior obscenidade de todas: usar os fantasmas de ontem para impedir que o mundo enxergue os cadáveres de hoje.