Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
Os motores aos ouvidos em dores; os odores do carbono a calhar; o cruzar de mil pernas; as janelas com visão limitada e a empreitada de ser e estar.
De uma forma deveras palpável a grafia renasce no arcabouço, vindo de uma sensação mutável e tornando-se finalizada ante o esboço.
O animal irracional à procura de humanos fareja os destroços; o bicho homem com sua loucura vitimiza o cão dócil.
Imaginação em aquarela, verve que grita, canta os pássaros e coração palpita; a pureza que se acredita olhando nos olhos dela.
Fico pensando na vida, rabiscando besteiras, deitado na rede, sentindo a brisa, o sol na frente, a mente na pista, coração latente e a saudade vigarista. Nessa minha forçada aposentadoria, sem você, aposentei-me do viver.
Pés são peritos em caminhos e histórias, e ao longo do tempo vão deixando as marcas que somem com as águas, com os ventos, com as mágoas e memórias.
Um ano desponta e aparecem novas perspectivas, pois sabemos que devemos dar o nosso melhor nos próximos 365 dias. Vamos usar a energia e inspiração para a afabilidade, vivendo com paixão, alma e o café quentes, colando o sorriso nos dentes e até ter o gosto de dar o passo maior que a perna, mas consciente e eternamente pra frente.
Precisamos de larga boca e nada oca, a mente. Mente aquele que no medo, em segredo, no paladar do azedo, se engana dizendo que não ama e não segue passo à frente.
O tal vento cruel e birrento soprou ao meu ouvido como uma fera grunhindo e nada adiantou, só a cera espalhou.
Ficam tempos de acertos e erros, ficam berros que ecoam em intentos, e na nuvem a premissa do restauro da curva que faz reta uma estrada mais turva.
Essa minha metafórica escuridão saiu do incoerente ostracismo, viu a luz do dia e subiu até a nuvem mais supina, fez vigília, até que do nada resolveu tornar-se arco-íris.
Em seus tronos na zona de conforto estão otimistas os deuses de todos. Roupas alvas, flores brancas e o sol desbotando as flâmulas.
Tentou a multidão prender-me a pena,
com muitos subterfúgios mal pintados;
peguei na lapiseira mais pequena,
pintei dez mil pavões pelos montados.
Vazios existem, mas devem ser preenchidos com aquilo que, de verdade, vale a pena, pois ao me abrir para as coisas que valem a pena, eu percebo a grandiosidade da presença de um Deus que transforma tudo.
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