Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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PROCISSÃO

Quando eu não tiver nada ainda terei as palavras

Terei o silencio e a virtude de saber não possuir

E as minhas palavras dar-se-ão as mãos

Numa ciranda a cantar poemas a edificar a solidão

E a minha solidão povoa,

Pavão, pavoa, encantos, penas e cantos

Leitos, lagoas, embarcação, canoas

Uma procissão, uma novena,

Meu verso vai de Tóquio a Cartagena

Porque minhalma não é pequena,

Minha estrofe é forte e minha verdade serena

E o meu silencio não dói; não dói quando passa a tarde

Quando passa o rio, quando passa o vento,

O meu silencio só dói quando passa o sentimento

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Depois da meia noite eu não sei quem

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DEZ OLINDAS
se ela não fosse bonita
com a beleza que eu vejo
ela já era linda

mas ela era bonita
com a beleza que eu penso
e a beleza que eu penso,
penso mais que dez Olindas

tinha todos os deslimites
que a beleza do mar
tinha a imensidão do sonho
e o sonho imenso de amar

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CORPOS SANTOS
Acho que ainda não é meia noite,
Quem dividiu a noite eu não sei,
Mas está tudo bem silencioso,
Está meio medroso, o carro preto veio...
Todavia eu procuro umas palavras,
Eu procuro umas palavras,
Umas palavras eu procuro.
Além do muro onde me escondo
Um mocho grasna seu agouro fúnebre,
Esse silêncio tenso tem o timbre do mais triste escuro

O carro preto... o carro preto às vezes é prata,
Às vezes é vermelho, as vezes é branco
Para cobrar vem como um raio
Vem como um relâmpago

Acho que ainda não é meia noite e o pipocar da vida
Abrindo feridas em tantos corpos santos;
Jazem no asfalto anjos sem mantos sob a luz da lua
Seus corpos tatuam pra afastar o medo
Eu procuro palavras... eu procuro palavras
Pra descrever a morte

Acho que ainda não é meia noite...
Quem dividiu a noite pra mim ainda é segredo
Nesse contexto. me parece, morrer é muita sorte
E viver não passa que morrer de medo

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O ANO PASSADO
Depois do meu milésimo ano...não, eu não sou nenhum vampiro, muito menos Matusalem, só conjecturo sobre vidas passadas que provavelmente possa ter vivido. só queria uma lembrança mais marcante do ano passado; é exatamente isso, o ano passado; não ao pé da letra, não literalmente. Sabe aquela foto desfocada que amarelou e você tenta decifrar os detalhes, mas o perfume daquele tempo ainda invade as tuas narinas... ah, o ano passado! assim a Aldeota deixou aquela fragrância em mim; suas torres perfuravam meu coração, seus condomínios que encarceravam meus fantásmas, seus prédios que usurpavam minhas paisagens; baby sitters que me seduziam ou só abusavam do meu encanto. O ano passado, quando na foto você percebe que aquela roupa era ridícula que o penteado era brega, mas uma magia fascinava tudo romanticamente, pois ainda havia a esperança, a ilusão de que tudo teria melhores perspectivas, não é o caso desse nosso presente... então percebemos que o ano passado foi melhor e que o ano anterior ao ano passado foi melhor ainda. Acumulamos decepções, desilusões; os sorrisos parecem mais deboches, os gestos, uns escrachos e a realidade caminha capenga e escarpada como uma ameaça ao que tínhamos de esperança.
Ainda me levanto pela manhã crendo que um anjo refrigera a brisa que bate-me no rosto e seus raios de sol doura nos a pele como um consolo ao que de imbecil espora nos as costelas e presenças nocivas que me fazem querer de volta o ano passado

Inserida por tadeumemoria

ADEUSES
Ainda não falei sobre os adeuses...
as vezes era noite, as vezes era dia, as vezes eu perdia a noção do tempo,
ou eu ainda não tinha noção de nada...
hoje diria que perdi muitos outonos, que despetalaram as primaveras, ou talvez atordoado... tantos "jabs" me deixassem grogue, e eu olhasse cuidadosamente as dependências farejando qualquer resquício de uma presença, de uma ausência num utensílio numa peça de roupa esquecida. A solidão sempre faz surgir fantasmas pelos corredores, barulhos de passos, sussurros, um grilo impertinente, até que o espelho da penteadeira reflete as lágrimas tardias que não caíram no momento da despedida. Xícaras copos, pratos, colheres e migalhas silenciam o colóquio dos últimos momentos de despedida; fica então, tudo tão quieto, e uma brisa vinda não se sabe de onde sopra fria...

Inserida por tadeumemoria

⁠Triste eu não fico
Eu dou qualquer motivo pra felicidade
Eu canto uma canção de amor,
Eu planto uma flor, eu faço uma viagem
Que solidão que nada, eu flerto com a lua
Paquero as estrelas até de madrugada...
A minha namorada ainda não é minha
Mas sorrir e se despe enquanto
Caminha suave na minha direção
Nos momentos mágicos das minhas fantasias...
Ou na monotonia da minha solidão

Inserida por tadeumemoria

⁠O que é solidão?
Eu não sei... está tudo tão escuro, tão silencioso.
Saudades?
eu tenho da saudade que eu tinha...
e agora eu não tenho mais.
o que eu sinto agora não tem nome,
não tem referência... é longe do longe,
vazio no vazio, frio no frio e indiferente
Sua referência é referência nenhuma;
solidão? eu não sei...
está tudo tão escuro, tão silencioso
pelo menos até que júpiter cante anunciando a matina...

Inserida por tadeumemoria

⁠Eu ainda não me entendo,
como pedir compreensão;
ainda não me percebo,
como pedir crepúsculos,
ainda não sei o que é amor,
onde e quando o amor faz bem ou mal,
a beleza se perde no fascínio de olhar,
mas perceber e intuir desencanta;
não é a solidão que nos faz sós,
somos nós solitários que fazemos a solidão,
então inventamos os ocasos
e tudo o que é inatingível como o horizonte;
o outro lado do rio é sempre o mais belo,
no outo lado da montanha é onde o sol se põe;
a terra prometida estará sempre
depois de algum deserto...
mas onde estaremos quando percebermos
o deserto que nos habita o ser?

Inserida por tadeumemoria

⁠Eu não sei se sou triste
ou se é só mais uma ilusão que eu alimento,
mas esta felicidade ninguém tira de mim...

Inserida por tadeumemoria

⁠Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus

Inserida por tadeumemoria

⁠depois que eu aprendi a ser feliz, toda esta ansiedade me devora
depois que eu descobri que não sou só, sinto me tão solitário
olhava o céu sozinho como se as estrelas fossem minhas, agora olho a lua e os astros e nada me pertence; quero te contar algum segredo, mas não é mais segredo o que eu quero... segredo é a ilusão que me mantém vivo, essa coisa que grita no meu silencio; eu não tenho mais controle do meu descontrole, agora eu penso, eu tenho certeza dessa incerteza, esse cair é o que me ampara...

Inserida por tadeumemoria

⁠Não quero entender a noite, nem as mulheres ou a primavera...
as coisas que eu amo têm um lugar seguro nesta minha fragilidade e a minha fragilidade ocupa o mundo.

Inserida por tadeumemoria

⁠E quando for verdade o que não for verdade
eu levo dessa cidade o que não for cidade
eu levo o tempo que eu não tenho
pelo tempo que eu tenho perdido...
eu acredito tanto que a vida pode mudar,
se mudarmos um tanto nesse acreditar;
ah, podemos ser felizes sim
mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção...
a vida é pródiga, a existência profícua...
temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã...
e o lago que eu imagino,
eu atravesso a nado como se fosse um menino,
mas, nada nada assim no nada...
o que não existe além do que eu imagino
se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar,
ainda sou um menino de cinquenta anos,
tenho minhas fantasias, ainda faço planos
ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia...
dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia
de me acreditar menino, de me acreditar poeta.

Inserida por tadeumemoria

⁠SOBRE AS ESTRELAS CADENTES
E A CADÊNCIA DAS ESTRELAS NO TEU OLHAR

Eu sei que não existe nada
além do que eu sei que não existe.

Inserida por tadeumemoria

⁠a minha verdade não é minha
e a minha essência é multidão
eu brinco de ciranda ao redor da montanha
de mãos dadas comigo mesmo
penso que sou feliz e isso é tão longínquo
que os rios me carregam
e as estradas me conduzem
em fila indiana até que eu caia de um crepúsculo
e ressurja no nascente e os primatas
que eu fui eram tão ternos,
tinham a ternura das tristezas e das indecisões
e isso fazia deles seres melhores do que hoje somos
agora eu fico sozinho comigo mesmo e os meus cromossomos
ora refletindo, ora contemplando
e eu me pergunto: será que eu não sou Deus?
porque afinal de contas, eu também sou solitário,
eu também sou triste, fico perdido no que me constitui
e no que compõe o meu DNA.
Primata? -Não, os dias gloriosos se foram;
preservei daquele símio só o angustiante prazer
de se entregar a paixão... e quando ela passa
iluminando o vale com sua aura, eu brinco de ciranda
de mãos dadas comigo mesmo ao redor da montanha
até que ela o encontra sob a copa de uma amendoeira frondosa
se abraçam terna e loucamente apaixonados
a fazer piscar de acanhamento astros há mil anos luz ...
e eu fico pensando: ah, se eu não fosse Deus...

Inserida por tadeumemoria

⁠ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo
de clima ou de temperatura
o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos
ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo
sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias

Inserida por tadeumemoria

Sangue é vermelho...
Veia é azul...
Eu sou louco mas não sou besta como YOU!!!

Inserida por HonorioNunes

⁠Um dia,
chegará aos meus ouvidos
que você morreu.
Ou vice-versa:
não chegar'eu.

Inserida por kikoarquer

⁠Eu tive um tio
que não bebia água.

A meninada sempre falava:
- O tio Augusto não bebe água!

A molecada então pensava:
- O tio é especial!
- Wow!
- Como vive o tio se tudo tem água?!

O tio estufava o peito e se orgulhava:
- Não conto! sorria de canto, se gabava.

O titio Augusto não precisava de água.
Pra ele bastava o palco e o cenário.
Crianças aplaudindo alto
um coitado encharcando o ordinário.

Inserida por kikoarquer