Palavra Sábia
Quer saber?
O tempo passa tão depressa
Sem que nada aconteça
Sem que se perceba
Que as horas fizeram fila
Organizadas
Caladas
E que cada uma passou sozinha
Isolada
Pela sua vida
Pela minha
Sem dizer nada
Qual se tudo fosse essa mesmice
Lentamente apressada
Que a gente quase que não teve tempo
Pra viver
Uma estrada
Uma porta jamais atendida
Apesar das batidas
Por isso foi só vivendo
Sem ver que o tempo passava
Por isso
Não viu
Não falou
Tampouco ouviu
Quase nada.
Edson Ricardo Paiva.
"É fácil saber o fácil
É tudo que nem todo mundo
É capaz de fazer
Outro igual, nem parecido"
Edson Ricardo Paiva
"A paz que trago no meu coração
Se deve ao fato de saber
Que esteja eu onde estiver
Terei sempre comigo
A pessoa que mais me amou nesta vida:
Eu mesmo."
Edson Ricardo Paiva.
Que sejamos gratos e felizes
Por não saber a verdade da vida
Pela nossa humanidade
Que busca e que erra
Seja a fonte de calor a luz do Sol
Não da verdade
Porque na verdade
Há mais calor cá, no centro da Terra
Seja branca ou vermelha
O nome da flor é rosa
Seja aquele que reza
Não importa a Deus quem se ajoelha
O nome do ardor é fé...é amor
O fogo que chamusca
Coração que busca até
Pois que a vida seja
Uma procura descompromissada
Quem pensa encontrar a verdade
Perscruta a verdade pretensa
Da mágoa sem cura
E nunca mais a busca
Vive o resto da vida feliz
Sem saber que não sabe nada
Escravo da própria humanidade
Na procura de quem erra e depois sofre à toa
A abelha debaixo da telha é mais feliz
Pois a abelha voa
A verdade da vida é um mel
Que desmancha na boca
Como é doce o sabor do que dura pouco!
É o remédio que faz doer
O saber do louco, a confusão do sábio
A ínfima diferença entre o muito e o pouco
No íntimo, o distúrbio
Nas fibras do teu coração
Que bate sem ritmo, a fraterna desilusão
A procura da verdade é uma jornada eterna
A vida não.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente esquece
É que a verdade vem
Talvez eu possa até
Não ter opinião formada
Sobre nada
Isso eu julgo uma conquista
Porque há tanta coisa além do que se vê
Quando a gente não se lembra
As velhas sombras se dissipam
Fica mais fácil de verdade
Enxergar a luz do Sol
Quando é fim de tarde...e a noite cai
Aquela hora à toa
Em que o elo entre a vontade e a fantasia
Flutua ao vento e foge até o dia de hoje
Momento entre o querer... e o que queria
Tem dias em que as horas passam lentas
Contudo, nada muda
É tudo uma questão
De ter ou não ponto de vista
Um lugar pra ir
E vários, onde nunca mais voltar
Quando a luz do fim de tarde clareia a visão
Eu posso, então... e enfim
Dizer aqui, só para mim, a direção
Pra onde cada ponto de luz irradia
Os raios de Sol se cruzam, se vão pro fim do mundo
Eu saio pra ver o Céu, abandono as ilusões
Vem invernos e outonos
Deixando atrás de si a certeza
Que o mundo esta aqui ainda
A visão que cada um, pode ou não, perceber
A imensa maioria nem se importa, ela pode até ser linda
Mas nem todo mundo que a olha, a vê
As horas continuam parecendo passar diferentes
Quando a gente nem se lembra
Nem se quer lembrar data nenhuma
A vida, ela precisa ser vivida
Não adianta perguntar porquê
Um dia depois de outro dia é mais provável
Pois a ordem do tempo é imutável
Pra tristeza ou alegria
No mais, tudo são névoas
Visões pela metade
São coisas que obscurecem
E não há como viver pra sempre assim
Porque a verdade vem sentar na flor lá da janela
Vem quando a gente nem se lembra mais
Qual era mesmo a versão que queria ouvir
Qual era mesmo a verdade
De quem não tem ponto de vista
Mas tinha sempre opinião.
Edson Ricardo Paiva
"Quando a gente esquece
É que a verdade vem
Talvez eu possa até
Não ter opinião formada
Sobre nada
Isso eu julgo uma conquista"
Edson Ricardo Paiva
"Que sejamos gratos e felizes
Por não saber a verdade da vida
Pela nossa humanidade
Que busca e que erra
Seja fonte de calor a luz do Sol
Não da verdade"
Edson Ricardo Paiva.
"O silêncio a tudo diz
e tudo faz sentido :
Era o encanto do não saber
que a brisa a soprar lá fora
depois de ir embora, não volta."
Edson Ricardo Paiva.
Me pergunto se imaginaria
Numa tarde qualquer
Limpando a fuligem da vida
Não saber-lhe a causa
Sem querer saber-lhe a origem
Nunca mais fixar-me no assunto
Eu, a vida e os calendários de papel
Papel que queimou quase sem razão
Pela simples razão de ser feita de papel a vida
Hoje, rabiscada e corroída
Já não dá pra entender quase nada
Coração se cala de papel passado
Que de tão passado se queimou, virou fuligem
Ao tentar deixar lá no passado da gente
É que então se percebe
Irremediavelmente junto a nós
Para um dia cavalgarmos juntos
Numa estrela sem céu
De outro céu sem estrelas
Mais um, de tantos que a vida deu
Quão distante a alguma madrugada
Rumo a uma tarde qualquer
Limpando a fuligem
Sem sequer saber se me perguntaria.
Edson Ricardo Paiva.
O Tempo.
O tempo é a nossa faculdade
De poder sentir o peso do abstrato
E faz saber que o inexistente existe
Não pelo amor, não pelo olfato
Talvez pelo eriçar, pelo arrepio
A milimétrica estrada
O serenar de toda rebeldia
O vento que a todos circunde
Um velho ribeirão
Que ainda circule ao nosso lado e ninguém veja
O dia a dia
O nada que a tudo esfria
Um bule no fogo apagado
Um deus impiedoso e exigente
Que leva da gente uma imagem de espelho
Nos põe de joelhos...nos tira
Todo sangue, todo riso e toda poesia
Todo mal necessário
A tudo que for fundamental
Mas que não for preciso
Uma alternância inevitável entre calor e frio
É alguém que vemos mais de perto
Quanto maior for a distância
É montanha e desmorona, e que se faz ravina
O vento a varrer as rochas
O rio que não se acumula
O findável que não tem fim
E que é, enfim, a toda graça da vida
Quando o olhar um dia aprende a ver sua medida
Pois não há régua que o meça
É água lenta, sem pressa
Assim é o tempo que se passa.
Edson Ricardo Paiva.
"a quantidade de coisas que ignoramos será sempre infinitamente superior às que sabemos. Isso é fato e não há nada que se possa fazer pra mudar essa realidade."
(a menos que você passe num concurso público pra trabalhar numa repartição repleta de marxistas, pois daí você se torna o dono da verdade e sabedor de todas as coisas)
Edson Ricardo Paiva.
"A Beleza da vida
É o Sol lá no céu
Numa noite de chuva
É saber sentir
Quando não houver"
Edson Ricardo Paiva.
Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.
Edson Ricardo Paiva.
Confissão.
Hoje eu compreendo
Que errei muito
Errei, por não saber
Se soubesse
Talvez tivesse errado mais
Alguns de meus erros
Foram simplesmente bons
Se imaginasse
Teria errado novamente
Não somente os erros cometidos
Que hoje eu vejo
Como simples erros vãos
foram erros acertados, muito bons
Por não terem ferido a ninguém
Ninguém que não merecesse
Grandes erros
Não os cometi
Nem jamais o faria
Esses acertos também
Me fazem sentir
Muito bem, hoje em dia
Enganei-me aqui e ali
Enquanto isso, eu vivia
Errei algumas pedras
que joguei em passarinhos
Errei sobremaneira, no dia que decidi
Escrever minha primeira poesia
Errei em dividir muita coisa
Com quem eu, mais tarde
Fui ver que não merecia
Errei, por não ter escolhido outro caminho
Errei, por ter feito o que fiz
Em lugar de fazer o que eu queria
Errei ao dizer as palavras que eu disse
num momento em que não pensei no que falava
mas que eu fiz naquele dia
Se tivesse percebido a tempo
A paz que me faz sentir hoje
Errava mais, por Deus que eu errava!
Edson Ricardo Paiva.
Eu queria só saber
Se existe algum lugar escuro
Pra guardar todas as lágrimas
Quando choradas num lugar seguro
Onde ninguém pode te ver
Eu queria só saber
Se existe algum lugar secreto
Para esconder seus arrependimentos
No exato momento em que você
Tenta ocultar teu pranto
E corre pra algum canto e todo mundo vê
Eu queria só saber se existe
Uma espécie de caixa
Escondida, na parte mais baixa da vida
Pra onde voltam, toda noite
Os velhos sapatos tristes
A escova de dentes mentirosos
Olhos fingidos
A magia do espelho
Descontente com o que vê
Pobre espelho, velho e triste
Eu queria só saber se existe
Algum lugar fora da caixa
No lugar onde você mora
Onde nada se encaixa
Ou se você carrega mesmo essa loucura toda
Dentro de um peito carcomido
Isso não faz sentido
Deve haver algum buraco esquecido na cômoda
Feito pra esconder remorso
Coisas que incomodam
Onde, diante desse espelho
Você faz a troca, toda manhã
Pelo teu sorriso falso
Na mesma toca, onde
Você se descalça de tanta maldade
Eu só queria saber
Não quero mais
O desprezo que desperta
Lavou minha alma na hora certa
Levou minha indiferença
Pra debaixo do teu tapete também
Esse lugar imundo, onde você sabe
Que não tem ninguém
Mas cabe o mundo.
]
Edson Ricardo Paiva.
O quanto eu desconheço o amanhã.
O que ontem
A serena silhueta da janela
Pensava saber
Hoje, a olhando assim, de longe
Aparenta ter certeza que não sabe
O tempo trouxe uma surpresa
Mas ainda não mostrou como se desembrulha
De longe, apenas vejo
A sereninade, que antes não havia
Hoje, apesar de cair com mais facilidade
Tende a demonstrar mais equilíbrio
e menos pressa
Aparenta ter mais fé
e menos crença nas promessas
Chega mesmo a transmitir-me
Uma certa impressão
De que hoje ela até pense, antes de agir
Mas não sou de me deixar levar por impressões
Eu só conheço o tempo, pois conheço o ontem
Eu conheço o tempo e reconheço
O quanto eu desconheço o amanhã
No mais, tudo são só divagações
Que hoje, olho de longe
Eu só conheço o tempo e as coisas que ele faz
As folhas caem, as folhas secam
O tempo trouxe uma surpresa, uma fagulha
O que ainda não se sabe
Somente o tempo sabe o jeito certo
Que se desembrulha
Tudo mais é chama.
Edson Ricardo Paiva.
Dimensões.
Nós sabemos a vida
Não sabendo-lhe a forma adequada
Isto dito ao vento
No momento, existo!
Posto isso, pouco a sei, além de nada
Morte, as tive algumas
Enquanto a vida se amontoa ao vento
Por acaso, à esmo, à toa
Lacuna entre duas ausências
A vida é uma duna
Uma efêmera presença
Que passa despercebida
Até por alguns dos presentes
Uma página já lida
E também já virada
A morte mais estranha
Que se pode ver vivida
Passou tão depressa
Quem a leu, na sanha de virá-la
nem se lembra de nada
Passou dessa para a estante
Num canto esquecido da sala
Na casa da eternidade
Se confessa arrependida
Pelas coisas que não fez
Se percorre uma vez
Removendo o pó estrada
Pó de existências
Passageiras como nós
Fugazes e sós
Instáveis, incríveis
Existências perecíveis
Voou como instante
O pião na fieira
A fogueira, a esperança
O choro do filho, a vaidade
A verdade, a meia verdade
O barulho do cristal quebrando
O orgulho ferido, a ira propensa
A pequena diferença
Entre o sempre
e o de vez em quando
A esperança perdida
A mesa posta
Pra quem gosta de comida em fogo brando
Morte, as tive muitas
Madrugada, olhar perdido
Coisas tão distantes
Vivendo apenas uma vida
Não dá tempo de estar juntas
Se o poeta não juntá-la em versos
Nalgum canto empoeirado
Lá na sala do infinito
Assim, ao menos por um mero instante
Se ficaria bonito, nunca saberemos
Porque tudo tem três lados
Um peão num barbante.
Viveu para o mundo
Algo assemelhado
em ao menos uma das dimensões
Morreu para a vida
Por breve descuido.
Edson Ricardo Paiva
Não queira saber aonde estou, tão pouco para onde vou
Se não sabe aonde estou; qualquer dúvida te serve.
Existem pessoas que nunca saberão o verdadeiro valor de um grande amor, pois elas preferem viver de migalhas.
