Palavra Sábia
Eu queria só saber
Caminhar corretamente pela vida
E que a vida fosse um pouco mais
Que uma mera superfície plana
Eu queria poder superar
Todas as limitações
A que está submetida
A minha humilde condição humana
e todas as fraquezas nela inseridas
Eu queria conhecer e saber lidar
Com a força existente em mim
Antes do fim desta vida
Eu queria viver o tempo que ainda tenho
Vivendo o Sonho de Conhecer a Deus
O Deus que existe nos meus sonhos
E que às vezes me permite saber
Que é sim, possível voar
Pois Ele já me presenteou algumas vezes
com essa sensação incrível
e me ensinou que o tempo
Apesar de impiedoso e inexorável
É necessário pra que a gente aprenda
a remover a venda que existe
nos olhos humanos, e é
inerente à Condição Humana
Eu não digo o tempo mundano
Que faz compreender
as horas e as semanas
Existe outro tempo, além deste plano
Um tempo que vem de Deus
Que tem me ajudado a tentar compreender
Que cada pedra
Que eu, com respeito, carreguei
e cada dor que um dia me derrubou
Agora se traduzem
numa espécie de compreensão
Que de mim se assenhora
E me faz saber de onde eu vim
E que as dores que eu senti
eram sim, necessárias
Pra que eu não passasse pela vida
e a visse desaguar um dia
Num Oceano de incompreeensão
e a tivesse vivido como um reles pária
Carregando sensações imaginárias
Eu já compreendi que Outra Coisa existe
Porém ainda não sei o quê preciso fazer
e a maneira correta de pedir e receber
Tudo isso às vezes me faz sentir
Um pouco triste ao fim do dia
Quando se aproxima a hora de ir dormir
Todo mundo já viu terra
Todo mundo já viu grama
E sabe o que é frio ou calor
Todo mundo já viu o Sol
E sentiu medo do escuro
Todo mundo já quis saber
O que tinha atrás do muro
Todo mundo, às vezes erra
Todo mundo, um dia se escondeu
debaixo de alguma cama
Todo mundo já sentiu dor
Todo mundo assistiu futebol
Todo mundo um dia
Teve medo do futuro
E nem todo mundo
se esqueceu de tudo isso
Todo mundo conhece a Lua
Mas nem todos sabem
que lá não tem ar
E de tantos sonhos que tem
que nem lhe cabem
Parece até que vivem lá
Por não saber voar
de vez em quando
Eu voo de amor
E quando sinto calor
Eu volto pro ninho
E procuro
Um abanador de carinho
E saio mais tarde
Pedalando amizades
é muito leve fazer isso
Nas rodas da sinceridade
E quando minhas pernas se cansam
Eu uso meu estoque de abraços
É isso que eu faço
Para otimizar o torque
Meus braços se abrem
E abarcam o Mundo
Desde os pássaros no Céu
Até o plâncton esquecido
Lá no fundo do Oceano
Com meu abraço de menino
Eu acolho até aqueles
Que não constavam nos meus planos
Pois eu sei
Que não pode haver enganos
Nos desígnios do Divino
Há mais coisas sobre a gente
Que a gente não sabe
Que é melhor nem mesmo pensar
Não é medo de andar de avião
e nem vontade de pisar com o pé no chão
Perdi meu medo de fantasma
Mas às vezes me assusta o marasmo
Me assusta o descaso
Me assusto em ver
Tanta gente que se supervaloriza
Sem que ninguém as avise
Que tanto brilho
Que enxergam em si mesmas
São pelo fato de viver ensimesmadas
Mais nada
O que a gente, às vezes, não percebe
é que não é preciso nada disso
Pois o nosso compromisso
é com algo invisível
E quando a gente
Atinge o grau da simplicidade
Acabou de subir um nível
Não faz mal ter medo de escuro
O mais puro medo que se oculta
é aquele
Que nem mesmo o coração escuta
e a alma refuta
Um medo descabido
Que a cada dia
Tanto mais descabe
Mesmo que a casa caia
Nem mesmo que o Céu desabe
A gente vai morrer sem saber
Muita coisa sobre a gente
Que a gente não sabe.
Nunca saberemos
O Real Sentido desta vida
Jamais encontraremos
A real utilidade
daquela jóia preferida
Que transforma
um simples feixe de luz
Naquela coisa colorida
Espalhada em raios divinos
Jamais enxergaremos nada
Enquanto não conseguirmos
Ser simplesmente
Aquele bando de meninos descalços
Correndo felizes na estrada
E de vez em quando
Rindo largamente
dos percalços que a vida traz
Jamais encontraremos
Essa paz, tão procurada
Que encontrávamos às vezes
Num bilhete de namorada
Ou numa roupa complicada
Que um simples colchete fechava
O tempo com a sua maldade
Carregou pra longe...muito longe
Alguma coisa muito boa e pura
Que hoje
A gente tanto procura
E não tem
Mas queria ter
E que, por malícia ou saudade
Convencionamos chamá-la
de Simplicidade.
Se os deuses não vão comigo
opiníões se dividem
e deuses não se decidem
eu, a meu tempo, idem
meus gritos não os comove
e há quem chore pela chuva
enquanto chove
os alcança meu silêncio
galvanizando uma aliança
a procura de respostas
negros pássaros sem asas
nas sombras de noites escuras
com o som de um olho que abre
e a duração de um eco no vácuo.
Eu tenho os olhos no céu
porém não olho pro Sol
Não faço nada impossível
Se fizer foi sem saber
e você, sôfrega...tropeça
eu não entendo aonde vai
com tanta pressa.
Sabe quem são as pessoas que tem presença marcante? São aquelas que fazem falta quando estão ausentes.
De repente você percebe
que algo mudou em você
mas não sabe dizer o que é
depois de dois dias iguais
no terceiro você não é mais
aquele que costumava
crer ou deixar de ter fé
gostar ou não de alguém
ter medo ou não ter
do escuro
do futuro
da vida
ontem você não aceitava
a chegada do Homem à Lua
a existência do invisível
ideias que não fossem suas
nem mesmo a invenção da roda
difícil aceitar a teoria
de que a ciência sabia dizer
a composição de Saturno
como crer na espectroscopia?
mais difícil ainda era crer
na sinceridade das crianças
outras vidas e suas lembranças
no amor de desconhecidos
o que foi que mudou você?
aquela folha que caiu
alguma esperança perdida
um folheto que leu na rua
um pássaro que cantou
aquele amigo que partiu e te deixou
de repente você percebe
que os pássaros cantavam
e você não ouvia
as folhas caem
e as esperanças se perdem
tudo muda e você não mudava
mas queria mudar o Mundo
três dias se passaram
a vida muda num segundo
e você não enxergava
Eu queria saber aonde é Longe
lugar tão simples, ignorado
e que tanta coisa abrange
a gente sempre ouve falar
de tanta gente que está lá
que veio de lá
ou que está pra chegar
e vem vindo de lá
eu às vezes chego a pensar
que longe é aqui
Longe dos sonhos
longe das soluções
longe de quem me entenda
longe de quem goste
de mim de verdade
eu esperava no passado
por um dia que estava longe
esperava sem perceber
que a cada dia que passava
eu ficava cada vez mais longe
Longe de quem me amava
longe de quem me queria
longe de quem
junto comigo sonharia
eu queria ir pra bem longe
mas esse lugar está
muito distante
no tempo e no espaço
e agora não sei o quê faço
já que tudo agora
está tão longe
O trêm partiu
e mesmo sabendo
que o caminho
já esta traçado
você nunca esteve lá
Ele voltou vazio
Voce embarcou
e agora sente frio
o mesmo frio
do qual fugia
vai guardando a paisagem
na retina
Colinas, campos,
chuva fina
dias de Sol
e tempestades
Ontem era muito cedo
hoje é tarde
Se a viagem
apenas te sujasse
estaria tudo bem
Mas o tempo
a tudo encarde
Não há retina que guarde
tantas paragens
pode até parecer muito
mas é uma só viagem
é uma estrada só
onde você embarca,
viaja, deseja, teme, treme, geme,
espera, desespera, dança e se cansa
só.
Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar
Eu queria só saber
o que é que havia
Há muitos e muitos anos
Antes de a vida
Estar nos planos
do Divino
Que criou os Oceanos
Será que Ele dava importância
Pros sentimentos
Inclusos em nós
Que com o tempo
Se tornaram arrogância?
Será
Que o conhecimento
da verdade
Nos faria então
dar mais valor àquilo
que a nossa ignorância
chama de humildade?
Haveremos de encontrar
um dia
Nas cinzas mortas
Levadas pelo vento
profanadas
da Biblioteca de Alexandria
das raizes mortas
de árvores milenares
sob a lama que existe
no fundo dos Mares
na poeira cósmica
na energia telúrica
nos conselhos da minha mãe
no tempo e na madeira
que nos traz o champanhe
na areia que traz os cristais
Tomaremos então
A bebida no cristal
comemoraremos o fracasso do mal
e não seremos infelizes
Nunca mais.
Não é nada disso
E não há nada que faça
A gente saber como é que faz
Compreender ou saber explicar
A enxergar o que há atrás
da cortina de fumaça
Atrás daquela porta
O sentido daquela palavra
Que disseram e não entendi
Agora não importa
A palavra já está morta
E só eu fiquei aqui
Olhando pela janela
O sino suspenso
No alto da Torre da Igreja
Lugar aonde penso
em pendurar meus pensamentos
Quem sabe assim
Alguém veja
Mas não há nada que faça
Compreender ou explicar
Coisas que nem precisavam falar
No meu tempo de criança eu entendia
No gesto, no olhar
E até num pensamento
Antes que fosse exposto
Agora já não importa
Só eu fiquei só
Aqui.
Talvez seja verdade
Que eu e você sejamos
Apenas mais um
Apenas um, num Mundo cego
Ou, quem sabe
Eu não chegue nem ao menos
A Ser Um
Antes, Metade
Mesmo assim
Eu não me entrego
Pois eu sou Um
do qual se pode, realmente
Extrair tão somente a verdade
Não sou uma gota d'água na chuva
Uma areia na praia
Ou mais um Inseto na Terra
Eu sou mais uma Estrela
A brilhar no Infinito
Eu sou um Astro no Universo
E, mesmo que você
Pense o Inverso
Meus Versos são Escritos
Para ser lidos por Deus
E Ele Lê, tenho Certeza
Talvez, por isso
Você não enxergue a Beleza
Neles contida
É preciso saber
Enxergar muito além
das coisas que vão e vem
É preciso ver a Luz
Na Luz contida,
Que apesar de proeminente
Tem sempre o poder
de permanecer escondida
Para aqueles, cujos olhos
Só aprenderam a ver
As coisas
que vemos em vida.
Patrícia
Nascemos os dois
Num Mundo bom
Sem saber de modo algum
daquilo que ocorreu
Nem mesmo se ocorreu
Num tempo longínquo
Passado
Às vezes perto
Às vezes longe
Sempre
Lado a lado
Qual Nefertiti e Akhenaton
Qual Pessegueiro e Sabiá
Olhávamos juntos o futuro
Sem mesmo imaginar
O que é que havia lá
De vez em quando
Um anjo visitava a gente à noite
e de manhã
A gente descobria
Que havia dividido
O mesmo sonho
E quando em um doía
Outro chorava
Caminhando lado a lado
Um Florido caminho de pedras
Se um chorava, outro chegava
e perguntava onde doía
No final
A gente sempre ria
Tem sido sempre assim
Desde que meu pai
Adentrou aquele portão
E anunciou sua chegada
E vai ser até o fim
Minha doce amiga
Que animou-me a caminhada
da vida
Por este Mundo deserto
E Mesmo que minha presença
Um dia pareça perdida
Estaremos para sempre
Sempre perto.
Não Sei
E isto é tudo que sei
E não há como saber
Quanto mais você
Quiser e procurar e perder
e pensar e sonhar sem dormir
e chegar e partir e tentar
e tentar e tentar e tentar
chegar aonde não queria
saber o que não sabia
desvendar o que se escondia
Um dia a gente acaba por entender
Que não há como saber.
"Para quem pensa que vive melhor lhe odiando,
nunca saberá o que é a eternidade através do seu carinho."
"Respeito, Amor, Confiança, Admiração e Amizade.
Temos que saber seus valores,
como e onde aplica-los.
É como investir em conta poupança.
Se você deposita mais do recebe de volta em alguém.
Não tem como sair dessa relação mais rico"
"Para um médico, saber a saúde de um coração
exige um eletrocardiograma;
para um poeta, basta um sorriso seu."
