Paixão
Clama-se incessantemente contra as paixões; imputam-se-lhes todos os males do homem, esquecendo que elas são também a fonte de todos os seus prazeres.
Nós só conhecemos as paixões dos outros, e o que chegamos a saber das nossas, é deles que podemos aprender.
Só são paixões as que nos tocam primeiro e nos surpreendem; as outras não passam de ligações a que levamos voluntariamente o nosso coração. As verdadeiras inclinações arrancam-no mesmo quando não queremos.
O álcool cria no homem um heroísmo muito superior a ideologia e a paixão; não sem razão é chamado de espírito.
As paixões são como os vidros de graus, que alteram para mais ou para menos a grandeza e volume dos objectos.
Qualquer Francês deseja beneficiar de um ou mais privilégios. É a sua maneira de afirmar a sua paixão pela igualdade.
O verdadeiro patrão é alguém que participa apaixonadamente do trabalho que fazemos, que o faz conosco, e através de nós.
A verdade frequentemente sofre mais pela paixão de seus defensores que pelos argumentos de seus oponentes.
De uma hora para outra um sentimento surgiu em mim.
Ele não bateu na porta, apenas entrou e se assentou no sofá.
No começo não me dei conta que ele estava lá, mas quando percebi sua presença, ele não quis mais sair...Eu não podia expulsa-lo dalí.
Não podia abrir a porta e mandar ele ir embora.
Até porque ele já tinha se espalhado pela casa toda...seu cheiro estava em todo canto.
E suas coisas estavam nos melhores cômodos da casa, ele me fazia bem, me fazia sentir sensações incríveis, principalmente a de não estar sozinha.
Mas pelo outro lado, ele me fazia mal, o seu cheiro trazia pensamentos esquisitos, inclusive o da culpa de estar acomodando ele.
Mas o que eu podia fazer?
Não tinha forças para empurrá-lo para fora.
Então decidi abrir a porta e deixar ele ir por conta própria.
Eu sabia que ia sofrer quando ia ver aquela cena de ele indo embora...
Mas eu sabia que era o certo a se fazer.
A casa era pequena para ele e o quarto que estava sobrando...
Estava ocupado pelo medo, inseguranças e indecisões....
Ela era timída,
daquelas que a bochecha fica rosa,
usava all star num pé,
salto no outro.
Ele também era timído,
daqueles que sorriem de canto,
para demonstrar seu interesse.
Sabia a hora de ser safado,
de ser o que quisesse.
Eles eram tão iguais,
tão diferentes ao mesmo tempo,
um queria, a outra não,
mas ele não desistia,
continuava de pé com as rasteiras da vida,
caminhava de queixo,
sorria de olhos arregalados.
O que ninguém sabia,
as paredes do quarto viam,
ele abaixava a cabeça
e chorava pedindo para Deus,
queria ele ter aquela garota,
de bochecha rosinha,
até o fim de seus dias.
