Outros
Numa sociedade em que ninguém consegue ser reconhecido pelos outros, cada indivíduo torna-se incapaz de reconhecer sua própria realidade. A ideologia está em casa; a separação construiu seu próprio mundo.
Em outros tempos os ricos repousavam e os pobres se esfalfavam. Hoje isso se inverteu: os ricos correm como doidos para cuidar dos seus negócios e os pobres são condenados à inércia do desemprego.
Há muitos deuses neste mundo, alguns escolhem uns, e outros escolhem outros deuses, mas o Deus verdadeiro o grande "EU SOU" Você não o escolhe, ele escolhe você.
[Tovarishchi]
Tive alguns na vida,
Uns eram de uma cor
Outros de outras,
Uns de um gênero
Outras de outros,
Variaram em estatura
E formato também,
Divergiam em crenças
E pontos de vista,
Uns torciam prum time
Outros proutros.
Houve quando foi mais
Que amizade,
Houve quando foi menos.
Teve atração e distanciamento,
Teve afinidade,
Houve ressentimento
Mentira e honestidade,
Existiu irmandade,
Teve até omissão,
Pelejas primorosas,
No entanto houve perdão,
Respeito e lealdade
Mas esquecimento nenhum.
Agora ouve o que eu digo,
Todo mundo alguma
Vez na vida,
Em alguma medida,
Teve ao menos um,
Camarada.
Dê trela e torne-os teus atrelados,
Os outros tantos hão de enternecer,
A única disposição incurável,
É a trouxa infalível da transformação.
Nathy e o Embate Furioso
Enquanto os outros
Trilhavam o caminho,
Ela decidiu sobrevoá-lo.
Enquanto outros
Dos pedregulhos se ocupavam,
Dedicou-se às nuances
Que assentavam o firmamento.
Nathy e o Embate Furioso,
Contra a Profunda
Superficialidade Insistente.
Fantasticamente provável,
Como o espectro odioso
E o espírito amável,
Confundindo-se num fluxo,
Serenamente estimulante.
Nathy e o Embate Furioso,
Contra a Profunda
Superficialidade Insistente.
Enquanto outros
Dos pedregulhos se ocupavam,
Dedicamo-nos às nuances
Que assentaram o firmamento.
Enquanto outros
Trilhavam o caminho,
Nós decidimos sobrevoá-lo.
[Alegoria Vampírica]
os hematófagos
só vivem, graças
ao sangue de outros
seres.
são indivíduos
peculiares, que
habitam ambientes
escuros e úmidos.
sobrevoam vastos
territórios, em busca
do plasma fresco
das criaturas.
percorrem o céu
como uma nuvem,
arqueando asas
em formação
conjunta.
na forma de uma
legião, buscam
suprir seus interesses
individualistas.
suas vítimas nunca
detectam sua aproximação.
surgem das profundezas
noturnas, para se
alimentar.
existem de cabeça
para baixo,
e vêem o mundo
invertido.
podem e devem
proliferar contaminação.
sugando o fluido
dos viventes, são
também conhecidos
como monstros.
a morte os homenageia,
a amargura os celebra,
a aflição os aplaude.
geralmente podem
ser avistados em trajes
de marca, vestes
exageradamente caras,
pelagem feita sob medida,
paletó, gravata
e relógio importado.
com uma canetada,
descarregam um ódio
destilado e devastador,
contra toda
forma de vida, num raio
de milhões de quilômetros.
04/12/23
Tem aqueles que pisam nos outros,
Tem os que são pisados por outros,
Tem aqueles que apontam quem pisa,
Tem os que não pensam e pisam.
Hierarquia das Pisadas
Tem aqueles que pisam nos outros,
Tem os que são pisados por outros,
Tem aqueles que apontam quem pisa,
Tem os que não pensam e pisam.
Aqueles que pensam em pisar,
Tem os que pisando pisoteiam.
Entre uma pisada e outra,
Tu leva um pisão.
E os pisoteados que não pretendem pisar
Mas já pisados de imediato pisam.
E o que mais pisou não mais pisa,
Não precisa, já que todos têm ao menos
Uma chance de pisotear e pisoteiam.
Por fim, acerca dos que pisam, pisaram e pisarão
Sendo que (nem) todos têm o que lhe convém,
Entre uma pisada e outra,
Tu leva um pisão.
Em minha opinião discrepante sou demasiadamente subestimado, alguns apelidam-me de nômade, outros de bárbaro, tem aqueles que definem minhas colocações como dignas de um aborígine.
Antítese da liquidez
Não posso fugir
de enxergar teu
rosto em outros
rostos por ai
e de certa forma
é um alivio
um pouco de ti
ainda está vivo
dentro de mim
me lembrando
que eu não me
permito sentir
menos do que
realmente sinto.
A sorte anda de mãos dadas com o azar. Quando encontram outros que lhes apetecem, se separam e seguem seus caminhos
Seis quarteirões para alguns, um complexo residencial para outros, o labirinto inconcluível de uma insana trajetória para Edegar.
O Último Rei das Ruínas
Seis quarteirões para alguns, um complexo residencial para outros, o labirinto inconcluível de uma insana trajetória para Edegar.
Aquele lugar tinha sido em um momento de sua história passada, quase próspero.
Ali, diversos empreendimentos sobreviveram durante anos, abastecendo a população local em suas mais variadas necessidades; lojas de roupas, sapatos e acessórios, com todos os formatos, cores e tamanhos para os gostos menos exigentes;
Uma barbearia; uma padaria; uma escola; um carrinho de cachorro-quente; um carrinho de churros que também vendia doce de cocada; uma banca de jornais; uma praça arborizada com uma fonte no centro; um clube.
Os habitantes daquela localidade conheciam Edegar, mas ele nunca ocupou uma posição de destaque, na política, no comércio, no esporte, na arte; não ganhou prêmios, concursos, rifas, apostas; Edegar nunca apostou.
Ele gostava de pastel de queijo, jabuticaba, garapa, de vez em quando um trago de pinga, geralmente com vermute, a famosa rabo de galo.
Edegar era um filósofo, apesar de raramente falar algo, ele notava, notava as pessoas, as construções, os veículos, as sarjetas, o mato que nascia por entre o calçamento; notava o céu, conhecia tão bem as nuvens, as revoadas de pássaros próximas do rio que cortava a vila.
Enquanto os organismos se transformavam, Edegar permanecia sentado nas ruínas do velho clube abandonado e elas não o abandonavam.
A arquitetura se modificava, os modismos iam e vinham, tecnologias surgiam a todo vapor virtual, cada qual se ocupava com suas ocupações.
Edegar despreocupado, permanecia sentado nas ruínas do velho clube abandonado. A maioria pensava que Edegar fosse apenas mais um inativo. Não, ele era notável.
No entanto num dia desses, passei como de costume na frente do velho clube, e o ilustre guardião das ruínas não se encontrava mais em sua ocupação. O notório Edegar que por tantos anos aquele local ocupou, não ocupava mais seu lugar.
Solidão
Pra uns é um peso
Pra outras, um alívio
Pra uns, um refúgio
Pra outros, um precipício
Pra uns, um vício
Pra outros, um tormento
Pra uns, um doce
Pra outros, um veneno
Pra uns, uma alegria
Pra outros, pura tristeza
Pra uns, poesia
Pra outros, fraqueza
Pra uns, uma paz
Pra outros, a própria guerra
Pra uns, um escape
Pra outros, uma cisterna
Conte suas mentiras como se fosse verdade
Mas não conte a verdade dos outros como se fosse mentira
Você não tem esse direito!
Antes de tornar a vida das outra pessoas melhor ,Antes de agradar aos outros .
Devemos melhorar nossas vida tornando agradável para nós...
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