Outono
"Crepúsculo de Outono
é uma carta que diz:
desfaça-se das folhas secas
e descame sua epiderme,
ainda que à revelia."
Carmen Eugenio
Outono, folhas secas ao chão, transforma-se em tapetes para pisarmos barulhamente no silêncio do tempo seco e quase frio, de reclusão.
A vida é como o tempo que passa e muda de estação, tem hora que é inverno, outono, primavera, verão. As vezes uma estação demora pra ir embora, o relógio dá um nó, parece que enrola, e a gente tem que aceitar porque as estações não tem como controlar. A vida é assim, tem coisas que não dependem só da gente, tem coisas que você não quer que aconteçam, e por mais que você evite elas chegam.
Tem estação que você não quer que nunca mude, as portas se abrem, as oportunidades vem e até no chão você acha uma nota de cem. É bom demais uma estação assim, o sorriso fica estampado na cara como uma coisa sem fim.
Mas nem toda estação é igual, tem hora que ela traz o bem e tem hora que ela traz o mal. Se fosse tudo sempre assim muito bom não era vida, era ilusão, sonho ou alucinação, e tudo não passaria de uma mera imaginação. Porque a vida tem seus altos e baixos, uma hora você esta de chinelo e outras tá descalço, uma coisa aparece e depois some, tem vez que o objetivo você não alcança, porque de tanto tentar você cansa.
Mas em um momento a gente descobre que na vida as vitórias e as derrotas não inevitáveis, e que o importante é viver com a cabeça erguida e com coragem, que não devemos frear quando temos que acelerar, ou parar quando temos que andar. E o mais bonito é ir em frente, aprender com os erros e fazer diferente.
E quando tudo ficar mais difícil, quando você pensar que a escuridão é o melhor lugar, que é lá que você deve ficar, olhe pra frente e diga pra você mesmo: posso ter minhas fraquezas, desilusões e limitações, mas o Deus que eu sirvo é quem quebra todos os grilhões, é ele quem faz quando eu não posso, quem me acalma quando eu quase tenho um troço, quem me defende quando o gigante ta na minha frente, e faz da tempestade uma calmaria, tudo diferente.
O Outono
Folhas secas cobrem o chão
Tudo está tão belo na cor marrom
O outono inspira a solidão
Daquele que não gosta da multidão
Curando o coração cansado
De ver tudo acinzentado
Não espere pelo sol se por para amar,
Ou pelo outono chegar para colher,
Pois a vida é feita de prazeres raros,
Que em um descuido podem se perder.
Não hesite em dizer ao coração amado,
As palavras doces que ele quer escutar,
Pois o tempo é breve e pode ser limitado,
E numa fração de segundos pode terminar.
Não perca a chance de olhar o mundo
De sorrir para o desconhecido na rua,
De abrir seu coração para o novo amor.
Pois a vida é um sonho incerto e passageiro,
E cada dia pode ser nosso último suspiro,
Então aproveite enquanto há vigor.
Manha de outono nublada e fria
Não deixe também nublar o seu dia
Estampe um sorriso no rosto
E deixe chegar a alegria
Faça expandir o amor
Imitando os raios de sol
Que ao nosso coração
Acalenta com calor
Coloque amor e alegria
Em tudo aquilo que faz
A quem precisar dê a mão
Faça brilhar sua luz
E então encontrará a paz
O Outono do teu Amor
Como quando chega o Outono,
O fim do teu amor foi se pronunciando devagar.
Como uma frente fria e outra vão mostrando a mudança da estação,
Você foi intercalando paixão e indiferença, a me preparar para o fim do Verão.
...eu achando que estava louca,
Mas o inverno foi mostrando a cauda,
e nossa cama voltando a ser apenas a cama fria,
Como a tantos invernos já esquecidos.
Sem querer acreditar naquela mudança de clima, eu pedia o teu enlace no meio da madrugada,
buscando no calor, na saudade do Verão, teu coração que ainda pulsava por mim.
Você me enlaçava no veranico do Outono,
mas o vento voltava a soprar uivando, e o sino furin avisava: MULHER O VERÃO VAI TERMINAR!
... tua insonia circadiana voltava a te virar pro outro lado, teu fuso defasado na culpa deste amor, o nosso leito desfeito já não era meu o teu peito.
E para deixar bem claro, todo o amor do Verão, você me trazia frutas,
As mais gostosas da estação, sem já poder entregar a tua alma.
... sem nada entender, mas era assim que tudo acontecia, eu voltando a ser ainda nada, no frio-vazio Inverno da minha vida.
Mas nesse processo custoso, amadureci na bucólica estação: no Outono se faz a colheita para aquecer o Inverno de lembranças e gratidão pela oportunidade que o Universo nos deu de viver esse grande amor, um pouco que foi muito, um Sol acima do sol.
Antes que o vento sopre pra longe as folhas do outono,
Antes que tardia, o sol venha secar o orvalho das copas e mesmo que a pele no rosto se torne rugas envelhecidas pela rotina das lágrimas...
Ainda assim, o desejo enorme que os olhos possa admirar a face oculta desse louco desejo.
O vento que varre pra longe as folhas que caem no Outono, é o mesmo que trás de volta, a esperança num tempo melhor, o renascer pro novo, eu acredito, e espero.
Vou devorando a minha vida
É tarde de outono e eu queria tanto andar na chuva
Quando eu vejo, o sol tá no horizonte
O dia tá desfeito em mar de fantasia
Às vezes quase eu durmo
De tanto querer que o sono venha
Há tantas vidas, difícil é ter outra a ter tantos quereres
No início é ter que costumar as vistas
É como estar em um pomar
E ver que o fruto e as folhas são da mesma cor
Vou fazendo de conta que conto pitangas no ar
Outono é tarde, estou noutra estação
Outro trem vai vir, há de passar
A noite chega em mim
A noite chega e se lastima assim
A dizer que o trem que vai passar não leva ao fim da linha
Eu digo à noite que a vida é uma lista
Eu peço à vida que seja da noite esse olhar pessimista
Apago da lista esse triste desejo
De chegar nessa manhã que tem jeito de tarde
Eu só escolho querer, numa vontade que não é minha
Tarde que andava na linha, rumo à próxima estação
Eu queria era andar, andar sem rumo e nem direção
Andar na chuva
Colhendo as pitangas que flutuavam
Pitangas amarelas, iguais àquelas
Que existiram nos fundos de algum quintal da minha infância
Onde eu ia devorando a vida
Um lugar, uma estação
Um trem que passava e tinha a companhia sempre lá
De alguém que te acompanha e leva pro infinito
E apanha frutos no ar, igual ao que a gente fazia
Quando o dia era desfeito em mar de fantasia
A gente sabe e cansa de saber que esse infinito acaba
E mesmo assim desata a rir
Num riso que não tem fim.
Nem precisa acabar.
Edson Ricardo Paiva.
Parece que um vento de outono
Com folhas da mesma estação
E aquelas tardes de mesmices
Vem arder no coração
Pra mostrar que deixaram uma certa saudade
Daquelas, que se leva tempo a perceber
Mas elas vem, porque
Sempre há de soprarem
Vazios, que te fazem ocultar a tantos rios
Rios guardados num lugar que só se sente
Quando o outono varre as folhas
Que só sabe, que só sente
Os olhos que guardaram essas imagens
Paisagens que a vida escondeu
Num lugar assim, pra lá de especial
Perdido, escondido
Aqui, no coração da gente.
Edson Ricardo Paiva.
No final do outono de 2002, eu tive sorte! A minha vida estava do jeito que eu sempre quis... tinha 20 anos, era Cadete PM do 2º Ano do CFO, o maior medalhista do Atletismo da APM D. João VI, e saía com os meus amigos de turma, todos estavam vivos... era perfeito! Porém, o mais importante, eu tinha você! A conheci em um domingo (02 de junho) no Caneco 90 e assim que a vi, eu soube... era como se tudo antes fosse preto e branco, e, repentinamente, as cores apareceram! É impressionante como uma pessoa pode mudar a sua vida... para o bem ou para o mal!
Flores de outono são belas, coloridas e perfumadas.
Flores de outono são viçosas e entregam charme e calor ao jardim do coração de quem as contemplam e apreciam.
Flores de outono podem se chamar Camélia, Orquídea, Sálvia, Gérbera e proporcionam verdadeiros espetáculos visuais e profunda emoção em quem pode desfrutar da sua presença.
Que as borboletas jamais descuidem do cristal de outono que escondo em minhas costas. É minha clareza além dos olhos. Escudo obsequioso de lucidez que nunca dorme. Os gigantes e as feras por tras de mim, jamais terão a seu favor a prerrogativa da surpresa, antes do golpe, já os conheço e os antecipo. Quem disse que anjos também não se disfarçam de borboletas?
As pessoas se vão assim como as folhas caem no outono, assim como o sol nasce a cada manhã. - A última despedida
PORTA À DENTRO
Ela veio...
Idem a brisa de outono.
Caminhando...
Como se numa passarela estivesse.
Uma leveza...
Indescritível.
Em minha porta chegaste.
Trazendo consigo, sua bagagem:
Um sorriso persuasivo.
Teu olhar denunciava
Que vieste para ficar.
Suas bagagens não eram apenas uma deveras mala.
Era, na verdade,
O sentimento que tinhas a me ofertar.
Adentrou tão rápido como um eclipse solar
Que em apenas um piscar
Tudo viria a desmoronar.
