Ordem
Quando nenhuma ordem superior garante a justiça, cabe aos humanos construir instituições capazes de buscá-la.
“A greve não é ruptura da ordem jurídica, mas exercício de um direito que transforma a insatisfação coletiva em instrumento legítimo de reivindicação e equilíbrio nas relações de poder.”
“A greve não rompe a ordem jurídica; é a própria ordem jurídica reconhecendo que, nas relações de poder, também a resistência coletiva pode ser um instrumento de equilíbrio.”
1. A lei é talvez apenas a tentativa humana de converter em norma uma ordem cósmica cuja existência sequer conseguimos demonstrar.
Quando o absurdo deixa de ser questionado, a crença pode transformar o impossível em ordem e a violência em dever.
A lei deve ser superior à vontade individual quando pretende transformar poder em ordem e autoridade em justiça.
A ordem social não começa nas instituições; começa no indivíduo que aprende a reconhecer que seus atos possuem consequências sobre a vida dos outros.
A lei somente realiza plenamente sua função quando transforma a razão em uma ordem orientada ao bem comum, e não em simples instrumento da vontade de quem possui poder.
A paz não é simplesmente ausência de conflito; é uma ordem suficientemente justa para que a convivência não precise depender permanentemente da força.
Toda ordem jurídica verdadeiramente iluminista carrega uma suspeita dentro de si: até a lei pode estar errada quando ninguém pode questioná-la.
Toda nova ordem enfrenta aqueles que perderão com sua existência e recebe apoio daqueles que esperam ganhar com ela; por isso, transformar uma estrutura política exige mais do que boas intenções.
A justiça não é simplesmente dar a cada um o que deseja; é construir uma ordem na qual o desejo individual encontre limites diante do direito do outro.
O Direito é a tentativa desesperada de colocar ordem no caos que o coração escolheu ignorar, transformando o perfume da juventude em tinta de carimbo e o suspiro em cláusula penal.
A forma mais elevada do prazer talvez seja descobrir uma ordem onde antes enxergávamos apenas o desconhecido.
