Ontem
Ontem doeu
Eu preferi não escrever sobre o que eu estava sentindo ontem. Doia demais, era uma dor que parecia não ter fim. Uma dor que só aparece há noite, e que me maltrata, me matando pouco a pouco, como se não houvesse o amanhã… E hoje? Hoje dois menos. E a cada dia que passa, a dor vai aliviando. É como se ela fosse morrendo aos poucos.
Um Sonho Acordada
Ontem sozinha em meu quarto, comecei a sonhar acordada com você.
Conversando com as estrelas, comentava com elas sobre o que rolou entre nós dois. O sorriso foi se amostrando como se tudo o que vivemos estivesse prestes á acontecer novamente, mas era a saudade que me chamava, dizendo “Ei amiga, chega de perturbar os anjinhos do céu, elas precisam descansar agora.”
Voltei á realidade e em lágrimas me desmanchei, a vontade de ter os teus braços, abraçando-me como forma de proteção deixando-me mais segura, aquele sorriso fascinante, envolvendo-me á ti. Não é que eu esteja vivendo na solidão, mas carreguei comigo teu jeito meio que durão, um sonhador, que me fez viver uma doce paixão.
E o teu silêncio se juntou com a nossa distância, acho que eles tramavam algum plano fácil, pra me pegar pensando em você, sonhando acordada, comentando com as estrelas sobre nós dois. E então se enganaram porque logo em seguida, ao adormecer, voltei a te ter, e era tudo muito surreal, era eu e você.
Eu sempre vou dormir com a esperança de um Amanhã melhor, e com a convicção de um 'ontem' superado. Fico até contente quando tenho cicatrizes, pois são marcas que mostram que eu sobrevivi!
Se eu me preocupar com o que aconteceu ontem, vou estar tao preocupado com o que pode acontecer amanha e não vou viver o hoje.
Que o dia de hoje seja melhor que o de ontem e pior que o de amanhã, porque a vida é um eterno para frente e para o alto.
O que vivemos hoje é fruto do ontem,e plantamos hoje o que será fruto amanhã.
Acredito que não devemos esquecer o que se foi, porque mesmo doendo muito, foi aquilo que te fez entender o que você é hoje.
Ontem fui dormir na esperança de acordar e vê o sol raiando pra mim, de ver os pássaros cantando anunciando um início de um tempo melhor, mas ao acordar me dei com a realidade e vi que nada mudou e que eu continuo esperando algo novo, algo que possa me fazer feliz.
Às vezes eu começo a acreditar em destino, e que o meu é ficar só... trancado no meu mundo, imaginando coisas que jamais poderão acontecer.
Não é questão de lutar, até por que se lutar resolvesse eu estaria feliz e vendo todos os meus sonhos realizados, mas parece que quanto mais eu luto, mais eu percebo que sou um mero sonhador esperando por um sonho impossível.
“Espere. Tenha paciência...” Não dá mais. Eu esperei demais, acreditei demais, lutei demais e de que adiantou? Nada. Talvez até tenha adiantado. Eu pude perceber que meu destino é viver meus sonhos apenas aqui, na minha mente onde tudo é possível, onde tudo é perfeito e onde a realidade imaginária não pode me negar um sorriso....
Chorar não resolve mais. O jeito é se acostumar com a dura realidade e talvez acreditar, por mais difícil que seja, que um dia o sol vai resolver brilhar pra mim.
Tempo
Os dias passam como o vento
O ontem é apenas uma lembrança
Lembranças boas
Lembranças ruins
Lembranças que devem ser esquecida
Talvez a própria vida nós faça esquecer
Quando se perdi as memórias
O que resta é apenas um vazio
Um olhar perdido
Um olhar sem vida
Mas triste é sentir tudo isso
O tempo passa
O vazio também
E esse se preenche de novas esperanças
Nova vida
Novo amor
O tempo passa como o vento
Quero apenas ser levado por ele
Senti a brisa
E flutuar com ela
Senti apenas que estou viva
E viver intensamente.
Não sei... o ontem vivido aconteceu
e o amanhã indefinido ainda virá
Para conduzir a paixão que nasceu
A uma encruzilhada de espírito e alma,
Uma fusão de vento e água
E desejos não contados...
Ontem eu perdi um sonho.
E hoje eu acordei chorando, logo eu que adoro sorrir.
Prefiro que os romances continuem só nos livros.
Aproveitar o hoje, reviver o ontem e acreditar no amanhã é viver consciente de que tudo está conectado e que a cada passo no presente um novo caminho é desenhado.
Ontem ao deitar, levei o meu pensamento parquiar na calçada de um lindo sonho, e lá eu o perdi assim que te encontrei, pois o meu melhor amigo me abandonou por te. Ezbnadyideias
As cores de Helena
Hoje recordo o ontem, um dia em que a princípio tudo era normal, tendencioso à mesmice, sem surpresas. Minha rotina estava toda escrita, e pelo que parecia, não havia nada no caminho capaz de transformar aquilo que era tão comum em algo estrondoso.
Fui cortar o cabelo, algo normal de se fazer pelo menos uma vez ao mês. Enquanto esperava, conversava, mexia no telefone, apreciava a vista do chafariz, que por causa da luz solar e das flores à sua volta, parecia colorido.
Sentia que as cores me atraíam mais do que o meu próprio aparelho telefônico. O lugar era simples, não era para chamar tanto assim a minha atenção, mas não conseguia olhar para outro lado, até meu telefone tornou-se desinteressante.
Pedi licença aos que estavam por perto, levantei-me e fui andando em direção ao chafariz, ainda não o tinha visto brilhando, colorido daquele jeito.
De um lado, uma criança andava de bicicleta, nada anormal nisso. Um outro menininho, estava sentado em um banquinho jogando pipoca, as que caíam no chão eram atrativos para os pombos, que se fartavam naquele lugar.
O que ainda não entendia era o reflexo colorido, que me atraiu enquanto eu estava no salão, do outro lado da rua.
Parei no meio da praça. Será que alguém achou estranho? Será que alguém percebeu que procurava por algo?
Só queria entender, discernir aquelas cores, afinal, inicialmente pensei que faziam parte da paisagem fixa do lugar, ou que fosse reflexo da luz solar, mas ainda não havia descoberto, e isto tornara-se um segredo a ser desvendado.
Circulei o chafariz, ainda seguindo as cores, que insistiam em me atrair. O reflexo desapareceu enquanto eu circulava, e à minha direita, um senhor, um velhinho pachorrento ostentava uma cesta colorida sobre o banquinho cinzento da praça.
Admirei a sua solidão , e perguntei-me sobre o quê estaria ele fazendo naquele lugar, naquele dia, naquela hora. É interessante que perguntei a mim mesmo, não a ele.
Um boné com o logotipo de algum posto de combustível, deixava a mostra um pouco de sua grisalhisse, a camisa xadrez, o suspensório, o chapéu, e um livrinho no colo; coisas características de alguém de sua idade, que não era, de acordo com meus conceitos, apropriada para sentar-se em um local daquele à espera de alguém, para um encontro romântico.
Por ter minha curiosidade aguçando a cada observação, sem dizer palavra alguma, sentei-me ao seu lado, ousei sentar no mesmo banquinho; agora éramos três elementos ali: eu, o curioso; o velhinho, o pachorrento e a cesta, a colorida.
-Você deve se perguntar sobre quem é a felizarda que receberá de presente a cesta.- Disse ele, olhando para o chafariz, e enquanto isso, seus olhos distantes, brilhavam.
-É Helena, e ela não está mais aqui. Mas era aqui que vínhamos comemorar o aniversário dela, porque foi aqui que nos conhecemos, e ela gostava de dar pipoca aos pombos. Na cesta, não há flores, só pipoca, e eu as jogarei a eles, do mesmo jeito que Helena fazia, sem pressa, sem a mínima vontade de ir embora; comemorarei o aniversário dela, porque ela se foi, mas está aqui no clima, no ambiente que ela mesmo criou. Eu sei que os pombos sempre chegavam perto de mim por causa dela.
Depois de ter dito isto, abriu a cesta e começou a jogar pipocas, e enquanto jogava, ia falando lentamente sobre a longevidade do relacionamento nascido há tanto tempo, e que, mesmo tendo Helena partido sem se despedir, o relacionamento não havia se consumado. Ele ainda fazia questão de agradá-la, indo aos lugares que ela gostava, e citando sempre
seu nome, e me disse que a todos a quem contava a história, deixava claro sua vontade de reencontrá-la.
Ontem
Lembro teu olhar;
Aquele do outro dia;
Tua boca me beijar;
Meu sorriso de alegria.
Ontem teve a hora;
A de ter a companhia;
Foi difícil ir embora;
É que a noite eu passaria.
A boca e o sabor;
A memória do beijo;
O sentimento é amor;
A mistura é de desejo.
A lembrança faz sofrer;
A distância me destrói;
Minha vontade é de ter;
O amor que nos constrói.
Venha ser só minha;
Deita-te na mesma cama;
Em meus braços se aninha;
E diga que me ama.
Diga com o teu olhar;
Diga com o teu abraço;
Use a boca pra beijar;
Deixa o resto que eu faço.
