Observar
Minha casa, meu jardim
Às vezes, fixo meu olhar no jardim da minha casa e observo, intrigada, os vasos de lírios e rosas que ali se encontram. Então me pergunto:
será que elas se sentem como pássaros trancados em gaiolas?
Fico triste, porque, de certa forma, sinto que é assim mesmo.
Somente eu as aprecio,
somente eu sinto o seu perfume,
somente eu as acaricio.
E somente elas sentem a minha presença e o meu carinho.
Essa estranha sensação me invade de repente.
E, mesmo sob o calor escaldante,
um leve frio esbarra em mim.
Observo como muda o meu humor, se ontem te amei, hoje sinto pouco e o pouco foi o demais que ouso. Acordo sonolenta e as palavras me dão ressaca se me desnudo na sala de minha casa calada. Pois que me desculpem os versos em vão, se tantas vezes caminho sem direção. Se digo que escrevo a você vislumbro o possível fim e muito mais escrevo a mim. Na pintura de minha face se derramam todas as minhas fases e como um camaleão mudo de cor e me misturo à paisagem. Eis que o sol raiou e é densa sua claridade, no azul do sábado que atravessa a cidade. E se eu amo tanto, também me esqueço verbalmente ao escrever um poema que não mente. O poema tira minhas vestes e encancara o peito que se faz mar celeste ou solo árido do agreste. Eis que é o mesmo sumo e me assusto ao ouvir minhas palavras e por um instante não sinto nada. Fecho as cortinas da sala, pois a ninguém interessa minha madrugada e o ímpeto de desmachá-la e já não sei quando minto ou falo a verdade, se tudo brota no caminho das ambiguidades. No sol ardente encaro a realidade, que muito mais se faz palpável se escrevo e me calo quando se escancara o sábado do passado que se busca na escuta alheia de algo que se assemelha. Busco através das palavras uma expressão que muda conforme minha face, que não ri, nem chora, pois que outrora tudo era mais intensidade, mas o dia concreto busca uma nova necessidade. O amor implacável enfraquece se no calor já mudou o meu humor. E me faça o favor de não acreditar em minhas frases, pois que contrasta o ser que sou e a pessoa que serei. Disso eu bem sei, se palavras passadas me deixam ruborizada e mais busco pássaros em revoada no céu que desconhece estrada. Hoje é dia de viver o hoje e me pergunto como pôde a noite escura se transformar em rima se hoje sigo nova trilha na paisagem que se descortina. Me visto com o meu rosto para evitar qualquer desgosto, se tanto me tenho exposto. Mais eis que são apenas palavras, que pouco dizem do meu ser, se sei fazer escurecer ou amanhecer. A roseira na janela nada espera se a maré se faz em cores amarelas e me pinto de aquarela em cada traço na tela. A poesia se faz como uma necessidade a conter minha intensidade, me abstenho da cidade e minha sala é um ecossistema que se retroalimenta. E minha doçura arde como pimenta na mão que acalenta e me faz e me sustenta. Sou mais que aparência. Eis minha essência.
Quando há uma dúvida dentro de mim, afasto-me, observo e só volto quando a dúvida se tornar um caminho.
"Por isso não observo a congruência quando me pedes para me lembre de você durante o dia, pois quando temos que nos lembrar é porque em algum momento já temos esquecido, e as pessoas especiais nós não esquecemos, elas permanecem sempre ativas perambulando em nossa mente".
Re Pinheiro
ECO DO SILÊNCIO
(Quando as almas se tocam sem precisar de voz)
Abro a porta do quarto e observo meu filho autista, que adormece no auge de sua juventude — de puro vigor, exuberância e beleza, tanto externa quanto na pureza de sua alma perdida, avulsa e flutuante. Digo em pensamento: "Obrigada, meu Deus, estou me esforçando..."
E aí, ele dá um suspiro profundo, como quem diz: "Eu sei, mãe!"
E seu corpo estremece...
Lu Lena / 2026
Não confunda minha paciência e leveza com ignorância.
Vejo mais do digo e observo mais do que notam.
Observo, atento, a movimentação dos leitõezinhos no pátio da fazenda: despreocupados, espontâneos e inocentes. Lembram-me as crianças que saem para brincar, em busca de alegria e diversão, contando sempre com a segurança e o carinho da mãe protetora.
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"Sempre observo o amanhecer
e o entardecer,
falando comigo através de paisagens..."
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( Francisca Lucas )
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Enquanto muitos falam e se entregam, eu observo em silêncio, entendo o jogo — e quando falo, não existe espaço para dúvida nem para ser ignorado.
"Às vezes, quando observo alguma pessoa, me pergunto: o que vem a ser felicidade? Infelizmente, acabo por concluir que é mentir para si mesma, conscientemente."
Quanto mais observo a vida, mais percebo que a simplicidade é uma das maiores riquezas que existem. E, curiosamente, ela é também uma das mais incompreendidas.
Muitas pessoas confundem simplicidade com pobreza, escassez ou falta de ambição. Mas não é disso que estou falando. A simplicidade não é viver sem nada. É viver sem que as coisas possuam você.
Existem pessoas que moram em casas simples durante toda a vida. Algumas até possuem dinheiro guardado, poderiam comprar muito mais do que têm, mas não sentem necessidade. Aprenderam a encontrar felicidade em coisas que não podem ser compradas.
Vivemos em um mundo onde todos, de alguma forma, convivem com inseguranças. O rico teme perder aquilo que acumulou. O pobre teme perder aquilo que conquistou com tanto esforço. Ninguém está completamente livre das dificuldades da vida. Ninguém está totalmente protegido da maldade humana.
Mas existe algo que nenhuma pessoa consegue roubar quando é cultivado com sinceridade: a paz interior.
Com o passar do tempo, percebi que a felicidade raramente está nas grandes conquistas que imaginamos. Ela costuma morar em momentos simples que acontecem quase sem fazer barulho.
Está em ter uma cama confortável para descansar depois de um dia cansativo.
Está em sentar à mesa para compartilhar uma refeição com quem amamos.
Está em assistir a um filme juntos numa noite tranquila.
Está em preparar um café enquanto a conversa acontece sem pressa.
Está em acordar e perceber que existe alguém ao seu lado que escolhe permanecer, não por obrigação, mas por amor.
Talvez a verdadeira riqueza seja justamente essa: ter com quem dividir a caminhada.
A vida não é feita apenas de dias bons. Também existem perdas, preocupações, frustrações e momentos difíceis. Faz parte da experiência humana. Nenhuma felicidade é permanente. Mas nenhuma tristeza também é.
A vida oscila entre tempestades e dias ensolarados.
Por isso, nos momentos difíceis, gosto de pensar que as boas lembranças funcionam como pequenas luzes guardadas dentro de nós. São elas que nos ajudam a continuar quando tudo parece pesado. São elas que nos lembram que a dor não dura para sempre.
E quando olho para tudo isso, percebo como passamos tanto tempo correndo atrás de coisas que um dia ficarão para trás. Casas, carros, objetos, dinheiro. Tudo isso pode ser útil, confortável e importante. Mas nada disso nos acompanha para sempre.
O que permanece são os momentos vividos, os afetos construídos, as histórias compartilhadas e o amor que oferecemos ao longo do caminho.
Afinal, ninguém leva seus bens quando parte deste mundo. Mas leva consigo a marca de como viveu, de quem amou e de tudo aquilo que escolheu valorizar.
Talvez a felicidade não seja uma condição permanente. Talvez ela seja feita de pequenos instantes espalhados ao longo da vida. E talvez a sabedoria esteja justamente em reconhecê-los enquanto acontecem.
Porque o passado já se transformou em aprendizado. O futuro ainda não chegou. O único lugar onde a vida realmente acontece é agora.
E se a felicidade estiver muito mais perto do que imaginamos, escondida justamente nas coisas simples que costumamos deixar passar?
No refúgio do vasto sentimento.
Observo a imensidão do universo...
Sinto frio e a solidão dos corpos celestes...
Sou testemunha que mundos morrem nas virtudes das sombras...
Somos seres pequenos diante o lampejo do universo...
Nem compreendemos nos mesmos...
Nossos ancestrais tinham a conexão dos deuses místicos tínhamos a compreensão inata torna navegante de um mundo desconhecido...
E novas descobertas o universo nos espera talvez num futuro distante outros pensadores terão mesmo olhar em outras terras buscando a beleza no caos predomina a escuridão do universo.
Para todos os lados observo e vejo grandeza, vejo amor, vejo proveito...
Mas alguém há de ver isso em mim?
Vejo olhares arrogantes...
Observo comentários ruins, julgamentos...
Vejo as praças com seus bancos vazios, mas quem há de estar mais vazio? Os bancos ou as pessoas?
Sorrir para não incomodar o outro com a sinceridade é a mentira mais cega da realidade.
Você será odiado e taxado por demonstrar demais.
Será pisado por demonstrar compaixão.
Será condenado por oferecer perdão.
A realidade se dobra ao que parece sólido, mas não transcendente.
Com o tempo, observei algo nos ímpios...
Mesmo que ali pareça não haver mais nada de digno para um bom futuro, eu observei algo que poucos enxergariam: a reparação.
Não observei as falhas, mas compreendo que muitos são vítimas da realidade, já outros escolheram o caminho por se acharem inúteis para oferecer bondade.
O tolo fala, fala, fala... Mas, na sua tolice, ainda há sabedoria, ainda que poucas vezes... Talvez, se ele falasse para si mesmo, compreenderia.
Observo uma mulher que amo indo embora em mais um capítulo da minha vida...
Coisa que não compreendo; porém, digo ser castigo. Eu espero o melhor, mas vem o pior.
O conceito e a finalidade de uma relação começam na compreensão mútua.
A capacidade de se ver no outro e reparar suas dores...
Mesmo que alguém ame ao ponto de enxergar isso, seria tortura ver sua ternura ir embora depois de tudo.
Observei os pais educando seus filhos...
Vejo a criança cair, mas esperar pelo pai e pela mãe para que a levantem. Mas não a ensinam a usar a própria força dos braços para se reerguer e ficar de pé; é uma tolice mimar os filhos sem ensiná-los a resolver suas próprias questões e a ter um senso de justiça.
Observei a impureza...
Para todos os lados, roupas vulgares... Mulheres, em sua carência, mostram o corpo... Homens, em seu desespero, tentam humilhar os outros...
Mas, entre tudo isso, eu me pergunto:
"Onde estão vocês?"
Para onde foi a compreensão das pequenas coisas?
Para onde foi o valor da sensibilidade?
Para onde foi o senso de justiça?
Onde está o amor?
Eu não me guio pelo que me dizem,
eu observo o que me mostram.
Porque são os detalhes que revelam
o que palavras tentam esconder.
miriamleal
Observo a robustez das raízes que sustentam as árvores milenares e busco uma âncora igualmente forte para a minha alma, encontrando-a somente na memória indelével da Redenção. Meu passado estava irremediavelmente manchado pela falha e pela ausência de propósito, mas a eficácia daquele Sangue, derramado no mais cruel dos palcos, não apenas limpou a culpa, mas reformulou a minha essência, inaugurando uma nova realidade de pertencimento e esperança inabalável. O Calvário, com sua crueza histórica, é o ponto de inflexão de toda a minha jornada, o lugar onde a Mão Eterna plantou a semente de uma fé que não será abalada pelas tempestades do mundo.
A vontade de desistir é um animal que aparece ferozmente. Eu o observo, ofereço água e digo seu nome. Nomeá-lo enfraquece o monstro e devolve-lhe forma humana. Com isso, a desistência perde parte de seu reino. E eu continuo, passo a passo, com pés que querem aprender.
Minha alma cansou de avisos ignorados, hoje falo menos e observo mais, a verdade aparece sozinha, para quem sabe ver, eu sei.
