O Poeta e o Passarinho
De que maneira podemos desejar a paz entre as pessoas se o passarinho na gaiola do vizinho implora há anos para ser solto, somente por cometer o“crime” de cantar belamente? E, aos domingos, levamos nossas crianças ao zoológico para contemplar a prisão de criaturas inocentes?
Ainda tem um passarinho cantando, o vento, a poesia das folhas em qualquer praça, uma estátua, um relógio marcando três horas talvez, uma bicicleta, uma buzina e ao final do dia, sem que ninguém peça!!!! Existe o milagre do cotidiano ....
Quando gritou Cabral: "Terra a vista!",
Era um passarinho inocente.
Quando exclamou Dom Pedro: "Independência ou Morte!",
Era a coroa de louro do novo continente,
Nosso Brasil.
Quebraram-se as correntes,
Rugiu a onça, latiu o guará,
"Vós sois aquele varão", escreveu o padre sonhador,
Para aquele que versará,
Nosso Brasil
"Ela! minha estrela, viva e bela",
Sussurrou a doce voz.
Grandes eram seus sonhos,
Gigantes os seus caminhos,
Nosso Brasil.
Entretanto, pequenas suas vontades,
Minúsculos seus passos,
Tombou na preguiçosa tentação,
Anhanguera que lhe amarra os pés,
Nosso Brasil.
País que sobrevive à glória do passado,
Vive o resplendor do futuro!
Levanta a cabeça, Dona Majestosa,
Dança e canta:
No céu és a águia cinzenta,
No mar és o boto rosa,
E na terra, serpente amedrontadora!
O caminho do nosso Brasil
Terra do samba e do pandeiro,
Do chorinho e frevo,
Trevo de quatro folhas,
Nosso Brasil.
Terra do preto e branco,
Verde e amarelo,
Índio e europeu,
Africano e asiático,
Terra do brasileiro,
Nosso Brasil.
Continente formoso,
Vento que leva a folha do Ipê,
Onda que move o Velho Chico,
Nuvem que azul faz o céu da Cidade Maravilhosa.
Cristo nos abraça,
Brasil brasileirinho,
Nosso Brasil!
Voa, minha poesia
Passarinho do sertão
Leva o sopro da palavra
Nas asas do coração
Cruza rios, corta o vento
Faz do verso o firmamento
Da minha inspiração
Dois sóis
Amanheceu um lindo dia!
Passarinho verde me contou,
que o meu amor chegou.
Sorrindo, corri ao seu encontro.
Um abraço envolvente,
nos beijamos docemente.
Ele é o meu jardim,
que com carinho cultivo.
Dele eu sou a flor que
perfuma
e acaricia.
Somos dois sóis,
por onde passamos,
o nosso amor à
todos ilumina.
Nosso amor puro,
à todos inebria.
Somos dois sóis,
sublime harmonia.
QUERIA!
Queria ser um passarinho
Para pode voar
Sair as vezes do meu ninho
E ir para outro lugar
Respirar um ar puro
Me sentir tão seguro
Sem poder me segurar
Queria ser um passarinho
Para viver em dimensão
Ir no além do Horizonte
Conhecer o mundão
Sentir o puro ar
Como plumas flutuar
Em uma certa direção...
O passarinho volta para o ninho sem sinalização;
há sentir nisso.
a borboleta é tão linda e talvez nem saiba disso.
a vida é sentimento, senão não tem sentido.
Voou.
Diante da imensa vontade
em lhe ver.
Me fiz passarinho,
voei até você.
Cantei em sua janela
Até você aparecer.
Passarinho que voa
sem lembrança do anterior,
sem rosto, sem voz,
sem saber de onde veio.
Ainda assim, voa.
Seu único vestígio:
O tempo é a tardança
daquilo que se espera.
Pobre criança das noites fundas,
que pensa e pensa,
e sofre por pensar.
Talvez o anterior
nem esteja mais aqui.
Talvez, para ti,
nunca tenha estado.
Então voa,
como sempre voaste,
mesmo sem ter quem te ensinasse.
Pobre criança,
não te deram o pai,
mas te deram o céu.
Me sinto um passarinho enjaulado nessa vida…
Enquanto o passarinho tem o canto para aliviar sua melancolia e tenho a escrita para aliviar a minha.
Passarinho, me perdoe se, em algum momento, eu não consegui te oferecer tudo o que sonhei para nós. Nada disso foi por falta de amor ou de vontade. Me perdoe por não ter conseguido manter nossa família unida. Nada disso foi de propósito, nem o que planejei. Nunca quis te dar menos do que merecia. Flor, que o mundo não transforme em ausência e frieza definitiva o amor que um dia brotou de verdade entre a gente. Rezo todo dia para que a vida não apague de vez o carinho e o afeto que cultivamos e que floresceram tão bonito entre nós, e que o tempo respeite com delicadeza o que compartilhamos.
Por amor à beleza
se prende um passarinho e cortam as pontas de suas asas.
Se arrancam as flores que crescem livremente
para decorar o ambiente —
e assim que murcham, são dispensáveis.
Por amor à beleza
aprisionam a alma livre
que agora sofre por não ter mais a liberdade.
Por amor à beleza
encobrem o natural com camadas artificiais.
Destroem em dias
o que a natureza levou décadas para gerar.
Por amor à beleza
a gente se destrói,
dando origem ao que não existe.
Ao que não é real.
Por arrogância.
Por necessidade de nos enganar.
E assim aplaudimos
a ilusão que construímos
a partir da beleza que destruímos.
Deformação
Marcio Melo
O Mundo de Petico ( Samuel)
Dentro do peito do Petico mora um passarinho bem pequenininho.
Na maioria dos dias, ele fica quietinho… dormindo no ninho.
E aí o peito do Petico fica calmo… como um lago parado.
Mas às vezes… vem um barulho.
Uma mudança. Um susto.
E o passarinho acha que é perigo.
E então…
flap, flap, flap…
Ele bate as asas rápido.
E o peito faz tum-tum-tum.
A barriga fica fria.
A respiração corre.
Não é birra.
Não é desobediência.
É um passarinho assustado… tentando fugir.
“E sabe o que muda tudo?
É quando o adulto para de mandar o passarinho calar…
e começa a acolher"
“A gente não briga com o passarinho.
A gente ensina ele a pousar.”
“Filho… parece que o passarinho acordou aí dentro.
Vamos ajudar ele a dormir?”
🍿 Pipoca na barriga → ansiedade
🧸 Alarme do ursinho → sistema de alerta sensível
“Crianças como o Petico não precisam que o mundo fique em silêncio.
Elas precisam que alguém as ajude a entender o barulho.
Porque, no fundo…
todo passarinho assustado só quer ter certeza de uma coisa:
que está seguro.”
Se eu fosse um passarinho,
Com duas asas para voar,
Eu ia sair do meu ninho,
E voar no seu caminho,
Batendo asas sem cansar,
Até um dia te encontrar,
Bicar seu lindo rostinho,
Fazendo carinho sem parar.
VIDA DE PASSARINHO
Pobre do homem que leva uma vida de passarinho. Apenas preocupado com seu deitar e com seu levantar, com seu cansaço e com seu descanso, que vive preocupado em produzir ou caçar como um animal, seu alimento diário, mas que nesta rotina enfadonha e neste trabalho de Sísifo, encontra algum sentido para continuar vivendo.
Que deidade perversa, como Hades, que libertou o homem para voltar a viver em busca da felicidade, representada pela mulher amada, ou como Zeus, que o puniu por enganar a morte mais uma vez, teria submetido o homem comum a tal sofrimento e vida inútil?
Os poetas, contudo, para fugir desta vida vã e deste trabalho de Sísifo, forjaram do nada a possibilidade da vida útil e criativa, inventaram a ilusão e a beleza do abstrato, o prazer eterno nos braços da musa, e a ideia de imortalidade, para no final da vida breve invejar os passarinhos, que não sonham com recompensas metafisicas nem têm delírios de eternidades.
Evan do Carmo
