O Poeta e o Passarinho

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A Eliot
O poeta ressurge das cinzas das horas
do niilismo absurdo, da sombra do mundo,
no fim da aurora.
Canoa virada, naufrágio profundo
do centro do abismo,
sem forma ou lirismo, anuncia o futuro.
Se pensa desiste, monólogo tão triste
enfado e desânimo.
Descansa do verso,
é um santo professo na prosa frugal
recita Homero, arrisca um refrão
desprezo fatal.
Não bebe mais vinho, não é abstêmio
sempre foi boêmio na noite discreta
amou sua musa, na lua minguante
não foi bom amante,
mas foi bom poeta.

Uma prova de que até poeta bom pode ser estúpido,
é o fato de Vinicius ter tido sete mulheres..
e nenhum verdadeiro amor!

RIO DE JANEIRO

Evan do Carmo

Que poeta passaria sobre ti, adormecido
em tuas ruas estreitas, a um mar imenso?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Consumimo-nos por algo maior que nós mesmos — pela posteridade, pelo futuro ausente.
Ser poeta é mergulhar no abismo e reconhecer,
no seu riso frouxo, o eco dos aplausos do caos,
sentir no âmago do desespero,
e mesmo assim se sentir contente.

Acredito que o bom escritor, o poeta, o artista como um todo, precisa ter vivido uma outra realidade. A realidade dura da vida, da busca pelo sustento, o sofrimento, a tragédia, a pobreza, sim, necessariamente a pobreza. Observando os grandes espíritos, as grandes personalidades, percebe-se que todos aqueles que conseguiram chegar a um patamar alto no que diz respeito à sutileza, à beleza, à singeleza, à sublimidade da arte em sua essência, são pessoas desse tipo.
Fernando Pessoa carrega uma tragédia pessoal, uma esquizofrenia consciente. José Saramago traz a luta ideológica, o contexto social de pobreza, a perseguição e a fuga.
No meu caso, a tese não é teórica. Perdi meu pai aos onze anos e fui trabalhar como pedreiro com um tio, na Bahia. Isso não é metáfora, é biografia. Está contado em dois livros meus, Eis um Homem e A Morte do Meu Pai, sendo este o mais recente.
Observando o outro lado, o contraste se impõe. Oscar Wilde viveu na orgia intelectual, cercado de conforto, exagero e facilidades próprias de uma elite privilegiada. Enquanto viveu nesse ambiente, não produziu nada de essencial. Foi apenas quando foi preso que escreveu seu verdadeiro livro, A Balada do Cárcere de Reading.
Artistas atuais, não me venham com o argumento de que é o dom que faz a arte. É a existência que faz o artista e, consequentemente, o artista produz a arte

Errar, errar e errar faz parte da vida; mas continuar errando, sem aprender, já dizia o poeta, é burrice

Poeta é aventureiro,
não quer nem saber de dinheiro,
vive igual os animais,
tanto fez e tanto faz,
só quer viver em paz!

Nem todo erro é falha; às vezes, é só o teclado querendo ser poeta.

Pobre poeta e pescador,
Que no mar da vida
Pescou amor e sentimentos,
Mas também dor e sofrimento.

Com seu barco cheio de vaidades,
Esqueceu-se das veleidades
Escondidas no porão,
Carcomidas de solidão.

Mas triste é saber a verdade.
E entre vários raios e trovão,
Veio vindo a tempestade,
Jogando águas na embarcação.

E aqui se vão as saudades
Dando lugar ao terror
E às necessidades
Para não se morrer de amor.

Primeiro, tudo de ruim
Ao mar fora jogado:
As brigas, ciúmes, infelicidades;
Tudo tirado de mim.

Depois se vão
Os versos rimados:
Declamação, declaração.
E se vão também
Os sonhos da realidade:
Desilusão, destruição.
Destituição e desdém
Além da eternidade.

Para não morrer
Nas mágoas que criei,
Vou atirando às águas
Do mar a se revolver
Todo o meu pesar,
Tentando assim me salvar
Do fim que bem eu sei...

Atiro todas minhas idades,
Todo o afeto e carinho
Recebido e dado.
E sem mais agrado,
E sem identidade,
Eu fico sozinho...

... São e salvo, com frio,
Num silêncio profundo;
Navegando pelo mundo
Com o meu barco vazio.

O poeta faz poesia. Rima tudo e faz belo!
Jesus é alegria para quem quer ser eterno!

Uma Verdade Diferente


Quando se é poeta, aprende-se a perscrutar além do que apenas pode ser sentido. Aprende-se a sentir-se, a sentir a natureza e tudo o mais.
Quando romantizei a realidade e a crucifiquei, chamaram-me poeta — e eu, que nem sequer o sou.
Até a verdade precisa de ser suavizada, moldada. Riram quando confundi o sol com a lua; mas, se lhes perguntasse pelo sol, mostrar-me-iam a lua.


Esta é a verdade que muitos definem e poucos abraçam.
Nem toda a beleza se revela por inteiro. De ambos os lados, não há verdade.
E eu, que uso a metáfora — olhos para sentir, coração para ver — não fui compreendido. A minha verdade é diferente.
Cada coisa representa uma forma. E, havendo tantas formas, já não sei: se uma falta, ou se outra nunca foi verdade.
Esta é a realidade —
uma verdade diferente.

Eu sou um poeta
Eu sou um escritor
Eu sou o amor
Graças ao meu Senhor

Se Deus é amor
Se Jesus Cristo é amor
Eu como simples poeta
Também vou ser o amor

Não sou poeta
Mas Deus me fez o melhor poeta
Não sou amor
Mas Deus me fez o melhor amor

⁠O Poeta na Cama...

Quero
despertar feras
no teu corpo!

Enquanto chove lá fora...
Esta noite eu quero
Riscar
fósforos
na tua pele!

Nutrir
o teu mais louco desejo
Ser -permanecer-ficar-cantar-viver-feliz
teu alimento!

Te dar de beber
na boca...
chocolate quente
Pra espantar o frio
indecente!

Eu de poeta não tenho nem o nome
Eu de poeta não tenho nada!
Por que não é meu
este verso que nasce
involuntário
do meu peito!
E hoje está cada vez mais presente
feito a humidade de um rio caudaloso!
De poeta eu não tenho nada
nao bebo vinho
não grito na calçada
nem me escondo em grupos
ou concursos literários!
Sou egoísta e reservado
Pensem o que quiserem
Eu apenas vivo o meu verso
feito o trovão no final da tarde!


William Marques de Oliveira

Falso Poeta



O que possuis?

Nada!?

Farfalha as tuas cordas vocais...!

Secas!

Por nada!

Como dizes que isto ou aquilo é teu?

Nem és uma imitação falseada

de Cecília!

Tão pouco, o porquinho da índia

de Bandeira!...

Acaso podes tu

humano possuir (?)

as profundezas da terra

e as alturas dos céus?

no pequeno terreno teu?...

Não sejas superficial!

Acaso podes tu

humano

possuir alguma coisa

se passarás

antes mesmo que esta acabe?

A Cortina da Pressa é Afastada e A Sensibilidade de Poeta se Atenta.

Eu e a minha querida e velha mania de admirar o céu como se estivesse admirando deslumbrado uma exposição de arte natural, mesmo que por apenas alguns instantes, pois cada instante desses é simplesmente especial, seja durante o dia ou à noite — quando aquilo que é admirado às vezes nem parece que é real.

Vários quadros sem molduras e pintados sem pincel ficam expostos nas alturas, sempre um diferente do outro, até com poucos detalhes de diferença entre cores, formas e texturas — resultados grandiosos após a soma rica de seus pormenores: frutos fascinantes da Sapiência Divina, com certeza, uns dos melhores.

Tal oportunidade de admirar não acontece com frequência, entretanto, basta afastar a cortina da pressa para que uma brecha na rotina seja encontrada — uma grande janela aberta que em nada combina com um olhar superficial apressado: convida a sensibilidade de poeta, que admira o que beira surreal de um jeito bem aprofundado.

Sou um simples poeta com uma imaginação inquieta e realista, então, fico inspirado e imagino durante boa parte do meu dia, mas é durante à noite que a inspiração fica ainda mais forte, quando as minhas emoções e os meus instintos avivam os meus pensamentos, criando algumas cenas e versos na minha mente, sinceros e intensos

Tudo pode ser inspirador, entretanto, melhor será se eu puder encontrar vida, um esplendor de intensidade, uma simplicidade genuína, uma essência de muita naturalidade como um céu repleto de estrelas, a luz do luar sobre as folhas das árvores, deixando a natureza com uma aparência mais elegante, exaltando certos detalhes

E em sincronia com esta minha preferência poética, encontro em ti, bastante vitalidade, percebo que a tua sensualidade também possui hábitos noturnos e assim, permite que fiques mais à vontade, confiante, então, a tua presença consegue inspirar-me intensamente com tamanha facilidade, uma capacidade interessante que aguça a minha criatividade

Por consequência, nesta ocasião noturna, serás para mim, a poesia mais bela, arte que desperta o meu interesse de fazer uma leitura sem pressa das linhas suaves do teu corpo, cada trecho das tuas curvas, o que tem a dizer a expressão profunda e verdadeira dos teus olhos, a verdade da tua essência, que pode ser um sonho ou uma doce loucura e os beijos serem dados veemência.

A Transformação da Graça que Inspira o Poeta

A sua notória graciosidade é profundamente inspiradora, considerando que tu podes ser o sonho de uma arte perfeita em movimento; as linhas de uma poesia intensa, repletas de verdades e de sentimentos, tal como a silhueta das tuas curvas e a integridade do teu renascimento frequente; a pintura atraente motivada pelo amor, onde há cor, alma e beleza; a melodia afinada no tom certo e na emoção exata. Assim, a tua graça inspira e a cada manhã, Graças ao Senhor, a tua existência se renova, charmosa e verdadeira — inspiração transformadora, fervor da satisfação poética.